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Armas e equipamentos relacionados

Carro de combate médio - T-34/85 m.1944

Bombardeiro leve / táctico - IL-2 M3 «Sturmovik»


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Operação Bagration
II Guerra Mundial / Frente Leste
23-06-1944

Este acontecimento teve inicio em: 23-06-1944 e terminou em 23-06-1944
Vencedor: União Soviética

Forças em presença:



A 23 de Junho de 1944, teve inicio a maior ofensiva soviética da II guerra mundial.

A data do inicio da operação esteve prevista para 19, mas teve que ser atrasada por problemas logísticos e coincidiu quase exactamente com a data da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazi em 1941, exactamente três anos e um dia antes.
A operação soviética durará 5 semanas, e terminará com as tropas soviéticas às portas de Varsóvia, a capital da Polónia.

Durante o ano de 1943, até Agosto, o exército alemão tinha conseguido manter uma situação de vantagem táctica, que culminou com a operação Cidadela, a famosa batalha de Kursk, mas a partir daí a situação tinha sido radicalmente alterada. Com a invasão da Itália pelos exércitos aliados, e com a queda de Mussolini, Hitler foi forçado a enviar parte dos cada vez mais escassos recursos do Reich para aquela frente com o intuito de deter o avanço aliado.

Com as forças alemãs divididas e com o peso dos bombardeamentos aliados a fazer sentir-se pesadamente sobre a Alemanha na segunda metade de 1943 (os ataques aéreos destruíram chegaram a destruir 90% da capacidade alemã para produzir combustível sintético utilizado pela aviação alemã e causaram danos a toda a industria) o exército soviético tomou a iniciativa no Outono de 1943, e avançou sobre as planícies da Ucrânia, região que por não ter obstáculos naturais, não permitiu aos alemães organizar uma defesa eficaz.

Na frente da Bielorússia, defendida pelos quatro exércitos do grupo central, não se esperava um ataque forte por parte dos soviéticos, e por isso desde o fim da Primavera e o inicio do Verão de 1944, os alemães tinham assumido posições claramente defensivas ao longo das linhas dos exércitos do grupo central.

A falta de efectivos alemães e o avanço contra a Ucrânia durante 1943 e inicio de 1944, levou a que estes pensassem que era intenção dos soviéticos, atacar na frente da Ucrânia do Norte, tendo reforçado aquela frente com efectivos blindados mais poderosos.
É por isso ali, que estão dois dos mais poderosos exércitos alemães, o 4º e o 1º exércitos Panzer, juntamente com o exército húngaro. Além de terem sido enviados importantes reforços para a frente da Ucrânia, muitas unidades blindadas tinham sido transferidas para a frente ocidental, onde os aliados haviam desembarcado duas semanas antes na Normandia.

A falta de homens e material faziam-se sentir com gravidade. Em alguns casos cada uma das divisões alemãs de infantaria cobria uma frente entre 24 e 32km, o que implicava que existissem cerca de 80 homens por quilometro, com o apoio de duas ou três peças de artilharia.

Ainda que no papel figurasse o III exército Panzer, essa unidade estava na prática limitada às suas divisões de infantaria e contava com duas divisões de infantaria da Luftwaffe. Na prática, o exército com maior quantidade de carros de combate era o 4º exército, que possuía 52% do total de tanques e canhões de assalto que estavam ao serviço no grupo de exércitos centro (no total esse grupo de exércitos possuía apenas 73 tanques e 480 canhões de assalto Stug-III). Como se esperava que as tropas deste grupo de exércitos lutassem em posições estáticas defensivas, era grande a proporção de canhões de assalto e caça tanques, por oposição ao reduzido número de tanques.

O grupo de exércitos centro contava com efectivos em volta dos 800.000 homens, 400.000 dos quais combatentes, mas a frente para defender era enorme. Por isso os alemães tinham colocado a maior parte das tropas na linha da frente, pelo que praticamente não tinha reservas que pudessem acudir a uma brecha na frente em caso de necessidade. A qualidade das tropas também era menor, pois o treino era muito condicionado. Os alemães tinham por exemplo, cortado drasticamente o combustível para as unidades de formação, pelo que a infantaria ou as tripulações dos tanques não tinham a devida formação.



O mapa da situação antes do ataque soviético: Na última semana de Junho de 1944, quando já se combatia na Normandia em França, as tropas alemãs na região de Vitebsk ainda se encontravam a apenas 480km da capital soviética.
As tropas soviéticas que entrariam em Berlim no ano seguinte, estavam a 1200km da capital alemã, enquanto que os americanos se encontravam a apenas 980km.




