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Armas e equipamentos relacionados

Carro de combate leve - BT-7

Anti-tanque - 37mm Type-94 L/45.6

Carro de combate médio - Type-89B «Yi-Go» / «Chi-Ro»

Veículo ligeiro de reconhecimento - BA-10

Veículo ligeiro de reconhecimento - BA- 3 / BA-6


Acontecimentos Relacionados
27-06-1939
Batalha de Khalkhin Gol
30-11-1939
Invasão da Finlândia


Batalha de Khalkhin Gol
Periodo entre guerras
27-06-1939

Este acontecimento teve inicio em: 27-06-1939 e terminou em 27-06-1939
Vencedor: União Soviética

Forças em presença:

União Soviética

Japão



O dia 27 de Junho marca o primeiro confronto de importância na chamada batalha de Khalkhin Gol, quando a aviação japonesa lança um ataque de surpresa, contra a base soviética de Tamsak-Bulak, 200km no interior do território da Mongólia.

A batalha, na realidade foi um conjunto de recontros que ocorreram ao longo de quatro meses entre forças do Japão e do estado fantoche de Manchukuo[1] por um lado e forças soviéticas e do estado satélite da União Soviética. A Mongólia.

O ponto de discórdia entre as duas partes era a fronteira entre a Mongólia e Manchukuo, que estes últimos afirmavam passar no rio Kalkin Gol.

Antecedentes

A tensão entre russos e japoneses tinha vindo a crescer desde 1937. A guerra Sino-japonesa tinha levado ao aumento de efetivos japoneses na China o que levou o exército soviético a elevar o seu número de efetivos de 230.000 em 1934 para 570.000 em 1939, num total de 30 divisões, apoiadas por 2200 tanques e 2500 aviões, no extremo oriente russo.

A situação piorou mais em 1938, na fronteira entre a Manchuria e a União Soviética, no que ficou conhecido como incidente de Chagkufengem.

O exército imperial por seu turno tinha elevado os seus efetivos totais no Manchukuo para 270.000 homens, num total de 9 divisões, apoiadas por 560 aviões e 200 tanques.

Primeiro ministro do Japão Kiichiro Hiranuma. Por ter chegado ao poder em Janeiro desse ano, Hiranuma não tinha ainda prestigio junto dos militares.
No entanto, apesar desta tensão, a análise dos arquivos japoneses permite perceber que, o governo imperial em Tokyo considerava que o Japão não poderia vencer um conflito terrestre contra a União Soviética, mesmo apesar dos problemas operacionais que afetavam o exército vermelho, resultado das purgas de Estaline.
O primeiro ministro japonês, Kiishiro Hiranuma, era um conservador que acreditava na necessidade de uma aliança com a Alemanha, para conter a União Soviética, mas não tinha intenções de começar uma guerra.

No verão de 1938, foi criada na região de Hailar, próximo da fronteira entre a Mongólia exterior e a Manchúria, a 23ª divisão de infantaria do exército imperial. A divisão era comandada pelo general Komatsubara. A divisão e os seus regimentos foram criados com reservistas vindos do Japão. Por isso a unidade tinha pouco ou nenhum pessoal experiente. Os militares começaram a chegar a Hailar em Novembro e o inverno tinha dificultado a instalação. As patrulhas continuaram sendo responsabilidade do 8º grupo de guardas de fronteira manchús, que já realizavam essa tarefa anteriormente.

O aumento das tensões, veio mais uma vez chamar a atenção dos japoneses para o saliente do leste da Mongólia, uma área que se projeta mais de 250km pare leste, penetrando em território da Manchúria e que poderia ser utilizada como cabeça de ponte para um ataque combinado com forças russas vindas da área de Vladivostok.

Para garantir a sua defesa, o Japão pretendia que a fronteira passasse numa área mais fácil de defender, e naturalmente isso acontecia num rio. Por isso, o Japão insistiu sempre que a fronteira deveria passar no rio Khalkin-Gol, enquanto que os russos, pretendendo deter posições a leste desse rio, evitando assim o problema de ter de atravessa-lo, pretendiam que a fronteira passasse a 20km para leste, até onde se encontra um pequano agrupamento de casas chamado de Nomonhan. Tanto a União Soviética como o Japão tinham planos de contingência para intervir na região, mas não há indícios de que o Japão tivesse planos políticos para encetar hostilidades com os soviéticos.

