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Os antecedentes da crise do Líbano

Esta resenha sobre alguns dos equipamentos do movimento Hezbollah, não faría sentido sem que se tentasse explicar de forma sucinta, o que é o Hezbollah, um movimento que utiliza equipamentos que normalmente são utilizados por exércitos de estados soberanos.

Quando nos anos 70 os refugiados palestinianos foram expulsos da Jordânia pelo Rei Hassan II, uma grande parte deles fugiu para o Líbano.

O Líbano era um pequeno país, que já tinham estado envolvido numa guerra civil em 1957, entre cristãos, que representavam quase 50% da população e dominavam política e economicamente o país e várias facções muçulmanas que queriam que o país se alinhasse com as posições da Síria e do Egipto contra o Estado de Israel.

Quando chegou ao Líbano em1973, a OLP transformou-se em mais uma das muitas facções que coexistiam no país e com a chegada de 300.000 palestinianos, transferiu-se para o Líbano também a chefia da Organização de Libertação da Palestina, sob o comando de Yasser Arafat.

O pequeno estado, que desde a sua independência praticamente não teve uma situação governativa estável a seguir a 1958, não tinha já nos anos 70 qualquer capacidade militar efectiva, organizada e eficaz, e estava na realidade dividido entre os exércitos dos grupos rivais e senhores da guerra.


Arafat no Líbano em 1981: mais achas para a fogueira
 

A tensão entre Israel e a OLP continuou e o Estado de Israel, nunca deixou de tentar decapitar a organização palestiniana, procedendo a ataques regulares ao sul do Líbano, onde se encontrava a maioria dos refugiados da organização de Arafat. Israel toma partido por uma das facções quando se declara uma guerra civil em Março de 1975 em que parte da população cristã considera que é necessário fazer qualquer coisa por causa dos constantes ataques ao Líbano, desde que chegaram os refugiados palestinianos.

A guerra civil acabará no ano seguinte, com uma intervenção de tropas sírias, e depois de ter provocado 40.000 mortos e 100.000 feridos.

Em 1981, a tensão entre Israel e os palestinianos que se encontravam no sul do Líbano continuava. A Síria instalou defesas anti-aéreas no vale de Becaa e nesse mesmo ano, Israel efectuou ataques e bombardeamentos sobre posições da OLP desde a fronteira sul até Beirute.

Em Junho de 1982, Israel chegou às vias de facto e decidiu invadir o Líbano. Em menos de uma semana toma todo o sul e chega a Beirute, colocando sob cerco a OLP, forçando o movimento a abandonar o país após um cerco acompanhado de bombardeamento durante mais de um mês.

As divisões religiosa no Líbano no inicio dos anos 80. Entre os cristãos existem também várias ceitas com diferentes posicionamentos políticos.

Coincidente com a situação no Líbano (com inicio em 1979) dá-se um outro acontecimento relevante:

No Irão, o Aiatolah Khomeini toma o poder numa revolução islâmica e aquele país passa a apoiar os movimentos e organizações que lhe são mais próximos.

No Líbano, há uma considerável comunidade de muçulmanos Xiitas, a linha do islão maioritaria na República Islâmica do Irão, e também no Iraque.

A partir da invasão de Israel, a parte mais radical dos Xiitas organiza a sua resistência aproveitando o apoio dos Irão. Esse movimento, virá a chamar-se em 1984, «Partido de Deus» ou Hezbollah, e além de combater contra outras facções libanesas, continuará a atacar os interesses de Israel e terá como principal objectivo, instaurar no Líbano, uma república islâmica à imagem do Irão.

De notar, por curiosidade, que quando Israel invadiu o sul do Líbano, os Xiitas, que hoje apoiam na sua maioria o Hezbollah, apoiaram ou ficaram neutrais perante a invasão, a qual tinha como objectivo controlar os palestinianos no sul do Líbano que os Libaneses Xiitas mais moderados e seculares viam como um problema à sua própria segurança.

No Líbano, subsistem assim no fim dos anos 80 e princípios dos anos 90 os movimentos cristãos, parte deles apoiados por Israel, os muçulmanos sunitas, parte deles apoiados pelo Iraque de Saddam Hussein, os muçulmanos sunitas e alguns xiitas apoiados pela Síria e os muçulmanos xiitas mais radicais apoiados pelo Irão, além dos Drusos que têm algum apoio da União Soviética..

No fim dos anos 80, Iraque e Irão são inimigos e a Síria assume posições mais próximas aos iranianos, arqui-inimigos de Saddam Hussein, estabelecendo um dominio claro junto das comunidades sunitas.


Nasrallah: Dominio do Irão

A aliança entre o Irão e a Siria, e a fraqueza do Iraque de Saddam Hussein, saído da guerra com o Irão e envolvido na guerra do golfo, levam a que os movimentos apoiados por estes países se tornem dominantes e que a partir daí, o Líbano se transforme num estado satélite da Síria e do Irão. O país é assim dividido entre os interesses do movimento Amal (apoiado pela Síria e maioritariamente constituido por muçulmanos sunitas e alguns xiitas moderados) e o movimento Hezbollah (apoiado pelo Irão e que era inicialmente parte integrante do Amal, movimento que embora Xiita, rejeitava o domínio iraniano).

No que respeita ao Hezbollah, o domínio directo da República Islâmica do Irão, foi aumentando gradualmente, especialmente quando um Xiita de origem iraquiana (No Iraque os Xiitas, embora majoritários são perseguidos) que foge para o Líbano e estuda no Irão, de nome Sayyid Hassan Nasrallah passa a controlar a organização.

É Nasrallah que vai transformar radicalmente o movimento. Trata-se de um discípulo directo do Aiatolah Ali Khamenei, o líder espiritual iraniano que substituiu o imã Khomeini depois da morte deste.

Nasrallah vai transformar o Partido de Deus, num fortíssimo movimento militar, político e social, capaz não só de ganhar eleições como de afrontar o próprio Estado de Israel.

É esse movimento que em 2006, está equipado com milhares de foguetes de médio alcance capazes de atacar Israel e que se identificam na página seguinte.



Título: Hezbollah: Os mísseis do partido de Deus (última actualização: 24.07.2006)
Autor: P.Mendonça / Luis Abreu
Referências: ver última página


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