pub


 

Acontecimentos Relacionados
01-09-1939
Invasão da Polónia
17-09-1939
Invasão soviética da Polónia
03-04-1940
Massacre de Katyn
22-06-1941
Operação «Barba Ruiva»
07-07-1941
Batalha de Smolensk
28-06-1942
Operação Azul: Estalinegrado
15-10-1942
Chegada ao Volga
19-11-1942
Operação Urano: Estalinegrado
02-02-1943
Queda de Estalinegrado
05-07-1943
Batalha de Kursk
23-06-1944
Operação Bagration
15-02-1945
Cerco de Breslau
16-04-1945
Batalha de Berlim


Cerco de Breslau
II Guerra Mundial / Frente Leste
15-02-1945

Este acontecimento teve inicio em: 15-02-1945 e terminou em 07-05-1945
Vencedor: União Soviética

Forças em presença:



Quando a II guerra mundial entrou no seu último ano, a desesperada defesa alemã no sentido impedir a progressão dos exércitos soviéticos a aliados, levou Hitler a apostar na criação ainda que improvisada de pontos fortes que resistissem ao avanço das forças inimigas.

O objetivo de Hitler, era o de empatar um número tão grande quanto possível de tropas inimigas, já que numa posição defensiva se torna necessário que a tropa atacante, disponha de três a cinco vezes mais forças que a tropa sitiada, para conseguir ultrapassar o obstáculo.

De entre as várias cidades-fortaleza «Festung» em alemão, provavelmente a que mais se destaca é a de Breslau, na Baixa Silésia (atualmente parte da Polónia a cidade é conhecida como Wroclaw).

A cidade de Breslau, tinha sido declarada como fortaleza pelo próprio Hitler ainda em 1944, embora a informação não tivesse sido tornada pública.

Breslau tinha sido poupada aos bombardeamentos aliados e tinha apenas sido alvo de alguns bombardeamentos ligeiros por parte de aviões soviéticos. A necessidade de evacuar e sair da cidade foi um choque tremendo para a maioria da população.


Karl Hanke, um administrador regional (Gauleiter) especialmente dedicado à causa nazista foi designado, para garantir que a cidade não se renderia facilmente. Embora as mulheres e crianças pudessem abandonar a cidade, crianças com mais de 14 anos e velhos, eram vistos como potenciais combatentes da Guarda Popular.

Embora a cidade estivesse condenada a transformar-se numa fortaleza, os responsáveis nazistas não fizeram nada para para defender a cidade. Não foram construidas fortificações e aparentemente o objetivo do Gauleiter era defender Breslau com um exército de velhos e crianças praticamente desarmados e sem qualquer treino militar.


Mapa soviético que mostra a posição das forças em Março de 1945. A cidade de Breslau ficou a alguns quilometros da linha da frente, mas sozinha forçava os soviéticos a desviar dezenas de milhares de homens da frente.


As forças militares propriamente ditas eram comandadas pelo general Johannes Krause (ou Hans Krause) e a sua maior unidade era a 609ª div. De infantaria, quatro regimentos de infantaria independentes, pertencentes à Wermacht, um regimento de infantaria SS, dois batalhões de defesas regional a que se juntavam a Volksturm, a guarda popular criada por Goebbels. Estima-se que para a defesa de Breslau contava com 50.000 efetivos, dos quais 35.000 do exército e 15.000 milicianos do Volsturm. A defesa da cidade contava com sete tanques. Um Panzer IV e seis tanques leves Panzer III.

A partir do dia 11 de Janeiro, com a ofensiva soviética a aproximar-se da cidade, muitos habitantes começaram a abandonar a cidade. Muitos dos que abandonaram Breslau dirigiram-se a Dresden, onde dois dias depois seriam vítimas de bombardeamentos aliados.

Em 19 de Janeiro, com a ofensiva soviética (que tinha começado uma semana antes) a progredir de forma assustadora, foi finalmente decidido ordenar a evacuação de um grande número de civis, após se ter concluído que não havia como garantir a sobrevivência de grande número de pessoas numa cidade cercada. Nessa altura, os restos da 269ª divisão de infantaria também receberam ordens para se juntar à defesa da cidade.
Mas a evacuação foi em si própria um desastre, com milhares de refugiados a morrer vítimas de bombardeamentos ou a morrer congelados nas estradas.

Na noite de 15 de Fevereiro de 1945, as tropas soviéticas cortaram a última ligação entre Breslau e o resto da Alemanha. A partir daí, a cidade seria uma fortaleza sob responsabilidade militar.

Para a defesa da cidade os alemães contaram essencialmente com as forças da Guarda Popular (Volksturm) de Goebels e com algumas unidades da Wermacht, num total de 45.000 homens. Um total de 200.000 habitantes da cidade, mantiveram-se nas suas casas, nas caves e em abrigos, resistindo durante o cerco de quase três meses.

