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Cruzador ligeiro
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Cruzador protegido

Acontecimentos relacionados
Golpe de Estado de 14 de Maio



Portugal
Cruzador protegido classe
Almirante Reis
(tipo Cruzadores ligeiros / Portugal)
Cruzadores ligeiros / Portugal

Dados principais Motores
Deslocamento standard: 4000 Ton
Deslocamento máx. : 4253 Ton.
Tipo de propulsão: Máquinas a vapor
Comprimento: 114 M - Largura: 14.4M
Calado: 5.33 M.
12 x Caldeiras (carvão) ()
2 x Máquinas a vapor tripla expansão (12500cv/hp)
Tripulação / Guarnição: 432 Autonomia: 5000Km a 15 nós - Nr. Eixos: 2 - Velocidade Máxima: 22 nós

Canhões / armamento principal
4 x Armstrong 152mm/45 TR Mod.1895 (Calibre: 152mm/Alcance: 0Km)
8 x Elswick Shpb. (Armstrong) 120mm/40 m.1886 (UK) (Calibre: 120mm/Alcance: 9.05Km)
14 x Hotchkiss & Comp. 47mm/44 Mk.I Mod.1886 (Calibre: 47mm/Alcance: 7.2Km)


Forum de discussão

Incorporado na marinha de guerra portuguesa em 1899 como D. Carlos I, este foi o primeiro e único cruzador da marinha portuguesa, dado que o outro principal navio (na altura, o Cruzador-couraçado Vasco da Gama, resultou de uma conversão de um casco mais antigo, tendo igualmente uma velocidade incompatível com classificação de Cruzador)

O D. Carlos I foi o primeiro navio da marinha a dispor de telefonia sem fios, o que era ara a altura algo considerado extraordinário, sendo no inicio do século um navio tecnologicamente actualizado para os padrões da altura, embora com um deslocamento de 4000 toneladas, não fosse um cruzador de primeira linha.

A sua compra foi muito criticada pelos setores republicanos, que viam na sua aquisição um desperdicio de dinheiro, criticando-se o navio por ser pouco blindado, por não ter capacidade para enfrentar navios couraçados, tendo-se igualmente publicado notícias falsas sobre avarias no navio, que na realidade nunca ocorreram. Também foi criticado o luxo de o navio ter iluminação electrica própria, coisa que não existia nas casas da maioria da população.

Criticava-se também o facto de o cruzador S.Carlos I ter um tipo de artilharia específica [1], o que implicava que para cada um dos seus navios de guerra principais, fosse necessário dispor de munição de reserva, que não podia ser utilizada pelos outros navios.

Ao longo da sua vida ao serviço da marinha efectuou várias missões de soberania e de representação do Estado Português. Em 1906, ocorreu a bordo um motim, que ocorreu igualmente a bordo do Cruzador-couraçado Vasco da Gama, sem consequências de maior. Após o golpe de 5 de Outubro de 1910, foi renomeado Almirante Reis, em honra de um dos militares que apoiaram aquele golpe e que se suicidou na altura.

O Almirante Reis participou no golpe de estado de 14 de Maio de 1914, tendo sido atingido pela artilharia do exército que fora colocada no alto de Sta.Catarina em Lisboa. A facilidade com que o navio foi atingido (foram atingidas as cozinhas) demonstra de alguma forma a falibilidade do conceito do cruzador protegido, que limitava a blindagem apenas a alguns pontos vitais para poupar no peso, deixando o resto do navio vulnerável.

Quando participou no golpe o navio apresentava já problemas e as suas caldeiras não conseguiam manter a pressão, reduzindo assim a velocidade máxima e sustentada do navio. O navio saiu em 1916 acompanhado pelo Cruzador-couraçado Vasco da gama, pela última vez para uma viagem oceânica.

Na altura, por causa da qualidade dos metais, era comum nas marinhas de topo, a substituição periódica das caldeiras, a cada 5 a 7 anos. Em 1915, o então cruzador Almirante Reis, tinha 16 anos e as mesmas caldeiras de origem. Em 1917, com trabalhos de substituição de algumas das caldeiras, era notório que as restantes estavam igualmente em péssimo estado e que o casco e tubagens não se encontravam em condições.

A instabilidade política e financeira resultante da implantação da república, não ajudou, e o navio nunca mais sairia para o mar. Acabou rebocado para a Holanda, onde foi desmantelado.

O D. Carlos I / Almirante Reis, foi o mais poderoso navio da marinha no século XX, e embora nem de longe atingisse o poder proporcional dos galeões portugueses do século XVI, foi sem dúvida um dos mais poderosos navios da armada portuguesa nos seus muitos séculos de história.


Nota:
Existem referências ao Almirante Reis em que se transcreve a descrição do navio publicada no Diario de Notícias quando ele chegou a Lisboa.
O artigo original aparenta conter algumas incorreções, pois afirma que o cruzador estava armado com cinco peças de artilharia de 150mm.
No entanto, o próprio artigo original, afirma que as cinco peças estavam distribuidas, uma à proa, outra à ré e duas nas amuradas (bordos laterais). Logo, é feita referência a apenas quatro peças.
O areamilitar.net utilizou como referência a publicação «All the worlds fighting ships 1860-1905» a qual afirma que o navio tinha quatro peças, o que correspondia aliás à tradicional configuração em losango do armamento principal, em voga naquele periodo.
Já relativamente ao calibre do armamento principal, aquela publicação afirma que o navio estava armado com peças de 5.9 polegadas (150mm), no entanto o fabricante Armstrong não produzia armamento seguindo o sistema métrico, pelo que as peças produzidas seriam de 6 polegadas (152mm) com um comprimento de 45 calibres.
O mesmo tipo de armamento foi fornecido às marinhas da Argentina, do Chile, do Japão, da Espanha e da Itália.

[1] - Os cruzadores portugueses encomendados no final do século XIX, como o S.Rafael, estavam armados com peças de 150mm de origem alemã e não de 152mm de origem britânica.
Informação genérica:
Na última década do século XIX e na primeira década do século XX, a marinha de Portugal comprou vários navios de guerra, de entre os quais se destacam os cruzadores encomendados ainda antes do virar do século.

Destacam-se nesta lista o cruzador D. Carlos I / Almirante Reis de mais de 4.000t de deslocamento e outros navios mais pequenos com deslocamento inferior a 2.000t


   
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