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A frota soviética e o Varyag

Pedro o Grande
Pedro o Grande
Desde que o imperador Pedro, conquistou uma posição para a Rússia no mar Báltico, que o país não deixou de se tentar afirmar como grande potência naval europeia.  O facto de a Rússia ser um país essencialmente continental, jogou no entanto a favor de maiores investimentos nos armamentos terrestres que nos armamentos navais.

A marinha do império russo entrou na história das marinhas europeias, por ter sido protagonista da primeira grande derrota militar de uma potência naval europeia perante uma marinha não europeia, o que aconteceu em 1905, quando a Marinha Imperial do Japão, assestou golpes devastadores numa esquadra russa enviada para defender as costas russas do pacífico.

Com o período soviético, a projecção da marinha foi vista como secundária, e até ao inicio da segunda guerra mundial, a marinha russa ficou limitada aos couraçados construídos durante o reinado do Czar Nicolau II.

A marinha teve pouca ou nenhuma importância durante a segunda guerra mundial na Rússia, e no seu seguimento, a política do Kremlin apontou para a construção de uma frota de submarinos que conseguisse em caso de guerra cortar os fornecimentos e o transporte de armas e munições entre a América e a Europa.

No entanto, a URSS, não deixou de apostar também na arma naval, com unidades de superfície, nomeadamente unidades capazes de transportar aeronaves e expandir assim o poder de um eventual grupo de batalha soviético. Durante os anos 60 (entregue em 1967), apareceu primeiro porta-helicópteros da classe Moskva, constituído por duas unidades, com um deslocamento máximo de 17 500 toneladas e capacidade para 14 helicópteros.

Essa classe foi seguida pelo seu complemento lógico, os três porta-aviões da classe Kiev (entregues respectivamente em 1975, 1978 e 1982)[1], com capacidade para 12 aeronaves de asa fixa e 19 helicópteros. Estas três unidades seriam complementadas com um quarto navio, o Baku, entregue em 1987 o qual tinha armamentos melhorados e radares mais modernos.

Kiev
Classe Kiev: O primeiro porta-aviões da URSS

O responsáveis navais soviéticos não tinham ilusões relativamente à capacidade dos seus navios. Embora com um deslocamento 37 000 toneladas, eles transportavam apenas uma dúzia de aeronaves, e eram inferiores em muitos aspectos aos muito mais pequenos Invincible da Grã Bretanha, e claramente inferiores aos dois porta-aviões franceses da classe Clemenceau.

Assim, ainda não tinham sido entregues os primeiros três Kiev, e a URSS já preparava a sua classe seguinte de navios, que deveriam dar ao país pela primeira vez capacidade para contestar o domínio dos mares aos países da NATO, especialmente aos Estados Unidos.

Esse domínio americano, deveria ser posto em causa pelos dois porta-aviões soviéticos de grande porte. O primeiro navio da classe seria o Leonid Brejnev, posteriormente rebaptizado «Tbilisi» cuja construção começou em  Janeiro de 1983, sendo seguida pelo segundo navio da classe, lançado em Dezembro de 1985, e que se chamaria «Varyag». Esses navios, com um deslocamento entre as 60 000 e as 70 000 toneladas, transportariam o dobro das aeronaves, e teriam capacidade não só para utilizar aeronaves de descolagem vertical, como poderiam utilizar aviões de combate de maior porte da família do Su-27 Flanker, o que finalmente daria à esquadra russa uma capacidade efectiva de controlo marítimo.

Curiosamente, os novos navios soviéticos não eram chamados de porta-aviões. O seu nome técnico era o de cruzador porta-aviões pesado. Com esta designação, a Rússia ultrapassa a proibição turca de passagem a porta-aviões através do estreito do Bósforo.

O primeiro navio da classe chegou a ser lançado e entregue à marinha russa, com o nome de Admiral Kuznetsov.

Kiev
Admiral Kuznetsov, anteriormente «Tblisi» o primeiro e único grande porta-aviões soviético.

O Fim da URSS
Com a implosão da União Soviética, a falta de recursos por parte da marinha russa, levou a que o projecto do segundo navio, o Varyag fosse suspenso e oficialmente abandonado em 1992, quando 70% do navio estava concluído.

Com o fim da URSS, a Ucrânia torna-se independente em 1991. E com o anuncio por parte da Rússia de que não pagaria pela construção do resto do Varyag, tornou-se óbvio que a Ucrânia não tinha os 500 milhões de dólares que na altura eram necessários para completar o navio, além de também não ter os recursos necessários para o manter operacional, nem a utilização de uma arma daquele tipo fazer sentido para um país que tem apenas ligação marítima para o Mar Negro, um grande lago fechado, onde a utilização de porta-aviões não faz sentido.

O Varyag, foi assim deixado a apodrecer, sem futuro, enquanto o governo da Ucrânia fazia tentativas para vender o casco do navio, pressionando a Rússia e colocando a possibilidade de venda do navio à China e à Índia.

O Varyag não parecia ter outro possível destino que não fosse a sucata.


[1] Destes porta-aviões o Minsk foi vendido a uma empresa chinesa e transformada num parque temático militar chamado Minsk World localizado em Shenzhen, nas proximidades de Hong Kong e o outro, o Kiev foi também vendido para a China e transformado de igual forma, estando em exposição em Tianjing, próximo de Pequim.

Kiev
O porta-aviões Minsk, em Shenzhen, transformado em parque temático militar

 



Título: A odisseia do porta-aviões Varyag (última actualização: 16.03.2007)
Autor: Paulo Mendonça
Referências: Várias


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