A batalha de Khalkhin-gol, decorre na realidade na Mongólia, que está ocupada pelos soviéticos. As forças japonesas combatem em território do estado-fantoche de Manchu-kuo. Do ponto de vista da diplomacia, os combates não decorrem entre russos e japoneses. Na prática porém, foi isso que aconteceu.
Combates de 11 de Maio
Os primeiros recontros ocorreram na noite de 10 para 11 de Maio de 1939. OS comandos japonês e russos são avisados no dia 13. Os japoneses enviam pequenas forças para a região de Nomonhan mas um grupo de bombardeiros ataca os mongóis a oeste do rio Hal-ha, em território indisputadamente mongol. Achando que tinham dado uma lição nos mongóis, o destacamento japonês voltou para Hailar, percorrendo os 200km de distância (80km a pé) de volta até à cidade onde a 23ª divisão estava instalada.

Mas na Rússia as coisas correram de outra forma. O comando do exército vermelho soube da situação pela imprensa internacional e não tinha sido informado pelos chefes do 57º corpo de exército, que era a grande unidade soviética responsável por garantir a segurança da Mongólia.
Em pânico os comandantes soviéticos enviam uma força para apoiar a 6ª divisão de cavalaria mongol, mas quando o general Komatsubara, o comandante da 23ª divisão japonesa foi informado dos novos combates e da presença de russos em Tamsak-Bulak, decide tomar providências drásticas. A 20 de Maio envia quase 1000 homens fazer a viagem de volta a Nomonhan, acompanhados de 4 canhões anti-tanque de 37mm. O ataque foi efetuado apenas a 28, porque o comando superior do exército japonês na Manchúria recomendou cautela.

Entretanto, entre 17 e 21 de Maio, os russos perderam vários aviões biplanos i-15 sobre a região do rio Hal-ha para fogo anti-aéreo japonês. A 28 de Maio os japoneses atacam com cerca de 1200 homens as forças mongóis e russas na área de Nomonhan, o combate endurece durante dois dias, mas finalmente os japoneses retiram sem conseguirem expulsar os russos para oeste do rio Hal-ha. Os japoneses tiveram 359 mortos e 119 feridos (algo normal nas forças japonesas, onde a rendição era impossível por ser desonrosa).

No dia 30 de Maio em Tokyo, os altos comandos militares consideravam que o incidente não deveria ter mais consequências, já que na Rússia não foram divulgadas notícias sobre os recontros (isso só aconteceria a 26 de Junho).

No dia 1 de Junho, o comando soviético convoca o general Zhukov para comandar uma ofensiva. No dia 5 Zhukov chega ao aerodromo de Tamsag-Bulak na Mongólia oriental.
Ao fim do dia Zhukov envia um relatório para Moscovo em que afirma que os japoneses deverão escalar a situação e que o 57º corpo é insuficiente para os deter.
Moscovo responde rapidamente e dá a Zhukov a 36ª div. De infantaria, a 7ª 8ª e 9ª brigadas mecanizadas e a 11ª brigada de tanques. É enviada também uma centena de aviões.

Ataque aéreo russo de 19 de Junho
Durante todo o mês de Junho, os soviéticos receberam reforços, mas o comando da 23ª divisão japonesa não tinha ideia do que se passava. A 19 de Junho os soviéticos atacam postos fronteiriços onde os japoneses têm provisões e reservas de armamentos. A notícia é transmitida pelo comando da 23ª divisão, mas de alguma forma exagerada.

General Kumatsubara, comandante da 23ª divisão de infantaria japonesa, a principal unidade japonesa no conflito e o comandante operacional japonês durante a batalha.
O comando geral de Kwantung ficou espantado. Os japoneses não estavam habituados a serem atacados por aviões, embora tivessem utilizado aviões para atacar os chineses. Os generais japoneses ficaram absolutamente indignados e desonrados e para um japonês há poucas coisas piores.

Um mal entendido na comunicação da 23ª divisão com o comando do exército de Kwantung, levou a que os altos comandos pensassem que os russos tinham atacado pontos profundamente dentro da fronteira e essa ofensa tinha que receber uma resposta.

