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Inicio da Guerra do Paraguai
Conflitos da América Latina
13-12-1864

Este acontecimento teve inicio em: 13-12-1864 e terminou em 13-12-1864
Vencedor: Brasil

Forças em presença:



No dia 13 de Dezembro de 1864, a República do Paraguai, declara oficialmente guerra ao Império do Brasil, na sequência da intervenção brasileira no Uruguai, em apoio de uma das fações que de combatiam naquele país. Esta declaração iniciará a Guerra do Paraguai, que será a maior conflagração militar na história da América do Sul.

As razões que levaram à conflagração, são ainda hoje fonte de discussão. Existem várias teorias, entre as quais a que afirma que Solano Lopez era visto com desconfiança pelos britânicos, que assim levaram Brasil e Argentina a defronta-lo, para acabar com as suas intenções para criar um país realmente independente da influência britânica. No entanto, não deixa de ser verdade que Solano Lopez, era filho do anterior ditador Carlos António Lopez, o qual morreu em 1862. Solano começou a enfrentar oposição interna, tendo desde logo necessidade de perseguir opositores políticos. A guerra aparenta ser também resultado da necessidade de desviar as atenções e garantir a subsistência da dinastia Lopez, no comando do país.

Ultimatum de 30 de Agosto de 1864
Lopez precisava demonstrar ser um líder à altura e quando a guerra civil no Uruguai se intensificou, os conservadores uruguaios (blancos) pediram o apoio de Solano Lopez, apoio que assumiu a forma de uma aliança entre Uruguai e Paraguai.
O caudilho paraguaio ainda tentou mediar o conflito, mas rapidamente tomou partido. Ele avisou o governo brasileiro em 30 de Agosto de 1864, que o Paraguai consideraria uma invasão do Uruguai por parte do Brasil como um ato de guerra. Em 10 de Novembro, o Brasil declarava guerra ao governo uruguaio e preparou-se para intervir militarmente.

Francisco Solano Lopez, 38 anos de idade, era o herdeiro de seu pai, também ditador paraguaio, no que era na prática uma espécie de monarquia republicana. Brigadeiro-General aos 18 anos, Solano foi educado para ser líder do Paraguai. Em 1862 com a morte do seu pai, Solano teve necessidade de mostrar o seu poder, perseguindo vários opositores políticos. Essa necessidade de mostrar que estava à altura do que o pai esperava dele, terá influído na sua decisão de entrar em guerra com Brasil e Argentina.
Para lá destes problemas, o Paraguai temia um aumento de poder da Argentina unificada. O Brasil também via Solano com desconfiança e queria garantir a solução do problema das fronteiras com o Paraguai, garantindo acesso aos rios paraguaios, que eram necessários à navegação brasileira. Os brasileiros também queriam impedir o reforço da posição argentina na região do Prata.

Solano Lopez esperava conseguir o apoio dos caudilhos do norte da Argentina, que tinham sido derrotados pelos centralistas de Buenos Aires
Não contou no entanto como fato de esses caudilhos, especialmente o poderoso e influente general José Urquiza, caudilho da província argentina de entre o Rios, ter sido aliado dos brasileiros na guerra do prata vários anos antes.

Independentemente disso, é verdade que os Lopez tinham armado o exército paraguaio com armas prussianas e francesas e que com 30,000 homens antes da mobilização (cerca de 60 a 64,000 quando a guerra começou), o Paraguai possuía o mais poderoso exército do continente, mas essa capacidade militar era ilusória.
Sem acesso direto ao mar, o Paraguai não tinha como obter mais armamentos para a luta que se seguiu. O seu exército era numeroso mas não estava devidamente treinado para uma guerra longa e extenuante e o Paraguai não tinha forma de subsituir armamentos perdidos[3].
No fim, a sua base demográfica era apenas uma fração da dos países que decidiu enfrentar.

As ações paraguaias, tinham na realidade começado ainda em 11 de Novembro, quando um navio brasileiro «Marquês de Olinda» foi tomado pelos paraguaios, tendo no dia seguinte sido tomado o vapor «Tacuari», a bordo do qual seguia o recém-nomeado governador da provincia do Mato Grosso[1].

Ataque ao Mato Grosso
Ainda antes de 13 de Dezembro, Solano Lopez dá ordens ao exército do Paraguai para que entre em território brasileiro na província do Mato Grosso. Duas colunas com um total de 9000 homens passam a fronteira,
Aquele província brasileira era muito remota, de tal forma que o acesso à sua capital (Cuiabá) era feito por navio desde o rio de Janeiro, até ao rio de prata, subindo-se posteriormente o rio Paraguai.

A estratégia do Paraguai, parece ter passado por uma tentativa de atrair forças Brasileiras para o Mato Grosso, ao mesmo tempo que eram enviadas tropas para sul, destinadas a entrar na Argentina e atingir o sul do Brasil e o Uruguai.

Solano Lopez, acreditava que contaria com o apoio das fações federalistas argentinas, nomeadamente o apoio do caudilho Urquiza. Mas se inicialmente as coisas começaram a correr bem, rapidamente os planos de Lopez começaram a enfrentar problemas.

A Argentina recusou a Solano Lopez a autorização para que as tropas paraguaias atravessassem território argentino, para atingir o Brasil e o Uruguai. Perante esta recusa, o general Urquiza, decidiu não apoiar Solano Lopez, tendo mesmo declarado que estava ao lado do governo de Buenos Aires.

