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Armas e equipamentos relacionados

Cruzador pesado - York (1928)

Cruzador ligeiro - Leander (1933)

Cruzador blindado - Deutschland (1931)


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Batalha do Rio da Prata
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
13-12-1939

Este acontecimento teve inicio em: 13-12-1939 e terminou em 13-12-1939
Vencedor: Reino Unido

Forças em presença:

Reino Unido

Alemanha / III Reich



Quando no inicio de Setembro de 1939 teve inicio a II Guerra Mundial com a invasão da Polónia por parte do III Reich Alemão, Hitler não tinha a certeza de que a Grã Bretanha e a França entrariam na guerra.

Até à manhã do dia em que a guerra começou, um Domingo, os alemães não tinham ainda a certeza do que iria acontecer, pois o III Reich, tinha anexado a Áustria, tinha ocupado a zona desmilitarizada da Renânia e tinha invadido a Checoslováquia, sem que os países aliados tivessem feito mais que apresentar protestos formais.

No entanto, jogando pelo seguro, os alemães tinham tomado providências para que em caso de guerra com os países aliados, o III Reich pudesse de imediato atacar os interesses britânicos no Mar.

Para esse efeito o III Reich Alemão tinha lançado à Água uma classe de três navios que ficaram conhecidos como Couraçados de Bolso.
Tratava-se de um navio com grande raio de acção operacional, apoiado por navios de reabastecimento, que andariam sozinhos em Mar Aberto à procura de presas.

É por isso, que quando a guerra começou, o III Reich tinha no Atlântico dois destes navios. Um deles teve relativamente pouco sucesso e voltou à Alemanha, mas outro participou no primeiro grande recontro naval da guerra, e mostrou apenas alguns meses após o inicio do conflito, que no Mar, a Alemanha era a Presa e não o Predador.


O comandante do Graff Spee, «Kapitan zur See» Hans Wilhelm Langsdorff em 1939, pouco antes do inicio da guerra
Saída a 21 de Agosto
O Couraçado de Bolso, ou Cruzador Blindado (mais próximo da designação alemã) saiu de Wilhelmshaven a 21 de Agosto de 1939. No dia em que a Alemanha invadiu a Polónia, o navio encontrava-se a oeste dos Açores e navegava para o Atlântico Sul.

O primeiro ataque ocorreu a 30 de Setembro (Já a Polónia se encontrava vencida), com o afundamento do cargueiro Clement. A lista de navios afundados no Atlântico Sul prosseguiu e foi a seguinte:

30-09-1939 : Clement (Próximo a Pernambuco na costa brasileira)
07-10-1939 : Newton Beach + Ashlea
17-10-1939 : Huntsman
22-10-1939 : Trevanion

O navio prosseguiu depois para o Oceano Indico onde afundou dois navios.

14-11-1939 : Holland (Costa de Moçambique)
15-11-1939 : Africa Shell

A seguir, passou outra vez para o Atlântico Sul, com mais três afundamentos:

02-12-1939 : Doric Star (Próximo à costa sul de Angola)
03-12-1939 : Tairoa
07-12-1939 : Streonshalh

Caça ao Graff Spee

Por esta altura, já a marinha da Grã Bretanha e a marinha da França tinham criado forças navais para procurar o navio alemão, mas sem grande sucesso. No total, foram criadas sete forças separadas para contrariar a ofensiva alemã.
No Atlântico sul estavam três dessas sete forças:

Força Y - Na área do nordeste brasileiro, constituída pelo couraçado Strasbourg e cruzador Neptune.
Força H - Na costa africana, e constituída pelos cruzadores Sussex e Shropshire.
Força G -Na base de Port Stanley, nas ilhas Malvinas, constituída por quatro cruzadores (Cumberland, Exeter, Ajax e Achiles).

Depois de efectuar os ataques de 2 e 3 de Dezembro, o Graff Spee, tinha saído da área onde poderia ser alcançado peloa força H, que o continuava a procurar naquela área.

O comandante do Graf Spee, considerando que a rota da Argentina para a Europa era potencialmente interessante para atacar navios britânicos dirige-se para o outro lado do Atlântico, com o objectivo de atacar a área que até ao momento ainda não tinha patrulhado.

O comodoro Henry Harwood, comandante da força britânica que combateu o couraçado de bolso Graff Spee.
O almirantado britânico, tinha aparentemente conhecimento dessas intenções, e considerando os locais onde os ataques se tinham efectuado, parecia normal a movimentação alemã. Por isso e 13 de Dezembro de 1939, às primeiras horas da manhã, o Graf Spee, encontrou finalmente oposição no Mar.

O confronto entre o navio alemão e os navios britânicos não ocorreu exactamente no Rio da Prata, mas os acontecimentos envolventes e o concluir do episódio vão até ao Uruguai, pelo que a designação é adequada.

