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Armas e equipamentos relacionados

Veículo Blindado Transporte Pessoal - Chaimite V200

Fragata - Pereira da Silva

Artilharia de médio/longo alcance - 87.6mm L/27 QF (25pdr) Mod 1933

Carro de combate médio - M47 «Patton»

Veículo médio de reconhecimento - EBR / FL-10

Morteiro autopropulsado - AML-60

Espingarda / fuzil de assalto - G-3 A3


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Revolução dos «Cravos»
Conflitos internos /golpes / revoluções
25-04-1974

Este acontecimento teve inicio em: 25-04-1974 e terminou em 25-04-1974
Vencedor: Nenhum

Forças em presença:

Nenhum

Nenhum



Na madrugada de 25 de Abril de 1974 decorre em Portugal uma movimentação militar levada a cabo por algumas unidades do exército com o objectivo de depor o governo e forçar o fim do conflito em que o Portugal se encontrava envolvido em África.
Ainda que do ponto de vista militar Portugal controlasse de forma efectiva a esmagadora maioria dos territórios africanos, o governo português não conseguiu, quer por falta de vontade política quer por falta de meios materiais e humanos, resolver o problema do cansaço que tinha tomado conta do país.

Mais recentemente, novas teses sobre a origem da revolução, afirmam que se tratou essencialmente de uma manifestação corporativa, que caiu completamente fora do controlo dos militares, transformando-se posteriormente em revolução.

Os principais protagonistas do golpe foram essencialmente unidades de segunda linha e forças de instrução, das seguintes unidades:
EPI - Escola Prática de Infantaria
EPC - Escola Prática de Cavalaria[1]
EPA - Escola Prática de Artilharia
EPAM - Escola Prática de Administração Militar
EPE - Escola Prática de Engenharia

Normalmente, unidades de instrução estão equipadas com material usado e de qualidade inferior ao das unidades ditas operacionais. Além destas unidades, participaram na acção viaturas das seguintes unidades:

RC-3 - Regimento de Cavalaria Nr. 3 de Estremoz, que chegaram a Lisboa ao inicio da tarde.
RC-4 - Regimento de Cavalaria Nr. 4

Juntamente com estas, várias outras unidades aderiram ao golpe, sem que no entanto tivessem tomado qualquer iniciativa que influenciasse o desenrolar das operações.

A principal movimentação militar ocorreu na madrugada e manhã de 25 de Abril - uma Quinta-feira - quando tropas da Escola Prática de Cavalaria, equipadas com armas ligeiras, de infantaria transportada em viaturas Chaimite e Berliet, morteiros auto-transportados do tipo AML[2] e veículos blindados de reconhecimento do tipo EBR[1] armados com canhão de 75mm tomaram o «Terreiro do Paço», onde se concentravam então os ministérios e visto como o centro nevrálgico do poder.

A sua tomada era vista como sinal da tomada do poder. Tomando o poder em Lisboa, tomava-se op poder em todo o país, e controlando Lisboa, controlavam-se todos os territórios ultramarinos.

Mapa dos principais movimentos de tropas em direcção a Lisboa
Outros pequenos destacamentos deveriam tomar pontos estratégicos como emissores de televisão e de rádio, aeroportos e Quartéis Generais.


Falta de coordenação das forças fieis ao governo

Durante essa manhã, opuseram-se às forças revoltosas, unidades do Regimento de Cavalaria Nr. 7 e do Regimento de Lanceiros Nr 2. / Policia Militar Tendo uma primeira força do Regimento de Cavalaria 7, equipada com autometralhadoras AML sido enviada por volta das 06:00 da manhã para o Terreiro do Paço.
Essa força, juntamente com outra força ligeira do Regimento de Lanceiros passa para o lado dos revoltosos
.


A movimentação mais importante das forças favoráveis ao governo ocorre de forma pouco coordenada.
Uma segunda força, aproxima-se do terreiro do Paço, por volta das 09:35, tomando posições no flanco esquerdo. Trata-se de tropas equipadas com quatro carros de combate pesados M-47 Patton do Regimento de Cavalaria 7, comandados pelo Brig. Reis, (2º Com. Da Região Militar de Lisboa) Estas forças tomaram posições na Av. da Ribeira das Naus e na Rua do Arsenal, nas proximidades do Terreiro do Paço.

