pub


 

Armas e equipamentos relacionados

Cruzador de batalha - Hood

Couraçado rápido - Dunkerque

Couraçado «tipo Dreadnought» - Bretagne

Couraçado «Super-Dreadnought» - Revenge


Acontecimentos Relacionados
13-12-1939
Batalha do Rio da Prata
10-05-1940
Blitzkrieg a ocidente
13-05-1940
Batalha de Sedan
10-06-1940
Queda da França
03-07-1940
Ataque a Mers-El kebir
13-08-1940
«Adlertag» O dia da Águia
25-08-1940
Primeiro bombardeamento de Berlim
28-10-1940
Invasão da Grécia
11-11-1940
Ataque a Taranto
27-04-1941
Queda de Atenas, 1941
19-05-1941
Operação Rheinubung
20-05-1941
Invasão de Creta
20-01-1942
Conferência de Wannsee
31-08-1942
O Brasil na II guerra
10-07-1943
Invasão da Sicília
24-07-1943
Operação Gomorra «Tempestade de Fogo»
09-09-1943
Afundamento do couraçado Roma
15-02-1944
Monte Cassino
06-06-1944
«Dia D» Invasão da Normadia
12-11-1944
Afundamento do Tirpitz
13-02-1945
Bombardeamento de Dresden
07-03-1945
Tomada da ponte Ludendorf


Ataque a Mers-El kebir
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
03-07-1940

Este acontecimento teve inicio em: 03-07-1940 e terminou em 06-07-1940
Vencedor: Reino Unido

Forças em presença:

Reino Unido

França



A rendição da França depois da invasão alemã de Maio de 1940, criou uma situação algo complexa, pois por se ter rendido a França tinha garantido o direito a manter um governo em parte do país (com capital em Vichy) e a manter a sua poderosa frota.Aliás, foi a frota francesa que levou os generais alemães a pedir a Hitler que aceitasse o armistício com a França

Se a França continuasse na guerra, a Alemanha poderia ocupar todo o país, mas não poderia ocupar o Império Francês, o que levaria à continuação da guerra e colocaria a marinha francesa ao lado da marinha Britânica.

Como foi declarado o armistício, o problema da marinha francesa passou para o lado dos britânicos, como tinha sido acordado que os navios seriam desactivados e as suas tripulações removidas, havia para os ingleses o risco de os navios da esquadra francesa caírem em mãos alemãs.
Por isso, foi tomada a decisão de atacar os navios franceses, que se haviam retirado para bases em portos africanos.

A principal força francesa (os seus dois navios mais modernos e operacionais) encontrava-se no porto argelino de Mers-El kebir. Ali se encontravam os dois modernos couraçados Dunkerque e Strasbourg (8 canhões de 330mm), que estavam acompanhados de dois navios mais antigos (da era da I Guerra, mas modernizados), os couraçados Provence a Bretagne (10 canhões de 340mm). Além destes navios estavam no porto mais quatro contra-torpedeiros e um navio de transporte de aviões.
Preparava-se o desarmamento dos navios, conforme os termos do armistício com os alemães.

Em 3 de Julho de 1940, uma força britânica aproxima-se da cidade de Oran (Orão), na Argélia, onde se encontra o porto e instalações navais de Mers-El kebir e pedem ao comando francês que se junte aos aliados.

Hoje considera-se que as negociações poderiam ter chegado a bom termo, mas que a falta de diplomacia por parte dos britânicos acabou por apressar a situação e levar os franceses a recusar a rendição despoletando uma resposta britânica.
Fotografia da área do porto de Mers-El kebir tirada na manhã do dia 3 de Julho de 1940. Notar a posição dos couraçados com a proa voltada para terra, tornando mais complicada a resposta dos navios franceses mais modernos, que tinham todo o armamento à proa.


A força britânica era constituída pelo cruzador de batalha Hood (considerado na altura o mais poderoso navio do mundo por causa do seu armamento de 8 x 381mm e da sua alta velocidade), pelos couraçados Resolution e Valiant (8 x 381mm) pelo porta-aviões Ark Royal, cruzadores ligeiros Arethusa e Entrerprise, além de 11 contra-torpedeiros.

Às 07:14, sai do contra-torpedeiro Foxhound, um emissário que é enviado a bordo do couraçado Dunkerque, para negociar a forma de neutralizar a esquadra, solicitando a sua rendição.
Uma vez que a França tecnicamente continuava representada pelo governo de Vichy, os franceses informaram os ingleses de que recusavam entregar os navios, dado não terem autoridade para o fazer, acrescentando que responderiam à força, com a força.
Informou também os ingleses de que tinha ordens para afundar a sua própria esquadra no caso de os alemães ou os italianos tentarem tomar os navios.

Durante o resto da manhã, a operação de desmobilização dos navios franceses foi interrompida e começaram os preparativos para enviar os navios para o mar, o que implicava preparar os navios franceses para o combate se necessário.

Por volta das 13:30 aeronaves britânicas saídas o porta-aviões Ark Royal lançam cinco minas à entrada do porto, com o objectivo de impedir a saída dos navios. Os franceses consideraram aquela acção como hostil.