Um plano foi imediatamente posto em ação, para um ataque de grande envergadura. A 23ª divisão continuaria a ser a principal unidade, para evitar desonrar o seu comandante (o que o forçaria a cometer suicidio) mas um regimento da 7ª divisão, o destacamento Yasuoka (a única brigada blindada japonesa) e um grupo aéreo de 180 aeronaves.
O comando do exército de Kwantung, informou Tokyo das suas intenções de atacar, mas não deu uma dimensão precisa do ataque, nem explicou que se pretendia fazer ataques aéreos profundamente dentro do território da Mongólia.
Mas mesmo sem saber os detalhes, Tokyo mais uma vez recomendou moderação, mas como os planos já estavam traçados, ordenar o cancelamento da operação poderia levar a uma vaga de suicídios em massa por parte dos oficiais que ficariam desonrados. Tokyo ainda sugere o cancelamento e envia um observador, mas o exército de Kwantung altera a data do bombardeamento de 29 para 27 para impedir que o observador mande cancelar o ataque.

Ataque japonês de 27 de Junho
No dia 27, contra as ordens do governo de Tokyo, aviões japoneses atacam a base russa de Tamsak-Bulak, pretendendo assim destruir a aviação soviética e dificultar o abastecimento às tropas russas próximo da fronteira.

O ataque foi um sucesso. Os russos foram surpreendidos e os japoneses abateram muitos dos aviões que tinham acabado de chegar. Um total de 98 aviões soviéticos foram destruídos e outros 51 danificados.

Como seria de esperar na capital russa os generais ficaram furiosos com o ataque japonês. Alguns oficiais foram imediatamente acusados de traição e enviados para Moscovo, onde foram executados.

Do lado japonês, o comando em Tokyo também ficou furioso. Os comandantes do exército de Kwantung foram duramente criticados via rádio e acusados de irresponsabilidade. Tokyo proibiu terminantemente que o exército de Kwantung efetuasse qualquer outra operação aérea.

No entanto, era tarde para impedir o ataque terrestre, que se cancelado levaria necessáriamente ao suicidio ritual dos comandos do exército de Kwantung. Por essa razão o plano prosseguiu com o ataque terrestre.
A força de 15.000 japoneses, 120 peças de artilharia, 70 tanques e 180 aviões esperava encontrar pela frente uma força russa e mongol de 1000 homens, 10 canhões e uma duzia de viaturas blindadas.

O total de forças soviéticas disponíveis na área no final de Junho de 1939 era de 12.500 homens, 109 peças de artilharia de vários calibres, 186 tanques BT e T-26, 266 viaturas blindadas BA-6 e BA-10, além de 100 aeronaves (mais forças estavam a caminho e seriam enviadas para combate já depois do ataque japonês).

Os japoneses tinham portanto vantagem numérica em termos de homens, mas estavam em desvantagem quanto a tanques.
A situação para os soviéticos apresentava um problema tremendo. A linha férrea mais próxima encontrava-se em Borzya, a quase 1000km de distância do rio Hal-ha. Por isso, todos os mantimentos armas munições e homens, tinham que ser transportado por camião.

Na manhã do dia 28, um primeiro grupo de pouco mais de 1000 homens sob o comando do cor. Yamagata, o 64º reg. de infantaria e forças de apoio atacam as forças russas próximo de Nomonhan. A força ainda força os mongóis a retirar para o rio, avança mas é detida. No dia seguinte um barragem de artilharia russa e um ataque terrestre dizima uma das pinças do ataque. No total, as duas pinças japonesas perderam 530 homens nas primeiras 24 horas. Os russos tiveram 336 baixas, mas as forças mongóis sofreram também pesadas perdas.

No dia 1 de Julho, ocorre o principal ataque terrestre japonês, com o grosso das forças de 23ª divisão. O avanço foi cauteloso, mas na madrugada de 3 de Julho, forças japonesas atravessaram o Rio Hal-ha, entrando em território da Mongólia. Às 06:30 da manhã mais forças japonesas entram na Mogólia através de uma ponte construida pela engenharia.
Durante a manhã do dia 3 os russos percebem que o ataque começou. Zhukov, envia quase todas as forças que tem disponíveis contra os japoneses, sem qualquer coordenação. Os japoneses resistiram aos tanques, com armas anti-tanque e cocktails Molotov, mas o avanço japonês parou.

A continua pressão dos tanques de Zhukov, que contava cerca de 450 blindados , acabou por convencer os japoneses a retirar para a margem oriental do rio Hal-ha no dia 4 de Julho.
No dia 9 de Julho, os japoneses decidiram mesmo retirar todos os seus tanques sobreviventes da área da batalha, por serem inuteis. Na realidade os russos tinham perdido muito mais tanques que os japoneses, mas tinham começado com uma vantagem de 6 para 1.
A ofensiva japonesa de Junho/Julho tinha resultado outra vez num falhanço.