Para controlar o flanco direito, tinha sido mobilizada uma força da Guarda Nacional Republicana equipada com 12 viaturas Land Rover que tinha avançado por volta das 08:00 na direcção do «Campo das Cebolas», que fica a cerca de 500 metros para nascente, das posições ocupadas pelos revoltosos.

O cerco aos revoltosos ficaria completo com as tropas que foram mandadas avançar, através do centro de Lisboa e vindas do Regimento de Infantaria Nr. 1 da Amadora, que só chegaram ao fim da manhã à zona dos Restauradores.

A NATO e o 25 de Abril

O exercício NATO denominado «Dawn Patrol» deveria ter inicio nesse mesmo dia, com a participação de uma fragata portuguesa do tipo Dealey, o NRP Gago Coutinho. A força da NATO tinha-se junto em Lisboa para uma estada de dois dias e entre os navios da força estavam fragatas e contra-torpedeiros da Marinha Real do Canadá.
Muitas das fotos tiradas ao rio Tejo para ilustrar a acção da fragata Gago Coutinho, são na realidade fotos onde se vêm navios da força da NATO, nomeadamente o contratorpedeiro Huron.
O comando da força passou durante a estada de dois dias em Lisboa da fragata canadiana Yukon, para a fragata Annapolis, do mesmo país. Com vários navios no rio Tejo, a esquadra do Canadá, era a força militar com maior poder de fogo na região de Lisboa.

Durante a manhã de 25 de Abril, os navios da NATO preparavam-se para zarpar e saíram das suas posições (atracados no porto) para fundear no rio Tejo, em preparação para a saída.
A movimentação de navios, decorreu ao mesmo tempo que evoluía a situação no Terreiro do Paço, com as viaturas blindadas a tomar posição na Av. Ribeira das Naus e na Rua do Arsenal.
Muitas das fotos tiradas na altura mostram por isso navios da NATO e não a fragata Gago Coutinho.
Os navios da NATO só saíram de Lisboa por volta das 11:00 da manhã, tendo a fragata portuguesa ficado no Tejo.

Um dos navios da marinha do Canadá a fragata «HMCS Assiniboine» (um navio do tipo Whitby) era suposto ficar no Tejo mais um dia, porque tinha chegado com um dia de atraso. Às 10:25 da manhã, o comandante do navio com um grupo de militares foi a terra, para contactar a embaixada do Canadá e pedir instruções sobre a eventual necessidade de apoiar uma operação de evacuação se a situação degenerasse para a violência.
Embora considerando que não havia perigo para os cidadãos do Canadá, não havia no entanto clima para o navio ficar mais um dia, pelo que a fragata largou por volta das 15:00 tendo cruzado a barra do Tejo alguns minutos depois.

Curiosamente, também uma aeronave da marinha daquele país, estava na base do Montijo e com o encerramento do espaço aéreo não pode sair de Portugal.

Na imagem abaixo, o contratorpedeiro Huron, da marinha do Canadá, durante a manhã de 25 de Abril de 1974.
O cerco seria completo com a fragata Gago Coutinho que recebeu ordem para tomar posições nas proximidades da área controlada pelos revoltosos [ver caixa].


As forças favoráveis ao governo poderiam ter ganho alguma vantagem táctica, mas a falta de coordenação (as forças chegaram ao local em distintas ocasiões, não podendo agir ao mesmo tempo) e a facilidade com que os próprios militares das forças que apoiavam o governo se começaram a passar para o lado dos revoltosos - como se viu pelo que aconteceu com a primeira força do RC-7 ao fim da madrugada - tornou a resistência cada vez mais fútil, à medida que o tempo avançava.

A descoordenação generalizada, ficou demonstrada quando a unidade da GNR colocada no flanco direito que foi a primeira a chegar, aparentemente chegou demasiado cedo. Foi por isso rapidamente «convencida» a abandonar a área por causa de não ter qualquer capacidade para se opor ao exército e desta forma o flanco direito ficou aberto.

No flanco esquerdo, só uma hora depois da chegada da GNR ao flanco direito, chegam os carros pesados M47 «Patton». A situação esteve à beira de se tornar irreversível, mas o bom senso prevaleceu. Dos quatro carros de combate M-47, dois passam-se para o lado dos revoltosos e os restantes dois ficam sem grandes possibilidades de fazer o que quer que seja perante o enorme numero de populares que por aquela altura já tinha tomado as ruas.

