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Neste dia, a Alemanha Nazi (Terceiro Reich Alemão) e a Rússia Comunista (União Soviética) entraram em conflito, naquele que foi o enfrentamento mais cruel e brutal de entre todos os conflitos ocorridos durante a II guerra mundial.

Frente a frente, estiveram também os dois regimes mais criminosos que alguma vez existiram, em toda a história da humanidade. A brutalidade do conflito que começou em 22 de Junho de 1941 causou mais morte e mais destruição que as invasões dos mongóis.

Desde que o regime comunista tinha sido implantado na União Soviética, o conflito com o colosso da Europa oriental era considerado possível. Quando um partido nacionalista alemão chegou ao poder em Berlim, a probabilidade de um confronto entre as duas ditaduras tornou-se ainda mais provável.

No entanto, estão enganados os que pensam que os dois regimes se viam realmente como inimigos. Na realidade, as relações entre nazistas e comunistas foram das melhores, especialmente ao nível dos contactos militares, que já tinham começado ainda antes da chegada dos nazistas ao poder em Berlim.

A regime soviético tinha sido implantado com o apoio do II Reich, quando os alemães financiaram a chegada ao poder do lider comunista Lenine, que aceitou a ajuda, garantindo como contrapartida retirar a Rússia da guerra.

Lenine chegou ao poder e cumpriu a sua parte do acordo com a Alemanha retirando o país da guerra. Por isso ainda que derrotada, a Alemanha não viu na Rússia soviética um inimigo mas sim um aliado potencial.

Kazan test facilities
Fotografia tirada em 1931 na cidade russa de Kazan, onde a empresa alemã Magirus desenvolvia ideias e conceitos para sistemas de suspensão: Cooperação entre russos e alemães.

É também por essa razão que quando a Alemanha ficou proibida de desenvolver viaturas blindadas na sequência do armistício, foi com o auxilio da Rússia comunista que os alemães testaram novas ideias e acompanharam as primeiras fases de desenvolvimento da industria militar soviética.

Quando Hitler chegou ao poder, as relações com a Rússia melhoraram, porque os soviéticos tinham muito melhores relações com os nazistas alemães que com os social democratas.

Tanto nazistas como comunistas eram na realidade revolucionários que pretendiam lutar contra o capitalismo e viam um futuro em que o Estado controlava a economia, fosse diretamente (como na União Soviética), fosse indiretamente, como na Alemanha Nazi.

No entanto, as boas relações entre os dois países não afastavam a possibilidade de um conflito, ainda mais quando Hitler tinha escrito no seu livro «A minha luta» que o futuro residia na Rússia.

O ocidente era profundamente anti-comunista, mas com a chegada de Hitler ao poder, passou a ver na Rússia um mal necessário. Os governos dos países ocidentais gostariam de ver a Rússia e a Alemanha em guerra, para que os dois regimes se desgastassem um ao outro.

T-26B
Tanque T-26 de fabrico soviético ao serviço da República Espanhola. A guerra civil de Espanha, deu aos soviéticos uma falsa sensação de superioridade tecnológica, porque os seus tanques mostraram ser muito superiores aos alemães.

A guerra civil de Espanha, afastou os dois países, mas as relações voltaram a melhorar com o fim do conflito espanhol. Estaline recebeu os militares russos que tinham lutado em Espanha e mandou matar a maioria deles.

Durante o resto de 1939, a diplomacia jogou as suas últimas cartas na mesa de jogo diplomático em que se tinha transformado a Europa. Em meados de Agosto de 1939, sabendo que os soviéticos estão em negociações com franceses e britânicos, mas tendo conhecimento de que as negociações estão num impasse, Hitler faz uma proposta irrecusável a Estaline.

Oferece-lhe metade da Polónia, a Bessarábia, os estados bálticos e partes da Finlândia, em troca de um pacto de não agressão. Estaline aceita !

Os dois países melhoram muito as suas relações. A Alemanha invade a Polónia em conjunto com a URSS e pouco tempo depois os soviéticos ocupam os estados do Báltico e parte da Roménia.

Os oficiais soviéticos e alemães brindam à vitória comum sobre a Polónia. Estaline parabeniza Hitler pela sua brilhante vitória sobre a França. Hitler chega a prometer a Estaline partes do império britânico, caso a URSS se junte aos países do Eixo. A desconfinça porém, é mútua.

Preparativos para a parada militar conjunta de soviéticos e alemães que decorreu em Setembro de 1939, após a vitória sobre a Polónia: As relações entre os dois regimes eram calorosas, especialmente ao nível militar.

