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Operação Gomorra «Tempestade de Fogo»
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
24-07-1943

Este acontecimento teve inicio em: 24-07-1943 e terminou em 24-07-1943
Vencedor: Reino Unido

Forças em presença:



Este dia, marca o inicio da primeira grande operação coordenada de ataque contra a indústria alemã, levada a cabo pelos aliados ocidentais.

Desde que em Junho de 1941 a URSS fora invadida, que Estaline pediu aos britânicos que abrissem uma segunda frente para aliviar a pressão sobre a União Soviética. Os britânicos tinham perfeita consciência de que não tinham capacidade para abrir tal frente, e só quando os norte-americanos entraram na guerra, se considerou a necessidade da segunda frente.

Não tendo capacidade para enfrentar directamente os alemães na Europa, os aliados ocidentais optaram primeiro por tomar o norte de África e em Julho de 1943, iniciaram efectivamente a 2ª frente, com o ataque na Itália e a tomada da Sicília.

A abertura desta frente no sul da Europa, coincidiu com o esforço alemão contra a região de Kursk, sendo que por causa do ataque aliado contra a Sicília, Hitler recusou ceder aos general alemães as unidades blindadas que estes precisavam para poder vencer utilizar as suas reservas de forma ofensiva e vencer a batalha.

Mas ao mesmo tempo que atacavam a Europa, os aliados ocidentais decidiram também efectuar uma sucessão de ataques aéreos contra a industria alemã, que ocorreram mais ou menos na mesma altura e ao mesmo tempo que as tropas aliadas controlavam completamente a Sicília e ameaçavam atacar o sul da Itália.

O bombardeamento
A operação aliada contra Hamburgo, foi a primeira grande operação coordenada de bombardeamento e tinha como objectivo principal debilitar a industria alemã, que tinha vindo a ser atacada desde o inicio de 1943, com a destruição de várias fábricas de armamento na região de Essen, juntamente com um fortíssimo ataque contra as fábricas de combustíveis sintéticos que os alemães utilizavam para suprir o seu deficit de combustíveis. Em Hamburgo, estavam os estratégicos estaleiros navais, que poderiam produzir navios que afectariam a ligação atlântica, vital para o abastecimento da Grã Bretanha, em preparação para o desembarque na França.

Aspecto geral de Hamburgo, após o bombardeamento
O primeiro ataque teve inicio na madrugada de 24 de Julho, seguindo o já tradicional padrão de bombardeamentos nocturnos pelos britânicos e bombardeamentos diurnos pelos norte-americanos.
O que tornou o ataque contra Hamburgo diferente de todos os outros, foi o facto de os aliados ocidentais terem organizado os ataques de forma a que a cidade estivesse quase continuamente sob a ameaça das bombas. Não era dada oportunidade aos alemães para recuperar. Ainda estes estavam a apagar os fogos resultado do bombardeamento anterior, e já um novo bombardeamento forçava a população e os bombeiros a voltar para os abrigos.

Na madrugada do dia 27 de Julho, um total de 739 bombardeiros pesados ingleses abateu-se sobre a cidade. Era uma noite quente de Verão, e os incêndios multiplicaram-se de forma descontrolada.

O ataque provocou um fenómeno conhecido como tempestade de fogo, em que um aumento descontrolado da temperatura do ar, provoca alterações na pressão atmosférica que resultam em ventos fortíssimos.
Os ventos sobre a cidade de Hamburgo, chegaram a atingir os 240km/h com temperaturas a atingir os 800º Celcius.
Mas os bombardeamentos continuaram, dia e noite, com uma nova concentração em 29 de Julho com um bombardeamento em que tomaram parte mais 700 bombardeiros pesados.

Pânico entre os alemães
A dimensão do ataque deixou as autoridades civis e militares alemãs em pânico. Diversos documentos encontrados depois da guerra e os depoimentos dos alemães comprovam isto.

A população atingida ficou em estado de choque. Mais de 250.000 habitações foram destruídas e 1.200.000 pessoas fugiram de Hamburgo (dois terços da população da cidade). Calcula-se que morreram até 50.000 pessoas durante a operação Gomorra. Todas as estruturas civis da cidade foram danificadas ou destruídas.
A fuga da população, aumentou ainda mais os problemas de mão de obra que afectavam a industria de armamento alemã.

A população civil ficou em estado de choque. De um momento para o outro, os americanos tinham-se tornado no mais temível inimigo do III Reich.
As instalações portuárias, os canais e fábricas de armamento e especialmente os estaleiros navais da Blohm + Voss , foram destruídos ou afectados. Há que notar que Julho de 1943, coincidiu com o último pico no afundamento de navios aliados por parte dos submarinos alemães, quando foram afundadas cerca de 1.200.000 toneladas de navios.
Os ataques também coincidiram com a invasão da Sicília e com o golpe de estado que depôs Benito Mussolini na Itália. Em Julho de 1943 também teve lugar a batalha de Kursk, em que a Alemanha sofreu uma derrota estratégica.

Albert Speer com Hitler: A Alemanha não aguentaria mais dois bombardeamentos
O ministro do armamento, Albert Speer, afirmou que a Alemanha não teria capacidade para sobreviver a mais dois ataques como aqueles.
Mas na verdade o esforço por parte de britânicos e americanos foi tremendo. Nem a força aérea americana nem a britânica estavam, após o esforço realizado, em condições de efectuar um novo esforço de bombardeamento coordenado daquela dimensão.

Guerra de terror
Mas os bombardeamentos e o terrível efeito desmoralizador que eles tiveram sobre a população civil alemã, serviram como primeiro aviso para o que viria depois.
Entre as suas consequências directas, e como resultado dos problemas causados pelos bombardeamentos, está a transferência para a frente ocidental, de 75% da aviação de caça alemã, que abandonou por isso os céus na Frente Leste.

A Grã Bretanha (a maioria das aeronaves eram de fato da RAF) conseguiu levar até à Alemanha o conceito de guerra de terror, em que a violência contra a população civil se transforma numa arma de guerra, tentando desmoralizar a população e assim reduzir as possibilidades de vitória do inimigo.

Como se verificou mais tarde, este tipo de operações demonstrou não ser eficiente. Atacada, a população civil acaba por se unir mais aos seus líderes.
Quanto aos líderes alemães, tendo Speer avisado que a Alemanha não poderia aguentar mais bombardeamentos como aqueles, Hitler convenceu-se ainda mais da necessidade de investir pesadamente nas chamadas armas de vingança, as bombas V-1 e V-2.
Estas armas acabaram por consumir recursos que de outra forma poderiam ser utilizados para construir mais aeronaves e carros de combate, sem os quais a Alemanha não podia vencer a guerra.

A vingança dos britânicos
A operação Gomora como ficou conhecida pelos britânicos foi apresentada na Grã Bretanha como perfeitamente justificada perante as necessidades da guerra. A operação foi a primeira em que o Comando de Bombardeiros da RAF fez aquilo para que tinha sido construído desde o inicio.

No entanto, a dimensão do bombardeamento não é comparável à dimensão dos ataques alemães contra o sul de Inglaterra em 1940. A título de comparação, o bombardeamento de Coventry em 14 de Novembro de 1940 - o mais demolidor bombardeamento alemão sobre as ilhas britânicas - provocou 538 mortos.

Como explicação para este fato, está a grande prioridade que os britânicos deram à produção de bombardeiros pesados, como forma de ganhar a guerra à Alemanha destruindo a sua industria. Este plano tinha sido secretamente defendido pelo próprio Winston Churchill, quando a Grã Bretanha ainda se encontrava na defensiva.