Os efectivos soviéticos

As forças soviéticas preparadas para a ofensiva de Junho de 19444 totalizavam 1.700.000 homens, agrupados em 118 divisões de atiradores, oito corpos blindados/mecanizados, seis divisões de cavalaria, 13 divisões de artilharia e 14 regimentos de defesa aérea.
Notar no entanto, que as tropas de infantaria soviéticas estavam organizadas em divisões com um efectivo combatente entre 2.500 e 4.000 homens, (contra um valor entre 8.000e 10.000 nos exércitos alemães) [2].

Carro de combate soviético T-34/85. Este carro de combate veio equilibrar a inferioridade do anterior modelo do T-34 perante carros alemães como o Panzer IV armado com o canhão alemão de 75mm, que podia destruir veículos soviéticos a maiores distâncias.
Em termos de carros de combate, os soviéticos contavam com 2.715 tanques e 1.355 canhões de assalto. Cerca de 40% dos carros de combate soviéticos estavam distribuídos pelas unidades de infantaria para apoio de fogo, e o restante estava em unidades de tanques ou cavalaria. Os carros de combate soviéticos eram essencialmente carros T-34/76 e M-4 «Sherman». Estes carros de combate estavam em desvantagem frente aos caça-tanques alemães equipados com peças de 75mm, mas já estavam disponíveis quantidades importantes dos novos tanques médios T-34/85, e tanques pesados IS-2 que reduziam a vantagem alemã em termos de qualidade do armamento dos carros de combate.
Na artilharia, os soviéticos possuíam 10.536 canhões, na maioria de 76mm, 2.306 sistemas Katiusha de lançamento de foguetes e mais 4.230 peças anti-tanque rebocadas de 45mm e 57mm. Somavam-se a este arsenal 11.514 morteiros.

No final de Maio de 1944 os caças alemães estavam distribuidos desta forma. Uma semana depois, grande parte dos caças da frente leste foram transferidos para ocidente. Quando a operação Bagration teve inicio, praticamente não havia caças alemães na frente leste.
A força aérea era onde a diferença numérica era mais acentuada. Os soviéticos possuíam uma absoluta vantagem aérea, com um total de 2.318 caças, 1744 bombardeiros tácticos IL-2 «Sturmovik» ( o equivalente soviético do Stuka), 655 bombardeiros pesados e 1.007 bombardeiros médios. A proporção era de sete para um, mas era dramática em termos de caças (cinquenta e oito para um), pois os alemães tinham mantido bombardeiros a leste, mas tinham retirado os caças para ocidente, para proteger as indústrias contra os bombardeiros dos aliados ocidentais.
Escusado será dizer, que sem protecção dos caças, os bombardeiros alemães eram facilmente abatidos. A maior parte das vitórias dos pilotos soviéticos refere-se a bombardeiros e não a caças.

Para lá da enorme força junta pelos soviéticos, havia ainda uma força por detrás das linhas alemãs constituída por resistentes russos, que somava 270.000 homens, organizados em pequenos grupos de sabotadores. Estas forças fixavam 15% dos efectivos alemães apenas às acções de policiamento

A operação e os objectivos

Os soviéticos contavam com um total de 15 exércitos de quatro frentes distintas [1] e o seu objectivo principal será o de atingir o mar Báltico a partir das estepes do norte da Ucrânia.
Este objectivo é ambicioso e passa por abrir caminho através do grupo de exércitos centro, constituído por quatro exércitos alemães (3º Panzer, 4º, 9º e 2º), e ao mesmo tempo isolar nos estados bálticos o grupo de exércitos norte, constituído pelo 18º e 16º exércitos.

Por seu lado, os alemães, como já foi dito acima, cometeram vários erros de análise. Em Maio de 1944, dois meses antes do ataque, Hitler e os seus generais consideraram que a próxima grande ofensiva soviética de Verão seria uma ofensiva maciça de blindados. Por isso tiveram em consideração a posição no terreno dos seis grandes exércitos de tanques soviéticos. Ora segundo as informações alemãs, todos esses seis exércitos estavam na Ucrânia, onde também se encontrava a maior parte das forças aéreas soviéticas. Isto levou a concluir que os soviéticos pretendiam atacar a Roménia, cortando assim o vital abastecimento de petróleo romeno.

