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Carro de combate leve

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Vickers Mk.E mod B
Carro de combate leve (Vickers)
Vickers Mk.E mod B

Projeto: Vickers
Reino Unido
Dimensões
Comprimento
Comprimento máximo
Largura
Altura
Altura máxima
4.88
n/disponivel
2.41m
2.16M
Peso vazio
Peso / combate
Cap. Carga
Reboque
7.3t
8t
N/disponivel
N/disponivel
Motor / potência / capacidades
Motor
Potência
Vel. maxima
Terr. Irregular
Armstrong-Siddeley
98cv
35 Km/h
20 Km/h
Tração
Tanque combustivel
Autonomia
Tripulação
Lagartas
182 Litros
160Km
3
37º
N/disponivel
1.85M
0.76M

Sistema de radar auxiliar:

País: Portugal
Designação Local:Vickers T6
Qtd: Máx:2 - Qtd. em serviço:0
Situação: Retirado
Operacionalidade:
Os dois veículos da Vickers que foram adquiridos por Portugal, destinavam-se a testar o conceito de utilização de viaturas blindadas no exército português.
Os planos de reorganização do exército português previam a possibilidade de organizar a defesa do território com cinco divisões e com uma brigada blindada, que deveria servir para acorrer aos pontos onde fosse necessário reforçar as outras unidades.

Os dois carros foram importados da Grã Bretanha no inicio da década de 1930 e foram utilizados também para demonstrar alguma capacidade militar em demonstrações e paradas.

O custo de cada um destes blindados era no entanto demasiado elevado para as dificuldades financeiras portuguesas do inicio da década de 1930 (periodo da grande depressão) pelo que nenhum dos modelos foi adotado.

Não existem dados concretos sobre as conclusões a que poderiam ter chegado os responsáveis portugueses, no entanto é normalmente considerado que o carro A, com duas torres não tinha a preferência dos militares.

Os veículos tornaram-se rapidamente obsoletos e os primeiros verdadeiros carros de combate do exército português foram os carros Valentine, muito mais poderosos que os Vickers de 6 toneladas.

Estiveram aos serviço duas unidades. Um modelo A com duas torretas armadas com uma metralhadora e outro modelo B uma só torre com canhão curto de 47mm.


Forum de discussão

Desenvolvido no final dos anos 20, o carro de combate Vickers 6T, conhecido internacionalmente como Vickers modelo E (normalmente tido como referência a Export) não foi resultado de nenhum pedido do exército britânico, tendo sido um projecto comercial que foi posteriormente apresentado a vários exércitos em vários países do mundo.

O carro de combate foi classificado pela Vickers como «tanque médio», no entanto, ele foi reclassificado posteriormente pelos utilizadores como tanque leve.

O Mk.E foi apresentado com duas opções base. A primeira primeira, conhecida como modelo A (ver T-26), estava equipada com duas torres, armadas cada uma com uma metralhadora. Este carro de combate era promovido internacionalmente pela Vickers como «Trench sweeper» ou varredor de trincheiras, um modelo adequado para operar contra infantaria [1].

Já a versão B era mais revolucionária para a época, pois incluia uma torre com dois tripulantes, armada com uma peça de 3 libras (47mm) e uma metralhadora.

A peça de cano curto e 47mm calibre tinha um poder consideravel, principalmente contra alvos não blindados e utilizando munição explosiva.
Num mundo em mudança, a preferência pelo modelo B (que inicialmente deveria ser apenas uma opção ao modelo com duas torres) foi-se afirmando, nomeadamente à medida que as duas torres mostravam ser dificeis de operar de forma coordenada.

Em termos mecânicos o modelo B tinha o mesmo motor Armstrong-Siddeley refrigerado a ar e com 6667cc, desenvolvia 98cv de potência sendo considerado fiável.
Importante foi também o sistema de suspensão, que ficou conhecido como systema Carden-Loyd. Este sistema permitia algum conforto no interior, coisa que até ali era completamente desconhecida nas viaturas blindadas.
No entanto, se o sistema era revolucionário não era muito resistente, pelo que quando os britânicos avaliaram o veículo, rejeitaram-no exactamente porque consideravam a suspensão pouco eficiente.

Se é verdade que o Vickers 6T / Mk.E foi copiado ou fabricado sob licença em vários países, não deixa de ser curioso que o sistema de suspensão tenha acabado por ser copiado por vários fabricantes ou inspirado outros fabricantes a utilizar um sistema equivalente.
Entre os veículos que copiaram ou se inspiraram na suspensão Carden-Loyd estão os blindados italianos M.41 e os alemães Panzer Mk.I respetivamente. Também o modelo 35(t) da Skoda, que viria a ser utilizado pelos alemães, tem uma suspensão equivalente.



[1] - A versão A do Vickers Mk.E foi exportada para a União Soviética. Nesse país, foi desenvolvida uma versão local, que foi produzida em mais de 2000 exemplares. O tanque T-26 modelo 1931 é basicamente o Vickers Mk.E modelo A.

Informação genérica:
O carro de combate Vickers 6 Ton. Foi desenvolvido na Grã Bretanha como carro de combate médio, a partir de meados dos anos 20, tendo sido apresentado pouco depois.

O exército britânico nunca adquiriu o veículo, mas ele transformou-se num dos mais importantes carros de combate dos anos 30, porque foi adquirido por vários exércitos, mas também por causa das versões que foram produzidas. As vendas foram reduzidas e o principal cliente foi a Polónia com 38 exemplares. A Finlandia comprou 34, a Tailandia 22, a China 20, a URSS 15, a Bulgaria 8 e a Bolivia 3 exemplares.