A construção dos «couraçados de bolso» alemães, ou cruzadores blindados partia de um principio muito simples:
Eram navios mais blindados e melhor armados (6 canhões de 280mm) que os cruzadores[1]. Por isso, se entrassem em contacto com eles, poderiam ganhar qualquer confronto pois os seus canhões mais poderosos poderiam atacar o inimigo a maior distância.
Já se o «Couraçado de Bolso» alemão tivesse que enfrentar um verdadeiro couraçado[2] (canhões de 380mm e blindagem muito superior) ele poderia escapar, porque a sua velocidade de 28 nós permitia-lhe fugir dos navios mais poderosos.

O comandante alemão, conhecedor desta vantagem táctica estava relativamente confiante das suas possibilidades no meio do Atlântico, porque tinha informação sobre a posição dos navios britânicos que o podiam enfrentar.
Mapa dos movimentos dos navios durante o recontro. As linhas tracejadas mostram a posição aproximada dos navios à mesma hora.

Inicio da batalha

Os navios britânicos, que se encontravam de prevenção, estavam dispostos na sua patrulha de forma a manterem contacto visual entre si, e para ao mesmo tempo poderem cobrir a maior área possível.
Às 06:14 do dia 13 de Dezembro de 1939, A torre de vigia do cruzador britânico Exeter, avista fumo. O cruzador Ajax é enviado à frente para identificar a origem do fumo e pouco depois transmite a mensagem para os outros dois navios: «Inimigo a Noroeste».

Conforme planeado a força britânica, que era composta pelo cruzador pesado Exeter e pelos cruzadores ligeiros Ajax e Achiles, divide-se em dois segmentos.

O navio mais poderoso, o cruzador pesado Exeter inflecte para noroeste, em direcção ao navio alemão e começa a disparar por volta das 06:20.
Os dois cruzadores ligeiros, avançam na direcção nordeste, para que os alemães não possam concentrar o fogo. Desta forma, a vantagem táctica dos alemães seria diluída.

Erro alemão de identificação
O navio alemão, que estava há quase quatro meses no Mar, tinha atacado navios mercantes mas a experiência da sua tripulação não era a melhor.
De inicio, os alemães aperceberam-se da presença de navios, dirigiram-se para eles e depois identificaram-nos como contra-torpedeiros.

Com a informação de que se tratava de pequenos contra-torpedeiros o comandante do Graf Spee decidiu atacar os navios.
Os alemães a principio ficaram surpresos com a «impertinência» dos britânicos, pois tratando-se de contra-torpedeiros (destroyers) a acção seria pouco mais que suicida.
Os alemães abriram fogo sobre o cruzador pesado Exeter e sobre o cruzador ligeiro Ajax pelas 06:14 (O Achiles ainda não estava ao alcance) e dividiram o fogo, disparando os seus canhões principais contra o cruzador pesado e as suas baterias secundárias de metade dos seus oito canhões de 150mm contra os dois cruzadores ligeiros.

O Graf Spee tinha vantagem no duelo contra o cruzador pesado Exeter, mas podia disparar apenas quatro dos seus canhões de 150mm da sua bateria secundária contra um total de 12 canhões britânicos.

Quando os navios britânicos responderam ao fogo é que o comandante alemão foi então informado de que não se tratava de contra-torpedeiros mas sim de cruzadores britânicos.

O fogo concentrado dos seis canhões de 280mm do Graf Spee sobre o cruzador pesado Exeter, cedo começou a fazer vítimas. O Exeter disparava os seus seis canhões de 203mm, mas a sua blindagem não era suficiente para resistir aos impactos directos dos canhões alemães. O cruzador britânico começou por ser atingido, logo no inicio do confronto, mas os seus canhões de 203mm continuaram a disparar contra o Graf Spee.

Já os dois cruzadores ligeiros, cujos canhões mais pequenos tinham menor alcance, começaram a disparar pouco depois. Os dois navios no total somavam 12 canhões de 152mm.

Embora o Exeter tenha sido pesadamente atingido e duas das suas três torres tenham ficado destruídas, ele conseguiu atingir o Graf Spee.
Também os cruzadores ligeiros com os canhões de 152mm conseguiram atingir o navio alemão, mas os seus canhões, como se previa, não conseguiam produzir qualquer dano relevante, pois a velocidade do Graf Spee continuou elevada.

Por volta das 06:30 e após ter sido atingido o navio alemão inflecte a sua rota no sentido noroeste. O navio alemão tenta então lançar cortinas de fumo para despistar os navios ingleses mais pequenos, dado que o Exeter, muito danificado, tinha ficado apenas com dois canhões operacionais.

Os alemães lançaram as cortinas de fumo com o objectivo de despistar os ingleses, para que estes o perdessem de vista, pois embora os navios ingleses não pudessem enfrentar o Graf Spee, eles podiam segui-lo e continuamente reportar a sua posição por rádio.