Mapa da primeira fase da guerra


Invasão da Argentina
Não podendo perder tempo. Solano Lopez avança para a declaração de guerra à Argentina em Março e em 18 de Março e a 13 de Abril, um exército de 37,000 paraguaios entra em território argentino. Uma coluna de 12,000 homens (15,000 dependendo das fontes) dirige-se para Corrientes, para se juntar às forças do general Urquiza.

Porém, pela frente ele encontrou nada mais nada menos que Urquiza, o caudilho da província de Corrientes, com o apoio do qual contava, para avançar até Buenos Aires e levar a Argentina a mudar de lado. Embora muitos partidarios de Urquiza se juntem aos paraguaios, este consegue deter o seu avanço mas não consegue tomar a cidade de Corrientes, que muda de mãos mais de uma vez.

Os paraguaios instituem uma Junta governativa em Corrientes e retiram as suas tropas da cidade, estabelecendo posições a sul, numa área na margem do rio Paraná, conhecida como «pequeno rio» ou «riacho», na lingua castelhana Riachuelo.

Com a cidade de Corrientes controlada pelos paraguaios, o comando das forças aliadas (Brasil, Uruguai e Argentina) decidiu retomar a cidade.
Para o efeito seriam utilizados os navios da esquadra brasileira. A 25 de Maio, tropas aliadas atingem a cidade, que controlam durante dois dias, voltando a evacua-la por não terem forças suficientes para a manter.

Riachuelo
No entanto a esquadra brasileira, continuou fundeada a cerca de 10km a sul da cidade de Corrientes, na desembocadura do Riachuelo. Os paraguaios desenvolveram então planos para tentar capturar os navios da esquadra. A batalha que se seguiu, decorreu nos dias 11, 13 e 15 de Junho, com vários ataques paraguaios, detidos pelos brasileiros. A presença da esquadra brasileira, tornou inviável a utilização do rio Paraná para enviar ou receber reforços e ao mesmo tempo demonstrou que o Paraguai não tinha capacidade para vencer o Brasil. Desta forma os argentinos da província de Corrientes foram convencidos a não apoiar os paraguaios. Desta forma, os planos de Solano Lopez caiam por terra.
Em 3 de Outubro de 1865 o líder paraguaio ordena o abandono de Corrientes, recuando as suas tropas para «Passo de Patria», em território paraguaio, passando à defensiva.

O ataque ao Brasil
O grosso do exército paraguaio era constituido por 25,000 homens, e a principal unidade paraguaia, era comandada pelo ten-cor Estigarribia que comandava 10,000 homens. Esta força recebeu ordem de marcha a 30 de Maio de 1865, atravessando território argentino, com o objetivo de atingir a provincia brasileira do Rio Grande do Sul.

A 10 de Junho, as tropas paraguaias atravessam o rio Uruguai em frente à cidade de São Borja, defendida por reduzidas forças brasileiras, que ainda assim bombardeiam os paraguaios quando estes atravessam o rio.
As forças brasileiras abandonam São Borja, mas os paraguaios não perdem tempo a ocupar a cidade. As forças comandadas por Estigarribia dirigiram-se para sul (na direção de Uruguaiana) pela margem direita, a margem brasileira. Mas na verdade Estigarribia tinha ordens para não atravessar o rio Ibicuí e para não atingir Uruguaiana, mas não as cumpriu.
Quando chegou a Uruguaiana recebeu ordens para marchar contra Alegrete, mas também não as cumpriu.

Com as linhas de abastecimento demasiado alongadas, Estigarribia dependia apenas do que podia conseguir nas fazendas brasileiras. O seu exército nunca fora preparado para grandes marchas e não estava logisticamente preparado para aguentar muito tempo.

Entre o final de Agosto e inicio de Setembro, Estigarribia é intimado a render-se perante forças superiores, mas recusa a rendição, esperando reforços enviados desde o Paraguai. Porém, essa ajuda não chegaria já que em Junho com a derrota no Riachuelo, os paraguaios não estão em condições de enviar reforços.
Finalmente a 18 de Setembro de 1865, sem possibilidade de receber reforços, Estigarribia rende-se às tropas aliadas.
A força paraguaia não tinha conseguido sequer atingir o Uruguai.

Ao fim do primeiro ano de conflito, a situação aparecia empatada, mas na realidade, o destino do Paraguai estava já decidido.

As tropas aliadas passarão à ofensiva no sul do Paraguai, e ocorrerá naquela área a batalha de Tuiuti, a mais sangrenta batalha da guerra, a partir da qual o Paraguai se limitou a ações defensivas, perdendo completamente a iniciativa.
Mesmo depois da queda da capital paraguaia Assunción, o ditador Solano Lopez continuou a lutar.
A guerra terá resultado na morte de 75% da população masculina do Paraguai (conforme as fontes).
Existem estudos que afirmam que o Paraguai tinha um população de aproximadamente 40% da população da Argentina. Com o fim da guerra a população Paraguai era de apenas 10% da população da Argentina.



[1] – Passageiros e tripulação do navio acabariam morrendo na prisão.
[2] – A Argentina esteve durante quase uma década separada em dois países distintos e só se unificou em 1861. Até ali existia uma separação entre a Confederação Argentina (norte) e o Estado de Buenos Aires (centro e sul).
[3] – Uma tese sem qualquer embasamento documental chegou a sustentar que o Paraguai era um país industrializado e desenvolvido antes da guerra. Na realidade, o país era essencialmente agrário e contava com uma única instalação industrial na capital. Isto explica que os paraguaios até para executar prisioneiros o faziam com lanças, para poupar as balas, já que o país não as produzia e não tinha como obtê-las.