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O Brasil na II guerra
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
31-08-1942

Este acontecimento teve inicio em: 31-08-1942 e terminou em 31-08-1942
Vencedor: Nenhum

Forças em presença:



A 31 de Agosto de 1942, o Brasil declara guerra à Alemanha, à Itália e ao Japão.

Após o ataque japonês contra Pearl Harbour e a entrada dos Estados Unidos na guerra, o conflito mundial tinha-se aproximado das costas do continente americano.
Embora sendo um país neutral, o Brasil tinha relações com os Estados Unidos e grande parte do seu comércio exterior era feito com aquele país da América do Norte.

Os alemães tinham iniciado uma campanha contra as linhas de comunicação norte-americanas, tendo enviado submarinos para as costas do continente americano, com o objectivo de afectar a navegação costeira.

Os Estados Unidos já tinham iniciado programas de cooperação militar com o Brasil e tinha já sido aprovada a concessão de crédito ao Brasil ao abrigo da Lei de Empréstimo-Arrendamento, ainda antes de os Estados Unidos ou o Brasil terem entrado na guerra. O Brasil estabeleceu uma comissão para compras militares em Nova Iorque ainda não tinha terminado o ano de 1941, na sequência de um acordo assinado em 24 de Julho de 1941 que previa a entrega ao Brasil de 200 milhões de dólares de material militar.

O Brasil mantinha relações económicas preferenciais com os Estados Unidos, país que absorvia 60% das exportações brasileiras, mais 15% dessas exportações eram dirigidas para a Grã Bretanha.

O porque dos ataques alemães ?

Publicaram-se muitas versões e pontos de vista sobre as razões que levaram a Alemanha a atacar o Brasil.
Entre as teses mais defendidas encontra-se a do envio de matérias primas brasileiras para ajudar o esforço de guerra americano, o qual seria decisivo.
No entanto, esta tese não procede, já que na realidade as principais exportações brasileiras eram de produtos agricolas, café (65%) e cacau, que não são realmente produtos vitais para o esforço de guerra, nem são necessários para produzir aviões ou tanques.

O mais importante produto brasileiro, com grande importância e relevância para o esforço de guerra, era a borracha, mas a produção brasileira representava menos de 4% das compras americanas desse produto vital, ainda que, sem qualquer dúvida, a possibilidade de o Brasil vir a produzir grande quantidade de borracha, fosse pelo menos para os alemães, um perigo a considerar.

Abundam igualmente as teses que defendem que a entrada do Brasil na guerra, foi provocada pelos Estados Unidos, que forçaram o governo brasileiro a agir de forma a hostilizar os alemães.

Guerra da borracha
Em 1939 os Estados Unidos importaram 496.000t de borracha, principalmente da Malásia e de Sumatra na Indonésia, mas a guerra tinha já levado as autoridades americanas a considerar a necessidade de desenvolver uma alternativa sintética. No inicio da guerra os Estados Unidos gastavam 600.000t por ano e tinham uma reserva estratégica de um milhão de toneladas.

O estudo da borracha sintética tinha começado na década de 1920, mas o custo continuava a ser elevado quando comparado ao produto natural. Com a guerra eminente, um programa de emergência foi desenvolvido ao longo de 18 meses nos EUA, mas em 1941, o país só produziu 231 toneladas de borracha sintética e de qualidades diversas, já que ainda não havia um padrão determinado. Nesse mesmo ano o Brasil vendeu cerca de 7000t de borracha natural.

Depois do fracasso do projeto Fordlandia, os americanos tinham voltado a tentar produzir borracha em grande quantidade no Brasil, no projeto Belterra, que tinha começado em 1934. A capacidade instalada era no entanto reduzida e poderia atingir de 7.000 a 15.000t por ano. No entanto, a Alemanha conhecia a intenção americana de aliviar a dependência da borracha do sudoeste asiático.

As coincidências na guerra da borracha

A 14 de Fevereiro de 1942, o Japão inicia o ataque contra Sumatra, na Indonésia, no dia seguinte, 15 de Fevereiro, os japoneses aceitam a rendição de Singapura.
Nesse mesmo dia, os alemães afundam o primeiro navio brasileiro.

O programa de borracha sintética estava apenas no inicio, ninguém se entendia quanto ao melhor métdo para produzir borracha. Em Março de 1942 foi produzido o primeiro lote de borracha sintética padronizada, mas mesmo assim a industria não se entendia. Só em Agosto o programa teve inicio, após intervenção direta do presidente Roosevelt.

O Brasil era o principal potencial fornecedor do produto, embora não pudesse de imediato responder à necessidades, porque novas plantações demorariam anos a maturar. Não é no entanto claro que a Alemanha tenha tido estes fatos em consideração.
No entanto, o governo brasileiro era dirigido por um ditador autoritário, que via nos regimes ditatoriais europeus um modelo. A Alemanha não precisaria por isso de hostilizar abertamente o Brasil como o fez.

