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Invasão da Sicília
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
10-07-1943

Este acontecimento teve inicio em: 10-07-1943 e terminou em 10-07-1943
Vencedor: Estados Unidos da América

Forças em presença:

Estados Unidos da América

Reino Unido

Italia

Alemanha / III Reich



A operação Husky, foi uma das maiores operações anfíbias da II guerra mundial, embora tenha visto a sua importância para a História ser relativamente desvalorizada por causa da dimensão da operação Overlord, (a invasão no norte de França) que ocorreria cerca de um ano depois.

No entanto, a operação que resultou na invasão da Sicília, uma ilha no sul da península italiana foi a maior operação de desembarque anfíbio que tinha sido realizada até então, e constitui-se na prática na primeira frente a ocidente da Europa.

A invasão da Sicília ocorre na sequencia da retirada das forças alemãs e italianas do norte de África, que haviam sido atacadas a ocidente pelas tropas norte-americanas que tinham desembarcado em Marrocos e na Argélia e a leste pelas tropas britânicas do VIII exército de Montgomery que tinham avançado a partir do Egipto, até se encontrarem na Tunísia.

A operação começou a ser preparada logo após a conferência de Casablanca entre Churchill e Roosevelt, que decorreu entre 14 e 24 de Janeiro de 1943. A conferência acontece numa altura em que o VI exército alemão está cercado em Estalinegrado, prestes a render-se. Na Ásia, o Japão, também tinha sofrido uma derrota em Guadalcanal e preparava-se para retirar dali as suas últimas tropas.

Conflito entre americanos e britânicos
A decisão de atacar a Europa foi em grande medida resultado da pressão britânica para que o principal esforço aliado fosse dirigido para o sul da Europa, a que Churchill chamou a «barriga mole» da Europa ocupada.

Ao contrário dos britânicos, os norte-americanos olhavam para o mapa de forma mais racional e consideravam que o melhor caminho para vencer a Alemanha era o caminho mais curto, e esse caminho implicava desembarcar algures nas costas do norte da Europa e partir dali para a Alemanha. Mas na conferência de Casablanca, os britânicos conseguiram convencer os norte-americanos a utilizar as tropas que ficaram inactivas no norte de África efectuando uma operação de desembarque na Sicília que ficou marcada para o Verão.

A tomada da Sicília seria efectuada por forças britânicas e por forças norte-americanas que se encontravam no norte de África e seria uma operação secundária.
Tanto Hitler como Mussolini estavam convencidos de que os aliados atacariam na Sardenha ou então na Grécia. Esta convicção foi ajudada por várias operações de contra-espionagem destinadas a enganar os serviços secretos alemães.

Na Sicília encontravam-se quatro divisões de infantaria italianas a que se juntavam seis divisões estáticas de defesa costeira. Além destas, estava na área também a XV divisão de granadeiros blindados e a divisão Herman Goering, um estranho anacronismo expresso numa tropa de elite blindada da força aérea alemã. Estas tropas estavam colocadas principalmente na região ocidental da Sicília, onde se encontrava a maior parte das estradas que ligava o sul da ilha e a capital, Palermo ao estratégico estreito de Messina.



A operação anfíbia foi a maior que até então se tinha realizado. A força naval britânica, comandada pelo vice-almirante Ramsay contava com 795 navios mais 715 lanchas de desembarque de vários tamanhos. Os norte americanos, sob o comando do vice-almirante Hewitt contavam por seu lado com 580 navios e 1.124 lanchas de desembarque de vários tipos.

PattonMontgomery

General Patton: As suas forças marcharam para noroeste, onde a resistência era muito fraca. A rapidez do avanço americano, ainda que atribuida a Patton, teve muito mais a ver com a não resistência das tropas do Eixo.

General Montgomery, comandante das forças britânicas: Os alemães e italianos resistiram às forças britânicas e por isso os americanos conseguiram progredir muito mais depressa.

Dois grupos de ataque aliados: Montgomery contra Patton

A invasão das praias do sul da Sicília foi dividida em dois sectores, um norte-americano (VII exército), comandado por Patton e outro britânico (VIII exército) comandado por Montgomery. No total foram desembarcadas oito divisões, ou seja, mais que as que seriam desembarcadas na Normandia em Junho de 1944 e estas divisões foram posteriormente reforçadas. Enquanto que os britânicos tomaram as praias da zona oriental, os norte-americanos tomaram as praias a ocidente. Em conformidade com os planos, os britânicos deveriam seguir para norte em direcção a Messina, enquanto que os norte-americanos deveria inflectir para ocidente, circundar a ilha e juntar-se aos britânicos.