Zhukov contava com uma força militar considerável, que soma 51950 homens do 57º corpo de exército soviético. Oposto a ele contrava-se o exército de Kwantung, que tinha mais efetivos, mas na prática, apenas a 23ª divisão japonesa com cerca de 20.000 homens se encontrava na região.
Mas a força de Zhukov, e que justificava a sua confiança, estava na sua esmagadora superioridade em material.

Em Julho os efetivos soviéticos em termos de blindados que estavam disponíveis para Zhukov eram os seguintes:
370 x Tanques médios BT-7 (peça de 45mm) (525 em Agosto)
24 x tanques leves T-26 (peça de 45mm)
151 x blindados BA3/6/10 (peça de 45mm)
173 x blindados BA-20/FAI (metralhadoras)
15 x tankettes T-37 (metralhadoras)

Mas onde a superioridade russa era mais evidente, era no total de viaturas de transporte.
No total, 4561 camiões, 225 automóveis, 737 tratores e camiões de transporte de tanques e 233 motociclos.

Perante esta força, os japoneses estavam equipados com 38 tanques médios Type-89B e com 35 tanques leves Type-95 «Ha-go» alem de algumas tankettes.

A principal força japonesa, a 23ª divisão de infantaria, era composta por três regimentos de infantaria e cada regimento de infantaria tinha uma bateria anti-tanque equipada com quatro canhões de 37mm Type-94. Num total de 12, estes armamentos eram a única arma realmente eficaz contra os blindados russos.

A somar aos 12 canhões anti-tanque, a 23ª divisão japonesa contava com um total de 24 canhões de cano curto de 75mm, e mais 12 canhões de montanha de 75mm e 12 obuses de 120mm.
Um total de 60 peças de artilharia, que eram puxados por animais.

O tanque médio japonês Type-89B era o maior tanque que os japoneses possuiam.

Com uma peça principal de 57mm que disparava um projetil a 384m/s ele era apenas adequado para infantaria, e virtualmente inutil contra blindagem.

Com um peso de 14t e um motor de apenas 120cv o tanques tinha uma velocidade máxima de 24km/h, deslocando-se normalmente à velocidade de 10km/h o que tornava dificil acompanhar o avanço das restantes tropas.

O tanque leve soviético BT-7 era em 1939 considerado um tanque médio pelos soviéticos (os BT-7 passariam a tanques ligeiros com a introdução do T-34 no ano seguinte).

Armado com uma peça principal de 45mm que disparava um projetil a uma velocidade de 720m/s ele podia perfurar a proteção de qualquer blindado japonês sem sequer ser atingido

Com um peso de 13.8t ele tinha um motor de 500cv e podia atingir uma velocidade máxima de 62km/h, podendo andar normalmente a 32km/h.

O Japão dispunha de 38 destes tanquesA URSS dispunha de 370 destes tanques


No ataque russo Zhukov lançou nada mais nada menos que 450 tanques médios (BT-7) e leves (T-26) que foram utilizados para quebrar o avanço japonês a norte em três pontos, atacando as viaturas blindadas japonesas que apoiavam o avanço.

Por sua vez, também o ataque japonês a sul foi retido pela artilharia soviética que provocou graves perdas aos japoneses, os quais foram obrigados a retirar a 9 de Julho, mas a 23 de Julho voltaram a atacar as forças soviéticas, numa segunda vaga. Porém, ao contrário dos soviéticos que tinham organizado os seus abastecimentos por via motorizada, os japoneses tinham a sua logística de suporte dependente de lentas colunas hipomóveis. A lentidão dos abastecimentos e a consequente falta de víveres a acima de tudo de munições, força os japoneses a retirar a 25 de Julho.

Embora derrotados os japoneses ainda contavam com forças importantes na região e por isso a situação continuou num impasse que durou aproximadamente um mês, periodo em que as forças japonesas se voltaram a reabastecer.

O novo ataque japonês ficou previsto para 24 de Agosto, mas a 20 de Agosto, um fulminante ataque preventivo soviético efectuado por cinco divisões, entre as quais duas divisões de tanques, com um total de efectivos que atingia os 50.000 homens, 500 tanques BT-5/BT-7/T-26, 350 viaturas de reconhecimento (BA-6/BA-10) e 250 aeronaves lançou-se sobre as posições japonesas, que podiam contar apenas com duas divisões ligeiras.

A infantaria atacou os japoneses em posições frontais, e os rápidos tanques soviéticos tomaram os flancos e atacaram as tropas japonesas pela retaguarda, cercando-as.
As tropas japonesas recusaram render-se e foram finalmente aniquiladas pela artilharia soviética.