Na verdade, a argumentação alemã para atacar navios brasileiros logo a 15 de Fevereiro de 1942, e que foi defendida pelo alm. Doenitz, aponta para razões completamente infundadas, nomeadamente afirmando que os navios brasileiros navegavam sem luzes, não identificando o país de origem e dando a entender que eram navios mercantes de países que lutavam contra a Alemanha.

A argumentação alemã, pela sua fraqueza, aparenta demonstrar não uma resposta a qualquer intensão agressiva do Brasil, mas uma intenção clara e pré-determinada por parte do ministério das relações exteriores alemão, e superiormente determinada por Von Ribbentrop, que de forma clara disse à Kriegsmarine, que não se deveria preocupar em não atingir navios brasileiros.

A pressão norte-americana sobre o governo brasileiro existiu de fato, mas a análise de Getulio Vargas considerando que o Brasil teria muito mais vantagens em se aproximar dos aliados ocidentais que das potência do Eixo, também levou ao esfriamento das relações entre Brasil e Alemanha durante os primeiros meses de 1942.

Aliás em Janeiro desse ano, após uma reunião entre vários países do continente americano, foi proposto o corte colectivo de relações diplomáticas parte dos países do continente contra os países do eixo, como retaliação contra o ataque aos Estados Unidos.
A Argentina opôs-se, mas no final da reunião o Brasil cortou relações diplomáticas com a Alemanha.

A capacidade brasileira para em potência, substituir pelo menos parte da produção de borracha no sudoeste asiático, onde o Japão tinha ocupado as plantações da Malásia e de Sumatra, aparentam ter levado a Alemanha a enviar uma mensagem clara ao Brasil, mensagem que já tinha sido transmitida meses antes pelo embaixador do Reich no Rio de Janeiro, avisando para as desvantagens do Brasil em alinhar com os Estados Unidos.

Os incidentes, começam em Fevereiro, e contribuiram também para criar um clima de medo quanto à possibilidade de um ataque contra território brasileiro a partir de Dakar no Senegal. Embora tal possibilidade fosse remota, ela contribuiu para aumentar a desconfiança relativamente à Alemanha.


Navios afundados.
Seiscentos e sete mortos em seis dias

Se desde 15 de Fevereiro com o afundamento do Buarque (1 morto) e 18 de Fevereiro com o afundamento do Olinda, se pode considerar que tinham ocorrido apenas incidentes graves, o que influiu definitivamente no esfriamento total das relações do Brasil com a Alemanha foi a campanha do submarino alemão U507.

A campanha alemã para desincentivar a utilização do mar e bloquear o Atlântico Sul, amedrontando os possíveis utilizadores, não tinha até aí dado grandes resultados. Um total de 14 navios brasileiros já tinham sido vítimas de ataques, mas após os primeiros 14, os alemães decidiram subir a parada, afundando navios.
O submarino U507 recebeu ordem para atacar navios na costa brasileira, independentemente da bandeira que transportassem, desde que não fossem argentinos ou chilenos.

O primeiro foi o Baependy de 4800t, afundado no sábado, dia 15 de Agosto de 1942 no litoral do estado brasileiro de Sergipe. O ataque produziu 270 vítimas mortais.
No mesmo dia, o mesmo submarino afundou o Araraquara de 4872t matando mais 131 pessoas.

Na madrugada de domingo, 16 de Agosto, um terceiro navio, o Anibal Benévolo de 1905t foi afundado, tendo morrido 150 das 154 pessoas a bordo, a maior proporção de mortos de entre os navios afundados.

Na manhã de segunda-feira, dia 17 de Agosto o U507 afundou o Itagiba de 2169t, tendo morrido 32 pessoas (mais 4 que morreram a bordo do Arará). O navio transportava 181.
Ainda na tarde desse dia, foi afundado o Arará, um cargueiro de 1085t que tinha recolhido os sobreviventes do Itagiba. Do afundamento resultaram 20 mortos.
Na quarta-feira seguinte o submarino ainda afundaria um barcaça à vela, sem causar vítimas.

O Brasil protestou violentamente perante as autoridades da Alemanha, que consideravam que os seus navios estavam a combater navios americanos que operavam nas costas brasileiras. Mas a opinião pública brasileira começou a pressionar o governo para que o Brasil declarasse guerra à Alemanha.

Declaração de beligerância

Ao final da tarde de Quarta-feira dia 22 de Agosto de 1942, o presidente brasileiro Getulio Vargas, assina um decreto presidencial em que o Brasil reconhece a existência de um estado de beligerância.
A declaração, foi transmitida pela rádio brasileira às 20:00 desse mesmo dia.

A beligerância implicava que o Brasil deixava de ser um país neutro, e que embora decidisse não atacar a Alemanha, estava livre para apoiar os aliados.

No entanto, a pressão das ruas foi maior que o que o governo de Getulio Vargas esperava e a declaração do estado de guerra seguiu-se dias depois.

Estado de Guerra

Nove dias depois da declaração de beligerância, o Brasil declara, a 31 de Agosto de 1942, a existência de um estado de guerra com as potências do eixo.