A operação propriamente começa à meia noite do dia 10 com o desembarque de forças para-quedistas e o grosso das forças aliadas começa a desembarcar nas praias da Sicília durante a madrugada em vinte e seis diferentes praias do sul da Sicília.
O desembarque decorreu sem problemas, ainda mais porque os planos defensivos de italianos e alemães não previam uma resistência nas praias, mas sim uma acção posterior para empurrar os invasores até às praias.

Luciano

O mafioso americano Lucky Luciano, foi um dos líderes criminosos cujos serviços foram utilizados para facilitar a progressão das forças americanas na Sicília. Luciano terá mesmo ajudado a estudar os locais de desembarque mais favoráveis.


O desembarque foi confuso, como seria de esperar para uma operação daquela amplitude e várias unidades desembarcaram nas praias erradas. Houve casos em que as tropas deveriam desembarcar por volta das 05 da manhã, mas só começaram a desembarcar por volta das onze horas.

As forças norte-americanas começaram por ser atacadas durante o fim da manhã e inicio da tarde pelas forças da 4ª divisão de infantaria italiana, uma das melhores unidades disponíveis.
Mas para protecção, os norte-americanos contavam com o apoio de fogo de um contra-torpedeiro e de um cruzador com canhões de 152mm [1].
É esta unidade, juntamente com os tanques da divisão blindada Herman Goering que forçaram o ataque contra as praias no dia 12, tendo estado perto de forçar as forças americanas a retirar.

Mas a partir de aí, com superioridade aérea, que já se tinha vindo a fazer sentir permitiu às sete divisões iniciais consolidar as suas posições. As tropas italianas e alemãs vêm-se forçadas a retirar para posições pré preparadas.
Essas posições tinham sido organizadas no nordeste da ilha, pelo que as forças americanas tiveram o caminho livre para ocupar grande parte da ilha, enquanto que os britânicos avançaram apenas para serem parados alguns quilómetros mais à frente quando atingiram os contrafortes do monte Etna.

A 18 de Julho os aliados tomaram o sul e o sudeste da Sicília e cinco dias depois controlam todo o Oeste, tendo tomado Palermo.
A 23 de Julho é estabelecida uma linha defensiva que continuaria a ser defendida até 2 de Agosto. É nesse período que com a Itália a cair nas mãos dos aliados que Mussolini é deposto (25 de Julho).

Além da superioridade aérea e naval, as tropas aliadas, especialmente americanas, enfrentam tropas italianas que se não estavam muito seguras do que estariam a defender, muitos dos militares americanos são descendentes de italianos e praticamente não havia um habitante da Sicília que não tivesse um familiar na América.
Muitos dos italianos deixam de oferecer uma defesa coordenada e apenas as principais unidades, como a 4ª divisão de infantaria «Livorno» continuam a resistir de forma eficaz e coordenada com os alemães.

A principal posição de defesa é estabelecida com apoio no sopé do monte Etna e nos montes Caronie. Essa posição é a mais bem defendida, embora fossem preparadas outras linhas de defesa sucessivas na direcção de Messina.

Quer os alemães quer os italianos retiraram da ilha de forma ordenada, utilizando transporte nocturno e aproveitando a facilidade concedida pelo estreito de Messina, onde um navio lento fazia a travessia em menos de 20 minutos.

Mussolini

O fim do consulado de Benito Mussolini aproximou-se do fim, quando as tropas italianas se mostraram incapazes de deter a tomada de uma grande cidade.

Consequências da tomada da Sicília

Embora fosse uma manobra secundária, as consequências da ocupação da Sicília pelos aliados sentiram-se a nível político, especialmente na cena politica italiana. Com um território italiano parcialmente ocupado, a opinião pública passou a criticar fortemente Mussolini, que perdeu o apoio de grande parte dos políticos italianos e de algumas das elites do país.
Como consequência, a 25 de Julho, quando as tropas italianas e alemãs ainda combatiam na Sicília, um golpe de estado derruba Mussolini, sendo nomeado o marechal Badoglio como seu sucessor.
Mussolini passaria a ser uma figura secundária, a Itália acabaria por se retirar da guerra, passando o norte do país a ser uma mera área ocupada pelos alemães, num estado fantoche em que nominalmente Mussolini (entretanto libertado pelos alemães) continuaria a ser o chefe de estado.

A outra consequência marcou a II guerra mundial num lugar muito distante e muito conhecido. A 7 de Julho, apenas três dias antes do inicio da invasão da Sicília, as tropas alemãs tinham começado o seu ataque contra o saliente de Kursk na Rússia.

Quando a batalha ainda estava periclitante e não decidida para nenhum dos lados, a invasão aliada da Sicília levou Hitler a desviar tropas para reforçar a frente ocidental, marcando assim definitivamente o destino das forças alemãs em Kursk, naquela que foi a última grande ofensiva alemã no leste.




[1] - O cruzador era o USS Boise, que seria vendido à Argentina. Era o irmão gémeo do cruzador General Belgrano afundado nas Malvinas em 1982.