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Operação Urano: Estalinegrado
II Guerra Mundial / Frente Leste
19-11-1942

Este acontecimento teve inicio em: 19-11-1942 e terminou em 23-11-1942
Vencedor: União Soviética

Forças em presença:

União Soviética

Alemanha / III Reich

Italia

Romenia

Hungria



A batalha pelo controlo da cidade de Estalinegrado, decorreu no Outono e Inverno de 1942, embora a operação de avanço alemão na direcção das margens do rio Volga tenha começado no Verão desse ano.

O avanço alemão no sul da Rússia em direcção ao Cáucaso foi rápido e acima de tudo potenciado pelo recuo soviético, após Estaline ter sido convencido pelos seus generais a retirar.
A retirada soviética não foi exactamente organizada. Em muitos casos as forças ficavam no terreno, os comandos retiravam, e algumas forças chegaram a ficar cercadas.
A retirada soviética esteve muito perto de se transformar numa debandada, até que finalmente a própria Stauka (o Quartel General de Estaline em Moscovo) emitiu a famosa directiva XXXV conhecida como «Nem um passo atrás» em que põe fim oficial à retirada soviética.

Os alemães tentaram ao longo de Setembro e Outubro, conseguir vantagens tácticas com a retirada dos soviéticos. Mas quando começaram os primeiros sinais do Outono, e as primeiras chuvas, eles começaram a temer que os soviéticos voltassem a atacar no Inverno, como tinha acontecido em 1941, onde um ataque violento no sector norte, aliviou a pressão alemã sobre Moscovo.

Se os generais alemães temiam a possibilidade de um contra-ataque soviético, Hitler por seu lado estava obcecado com o avanço alemão no Cáucaso e com a possibilidade de capturar os poços de petróleo. Não só para poder utilizar aquela fonte de combustível, como acima de tudo para impedir os soviéticos de a utilizarem.

Isto fez com que muitos reforços necessários para a tomada da cidade fossem desviados. Em apoio ao 6º exército alemão estavam forças do 4º exército Panzer que estavam relativamente dispersas.

As posições alemãs.
A posição na frente antes do ataque alemão

Temendo a possibilidade de uma «armadilha» soviética, muitos militares alemães tinham solicitado que fossem tomadas posições defensivas. Os aviões de reconhecimento alemães tinham notado a acumulação de forças soviéticas a norte da cidade, directamente em frente do sector defendido pelo III Exército Romeno. No entanto, os reconhecimentos tinham notado apenas uma parte das movimentações soviéticas. Não tinham detectado os movimentos nocturnos e não tinham identificado muitas das divisões escondidas e camufladas nas florestas.

Compreendendo que o III Exército romeno não teria forças suficientes para aguentar um ataque soviético, os alemães decidiram no inicio de Novembro enviar a recem formada 22ª Divisão Panzer para apoiar o romenos, que III exército romeno, cuja única divisão blindada estava armada com tanque leves, com canhões de 37mm [1], já em 1942 considerados obsoletos.

O reforço alemão era no entanto insuficiente. A 22ª Panzer era uma unidade recentemente criada que não estava sequer completa. As forças romenas também sofriam de problemas de organização que os próprios oficiais alemães descreviam nos seus relatórios. Os soldados romenos eram tratados como animais pelos oficiais, que normalmente se abstinham de visitar as linhas da frente. Os ressentimentos reduziam consideravelmente o moral, e a qualidade do material nada fazia para melhorar a situação.

O ATAQUE

O destino do que ficou conhecido como Batalha de Estalinegrado, decidiu-se provavelmente no primeiro dia da «Operação Urano». O colapso das forças romenas perante forças soviéticas muito mais numerosas que o que se esperava e a lentidão exasperante com que o comando alemão, nomeadamente do general Paulus respondeu à crise, terão logo no primeiro dia selado o destino do 6º exército alemão.

Acima as posições do exército romeno. Notar que o 5º Corpo de Exército continuará a lutar por vários dias mesmo depois de cercado.