Estaline não responde às propostas alemãs e mantém as suas reservas. Considera que a guerra com a Alemanha acontecerá mais tarde ou mais cedo, mas acredita que antes de se voltar contra a URSS os alemães vão derrotar primeiro a Grã Bretanha, que persiste em não se render aos alemães. Entretanto aproveita para ocupar os Estados Bálticos e invadir a Finlandia, mas neste último país tem uma amarga surpresa.
Winter War debacle
Finlandia, 1940 - Tanque soviéticos abandonados. O desastre da guerra na Finlândia, onde o minusculo exército finlandês provocou quase um milhão de baixas aos soviéticos, deu a Hitler uma imagem de fraqueza extrema do exército vermelho, que consolidou a sua certeza na vitória alemã sobre a Rússia.

Os finlandeses resistem ferozmente e contra todas as espectativas obrigam a URSS a enviar grande numero de tropas contra a Finlandia para evitar uma humilhação. Mas a desastrosa prestação do exército vermelho não passa despercebida. São enviados observadores para analizar com cuidado as prestações do exército vermelho e os relatórios confirmam a opinião de Hitler.

As purgas estalinistas, que mataram muitos dos melhores oficiais soviéticos transformaram as forças russas numa amalgama de soldados mal enquadrados e sem o apoio de um sistema logistico que pura e simplesmenta não existe.

Também a análise alemã sobre os tanques russos piora. Os T-26 e os BT-5 e BT-7 mostram ser fáceis de abater mesmo com armas anti-tanque ligeiras. Os alemães já tinham começado a colocar blindagem de 30mm nos Panzer III enquanto os russos ainda vão nos 15mm (22mm no máximo). Mas neste caso os alemães não perceberam que os russos tinham desistido de modernizar os T-26 e os BT-7. Em vez disso tinham desenvolvido novos tanques [1].

Entre Julho e Agosto de 1940 os alemães continuam a tropeçar na Inglaterra. A Luftwaffe é derrotada na batalha de Inglaterra e não consegue estabelecer a necessária superioridade aérea para garantir uma invasão por mar. Em 25 de Agosto, para raiva e irritação de Hitler os britânicos bombardeiam pela primeira vez a capital do Reich.

Hitler fica indignado, mas secretamente as suas atenções já estão a leste. Já mandou os seus generais começarem a preparar uma gigantesca operação de invasão da União Soviética. O plano chama-se «Barbarossa» e será concebido pelo general Von Paulus.

Todos os preparativos serão ultra-secretos, mas os espiões soviéticos são mais eficientes que a contra-espionagem alemã e o plano Barbarossa está na secretária de Estaline apenas algumas semanas após ter sido terminado e apresentado a Hitler e quanto existem apenas nove cópias.

Patologicamente desconfiado, Estaline não acredita no plano e vê nele uma intoxicação dos ingleses que querem que a URSS entre em guerra com a Alemanha para aliviar a pressão sobre eles próprios.


Esta ideia de que não haverá um ataque alemão antes da queda da Grã Bretanha e de que os britânicos estão a tentar iniciar uma guerra entre nazistas e comunistas, vai dominar o pensamento de Estaline até ser demasiado tarde.


 

Soviet Production
Tanques T-26 de modelos desenvolvidos no inicio dos anos 30. A industria soviética produzia tanques a um ritmo impensável para os alemães.

[1] - Não foi apenas Estaline que insistiu nas suas ideias contra tudo e contra todos. Hitler também recusou terminantemente (taxando-os de loucura), os relatórios sobre a quantidade de tanques soviéticos produzidos (ainda que não operacionais).
Guderian, recebeu um estudo pormenorizado feito pelos serviços secretos militares, em que se concluia que os soviéticos tinham pelo menos 20.000 blindados de todos os tipos. Guderian aceitou o relatório, mas reduziu o numero de tanques soviéticos de 20.000 para 10.000.
Mesmo assim, quando apresentou o relatório a Hitler numa conferência, o ditador rejeitou liminarmente o relatório e declarou que os números eram um absoluto disparate.

Escusado será dizer, que quando os serviços secretos e os analistas militares alemães enviaram a Hitler um relatório a afirmar que era muito provavel que os russos estivessem a desenvolver tanques muito mais pesados e melhor armados que os melhores tanques alemães, o ditador nazista acusou os autores do relatório de loucura.



Título: Operação Barbarossa (última actualização: 20.06.2011)
Autor: Paulo Mendonça
Referências: Ver página de referências


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