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A troca de opções: Perry versus Karel Doorman

Portugal optou por incorporar na marinha de guerra duas fragatas da classe Karel Doorman, também conhecida como classe «M».
Ao contrário do que inicialmente tinha sido previsto, não foram escolhidas as duas fragatas da classe Oliver Hazard Perry que tinham sido disponibilizadas por aquele país e que foram entregues à marinha daquele país em 10 de Outubro de 1980 e em 30 de Maio de 1981.

As fragatas americanas, que Portugal recusou:
As fragatas Oliver Hazard Perry que Portugal recusa para aceitar as fragatas holandesas, eram parte de uma longa lista de navios que a marinha dos Estados Unidos começou a construir no final dos anos 70, dentro de uma política de cortes orçamentais, para servirem de apoio à defesa aérea dos seus grupos de combate, centrados nos super porta-aviões da classe Nimitz. Tratava-se de navios com cerca de 26 anos de utilização.

Ao contrário dos anteriores modelos de fragatas americanas, dos anos 60 e 70, que se destinavam essencialmente à luta anti-submarina, as Perry, tinham uma valência múltipla, e estavam equipadas com radares de longo alcance, e mísseis anti-aéreos de longo alcance, que permitiam defender tanto o próprio navio como os navios que estivessem na área.

James Carter
Administração Carter e os cortes na defesa: Opção por fragatas mais pequenas e polivalentes.

As fragatas OHP, foram uma aposta da administração Carter, menos propensa a gastos militares, enquanto que a administração que se seguiu, a de Ronald Reagan, optou por uma política armamentista mais vigorosa e que resultou no aumento do numero de cruzadores Ticonderoga e na classe de contratorpedeiros Arleigh Burke.

Estes poderosos navios, com sistemas de defesa aérea muito mais sofisticados, tornaram as fragatas Perry em navios redundantes, cuja capacidade de defesa aérea era praticamente inútil quando comparada à defesa dada pelos muito mais poderosos contratorpedeiros e cruzadores.

Os navios que foram oferecidos a Portugal, eram dos mais antigos de entre as várias variantes construídas, e os seus sistemas, electrónicos eram modernos nos anos 80, mas relativamente obsoletos nos anos 90 e são ainda mais obsoletos na primeira década do século XXI.

James Carter
Os contratorpedeiros da classe Arleigh Burke, são a cara da administração Reagan, que sucedeu a Carter no inicio dos anos 80. Muito maiores e muito mais poderosos, eles são praticamente idênticos aos cruzadores da classe Ticonderoga.Por causa destes navios, as fragatas da classe Oliver Hazard Perry, não sofreram alterações de importância, sendo relegadas para funções secundárias.

Para transformar as fragatas Perry em navios militarmente eficientes, seria necessário efectuar alterações nos navios que implicavam um investimento muito grande em cascos com quase 30 anos, o que foi considerado um desperdício de dinheiro.

Desde o inicio do processo, que várias vozes na marinha se levantaram contra a aquisição das fragatas Perry, porque por serem muito velhas isso levaria a marinha a encara-las como uma arma temporária, não criando todos os circuitos de abastecimento necessários, e ficando dependente do único país europeu[1] que utiliza esse tipo de fragatas, a marinha da Espanha.

Essa dependência, sempre vista como negativa, acabaria não trazendo nenhuma vantagem para a marinha portuguesa, que teria que depender dos espanhóis para manter navios antigos.

Além disto, a análise que foi feita, da qual não são no entanto conhecidos detalhes pormenorizados, parece apontar para um nível baixo de manutenção dos navios americanos, problemas de avançado envelhecimento e necessidade de grandes revisões para tornar os navios operacionais e compatíveis com as fragatas da classe Vasco da Gama, que embora tenham mais de 15 anos, são em muitos aspectos mais modernos.

A decisão de optar por outros navios, parece assim fazer algum sentido, pesando embora o facto de as fragatas da classe Oliver Hazard Perry estarem equipadas com sensores (radares) que permitem a utilização dos mísseis antiaéreos de médio alcance SM-1, que têm capacidade para atingir alvos a até 40 Km de distância.
Esta característica, era única nos navios em segunda mão que poderiam ser considerados, uma vez que os outros dois navios com estas características, pertenciam à marinha da Holanda e foram vendidos ao Chile[2].

E esta característica (possibilidade de se defender de aviões a grandes distâncias) é uma das que define um navio de defesa aérea, ou navio de defesa de área, capaz de se defender a sim, mas também de garantir a segurança dos navios que acompanha contra ataques aéreos.

Ao adquirir os navios holandeses do tipo «M» a marinha de Portugal abriu mão daquele que parece ser o seu objectivo em termos de navios de superfície:
Dispor de dois navios de defesa aérea.

Ao abandonar as fragatas OHP, decidindo que o investimento necessário para as tornar eficientes e minimamente eficazes, é demasiado, a marinha parece ter abandonado pelo menos por agora esse objectivo.

- x -

[1] Presentemente, além da Espanha, também a Polónia equipa a sua marinha com navios deste tipo, embora os navios polacos sejam em segunda mão.
[2] Trata-se das duas fragatas de defesa aérea da classe «Jacob van Heemskerk», uma versão das fragatas Kortenaer, equipada com dois tipos de mísseis antiaéreos, de curto e médio alcance.



Título: Fragatas Karel Doorman (última actualização: 01.11.2006)
Autor: Paulo Mendonça
Referências: Janes Fighting Ships / Imprensa / All Wrld. Warsh.


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