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Afundamento do couraçado Roma
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
09-09-1943

Este acontecimento teve inicio em: 09-09-1943 e terminou em 09-09-1943
Vencedor: Alemanha / III Reich

Forças em presença:



O couraçado Roma, era um dos quatro couraçados italianos da classe Littorio. Os quatro Littorio foram a resposta italiana à construção pela França dos couraçados da classe Richelieu e foram os mais poderosos couraçados italianos.

Os quatro navios foram encomendados em duas tranches, com os dois primeiros navios encomendados em 1935 e os dois últimos encomendados dois anos depois.
O couraçado Roma foi o primeiro navio da segunda encomenda e a sua construção foi muito mais rápida que a dos seus dois antecessores. O navio ficou pronto em 14 de Junho de 1942, altura em que foi entregue à marinha italiana.

No entanto, embora tivesse sido entregue, a falta de vários materiais resultado da guerra, implicou que inúmeros pequenos detalhes impedissem o navio de ser utilizado operacionalmente.

Não podendo utilizar o navio para operações militares no mediterrâneo, a marinha italiana optou por coloca-lo em cidades portuárias, onde a sua poderosa bateria antiaérea poderia ser utilizada para defender as cidades de ataques aéreos dos aliados.

Naturalmente que ao colocar um navio poderoso numa situação estática, isso atraiu a atenção dos bombardeiros aliados. Como resultado o navio foi várias vezes atacado em La Spezia, a cerca de 100km de Génova, sofrendo consideráveis danos.

O golpe de estado contra Mussolini e a rendição da Itália

Os ataques aliados no Norte de África, a partir do final de 1942 levaram à derrota das forças do Eixo no continente africano. O resultado foi a retirada das forças alemãs para a Sicília e para o continente italiano. Uma grande parte do exército italiano tinha sido aprisionada e as opções de Mussolini apoiando Hitler, começavam a ser contestadas em Itália.


O couraçado italiano Roma, em Junho de 1943


Em 10 de Julho de 1943 as forças aliadas invadem pela primeira vez território italiano, na Sicilia. Apenas onze dias depois, a 21 de Julho, a cidade de Palermo cai em poder das forças americanas. A Itália não está em condições de impedir a progressão dos aliados e em 25 de Julho, um golpe de estado palaciano derruba o «Duce» Benito Mussolini, aprisionando-o.
A Itália, sob o comando do Marechal Badoglio começa secretamente a negociar a assinatura da paz com os aliados, embora formalmente continue a afirmar que está na guerra ao lado da Alemanha.
Durante o mês de Agosto, a Itália inicia negociações secretas com os aliados para se retirar da guerra, a marinha italiana, que conta com mais de 200 navios de todos os tipos é um dos principais argumentos utilizados nas negociações.

A invasão do continente
Em 3 de Setembro tem inicio a primeira operação aliada de desembarque no continente europeu. Pelas 14:00 desse mesmo dia é assinado o documento de rendição italiana, que só será tornado público cinco dias mais tarde, a 8 de Setembro.
Os italianos, sabiam perfeitamente que a saída da Itália da guerra conduziria a retaliações por parte dos alemães e por isso foram tomadas as disposições possíveis para evitar que pelo menos parte do material de guerra italiano não caísse em mãos alemãs.
Se o exército italiano estava destruído e se a força aérea estava completamente desorganizada, já a marinha italiana ainda contava com um grande numero de navios, que poderiam ser de grande utilidade.

A rota da esquadra italiana que saiu de La Spezia às primeiras horas da madrugada e que chegou ao sul da Corsega, depois da tarde. A preto e branco a rota dos bombardeiros alemães.
Após vários incidentes e tentativas por parte do governo italiano para adiar a declaração oficial de rendição da Itália, a comunicação acaba por ser anunciada pela rádio de Roma por volta das 20:00 já ao inicio da noite de 8 para 9 de Setembro.

Apenas seis horas e meia após a declaração da rendição italiana, por volta das 02:30 da madrugada do dia 9 de Setembro, a principal esquadra italiana em La Spezia prepara-se para sair do porto. Sabe-se que unidades militares alemãs se encontram a apenas alguns quilómetros e que os alemães vão querer garantir que os navios italianos não passam para o controlo aliado. A força é constituída pelos três mais poderosos couraçados italianos, o Littorio (que entretanto tinha sido rebaptizado Italia), o Veneto e o Roma que eram escoltados por três cruzadores ligeiros e oito contra-torpedeiros

Quando os alemães chegam a La Spezia na manhã de 9 de Setembro ficam espantados, perante o facto de os mais importantes navios italianos teram escapado ao seu controlo. Alguns comandantes italianos, não tendo conseguido sair do porto afundam os seus navios. Destes alguns são capturados pelos alemães e fuzilados.