Dia 19
Às 07:20 da manha do dia 19 de Novembro foi emitida a palavra passe «Sirene» pelos grupos de exércitos do general Vatutin (Frente do Sudoeste) e Rokossovsky (Frente do Don). Foi o sinal para o inicio da barragem de artilharia que começou às 07:30 (05:30 pela hora alemã) contra as posições do 3º exército romeno e contra as divisões do 6º exército a norte de Estalinegrado.

O ataque propriamente dito começou às 09:40 da manhã, após uma hora e vinte minutos de bombardeamento. O principal impulso foi dado pelas forças do 5º exército blindado soviético e pelo 21º exército.
Estas forças lançaram-se directamente sobre as posições do 3º exército romeno. No flanco direito é atacado o sector de Klestskaya (4º Corpo do exército romeno). O flanco esquerdo-central dos romenos (2º corpo) foi atacado pelo 2º Corpo de tanques soviético.

Mais a sul, o 66º exército soviético também atacou os alemães a norte de Estalinegrado, mas deparou-se com a oposição da 16ª divisão Panzer, a mais poderosa unidade do 19º corpo blindado alemão.

A resistência romena
O dia amanheceu completamente enevoado, pelo que os soviéticos dispararam as cegas sobre as posições romenas. Para piorar as coisas a barragem de artilharia amoleceu o terreno por onde os tanques russos deveriam avançar.

Os soviéticos atacaram segundo a táctica tradicional russa, avançando com milhares de homens em vaga sucessivas tentando ultrapassar o inimigo pelo número.

A primeira vaga é detida pelas tropas romenas, que estão no entanto mal armadas e não dispõem do equipamento anti-tanque que lhes tinha sido prometido pelos alemães [2].
Desde as 09:40 até depois do Meio-dia, os romenos aguentam vários assaltos russos. Existem relatos sobre a resistência da 13ª divisão de infantaria romena durante as primeiras horas do ataque, primeiro contra forças de infantaria russas e depois contra ataques de infantaria apoiada por tanques.

A resistência dos romenos irritou os generais russos, que ao fim da manhã optaram por enviar os seus tanques directamente contra as linhas romenas, praticamente sem protecção de infantaria.

A decisão russa poderia ter sido suicida, mas como apenas parte das unidades romenas estavam equipadas com canhões anti-tanque, os soviéticos começaram a penetrar as linhas e a atacar os flancos das unidades que ainda resistiam.

Por volta da 01:00 da tarde, no flanco esquerdo romeno, que estava sob o ataque directo do 5º exército blindado, dá-se a primeira rotura das linhas defendidas pelas divisões do 2º corpo de exército romeno

Ao inicio da tarde do dia 19, a frente do 3º Exército romeno começava a desmoronar-se, embora no sector esquerdo, ataques de tanques contra a 15ª Div. de infantaria romena não tenham tido sucesso.

48º corpo blindado: Chave para o contra-ataque
A reserva dos romenos, perante a possibilidade de um ataque russo era constituída por duas divisões blindadas, uma alemã, que tinha sido enviada de reforço e outra romena, que deveriam ficar na retaguarda para serem enviadas para os pontos onde os soviéticos conseguissem romper as linhas. Estas duas divisões [3] constituíam o 48º corpo blindado. Esta força recebeu ordem para avançar e tentar deter o avanço russo, mas recebeu ordens apenas às 11:05 (13:05 hora russa), quando as unidades romenas começaram a ceder à pressão dos russos.
Além disso, durante as primeiras 24 horas, as duas divisões não conseguiram estabelecer comunicações para coordenar a acção contra os russos. A acção coordenada destas duas divisões poderia numa primeira fase ter derrotado a ofensiva russa, mas a força do 48º corpo não se pode comparar à das unidades soviéticas. Uma centena de tanques romenos e 30 tanques alemães que por causa da escassez tiveram que pedir gasolina aos romenos.

Acima as movimentações do exército russ, contra as posições do exército romeno a norte. O avanço mostrado a sul é correspondente apenas ao dia seguinte (20/11).