Os dois carros que continuam fiéis ao governo, sobem a rua em direcção ao Chiado, onde nas proximidades (Largo do Carmo) se encontra o prof. Marcelo Caetano, chefe do governo.

No flanco norte, para onde se deveriam deslocar forças do Regimento de Infantaria Nr. 1 (uma outra companhia dessa unidade estava junto aos carros de combate Patton no flanco esquerdo das forças revoltosas), a posição é atingida apenas poucos minutos após o Meio-Dia. Estas forças encontram-se a meio caminho com as forças revoltosas, já depois do Meio Dia e quando as tropas revoltosas se dirigem para o Quartel do Carmo para conseguir a rendição do chefe do governo.

Sem perceber o que se passa, e tendo sido informados pelos revoltosos que o Terreiro do Paço tinha sido tomado, as tropas de Infantaria-1 juntam-se à revolta e seguem para o Quartel da GNR no Largo do Carmo, para cercar Marcelo Caetano.

Um pedido feito à Força Aérea para atacar os revoltosos no Terreiro do Paço, é respondido com uma evasiva «impossibilidade de descolar por causa do mau tempo», ainda que se estivesse numa luminosa manhã de primavera.

Desta forma, a movimentação inicial das forças que deveriam debelar a revolta, foi anulada em todos os flancos e também no ar.

Os problemas continuam e a revolta ainda não triunfou

Ainda que a população de Lisboa estivesse nessa altura já nas ruas e a revolta se estivesse a transformar numa revolução, a situação não estava resolvida, pois as forças revoltosas, embora equipadas com veículos blindados, não podiam utilizar com facilidade os seus meios dentro das apertadas ruas do centro de Lisboa.
Tropas da GNR continuavam a ameaçar cercar as tropas revoltosas e carros de combate que continuavam fiéis ao governo, tomam posições no Largo Camões, de onde podem ameaçar os revoltosos.

Apelos à população
Prova de que a situação estava longe de ser controlada são os contínuos avisos à população emitidos pelas rádios que já estavam nas mãos dos revoltosos.
Durante o resto da manhã e durante a tarde do dia 25 de Abril, foram emitidos comunicados em que se aconselhava a população a ficar em casa, para evitar que se tivessem que lamentar vítimas civis. Os militares também aconselhavam a polícia a não saír para a rua.

Os comunicados funcionaram também como forma de pressão sobre os defensores do governo, que assim passaram a achar que os revoltosos esperavam uma reação contrária e estavam preparados para lutar.

A acção da fragata Gago Coutinho

De entre as forças enviadas para conter as tropas que tomaram o Terreiro do Paço - centro nevrálgico do poder em Portugal – destaca-se a fragata da marinha portuguesa «NRP Gago Coutinho». Trata-se de um navio da classe Dealey (em Portugal designada Pereira da Silva), construído em Portugal nos estaleiros da Lisnave, na margem sul do Tejo.
A fragata estava equipada com duas torres, cada uma delas armada com dois canhões de 76mm. Este tipo de arma era standard nos navios NATO para defesa anti-aérea. Ainda que os navios mais recentes tivessem começado a receber mísseis anti-aéreos, este armamento ainda era relativamente comum, e vários navios de outras marinhas estavam equipados com ele.
A fragata deveria sair do Tejo nessa manhã, acompanhando uma força naval permanente da NATO, que se dirigia para o Mediterrâneo.

Por volta das 07:30, quando o navio se preparava para sair (encontrava-se nas proximidades da ponte sobre o Tejo) com os restantes navios da NATO, recebe uma comunicação de urgência através de rádio, em que um oficial do Estado-Maior, (comandante Malheiro Garcia) dá ordem para que a fragata se dirija para as proximidades do Terreiro-do-Paço. Noutra comunicação, o vice-chefe de Estado Maior da Armada, Alm. Jaime Lopes, determina que o navio se posicione de forma a intimidar a força do exército que ali se encontra.

A fragata chega às proximidades do Terreiro do Paço entre as 07:45 e as 08:15 da manhã.

É na sequência de ordens recebidas que se gera um clima de tensão entre o imediato e o comandante. Aquele acusa o comandante do navio de ter entrado em histeria. Já as afirmações do comandante, implicam que terá sido o imediato a perder o controlo. As duas versões não são compatíveis.