De uma força inicial de 60.000 homens, o total de baixas japonesas atingiu 17.000, contra 10.000 baixas soviéticas (considerando os números oficiais).

Os reabastecimentos japoneses tornavam-se literalmente impossíveis. A estrutura logística japonesa, que não contava com linhas ferroviárias e viaturas motorizadas de transporte, não tinha como manter a situação. As linhas de abastecimento estendiam-se até aos portos na Coreia e depois através do mar até ao Japão, que tinha ao mesmo tempo que manter o conflito aberto com os chineses que em 1939 tinha atingido o impasse.

O Japão, que estava a preparar mais ofensivas contra os chineses, preferiu desistir do conflito com a Russia, que se mostrava demasiado custoso. Em Setembro, os japoneses seriam derrotados também pelos chineses nas batalhas de Guangxi e Changsha.

A Império do Japão, que tinha dominado com alguma facilidade os seus inimigos chineses, tinha pela primeira vez enfrentado um inimigo à altura.

Ao mesmo tempo, exactamente na altura em que o Japão aceitava a derrota frente à União Soviética, começava na Europa a II Guerra Mundial.


Ensinamentos e consequências de Khalkin Gol


As forças de Zhukov, encontravam-se a cerca de 750km da sua base principal de abastecimentos, mas foram massivamente apoiadas por uma enorme frota de milhares de camiões de transporte, que permitiram reabastecer as forças soviéticas a um ritmo com que os japoneses não podiam nem sonhar.

O tanque médio BT-7 sem lagartas e deslocando-se sobre pneus. Esta capacidade deu aos soviéticos a possibilidade de deslocar em pouco mais de 24 horas, 250 tanques em uma distância de 650km. Esta enorme vantagem tática demonstrou a lógica na construção dos tanques BT, que menos de dois anos mais tarde, seriam acusados pelos generais russos de serem tanques para caçar pardais
Outra das curiosidades deste recontro entre blindados soviéticos e japoneses, foi o facto de os blindados russos praticamente terem actuado sem o apoio da infantaria e terem conseguido sucessos.
Na verdade, a superioridade numérica, de mais de 10 para 1 em blindados, explica muito do sucesso. Os tanques japoneses não eram capazes de disparar contra os tanques russos e os tanques russos atingidos, foram quase exclusivamente vítimas de fogo de artilharia anti-tanque japonesa.

Este sucesso provou ter sido contra-producente, pois veio em contra-corrente. Os soviéticos durante a guerra civil de Espanha tinham percebido que os carros de combate utilizados sem apoio de infantaria acabaram sendo quase sempre aniquilados. Muitos deles perdidos exactamente por causa da falta de apoio de infantaria.

Mas se os ataques com tanques sem apoio de infantaria não resultaram em Espanha, parecem ter resultado na Mongólia.
O sucesso de Khalkin Gol contra os japoneses, utilizando tanques sem apoio de infantaria contra forças inimigas poderá ter dado a Zhukov uma ideia errada da realidade. Dois anos mais tarde, em 1941, os generais soviéticos tentaram aplicar a táctica aquando da invasão da URSS pelas forças alemãs, com resultados desastrosos.

O camião blindado soviético BA-10: Esta viatura blindada, levemente protegida estava armada com a mesma peça principal dos tanques russos. O resultado é que contra os japoneses, o BA-10 podia disparar fora do alcance de muitas das armas japonesas. Durante a guerra civil de Espanha, os alemães emitiram relatórios determinando que os tanques Panzer Mk.I e Panzer Mk.II deveriam evitar combates com estes blindados
Nota-se também em Khalkin Gol que ao contrário do que os generais soviéticos afirmavam no Verão de 1941, os carros de combate soviéticos tinham capacidade suficiente para vencerem batalhas contra forças armadas de meios blindados ainda que em menor número.

É especialmente importante frisar a importância das viaturas blindadas médias do exército vermelho, especialmente os tanques BT-7, mas também o papel importante das viaturas sobre rodas do tipo BA-6 e BA-10 as quais estavam poderosamente armadas (armamento principal igual ao dos tanques) embora não dispusessem de grande blindagem.


[1] - Trata-se de Manchúria, uma área do nordeste da China, que após a ocupação por parte do Japão tinha sido autorizada a ter o seu próprio governo, embora este nunca passasse de uma espécie de governo de região autónoma.