Porém, o comando alemão não tem informação exacta e correcta sobre o que se está a passar. Só por volta das 13:30 (15:30 na hora russa) é que os primeiros relatórios alemães descrevem o ataque como sendo um ataque maciço. Nessa altura, as forças soviéticas já conseguiram quebrar as resistências do exército romeno em dois pontos, fazendo um brecha entre a 13ª divisão de infantaria, (que tinha cedido sob o peso do 4º corpo de tanques soviético), e a 1ª divisão de cavalaria romena, que tinha conseguido aguentar posições. Os russos tinham avançado mais de 10km para sul até Gromky.
O 48º Corpo blindado é enviado em reforço, mas as duas divisões que o constituem, uma romena e outra alemã, não têm contacto entre si e não chegam a coordenar a acção.

No flanco esquerdo as coisas não estavam a correr melhor, pois ali atacava o 5º exército de tanques soviético, o qual estava ainda melhor equipado para um ataque em profundidade.

Inactividade do comando alemão
Durante a tarde do dia 19, a inactividade do comandante do 6º exército é notória. As poderosas divisões blindadas do 6º exército, continuam atoladas num combate de ruas em Estalinegrado onde a sua utilidade é mínima, mas nada se faz para os utilizar.
Também não deixa de ser verdade que o ataque russo foi propositadamente feito longe da cidade de Estalinegrado, para que a distância tornasse difícil utilizar os tanques que estavam na cidade num eventual contra-ataque. Quanto maior fosse o anel russo, mais longe ele ficaria das forças alemãs.
Quando são emitidas ordens para retirar a 14ª divisão Panzer das ruas de Estalinegrado para a enviar para a região de Kletskaya em apoio de forças do 11º Corpo de Exército, já será demasiado tarde.

Durante a tarde do dia 19, os relatórios dos comandantes alemães ainda falam apenas da possibilidade de os soviéticos conseguirem atingir a linha férrea que funciona como principal linha de abastecimentos do 6º exército. Não lhes passa pela cabeça que o objectivo russo seja na realidade cercar todo o exército alemão.

Só às 22:00 do dia 19 (meia-noite hora russa), 17 horas depois do inicio do ataque soviético é que finalmente é dada ordem para que as tropas alemãs dentro de Estalinegrado parem as suas ofensivas.
Muitas unidades do 3º Exército Romeno tinham entrado em pânico e outras tinham sido cercadas ou dispersas pelo avanço russo.
É a esta hora que as unidades blindadas e mecanizadas recebem ordem de emergência para retirar da cidade, com o objectivo de cobrir a retaguarda do 6º exército, que ficara completamente descoberta.
Mas a retirada de tropas do centro da cidade tornou-se complicada, por causa dos ataques do 62º exército soviético. Algumas das unidades mecanizadas só receberão ordem de retirada na manhã do dia 21 de Novembro, mais de dois dias após o inicio do ataque.

Dia 20

A manhã do dia 20 foi gelada e começou com um nevoeiro muito denso, como na manhã anterior.
Desta vez, também houve um bombardeamento de infantaria, mas foi efectuado na frente a sul da cidade de Estalinegrado, por tropas dos 64º e 57º exércitos soviéticos, contra as unidades do 4º exército romeno. Mais a sul tropas do 51º exército também atacam as forças romenas.
O 4º exército romeno conta com ainda menos meios anti-tanque que o 3º, e sofre o ataque sucessivo de diversas vagas soviéticas a que resiste como pode durante algumas horas, no entanto sem grandes probabilidades de sucesso.

Os soviéticos também não estão nas melhores condições, o abastecimento de comida entrará em colapso a partir do dia 22.

A norte, as forças romenas do que restava do 5º corpo de exército (Grupo Lascar) continuam a resistir aos russos mesmo depois de cercadas, acreditando que as suas forças seriam apoiadas pelos blindados do 48º corpo, o que não viria a acontecer.
O avanço russo continuou em direção a sul em três eixos principais, com as unidades dos corpos de cavalaria e de tanques do 5º e do 21º exército.

Dia 21

Na manhã do dia 21 as noticias sobre o avanço das forças russas a norte apresentavam alguma melhoria para o lado alemão, porque as tropas russas do 3ºCG (Corpo da Guarda) tinham deixado de avançar para leste, mas os alemães não se aperceberam que o 4ºCT (corpo de tanques) continuava a avançar para sul.