Manifestação de populares nas ruas do Rio de Janeiro: A pressão na rua condicionou o governo de Getulio Vargas.



País despreparado

Quanto ao conflito propriamente dito, o Brasil não estava minimamente preparado para lutar numa guerra contra a Alemanha e especialmente a sua marinha era obsoleta para as necessidades de uma luta anti-submarina. Os velhos couraçados da classe Minas Gerais só podem ser utilizados como baterias flutuantes e a marinha não possui navios capazes de caçar submarinos.

Em 1942 a ligação entre os principais estados brasileiros do nordeste e o sul e sudeste era feita não por estrada mas por navio, pelo que a ligação marítima era absolutamente vital para o país.

A luta contra os submarinos alemães vai-se tornar na principal prioridade das autoridades brasileiras e a solução de emergência leva os norte-americanos a enviar para o Brasil uma força de aeronaves para patrulha marítima.

Os alemães vão continuar a operar nas costas brasileiras e um ano depois da entrada do Brasil na guerra, entre Junho e Julho de 1943 são afundados dezasseis navios mercantes, mas a resposta dada por aeronaves do tipo Catalina começa a fazer-se sentir, pois nesse período são afundados seis submarinos alemães.

A redução da pressão dos alemães foi-se sentindo, muito por força da grande caça aos submarinos levada a cabo por britânicos e norte-americanos no Atlântico Norte, mas ainda havia submarinos alemães a patrulhar águas brasileiras quando os primeiros navios com militares da Força Expedicionária Brasileira atravessaram o Atlântico para combater na Itália.
A entrega pelos norte-americanos de quatro contra-torpedeiros modernos à marinha brasileira veio aumentar a capacidade para caçar submarinos, embora estes navios tenham sido entregues muito tarde quando praticamente já não havia submarinos alemães em missões de ataque no Atlântico Sul.

Força Expedicionária Brasileira

Para lá do conflito nas águas brasileiras, foi considerada a possibilidade de envolvimento directo desde 1942, tendo sido estudado o envio de tropas brasileiras para combater no deserto no norte de África.

Ainda em 1942 é constituída a Força Expedicionária Brasileira, e os planos iniciais previam a criação de um total de cinco divisões completas, organizadas segundo os padrões americanos, numa força que atingiria 100.000 homens.

Mas as dificuldades das forças armadas brasileiras, a sua falta de preparação e armamento, atrasaram a participação. A falta de preparação era de tal forma grave, que chegou a ser fonte de anedota pois afinal, o próprio presidente Getúlio Vargas tinha afirmado num discurso antes de o Brasil entrar no conflito, que seria mais fácil uma cobra fumar, que o Brasil entrar na guerra.

Passou 1943 e só no inicio de Junho de 1944 é que o primeiro contingente brasileiro é embarcado para Itália. Só em Setembro de 1944, é que a FEB atinge o efectivo de uma divisão de infantaria.

A força brasileira operou integrada no IV Corpo de Exército, que fazia parte do V exército norte-americano, tendo combatido no norte de Itália já na fase final da guerra, contra as linhas de fortificações alemãs conhecidas como «linha Gótica».
O último combate brasileiro ocorreu entre 15 e 16 de Abril de 1945, quando nas proximidades de Berlim, o exército vermelho iniciava o seu avanço final, que culminaria com a morte de Hitler, quinze dias depois.
No total o Brasil enviou entre 21.000 e 25.000 militares para o teatro de operações europeu.
Curiosamente, o símbolo escolhido pelos brasileiros para representar a força expedicionária enviada para a Europa, foi uma cobra a fumar.

Afundamento do U507

O U507 era um submarino alemão da classe IX, tipo C, que transportava 22 torpedos que podiam ser disparados por seus seis tubos (quatro disparavam para a frente e dois para trás). Com dois motores MAN de 9 cilindros, ele tinha uma potência total de 4400cv. O navio deslocava 1152t submerso, e tinha um comprimento de 76.5m. À superfície ele atingia uma velocidade de 18.2 nós mas submerso ele podia apenas atingir 7.7 nós.
A velocidade em imersão, levava a que o navio normalmente navegasse à superfície. Além disso, para permitir o transporte de um grande número de torpedos, o submarinos do tipo IX eram menos manobráveis, e demoravam muito tempo para submergir.

Depois de voltar à Alemanha, o U507 voltou no final do ano a águas brasileiras. Nos primeiros dias de Janeiro, o submarino afundou mais três navios mercantes britânicos, o que levou a marinha alemã a conceder a cruz de ferro ao comandante do navio, Harro Schacht. No entanto a sorte de Schacht tinha chegado ao fim. No dia 13 de Janeiro de 1943, o U507 foi avistado por um avião Catalina, saido da base brasileira de Natal.
A dificuldades dos submarinos do tipo IX em submergir rapidamente, tornou a fuga impossível.
O Catalina atacou o submarino com várias cargas de profundidade, tendo afundado o navio, e morto toda sua guarnição.