Os alemães ainda conseguiram enviar mais tropas para a cidade, utilizando para o efeito o aeroporto que ainda se encontrava nas suas mãos. Ao perceber isto, os soviéticos desenvolveram esforços para capturar o aeroporto, o que conseguiram fazer no inicio de Março. Nessa altura, por ordem do Gauleter Hanke, os alemães desimpediram uma das avenidas do centro da cidade para permitir a utilização como pista de pouso, ainda que nunca tenha sido utilizada, excepto para a fuga do próprio Hanke.

O gauleiter de Breslau, Karl Hanke, dirigindo-se aos defensores em Fevereiro de 1945. Exigiu o combate até à morte, mas fugiu de avião no dia anterior à rendição da cidade.
Na verdade a incompetência de Hanke, levou a que se desentendesse com o comandante militar e no final de Março, o general Niehoff ocupa o lugar do general Hans Krause.

O cerco de Breslau foi levado a cabo essencialmente pelo 6º exército soviético, na dependência do grupo de exércitos do Marechal Ivan Koniev (I frente da Ucrânia), que não tinham sequer sido informadas da intenção alemã de transformar a cidade numa fortaleza.

Por esta razão, a ofensiva no setor comandado por Koniev, sofreu perturbações, quando se verificou ser necessário dispensar mais tropas da frente, com o objetivo de garantir o isolamento da cidade. O 6º exército, que progredia no terreno atrás das forças de elite e dos exércitos blindados soviéticos, foi designado para disponibilizar forças para cercar a cidade, reduzindo assim o apoio ao avanço das forças de Koniev.

A ofensiva da I frente da Ucrânia seria detida, como aliás também tinha acontecido com a I frente da Bielorussia do marechal Zhukov, muito por causa do aumento das linhas de abastecimento como também pelo problema apresentado pelas cidades-fortaleza alemãs.

No final de Março de 1945, a apenas duas semanas do inicio da ofensiva final sobre Berlim, os dirigentes no Kremlin estavam já impacientes com o espinho alemão cravado dentro do território já conquistado, principalmente porque isso implicava a imobilização de um exército inteiro, que fazia falta para participar na ofensiva final.

No entanto, a médio prazo, as fortalezas de Hitler serviram apenas para adiar o inevitável.
Breslau no entanto, passou à História por ter sido a última cidade alemã a render-se.

No dia 2 de Maio de 1945, O comandante de Berlim já se tinha rendido e a cidade estava já sob o controlo das tropas soviéticas, mas mas vários quilometros para leste, a cidade de Breslau ainda se encontrava sob o controlo da Wermacht e era ainda território de um terceiro Reich, que já não era comandado por Hitler mas sim pelo almirante Doenitz.

No dia 4 o Gauleiter Hanke, continuava a não aceitar a rendição da cidade, mesmo quando vários grupos de civis entre os quais dirigentes da igreja, lhe pediram que o fizesse por razões humanitárias. Não querendo aceitar a rendição, Hanke desculpou-se com o fato de Hitler o ter nomeado chefe das SS antes de morrer, entrou num avião Fiesler Storch fugiu da cidade e nunca mais foi visto.

O comandante militar, general Niehoff, que já tinha pedido autorização para se render ao seu superior direto, o comandante do grupo de exércitos centro (gen. Schoerner), mas sem sucesso. No dia 5 de Maio de 1945 ele reune os seus oficiais e informa-os da sua intenção de se render.
A rendição ocorrerá às 14:00 do dia 6 de Maio de 1945. No dia 7 de Maio após a rendição incondicional em Reims, as tropas do exército vermelho entraram na cidade.

Carro de combate IS-2 soviético, destruido em Breslau (Striegaur Platz), provavelmente no final de Março de 1945. A foto foi tirada já depois da rendição.


Ainda assim, os alemães sofreram 29.000 baixas, entre mortos e feridos. Do lado russo o total de perdas atingiu 60.000.
Do lado do exército vermelho a irritação e raiva dos comandantes era evidente e foi mesmo registada. O exército vermelho nunca aceitou que uma força de velhos e crianças, contando 40.000 efetivos, conseguisse deter durante tanto tempo 150.000 soldados soviéticos bem armados e alimentados.

A vingança soviética sobre a cidade de Breslau pela sua resistência, foi em tudo parecida à retaliação medieval contra cidades que não se rendiam.
Muitos dos militares que se renderam foram julgados como criminosos e fuzilados. O general Niehoff foi aprisionado e esteve em prisão solitária durante dez anos.

As retaliações sobre a população civil não se fizeram esperar. As violações começaram de imediato, a população faminta foi obrigada a integrar batalhões de trabalhos forçados. Depois de as tropas regulares do exército vermelho terem saído, entraram na cidade tropas de segundo escalão. O nivel de brutalidade atingiu limites indescritíveis.