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Espingarda / Fuzil

Armas idênticas ou relacionadas:

Steyr-Guedes 8mm m/885
Espingarda / Fuzil

Dados sobre utilizadores deste armamento:

Steyr-Guedes 8mm m/885
Espingarda / Fuzil

Fabricante: Steyr OWG
Tipo de arma: Espingarda / Fuzil --- Calibre: 8mm
Cadência de tiro: 6 disparos p/min.Velocidade do projectil: 519 M/s
Alcance eficaz: 500MAlcance máximo: 2000M
Dimensões: Comprimento: 1215mm (Cano: 845mm) Largura: 175mm / Altura: 35mm
Peso da arma: 4.1KgDepósito(Carregador): 1 munições
Munição:8x60 «Guedes» / FMJ Involucro total em metal /Potencia: 2140J
FiabilidadeManutenção5
Potência2Manuseamento6
Precisão3Preço7


Esta foi a primeira arma de calibre 8mm a ser desenvolvida para um exército europeu. No entanto, embora fosse visionária quanto ao calibre, a arma apenas disparava um tiro de cada vez, pelo que não se mostrava adequada para reponder às necessidades que os seus utilizadores (exército português) começaram a considerar como prováveis, resultado da Conferência de Berlim e da «corrida para África» entre as potências europeias.

O exército de Portugal, que tinha colocadoà OWG austríaca uma encomenda para 40.000 exemplares, cancelou a encomenda, pagou um multa por não cumprimento de contrato mas conseguiu que ela fosse substituida por uma outra, a espingarda Kropatschek fabricada pela mesma empresa e que poderia ser fornecida preparada para disparar a a mesma munição.

À altura do pedido português para o cancelamento da produção (21 de Março de 1886), estima-se que 18.000 exemplares teriam sido produzidos ou entrado em fase de produção.

Serviço no Transvaal

A OWG-Steyr ficou com as armas em stock e conseguiu vende-las para a república do Transvaal em 1889. O Transvaal terá adquirido pelo menos 2700, mas há notícias de que mais armas do tipo foram posteriormente entregues, quando o conflito com a Grã Bretanha recomeçou em 1896 e depois em 1899.

Qualidade e precisão

Embora os portugueses tenham alegado que os primeiros lotes sofriam de problemas, aparentemente tais problemas ao nível da culatra acabaram por ser corrigidos.

A arma deu boa conta de si na guerra que os Boers mantiveram contra a Grã Bretanha, embora não fosse uma arma muito querida, por causa da sua capacidade limitada.
Ela tinha no entanto maior precisão que as Martini-Henry de fabrico britânico, que também equipavam as forças Boer.

Posteriormente e já como peça de museu, ela foi considerada uma arma inovadora e com características revolucionárias para a época em que foi desenhada.

Arma de colecionador

As armas que não foram vendidas para uma força militar acabaram por ser colocadas no mercado civil como arma de caça. Muitas delas acabaram por ter como destino os Estados Unidos.

A Steyr-Guedes é hoje considerada uma arma relativamente rara, o que condiciona o seu preço.


Informação genérica:
Vulgarmente conhecida como «espingarda Guedes», esta arma foi concebida em Portugal, por um oficial de infantaria chamado Luis Guedes Dias.
A arma começara a ser desenvolvida ainda na década de 1870 e passaram alguns anos até que o conceito tivesse sido aceite.
Na verdade numa altura em que as armas ligeiras utilizavam o calibre 11mm, a Guedes parecia algo revolucionária ao propor um calibre de 8mm, o que naturalmente implicava a necessidade de uma carga mais potente e uma construção mais resistente. A «Guedes» era uma espingarda de tiro-a-tiro, não permitia tiro de repetição, sendo necessário introduzir uma nova munição para cada disparo.

O seu desenvolvimento culminou com a apresentação e aprovação do modelo em 1883. A opção pela Guedes, terá sido influênciada pelo menor custo resultado de não haver pagamento de patentes. Nos três anos que se seguiram, o exército português procurou encontrar um fabricante para produzir a arma, já que no país não havia industrias com capacidade para a fabricar. O tradicional fornecedor, a Grã Bretanha, não parecia estar em condições de produzir a arma, pelo que foi escolhida a firma austríaca OWG de Steyr.

Em testes realizados em Portugal, o exército português terá sugerido que fosse aumentada a carga de polvora na munição de 4gr para 4.5gr. Este pequeno aumento, viria a resultar num problema que acabou por contribuir para o cancelamento da encomenda.

Ocorre que durante os anos em que a «Guedes» esteve em desenvolvimento (muitas vezes com os custos de desenvolvimento do protótipo custeados pelo próprio bolso do inventor), a situação politica internacional alterou-se profundamente, até que um acordo entre Portugal e a Grã Bretanha sobre o controlo da foz do rio Zaire, resultou na imposição de uma conferência para dividir a África.
Esta conferência, imposta pela Alemanha e realizada em Berlim foi extremamente negativa para os portugueses, que de um momento para o outro viram ser negados os seus direitos históricos, passando a posse dos territórios a depender da presença de tropas.

Os portugueses, aperceberam-se da necessidade urgente de enviar tropas para África e as expedições que já tinham sido realizadas, especialmente as de Serpa Pinto e Capelo Ivens em 1884, apontavam para a necessidade de uma arma com poder de fogo, mas acima de tudo tiro tão rápido quanto possível, para responder à possibilidade de ataques por tribos africanas, em grandes números e de emboscada.
Tornara-se evidente que, a Guedes, uma arma de retrocarga mas que apenas permitia disparar um tiro de cada vez se tornara obsoleta e desadequada para o que se tinha transformado numa urgente necessidade portuguesa.

Ocorre que alegadamente, ainda antes da entrega do primeiro lote de espingardas «Guedes» e já com a produção em andamento, foram detetados problemas com a potência da munição, que resultaria em desgaste demasiado rápido da câmara, o que não permitia o disparo de uma sequência de munições de 8mm. O problema foi atribuído a deficiências no manejo da culatra e tais deficiências terão estado na origem do cancelamento da encomenda para 40,000 armas do tipo.

O exército português, nunca chegou por isso a utilizar a espingarda «Guedes».

O fabricante aceitou substituir a encomenda da Guedes, pela compra de 49,000 Kropatschek de 8mm, que utilizaria a mesma munição e com o pagamento de um adicional


A grande profusão de fontes que referem dados diferentes para cada tipo de arma, leva a que possa existir alguma inconsistência de dados.
Alcance eficaz: A distância aproximada em metros, em que se espera que o disparo atinja o objectivo. Alcance máximo: Normalmente a distância em metros em que o projectil precorre uma trajectória recta (tiro tenso).Não é considerado o alcance máximo possível do projectil que pode ser atingido numa trajectória parabólica.
A classificação para «preço», é inversamente proporcional ao custo previsto da arma. Pelo que uma arma muito cara terá uma classificação baixa.
 

Última actualização desta página : 23.01.2013

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