A importância do modelo da Vickers é muitas vezes esquecida, principalmente quando se pretende dar a ideia de que os alemães foram os que mais investiram no desenvolvimento de tanques no periodo pós guerra.

Na verdade, o Vickers influenciou até os carros de combate de países do eixo, como foi o caso da Itália e mesmo os Panzer mark.I alemães têm características que foram claramente inspiradas nos desenvolvimentos britânicos.


T-26
Nas duas imagens acima, o tanque Vickers E model A, com duas torres e abaixo, o seu equivalente soviético, modelo 1931, também equipado com duas torres armadas com uma metralhadora e destinado ao apoio de forças de infantaria.
T-26 o mais importante de todos os derivado do Vickers Mk.E / 6T

Sem sombra de dúvida que o maior sucesso de produção do carro Vickers ocorreu na União Soviética, país que comprou 15 unidades deste veículo, e a partir dessas unidades desenvolveu o seu próprio modelo. O T-26 foi mais produzido que qualquer outro tanque durante o periodo entre guerras e a produção do T-26 sozinha foi numericamente superior à produção total de tanques dos dois exércitos mais blindados do mundo a seguir ao soviético: Os exércitos da França e da Alemanha.

O T-26 começou por ser apenas copiado, tendo sido produzidas as duas versões (com duas torretas e uma torre respectivamente) tendo sido fabricados muitos milhares nas suas várias versões.

O conceito do tanque médio de 6 toneladas foi profundamente estudado e desenvolvido na União Soviética a partir do inicio dos anos 30 e os desenvolvimentos de outros veículos levaram a que o T-26, fosse reclassificado na União Soviética como tanque leve que serviria apenas como uma espécie de infantaria «blindada».



Durante o desenvolvimento, os soviéticos consideraram a versão de duas torretas armadas de metralhadoras era um desperdício praticamente inutil e por isso o T-26 foi sendo transformado num tanque leve, equipado com o que para a altura era considerado um canhão potente de 45mm.

Comparativo T-26
Na imagem, o T-26 modelo 1933, que combateu na guerra civil de Espanha e o modelo 1939 que combateu os alemães em 1941. As principais diferenças notam-se na torre.
Entre eles, encontrou-se a versão soviética do canhão francês Hotchkiss de 37mm, um canhão copiado dum modelo alemão de 37mm da Rheinmetal, e finalmente o canhão anti-tanque de 45mm, que foi posteriormente modernizado.

Foram as seguintes as várias séries do T-26:

T-26 (1931) - Versão com duas torres, com uma metralhadora cada uma, que era uma cópia directa do modelo britânico.
T-26 (1932) - Versão com uma torre com canhão de 37mm e outra torre com metralhadora.
T-26 (1933) - Versão com uma torre equipada com canhão de 45mm
T-26 (1939) / T-26S -Versão com blinddagem com melhor perfil balístico e casco soldado.


Com base no chassis do T-26 foram também lançados os canhões auto-propulsados SU-5, na função de caça-tanques.

Na Polónia, país que adquiriu viaturas do tipo à Grã Bretanha, foi fabricado o tanque 7TP que também é um derivado do modelo Vickers.

Os carros de combate italianos médios desde o M11/39 até ao M14/41 também tiveram na sua origem o modelo Vickers de 6t. Eles foram diretamente inspirados pelos T-26 que os italianos encontraram na guerra civil de Espanha.

Embora não directamente derivados, os carros de combate M2/M3 do exército norte-americano também sofreram influências dos Vickers de 6 toneladas durante o seu desenvolvimento nos anos 30.

Suspensão Christie

Em 1936, os soviéticos consideraram que a mobilidade do T-26 deveria ser melhorada. Como o tanque BT-5, era de maiores dimensões e tinha uma suspensão mais eficiente, foi decidido desenvolver uma versão do T-26 equipada com a suspensão Christie que equipava o BT-5 e que mais tarde viria a equipar o T-34.



O resultado foi o tanque T-46, mas rapidamente se percebeu que o veículo era demasiado complexo ao mesmo tempo que ficava demasiado caro de construir. Foram por isso produzidos apenas 60 exemplares.

Problemas gerais na qualidade de construção do T-26 soviético
Na década de 1930, a qualidade de todos os veículos automóveis era muito inferior à atual e a industria automóvel soviética era incipiente. Isto explica os resultados e as análises feitas à qualidade dos tanques T-26, e explica em grande medida o insucesso do modelo na maioria dos recontros nomeadamente a debacle de 1941, em que o T-26, o mais fabricado tanque do mundo foi dizimado em apenas algumas semanas.

Ínumeros problemas assombraram os T-26 e eles tornaram-se aparentes quando foram colocados à prova na guerra civil de Espanha.
Não só as táticas utilizadas se mostraram desadequadas, como acima de tudo, a qualidade de construção e o desgaste rápido dos componentes mecânicos levavam a constantes avarias e a uma alta taxa de inoperacionalidade.

O motor do T-26 deveria ser submetido a uma revisão após 150 horas de serviço e precisava de uma reconstrução de fábrica após 600 horas. Os pinos das lagartas desgastavam-se até ao ponto de ruptura, após 800km na estrada)

Um exemplo da péssima qualidade dos veículos ficou documentado nos registos do exército espanhol entre Dezembro de 1937 e Fevereiro de 1938, altura em que a República alinhou 104 tanques T-26 durante a batalha de Teruel. Esses veículos precisaram ser reparados um total de 586 vezes durante os 65 dias de combates.
Ou seja, duranta a batalha cada tanque teve que ser reparado quase seis vezes, uma média de uma reparação a cada 11 dias. Embora muitas das reparações fossem simples, houve 58 substituições de motor. Ou seja, metade dos tanques empenhados no combate tiveram que ver o seu motor substituido durante o periodo de dois meses.