Area Militar temas de analise


Geoestratégia

Últimos artigos de análise


Queda de Berlim


Invasão de Goa


Operação Barbarossa


Rearmamento venezuelano


Os caças do FX-2

Antecedentes

No imaginário russo, a guerra da Crimeia tem um significado muito importante. Naquela guerra, a Rússia, pretendia expandir-se até Constantinopla expulsando o império otomano da Europa e reocupar a antiga capital do imperio romano do oriente, Bizancio.

Constantinopla
Gravura datada de 1850 da cidade de Constantinopla. A antiga Bizâncio e atual Istambul, é vista pelos Ortodoxos como a segunda Roma e a capital por excelência da fé Ortodoxa. O Czar russo considerava-se o defensor de todos os ortodoxos e defendia o direito da Russia, intervir em todo o mundo, para proteger os ortodoxos.

 

No entanto, o Império Otomano, a que os russos chamavam o doente da Europa resistiu aos primeiros ataques ds tropas do Czar. Posterior invasão contra territórios administrados pelos otomanos atraiu para o lado destes, a França e a Grã Bretanha.

Acreditando que a Turquia não seria apoiada, a Russia atacou violentamente em 30 de Novembro de 1853 uma esquadra turca que estava ancorada na cidade de Sinope. Os russos utilizaram pela primeira vez munição explosiva, o que garantiu a destruição da esquadra turca, mas ao mesmo tempo, também ajudou a que a França e a Grã Bretanha tenham decido ajudar o império Otomano.

Crimeia guerra
Forte abandonado pelos russos: Derrotada na guerra da Crimeia, a Russia não continuaria a sua expansão para Constantinopla.

Na guerra que se seguiu, morreram mais de 750.000 pessoas.

Em 11 de Setembro de 1855 os russos queimaram os últimos navios da frota do Mar Negro e abandonaram a cidade depois de perder 100.000 soldados só na defesa de Sebastopol.

Apesar da queda de Sebastopol na mão dos britânicos, franceses e turcos, e de a guerra ter acabado com uma clara derrota tática dos russos, a vitória sobre a Russia teve muito de «Pírrica».

Na verdade os russos, mercê das constantes politicas de alianças na Europa, voltaram rapidamente a reocupar a peninsula, muito por causa da pressão dos países germânicos, especialmente o império Austro-Hungaro e a Prussia.

Fim da expansão russa para sul

No entanto, embora a Russia tenha voltado a Sebastopol, a sua derrota acabou por condicionar qualquer possibilidade de expansão para Sul.

A partir da guerra da Crimeia, o objetivo de voltar a conquistar Constantinopla para a fé Ortodoxa desvaneceu-se por completo e o império russo foi efetivamente detido.

Após a II guerra mundial e quando o império dos Czares começou a implodir, várias realidades étnicas despontaram no espaço do império russo e uma dessas foi a República da Ucrânia. No entanto, nessa altura, a República da Ucrânia não incluia segundo os próprios ucranianos a região da Crimeia.

A peninsula foi o último reduto das tropas da Russia Branca, que lutavam pela manutenção da monarquia dos Romanov. Ali, ocorreram alguns dos mais macabros massacres da guerra civil russa, ordenados pelo chefe do exército vermelho, Leon Trotsky.

A Crimeia, bem como a Ucrânia passaram posteriormente a fazer parte da União Soviética, mas os ucrânianos aceitaram muito mal a implantação do sistema comunista. A politica agricola implementada e a politica de preços resultaram em problemas na distriuição de alimentos.

O processo de colectivização da agricultura imposto pelos comunistas a partir do final da década de 1920, resultou em fomes generalizadas. Os ucranianos, que continuavam a produzir comida apesar da falha do sistema de distribuição de alimentos foram dos mais afetados.

Estaline ordenou que toda a comida fosse confiscada aos ucranianos e como resultado disso, milhões morreram de fome, para que os russos mais a norte pudessem ter o que comer.
Entre 2.5 a 7.5 milhões de ucranianos morreram de fome. O número mais citado é de 6 milhões de mortos. A Ucrânia nunca perdoou a fome de 1932/33 aos russos. Deu-lhe o nome de Holodomor, terror da fome.

Em 1939, comunistas russos e nazistas alemães aliaram-se para invadir a Polónia. A parte que coube à União Soviética foi dividida ente duas repúblicas. A parte sul foi integrada na Ucrânia.
Em 1941, os alemães invadiram a URSS e na Ucrânia, movimentos nacionalistas apoiaram os alemães, atacando as tropas comunistas na retaguarda.

Depois da guerra a Ucrânia voltou a assumir a sua importância agricola, mas grandes investimentos foram feitos na bacia do Don, na Ucrânia oriental. Industria pesada e estaleiros de construção naval foram alguns dos investimentos que o estado soviético fez na Ucrânia.

Depois da morte de Estaline, Nikita Kruschev transferiu para a República Socialista Soviética da Ucrânia a região da Crimeia.
Aquela decisão não considerava nem nas análises mais tresloucadas, que alguma vez a União Soviética entrasse em colapso e a Crimeia passasse a ser parte da Ucrânia.

Mas quando em 1992 as repúblicas soviéticas declararam a independência, os seus respectivos responsáveis acordaram que as fronteiras das repúblicas da União Soviética seriam as mesmas dos novos estados da então Comunidade de Estados Independentes.

Desde essa altura, todos os territórios que pertenciam às Repúblicas Soviéticas, passaram a ser parte dos novos países independentes. Isso criou problemas desde a primeira hora porque durante o periodo soviético, embora a movimentação de pessoas fosse vigiada pela KGB, ocorreram muitas movimentações de russos em direção às outras republicas soviéticas não russas.

Daí resultou que milhões de russos étnicos do norte tivessem ficado nas republicas soviéticas como cidadãos desses países.

Antes do fim da URSS, as minorias russas eram extremamente importantes quase em todas as repúblicas da antiga URSS. De notar especialmente o caso do Casaquistão, para onde migravam muitos russos, nomeadamente para a região de Baikonur, por causa do programa espacial soviético.

 

O Casaquistão e duas das três repúblicas do Báltico ficaram com minorias étnicas russas muito consideráveis. Isso tambem aconteceu com a Ucrânia, especialmente no que dizia respeito à peninsula da Crimeia, conquistada pelos russos no terceiro quartel do século XVIII.

 



Título: Anexação da Crimeia (última actualização: 08.05.2014)
Autor: PM / SA
Referências: Várias / imprensa /


- Página 1->Antecedentes - Página 2->A demografia - Página 3->A Crimeia na Ucrânia - Página 4->A operação de anexação

MENU

1
Antecedentes
[Pag. 2]
A demografia
[Pag. 3]
A Crimeia na Ucrânia
[Pag. 4]
A operação de anexação