Mas os alemães tinham tido problemas graves com os voos de reconhecimento e o cada vez maior número de aviões de caça soviéticos negavam aos alemães a possibilidade de investigar os movimentos de tropas soviéticas e o envio dos caças para ocidente (que faziam falta de caças para proteger os aviões de observação) tornava a recolha de informações muito deficiente.
Por seu lado, os soviéticos tinham enfrentado uma fortíssima oposição na Ucrânia e tinham os seus exércitos naquela região em reorganização após violentos combates. Muitas unidades tinham ficado desfeitas ou com efectivos abaixo dos mínimos.
Os soviéticos também consideravam que na Bielorússia, por causa das suas muitas florestas, a utilização de grandes formações de blindados era desadequada.
Ainda assim, os tanques eram necessários, e os soviéticos iniciaram uma complicada operação de transferência de cinco exércitos para a região onde efectuariam o ataque:

O 5º exército de tanques e o 28º exércitos foram transferidos desde o sul da Ucrânia
O 2º exército blindado da Guarda e o 51º exército foram transferidos desde a Crimeia
O 6º exército da Guarda transferido do Báltico para sul.
Todas estas operações de transferência de exércitos inteiros foram feitas utilizando artimanhas e artifícios que implicaram ataques de diversão, operações aéreas e aumento das emissões rádio no sul da Ucrânia, com o intuito de enganar os alemães e evitar que estes reforçassem o grupo de exércitos centro.

Os planos soviéticos para capturar a Bielorússia, concebidos no inicio de 1944 previam por isso várias fases:
A primeira fase passava por um ataque contra a Finlândia que serviria como diversão.
A segunda fase era a esperada invasão da França que os soviéticos sabiam deveria ocorrer no inicio de Junho
A terceira fase era a operação Bagration propriamente dita com um avanço contra a Bielorússia.
A quarta fase era um ataque contra a frente norte da Ucrânia, pois esperava-se que os alemães retirassem dali grande numero de unidades blindadas para reforçar a frente da Bielorússia quando esta fosse atacada, deixando esse flanco mais fraco.

Alemães alertados

Não deixa de ser curiosos que os soviéticos conseguiram por um lado enganar os principais serviços alemães, mas não lograram enganar os observadores locais do grupo de exércitos centro que se apercebiam do aumento da concentração de tropas soviéticas no sector central.

Operação esquecida

O gigantismo da operação Bagration e os recursos dispendidos nos primeiros quinze dias, juntamente com os avanços nos quinze dias seguintes não costuma ser devidamente reconhecido nos anais da guerra.

Bagration, foi uma dos maiores golpes sofridos pela Alemanha nazi durante a II guerra mundial, mas tanto no ocidente quanto no leste, a batalha foi relegada para uma posição secundária.

No ocidente, o facto de a «Operação Bagration» ter ocorrido praticamente ao mesmo tempo que decorria a operação contra a Normandia após o desembarque de 6 de Junho de 1944, justifica a relativa pouca importância que é dada à batalha.

Mas curiosamente, a leste, a versão oficial soviética da guerra, também não dá a Bagration a importância devida.
Aqui, as razões são outras e têm que ver com o facto de até Junho de 1944 os alemães ainda estarem a 400km de Moscovo. Bagration ocorre depois de os aliados ocidentais terem atraído as atenções dos alemães a ocidente.

Hitler desviou para combater os americanos, praticamente todos os caças que tinha. Dos tanques mais sofisticados que as fábricas alemãs produziam, (os Panther) 90% deles foram enviados para França. Os alemães acreditam, com alguma lógica, que se não empurrarem os aliados ocidentais de volta para as praias, não conseguirão vencer a ocidente.
Por essa razão em Junho e Julho de 1944, Hitler dará prioridade à guerra na França contra americanos e britânicos. Ao desviar muitos dos recursos para combater a ocidente, a Alemanha acabou não tendo recursos a leste para deter o avanço russo.

Bagration é por isso uma «operação maldita», porque ela é a prova de que a tese soviética segundo a qual a URSS ganhou praticamente a guerra sozinha, não tem qualquer fundamentação suportável com factos. A «Operação Bagration» dependeu da pressão aliada a ocidente e sem essa pressão a vitória teria sido impossível.
Por várias vezes foram enviados relatórios para o Alto Comando, afirmando que se esperava no sector central uma ofensiva maciça e não uma ofensiva secundária, afirmando que tinham sido identificadas entre 140 a 168 divisões russas no sector central. No entanto os estrategas do alto comando consideraram estes relatórios como alarmistas.
Uma semana antes do ataque, a soma de evidências leva a que já se considere como possível um ataque simultâneo na Ucrânia e na Bielorrússia, mas o Alto Comando continuava a insistir na tese de que o principal ataque seria na Ucrânia na direcção sul.