Só na tarde do dia 21 o comandante do 6º exército e o seu Estado-Maior entendem que o objectivo russo, é o de cercar o 6º exército. O avanço das unidades do 4º Corpo de tanques soviético, não pode ser detido e grande parte das unidades de apoio e centros de reparação de blindados do exército alemão estão agora completamente ao alcance dos soviéticos.

Os alemães entendem que pela primeira vez, um ataque russo foi feito utilizando exactamente a mesma táctica de pinças que caracterizou o exército alemão durante os primeiros anos da guerra.
Os russos não só tinham os meios para atacar, como tinham reservas que os alemães não podiam igualar.

Ao Meio-dia é tomada a decisão de retirar grande parte do Estado Maior para o entreposto de Gumrak, mais próximo do grosso do 6º exército.

Dia 22

O objectivo principal dos soviéticos, o cruzamento e a ponte em Kalach não tem qualquer possibilidade de defesa. As topas soviéticas iniciam a ofensiva para tomar Kalach às 06:15 da manhã (04:15 hora alemã), utilizando para o efeito tanques alemães capturados.
Os combates pelo controlo da localidade são violentos e rápidos e por volta das 17:00 Kalach encontra-se em poder dos russos.


A situação na sequência da junção das duas pinças do exército russo. Notar que a bolsa de Esatlinegrado ficou dividida em duas secções separadas pelo rio Don. Isso levou a que as tropas a noroestes fossem retiradas para mais próximo da cidade para se juntarem ao grosso do exército cercado..


A noroeste de Estalinegrado, há agora unidades alemãs do 11º corpo de exército que estão em vias de ser atacadas de três lados, correndo mesmo o risco de ficarem isoladas do resto do 6º exército, com a 376ª divisão, separada do grosso do 6º exército pelo rio Don. Começa assim uma retirada para leste, na derecção de Estalinegrado.

Dia 23

De sul, aproximam-se as forças do 4º corpo mecanizado do exército russo. Às primeiras horas do dia 23, as forças dos dois exércitos encontram-se finalmente.

Estalinegrado, cidade russa quase totalmente controlada pelos alemães, transformou-se numa cidade cercada. Várias unidades alemãs, vêm-se obrigadas a retirar para leste, como é o caso da 16ª divisão blindada. Era no entanto uma retirada diferente da retirada do ano anterior, porque era uma retirada no sentido contrário. Uma retirada para cada vez mais longe de qualquer possibilidade de socorro. As forças alemãs eram uma amálgama de soldados reunidos à pressa para tentar resistir ao avanço dos russos. Várias unidades foram pura e simplesmente dissolvidas, como foi o caso da 14ª Divisão Panzer que ficou reduzida a 24 tanques. Os militares dos tanques foram reorganizados em companhias de infantaria. As várias unidades continuarão a lutar até que todas as forças alemãs cercadas se encontrem a leste do rio Don.



[1] – Tratava-se de tanques LT vz.35 / PzKpfw 35(t) fabricados na Checoslováquia e comprados pela Roménia. Em Novembro de 1942 a 1ª Div. Blindada romena tinha ao serviço 102 unidades (designados R-2 pelos romenos). 74 dos 126 adquiridos pela Roménia e 26 fornecidos pela Alemanha em Agosto de 1942 e que tinham sido colocados ao serviço da Wermacht depois da ocupação da Checoslováquia em 1938.

[2] – Por diversas vezes os romenos haviam afirmado que os seus dois exércitos (que tinham assumido posições meramente defensivas) não estavam armados para resistir a um pesado ataque dos soviéticos.

[3] – o 48º corpo blindado era constituído pela 1ª divisão blindada romena e pela 22ª Panzer alemã. A divisão romena estava armada com carros blindados checoslovacos, armados com canhões de 37mm, enquanto que a 22ª Panzer não tinha todos os seus efectivos e estava reduzida a 30 tanques Panzer-IV armados com canhão de 75mm.