Seja porque alguns oficiais estavam do lado do golpe e se recusaram a disparar, seja porque o comandante do navio perante a situação que se apresentava optou por não disparar, torna-se claro que a actuação do navio poderia ter alterado o resultado de toda a operação.

Ainda que tenha sido feita uma tentativa para intimidar a fragata, com a possibilidade de fogo desde terra, a velocidade que o comandante determinou para o navio durante as suas evoluções, tornaria muito difícil a actuação da artilharia em terra.
Armada com munição anti-aérea, explosiva, a fragata poderia em principio destruir facilmente as posições de artilharia que a ameaçavam.

O comandante afirma que mandou que as peças fossem colocadas na posição de elevação máxima, dando sinal de que o navio não pretendia abrir fogo. A imagem do navio com as peças nessa posição é a mais conhecida da participação da marinha no golpe de 25 de Abril de 1974.


Sabendo da situação, o comando das operações do lado dos revoltosos manda avançar para dentro de Lisboa, o esquadrão enviado desde Estremoz, que atravessou a ponte sobre o Tejo às 13:30, sendo constituído por três pelotões equipados com algumas viaturas Panhard EBR e AML. O objectivo, é evitar que as forças que cercam o quartel da GNR no Carmo, não fiquem elas próprias cercadas, como se chegou a temer por volta de uma da tarde.

Que o poder não caia na rua.

O presidente do Conselho de Ministros, Marcelo Caetano, refugiou-se no quartel da Guarda Nacional Republicana no Largo do Carmo, que se situa no centro da zona antiga de Lisboa, próximo do Bairro Alto.

A decisão do Presidente do Conselho de ministros é hoje vista como estranha, porque não estava previsto que se refugiasse naquela instalação, dado a mesma se situar numa posição de defesa difícil, de onde seria praticamente impossível fugir.

Durante a manhã do dia 25, antes de a revolução ter começado e quando a movimentação militar era apenas um golpe de estado, não foi feita qualquer tentaviva para remover o chefe do governo, que se viu cercado por volta das 13:30, quando as tropas que tinham controlado a situação no Terreiro do Paço, se dirigem ao Largo do Carmo.

Nessa altura, tornou-se evidente que o golpe de estado que tinha começado na madrugada de 25 de Abril se tinha transformado numa revolução que ameaçava transformar-se num banho de sangue.

A grande quantidade de populares nas ruas, foi aliás a principal razão que levou a que os militares dos dois lados não tivesse recorrido à utilização da força. Por isso. 25 de Abril de 1974 é também uma revolução da população de Lisboa, cuja acção condicionou a actuação dos militares.

Apercebendo-se dos perigos, o chefe do governo, comunica com o General António de Spínola e propõe a transferência do poder, «para que o poder não caia na rua».

Como resultado dessa negociação, que se inicia com um contacto telefónico, começa um processo de transferência de poder ao fim da tarde de 25 de Abril de 1974 para uma Junta de Salvação Nacional.

Como resultado, o golpe dá-se sem derramamento de sangue, principalmente porque parece não ter havido qualquer intenção por parte dos militares fiéis ao governo, em promover uma carnificina nas ruas de Lisboa. O grande numero de populares, que não saíram das ruas, na maioria dos casos por não se aperceberem do risco que corriam, acabaram por ser determinantes para o resultado do golpe.

Participação da Força Aérea.

A Força Aérea Portuguesa, não tomou qualquer partido nas movimentações de 25 de Abril de 1974, embora o governo tenha pedido à Força Aérea para agir contra os revoltosos.
As unidades da Força Aérea informaram que não havia condições atmosféricas para permitir qualquer operação com os helicópteros.

O poder na rua, no pós 25 de Abril
Ainda que a entrega do poder por parte de Marcelo Caetano ao general António de Spínola, tivesse como objectivo evitar que o poder caísse na rua, os desenvolvimentos subsequentes, levaram a que Spinola demonstrasse não ter os meios para garantir o governo do país.

De Abril de 1974 até Março de 1975, a governação de Portugal sofre inúmeros contratempos. Além da influência da extrema esquerda revolucionaria, normalmente associada a ideais utópicos e românticos, nota-se a enorme pressão de um partido que ainda que não estivesse ligado à revolução e não tivesse contribuido para ela directamente, tentará aproveitar-se ao máximo da convulsão provocada pelo 25 de Abril.