Sequência dos acontecimentos após a 2ª explosão
A rapidez da acção italiana compreende-se porque os italianos tinham preparado os navios para atacar a esperada força de invasão aliada e os oficiais da esquadra são surpreendidos com as ordens para zarpar de La Spezia para se dirigirem a portos controlados pelos aliados.

Os alemães iniciam os preparativos previstos para a operação «Achse» a qual se destinava a neutralizar a marinha italiana.
Os navios italianos que sairam de La Spezia pela manhã, seguiram na direcção da Córsega, que deveria ser circundada, passando assim longe da costa italiana, e evitando eventuais ataques aéreos. No entanto os alemães tinham previsto essa possibilidade e colocaram bombardeiros navais Dornier na costa francesa.

Às 15:37 do dia 9 de Setembro, já a força italiana se encontra ao largo da costa ocidental da Córsega, os observadores detectam a aproximação de aeronaves. Inicialmente pensam que se trata de aeronaves aliadas que deveriam ser enviadas para proteger os navios, mas rapidamente se percebe que se trata de aviões alemães.

A primeira vaga do ataque não teve sucesso, mas pelas 15:52 uma segunda vaga aparece, desta vez com aeronaves Dornier Do-217K.
Quando os bombardeiros alemães lançam as suas bombas aparentemente erraram o alvo, mas as bombas que os aviões lançaram não são bombas simples.

Na realidade trata-se do primeiro ataque da história naval contra navios, utilizando bombas guiadas.
Trata-se da bomba FX-1400, fabricada pela empresa alemã Ruhrstahl. Trata-se de um engenho com cerca de 1500kg e com uma ogiva de 300kg especialmente desenhada para atacar navios.
A bomba é guiada por rádio a partir de um bombardeiro He-111 ou Do-217. Trata-se de uma arma de elevada precisão para o período da II guerra mundial. Cerca de 30% das bombas FX-1400 conseguem acertar o alvo. A arma tinha sido desenvolvida pelos alemães e ainda estava em fase de testes. A primeira tinha sido testada apenas 5 meses antes. Os aliados demoraram alguns meses até conseguirem perceber como a bomba funcionava. Quando descobriram, passaram a interferir na frequência de controlo, tornando a arma inútil, mas em Setembro de 1943, não havia defesa contra aquele tipo de arma.

O couraçado Itália (Littorio) foi o primeiro a ser atingido, uma bomba atingiu o navio à ré, danificou o leme e provocou uma inundação com a entrada de 800t de água dentro do navio.
A seguir uma bomba atingiu o Roma a meia nau. Neste caso com consequências muito mais graves. A bomba perfurou o navio e atingiu a sala das máquinas, destruindo uma máquina e duas caldeiras. O navio começou a arder e saiu da formação.
Alguns minutos mais tarde uma segunda bomba guiada atinge o couraçado próximo à segunda torre da proa. A bomba perfura o navio e explode noutra das salas de máquinas. Segundos mais tarde explode o paiol da proa, fazendo com que a segunda a torre tripla de 1500 toneladas (posição B) fosse projectada para fora do navio.

Embora o couraçado Roma não se tenha afundado de imediato, tornara-se evidente que o navio estava condenado.
A construção compartimentada e relativamente moderna ainda permitiu que 622 homens abandonassem o navio, mas 9 minutos depois o Roma voltou-se e partiu-se em dois. A secção da popa afundou-se de imediato enquanto que a proa demorou mais alguns minutos. Morreram 1253 marinheiros.

Bomba guiada alemã idêntica à que foi lançada contra o couraçado Roma
Marco Histórico

O afundamento do couraçado Roma, foi um dos marcos mais importantes da História naval, durante a II guerra mundial. Este acontecimento junta-se ao afundamento do couraçado alemão Bismarck em 1941 ou dos couraçados japoneses Musashi e Yamato. Naqueles casos demonstrou-se o poder do porta-aviões sobre os couraçados modernos, no caso do afundamento do Roma, demonstrou-se o fim da era dos couraçados perante o que seria o emergir das armas guiadas na guerra naval.

O afundamento de um grande couraçado, atingido por apenas duas bombas guiadas por rádio demonstrou a facilidade com que os grandes mastodontes podiam ser destruidos utilizando meios proporcioonalmente muito mais baratos.

A operação alemã destinada a destruir a esquadra italiana não foi no entanto um sucesso. A maior parte dos navios italianos escapou às tentativas alemãs para os neutralizar. No dia 16 de Setembro de 1943, na baía de La Valete em Malta, longe do raio de acção dos aviões alemães, o grosso da esquadra italiana está nas mãos dos aliados.
Cinco couraçados, oito cruzadores, sete contra-torpedeiros, vinte e quatro lanchas torpedeiras e quarenta submarinos, a que se juntam quase setenta outros navios. Cerca 150 navios (aproximadamente 75% da esquadra italiana que estava operacional a 9 de Setembro) conseguiram chegar a portos aliados.