Uma segunda ronda de negociações teve inicio da parte da tarde (16:00) a bordo do couraçado Dunkerque, mas as acções dos britânicos tinham envenenado o ambiente. Os franceses insistiram que não tinham autoridade para entregar os navios e que responderiam se fossem atacados. As negociações demoraram menos de hora e meia e foram terminadas às 17:25.

Mapa da situação táctica.
H - Força H. Couraçados britânicos
A - Artilharia de costa francesa
A primeira batalha naval entre França e Grã Bretanha desde 1815

Perante a recusa francesa o Alm. Sommerville, comandante britânico, tinha avisado que daria ordem de fogo às 17:30 se não houvesse conclusão satisfatória das negociações.

Às 17:54, cumprindo ordens de fogo, os britânicos, que tinham os seus navios a cerca de 14km de distância, abriram fogo sobre Mers-El kebir.
Os primeiros disparos do couraçado Resolution, atingiram o molhe de amarração, fazendo saltar pedra e concreto sobre os navios.

Às 17:57, os franceses respondem aos disparos.

O couraçado Dunkerque tinha começado operações de desamarração foi atingido, e o comandante deu ordem para responder ao fogo com o seus canhões de 330mm.

Às 18:00 foi atingido o couraçado Bretagne, que às 18:07 estava envolto em chamas e às 18:10 começou a adernar e minutos depois explodiu.
Às 18:03 foi o Provence a ser atingido.

Às 18:10 o couraçado Strasbourg estava já a navegar a 15 nós para sair do porto, ao mesmo tempo que o Dunkerque era alvo dos disparos do Hood.
O Dunkerque disparou 40 tiros dos seus canhões principais entre as 18:00 e as 18:10. Embora os britânicos tivessem clara superioridade em termos de calibre, o Dunkerque e o Strasbourg eram couraçados modernos, enquanto que os navios britânicos eram relativamente antigos.
A precisão de tiro, mas acima de tudo a rápida cadência de tiro do Dunkerque, forçaram os britânicos a criar uma cortina de fumo de protecção, enquanto continuavam a disparar.

O couraçado Bretagne em chamas, alguns minutos após o inicio do bombardeamento
Esta movimentação para oeste dos britânicos, favoreceu o Strasbourg que aumentou a sua velocidade logo que chegou a mar aberto, afastando-se na direcção oposta. Os britânicos atingiram-no com um projéctil, resultando em alguns mortos mas o navio continuou na sua rota. Como os britânicos começaram a lançar uma cortina de fumo para se protegerem dos disparos do Dunkerque, também não conseguiam ver onde estava o Strasbourg, nem a sua escolta de contra-torpedeiros.

Quanto ao Dunkerque, os projecteis de 381mm mostraram-se demasiado fortes para a blindagem, conseguindo mesmo perfurar a blindagem da torre A, (a que se localizava mais à proa) do lado direito, matando toda a guarnição da secção direita.
O Dunkerque tinha sido pesadamente atingido em vários pontos vitais, nomeadamente nos motores e o seu estado levou a que o comandante decidisse não o levar para o mar, tendo sido tomada a decisão de encalhar o navio, impedindo assim que se afundasse.

Por volta das 18:15, a artilharia de costa francesa começa a disparar sobre os navios britânicos.

O Strasbourg, acompanhado pela sua escolta não chegou a atacar o porta-aviões britânico Ark-Royal, mas é atacado por aviões torpedeiros Swordfish e caças Skua, embora sem sucesso, tendo a artiharia anti-aérea abatido um dos Skua e danificado dois Swordfish.

Durante o dia seguinte, 4 de Julho, os franceses anunciaram na rádio que o Dunkerque apenas tinha sofrido danos leves. Os britânicos que não tinham informação suficiente sobre a situação, decidiram não correr riscos e voltaram a planear um novo ataque embora desta vez limitado à utilização de aeronaves.

Na foto, os danos provocados pelo rebentamento de minas, que se encontravam nos destroços de outro navio francês atingidos pelos aviões torpedeiros britânicos.
Às 06:28 do dia 6 de Julho, três vagas de aeronaves da força H, que tinham partido do porta-aviões Ark Royal iniciaram um ataque. No total 12 aviões torpedeiros Swordfish. Os primeiros seis não tiveram sucesso, embora tenham atingido e partido em dois o patrulha «Terre Neuve». A segunda vaga foi atacada pela anti-aérea e por caças franceses.
Os torpedos lançados, não conseguiram atingir o couraçado, mas atingiram os restos do patrulha «Terre Neuve», tendo provocado a explosão de pelo menos quarenta e duas minas de 100kg. A violência da explosão das minas, ao lado do couraçado provocou uma deformação no cinturão lateral do Dunkerque que se prolongava por 40 metros. No total dos dois ataques foram contabilizadas 210 baixas.

Embora o couraçado Strasbourg tivesse conseguido escapar, o resultado da operação foi um sucesso para os britânicos pois a força de Mers-El kebir foi efectivamente colocada fora de combate.