O Partido Comunista Português, fortemente apoiado pela União Soviética assume durante esse periodo uma posição de cada vez maior força dentro da sociedade portuguesa.
Através de meios violentos e repressivos, e utilizando milícias populares, que ameaçam as populações através da chantagem e intimidação violentas, os comunistas portugueses assumem o controlo de muitas das principais empresas do país, com o objectivo de destruir o tecido empresarial e paralisar a economia.

O objectivo final, delineado pelo líder comunista Alvaro Barreirinhas Cunhal, é o de conduzir o país para uma segunda revolução de cariz comunista, exactamente como tinha acontecido na União Soviética em 1917.

Também sob a direcção do Partido Comunista e seguindo os objectivos estratégicos de Leonidas Brejnev, são efectuados boicotes e manifestações destinadas a garantir a perda por parte do exército do controle da situação nos territórios africanos portugueses.
Essas campanhas levam à completa e absoluta desarticulação da capacidade militar das forças armadas em África.

As actividades do Partido Comunista, que vão culminar com o golpe de 11 de Março de 1975 - em que os comunistas tomam o poder - com o apoio da ala esquerda liderada por Otelo Saraiva de Carvalho, acabará por resultar na tomada do poder nos territórios de África por parte de cliques genocidas, que se lançarão em guerras civis e em ajustes de contas em que morrerão centenas de milhares de pessoas.

A revolução de 25 de Abril de 1974, só voltará a assumir o seu cariz libertador e democrático, quando após a declaração da independência dos territórios africanos, os dirigentes comunistas portugueses são informados de que não haverá qualquer ajuda da frota soviética, ou da União Soviética em termos gerais, para apoiar o golpe final que os dirigentes mais extremistas do PCP se preparavam para organizar.

Contra eles, tinha-se levantado um vasto movimento de oposição anti-comunista liderado por Mário Soares - antigo militante comunista convertido à democracia - e por Sá Carneiro, antigo deputado da ala liberal do regime derrubado em 25 de Abril de 1974.

A resposta definitiva, que impediu o consumar do golpe comunista, foi dada pelos soviéticos ao PCP em Novembro de 1975, e que se pode resumir a uma única frase:
A União Soviética, não vai começar a III guerra mundial, para salvar o Partido Comunista Português.

Quando ocorreram as movimentações iniciais das forças militares comunistas em Novembro de 1975, conhecedora da situação internacional, a direcção comunista portuguesa, chama as suas tropas na região de Lisboa e impede o inicio de uma guerra civil - que sem o apoio soviético - sabia estar perdida à partida.

(ver revolução de 25 de Novembro de 1975)





[1]Da Escola Prática de Cavalaria, saem na madrugada de 25 de Abril, 27 viaturas militares, 10 das quais blindadas do tipo Panhard EBR, Panhard ETT e Chaimite.
Saíram também na direcção de Lisboa, mas apenas por volta das 07:30 da manhã, dois blindados pesados M-47 Patton e três blindados médios M-24 Chafee.
Saindo a esta hora, estes veículos só poderiam chegar a Lisboa por volta da uma da tarde, pelo que no caso de as forças revoltosas terem sido controladas durante a manhã, Lisboa estaria já nas mãos do governo.

[2]Estes veículos são normalmente referidos em Portugal como «autometralhadoras». Trata-se de uma designação de origem francesa, e não respeita a verdadeira função e capacidade dos veículos.

[3]Alegadamente terá sido dada ordem às peças de artilharia da Escola Prática de Artilharia que tomaram posições no cimo do «Cristo Rei» na margem sul do Tejo para afundar a fragata se esta disparasse.

Na realidade, as forças de Artilharia dificilmente poderiam com as peças que tinham disponíveis atingir a fragata. Peças de artilharia como aquelas que a unidade tinha ao seu serviço foram concebidas para fazer fogo sobre pontos fixos, mas não têm capacidade para atacar um objecto móvel, a não ser por acaso, num tiro de sorte. A fragata Gago Coutinho, enquanto não foi tomada uma decisão sobre o que fazer, nunca ficou parada, não tendo portanto oferecido um alvo adequado à artilharia para disparar.

O fogo da fragata, contra as forças pouco blindadas e apeadas da Escola Prática de Cavalaria no Terreiro do Paço, seria no entanto devastador.