Os serviços alemães de inteligência, tinham falhado uma segunda vez nesse mês, pois tinham sido levados a acreditar que o desembarque dos aliados ocidentais ocorreria no Pas-de-Calais e não na Normandia.

O ataque

Ainda que os soviéticos tivessem iniciado vários ataques de diversão e reconhecimento armado a 22 de Junho, o inicio formal da operação teve lugar às 05:00 da manhã de 23 de Junho, com ataques aéreos e barragens de artilharia contra as linhas alemãs.
Detalhe das operações no sector central e das acções soviéticas sobre os quatro exércitos alemães do grupo de exércitos centro.
III exército blindado (Panzer) alemão
O ataque principal ocorreu a norte e a sul da cidade de Vitebsk, o ponto mais avançado das linhas alemãs. O ataque incidiu portanto sobre as posições do III exército Panzer alemão. A norte o ataque foi efectuado pelos exércitos da I frente do Báltico e a sul pela III frente da Bielosússia.
Os ataques soviéticos começaram com a tradicional barragem de artilharia sobre as posições alemãs entrincheiradas, e numa profundidade de até 6km, com o objectivo de destrui-las e de ao mesmo evitar a possibilidade de retirada.

Ao fim da tarde do dia 23, as forças soviéticas já tinham conseguido abrir brechas nas posições do III Panzer e as quatro divisões do 53º corpo de exército que defendiam a cidade de Vitebsk estavam prestes a ficar cercadas. Os comandos alemães no terreno pedem reforços para evitar a queda da cidade, mas o comando central alemão avisa que não poderá dispensar quaisquer reforços pois aguarda o principal ataque a Sul.

Os próprios alemães em Vitebsk, não tinham a noção da dimensão do ataque, nem de que várias divisões blindadas soviéticas circundavam a cidade desde norte. Os alemães destroem as pontes de Vitebsk, mas a acção não tem qualquer importância, pois o objectivo soviético é o de cercar a cidade.
Hitler, só autorizará a retirada das divisões que defendem Vitebsk, às 20:25 ao inicio da noite do dia 24 de Junho e nessa altura já será demasiado tarde. Todo o 53º corpo de exército e as suas divisões ficarão cercadas em várias bolsas, que serão destruídas pelos soviéticos. Contra as ordens de Hitler chegarão a ser emitidas ordens de retirada, para que as tropas alemãs consigam escapar por entre as forças soviéticas. Mas do total de 28.000 homens do 53º corpo do III exército Panzer, poucos chegarão às linhas alemãs.


O IV exército alemão.
Na imagem um canhão de assalto StuG-IV. Estes carros de combate sem torre eram armas eminentemente defensivas e constituíam a espinha dorsal das forças blindadas alemãs.

Mais a sul a situação é mais complicada para os soviéticos, pois o IV exército alemão é bastante mais poderoso e possui mais carros de combate, canhões de assalto e caça-tanques. Além disso, defende posições melhor preparadas e dispõem de forças de elite para defender o principal objectivo soviético, o controlo da estrada que liga directamente a Minsk.

Os soviéticos respondem enviando forças pesadas de assalto contra as posições do IV exército. Tropas constituídas por maciças formações de tanques T-34, apoiados por tanques pesados KV-1 e por canhões de assalto ISU-122. A seguir são enviadas forças de infantaria apoiadas por canhões de assalto.
No entanto, o primeiro assalto destas tropas será detido pelos alemães.

O IX exército alemão
O ataque no sector mais a sul não teve grande sucesso no primeiro dia e a progressão das forças soviéticas contra o IX exército não teve consequências graves.

Mas na realidade, ao fim do dia, com a cidade de Vitebsk praticamente cercada e passadas quase 24 horas passadas sobre o inicio da maior ofensiva soviética da guerra, o alto comando alemão ainda não considera estar perante o principal ataque.

O ataque no sector mais a sul não teve grande sucesso no primeiro dia e a progressão das forças soviéticas contra o IX exército não teve consequências graves.

Mas se é verdade que os resultados do ataque soviético tiveram diferentes consequências, também é verdade que ao fim do dia 23, a cidade de Vitebsk está praticamente cercada, por causa do avanço do 5º exército blindado da Guarda (a mais poderosa formação soviética em toda a frente central).

Quando se completam 24 horas sobre o inicio da maior ofensiva soviética da guerra, o alto comando alemão ainda espera que os soviéticos iniciem a sua ofensiva principal .

A frente do 4º exército aguenta-se durante os primeiros três dias, mas começa a ceder a 25 de Junho, perante a pressão das forças soviéticas, onde se encontra o 5º exército blindado da Guarda.