Por volta das 07:30 os cruzadores ligeiros britânicos chegam mesmo a perder o rasto do navio alemão. Nessa altura a fase de combate da batalha do Rio da Prata tinha terminado.

O Cruzador pesado «Exeter» dirigiu-se para as Malvinas muito danificado, enquanto que os outros dois navios continuaram a seguir o Graf Spee que entretanto tinham voltado a encontrar, embora se mantivessem à distância.

Detalhes dos danos provocados no Graf Spee pela artilharia dos cruzadores britânicos. Especialmente complicada foi a destruição das cozinhas do navio, que tornavam inviável alimentar a tripulação durante a viagem até à Alemanha.
Danos num navio longe de casa
Na verdade, a batalha tinha terminado com um navio britânico quase afundado, mas os danos que o Graf Spee tinha sofrido eram maiores que o que se pensava.
O Graf Spee tinha sido atingido em áreas não vitais para a manobrabilidade do navio, ou para a sua capacidade de combate, pois todas as suas armas estavam operacionais, mas o navio tinha visto destruídas instalações como armazéns de comida e as cozinhas do navio, o que tornava impossível prosseguir comida para toda a tripulação.

Este tipo de danos, que para um navio enquadrado numa esquadra ou grupo de batalha, ou para um navio próximo da sua base são mínimos e perfeitamente suportáveis, podem ser vitais e determinantes para um navio a muitos milhares de quilómetros da sua base e ainda por cima com marinhas inimigas de permeio.

O navio dirigiu-se ao porto de Montevideu, onde os danos foram verificados. De seguida ocorreram várias operações rocambolescas de contra-informação, que se destinaram a fazer os alemães pensar que uma grande esquadra britânica se estava a juntar na desembocadura do Rio da Prata, destinada a destruir o navio quando este saísse.
Na verdade, não havia esquadra nenhuma, e apenas o cruzador pesado Cumberland (que estava em rápidas reparações nas Malvinas) tinha entretanto chegado a tempo de substituir o Exeter.

Com o navio encurralado, e temendo o golpe para a propaganda que seria a destruição do navio perante a marinha britânica, os alemães optaram por sair do porto de Montevideu, abrir as válvulas de segurança e fazer explodir o navio para evitar que caísse nas mãos dos britânicos.

Consequências

A batalha do Rio da Prata veio provar que o conceito que parecia vencedor do «raider» ou navio caçador de longo alcance, destinado a viagens solitárias de caça à navegação inimiga, apresentava vários problemas.

Ao contrário do que se pensava, os tiros dos navios mais ligeiros, não podiam destruir um navio «corsário», mas como este tipo de navio se destinava a cumprir as suas missões a grande distância da base, mesmo os disparos de canhões menos poderosos, podiam afeta-lo produzindo danos que (não sendo incapacitantes), reduziam a capacidade de combate do navio ou a sua capacidade para prosseguir as missões de forma adequada.

Os alemães ficaram tão desiludidos com o conceito de Panzerschiffe (navio blindado) que Hitler mandou que o primeiro navio da classe, o «Deutschland», que ostentava orgulhosamente o nome do próprio país, visse o seu nome alterado para «Lutzow».

Para os britânicos, uma vitória no mar foi um tónico para a moral britânica, numa altura em que a França ainda estava na guerra e em que o conflito passava por um periodo de adormecimento.

Acima o cruzador pesado Exeter depois do combate


Uma curiosa coincidência reside no fato de o couraçado de bolso Graff Spee, homenagear o comandante do cruzador blindado Scharnhorst, afundado pelos britânicos ao largo das Malvinas em 1914, num dos primeiros recontros navais da I guerra mundial. Os navios que venceram a batalha do rio da prata, estavam baseados no mesmo lugar (Port Stanley) que os que tinham afundado o navio do almirante Graff Spee, 25 anos antes.


[1] – Por definição um cruzador pesado está armado com canhões de 8 polegadas (203mm) e um cruzador ligeiro está armado com canhões de 6 polegadas (152mm). No entanto esta designação é a normalmente utilizada pelos norte-americanos, pelo que há vários casos em que os cruzadores ligeiros britânicos (com canhões de 152mm) são na realidade maiores que os cruzadores pesados.

[2] – Os couraçados que a Grã Bretanha e a França possuíam eram na sua maioria navios antigos, lançados durante a I Guerra Mundial e entretanto modernizados. Eram navios poderosamente armados, mas com uma velocidade que no máximo atingia 22 nós, insuficiente para a velocidade de 28 nós do Graf Spee.
Apenas dois navios com grandes canhões de 380mm podiam perseguir o Graf Spee: O Cruzador de Batalha Hood e os dois cruzadores de batalha Renown e Repulse. Em 1939, ainda estavam em construção os novos couraçados rápidos.