Esta força blindada russa enfrenta dificuldades e perderá muitos dos seus tanques M4 Sherman de fabrico americano.
Mas os reforços soviéticos acabam por fazer valer o seu peso e a 27 de Junho o exército vermelho toma a cidade de Orsha, ainda que o comandante do 27º corpo de exército, tenha dado ordens dissimuladas de retirada, contrariando ordens superiores.

Como o comando considerava que se estava perante um ataque secundário, os escalões secundários acabaram por amortecer o problema da falta de decisão e ainda antes de serem recebidas ordens de Hitler e do OKH (Comando do Exército) começaram a transferir forças de outras frentes. A principal transferência foi ordenada ainda no dia 26 e determinou a transferência da poderosa 5ª div.Panzer da frente da Ucrânia (a sul) para apoiar a defesa de uma linha alemã reforçada no rio Berezina. As tropas da 5ª div. Panzer entraram em combate com forças blindadas russas da III frente.

A queda de Orsha, a identificação da presença de um exército blindado soviético no sector central, bem assim como a penetração profunda das forças soviéticas nas linhas alemãs, finalmente convence o comando alemão de que não está na presença de uma ofensiva secundária, mas sim na presença da ofensiva principal, mas é tarde demais.

O desmoronar da frente é generalizado e durante os primeiros quinze dias de pressão os alemães são empurrados em toda a linha. Não se pode dizer que houvesse uma retirada.

A última fase da ofensiva soviética ocorre na frente norte da Ucrânia, onde os alemães esperavam o principal ataque soviético. O objectivo foi atingido, porque nessa altura os alemães haviam transferidos muitas forças dessa frente, com o objectivo de reforçar o grupo de exércitos do centro, ainda que sem sucesso.

De entre as consequências do ataque destaca-se a completa destruição do 4º exército alemão, que foi no entanto reconstituído nos meses seguintes, para defender a Prússia nos primeiros meses de 1945.

Libertação de Paris, insurreição de Varsóvia e atentado contra Hitler

A operação Bagration e a entrada dos soviéticos na Pol+onia ocupada pelos alemães coincidiu com a invasão a ocidente e a entrada de forças aliadas na França.

Nessa altura, a população de Varsóvia, considerando o que estava a acontecer na França, em que os próprios franceses se revoltaram contra os alemães em Paris, inicia-se uma revolta contra os alemães, tentando organizar a libertação da cidade, como os franceses tinham feito.

Os resistentes polacos eram no entanto pró-ocidentais e não comunistas. As tropas soviéticas avançaram até às portas de Varsóvia, mas sabendo que quem controlava a cidade eram polacos não comunistas, Estaline deu ordens para que as tropas soviéticas parassem, permitindo aos alemães retomar a cidade, matando mais de 200.000 pessoas.


O mapa da situação, um mês após o inicio do ataque soviético. Praticamente toda a Bielorússia foi libertada e as tropas soviéticas estão às portas de Varsóvia, a capital polaca.

Em 20 de Julho de 1944, menos de um mês após a ofensiva soviética e quando os alemães retiram na Rússia e retiram na França, ocorre a famosa tentativa de assassinato de Hitler em 24 de Julho de 1944.

A operação Bagration ocorre, na mesma altura em que os aliados ocidentais fazem uma enorme pressão sobre a França. Ao mesmo tempo que os soviéticos atacam na Bielorússia, os americanos e britânicos envolvem um grande numero de forças alemãs na chamada «bolsa de Falaise», provocando o colapso do exército alemão a oeste do rio Sena, obrigando os alemães a retirar apressadamente os restos de dois exércitos Panzer e possibilitando a libertação de Paris em Agosto de 1944 (três dias após a chegada das tropas soviéticas aos arrabaldes de Varsóvia).



[1] – Uma frente corresponde grosso modo a um grupo de exércitos. No entanto não existe uma correspondência directa entre soviéticos e alemães. Os exércitos alemães eram maiores que os exércitos soviéticos, ainda que fossem menores que um grupo de exércitos soviéticos. Esta dimensão decorre também do facto de as divisões soviéticas serem menores que as divisões alemãs, ainda que na prática (em 1944) a falta de efectivos levasse a que estas também estivessem reduzidas a efectivos entre 3.000 e 4.000 homens.

[2] – Grosso-modo, pode-se afirmar que um corpo de exército soviético era na maioria dos casos constituído por três divisões relativamente pequenas, pelo que um corpo de exército soviético pode ser comparado a uma divisão alemã