pub


 

Armas e equipamentos relacionados

Carro de combate médio - PzKpfw-III E/F «Panzer III»

Carro de combate leve - PzKpfw-II Ausf.C (Panzer II)

Carro de combate leve - T-26 (mod.1933)

Carro de combate leve - BT-7

Carro de combate médio - T-34/76B m.1941

Veículo ligeiro de reconhecimento - BA-10

Carro de combate médio - PzKpfw-IV D / E (Panzer IV)


Acontecimentos Relacionados
01-09-1939
Invasão da Polónia
17-09-1939
Invasão soviética da Polónia
03-04-1940
Massacre de Katyn
22-06-1941
Operação «Barba Ruiva»
07-07-1941
Batalha de Smolensk
28-06-1942
Operação Azul: Estalinegrado
15-10-1942
Chegada ao Volga
19-11-1942
Operação Urano: Estalinegrado
02-02-1943
Queda de Estalinegrado
05-07-1943
Batalha de Kursk
23-06-1944
Operação Bagration
15-02-1945
Cerco de Breslau
16-04-1945
Batalha de Berlim


Operação «Barba Ruiva»
II Guerra Mundial / Frente Leste
22-06-1941

Este acontecimento teve inicio em: 22-06-1941 e terminou em 22-06-1941
Vencedor: Nenhum

Forças em presença:

Alemanha / III Reich

União Soviética



Um artigo mais detalhado sobre esta operação encontra-se aqui:



A Operação Barba Ruiva, ou «Barbarosa», foi o maior ataque militar da história da humanidade, quando os exércitos combinados da Alemanha, Finlândia, Hungria e Roménia atacaram conjuntamente a União Soviética sem declaração de guerra.

O ataque feito em três frentes destinava-se a atacar Leninegrado no sector norte, Moscovo no sector central e Kiev no sector sul.
Segundo os planos da operação determinados pelo próprio Hitler a operação deveria ser rápida e incisiva, com o envolvimento de grandes forças russas pelas pinças das forças blindadas alemãs, com o objectivo de desarticular as forças soviéticas, cerca-las e extermina-las.

O objectivo de «Barbarossa» era a destruição completa da União Soviética, reduzindo a Rússia a um estado tributário empurrado para oriente dos montes Urais, e para a extensão da estepe siberiana, para onde também seriam enviados os sobreviventes e os indesejáveis.

Estava previsto que a União Soviética fosse vencida em 12 semanas, devendo a operação acabar portanto em 22 de Setembro, antes do inicio do inverno russo.
A operação, preparada para o inicio da Primavera, foi atrasada por causa dos acontecimentos nos Balcãs, com a operação contra a Jugoslávia e posteriormente contra a Grécia, que acabou por resultar num atraso e na marcação do inicio da operação para 22 de Junho de 1941.
Se a invasão da União Soviética tivesse ocorrido no inicio de Maio, «Barbarossa» provavelmente teria terminado antes do inicio do inverno Russo.
Confiantes na inevitabilidade da vitória, os dirigentes alemães (especialmente Hitler) não tinham considerado qualquer preparação para combater no inverno. E mesmo com a necessidade de atrasar o inicio da operação em mais de um mês, os alemães não alteraram os seus planos.

A maior operação militar da História

O dispositivo alemão

A força de invasão alemã dividia-se em três grandes grupos de exércitos, cada um com objectivos definidos:

O grupo norte, comandado por Von Leeb era o mais pequeno e estava composto pelo 18º exército, o 16º exército e o 4º exército blindado, este último colocado numa posição central. Esta força destinava-se a tomar os estados do Báltico e a dirigir-se contra Leninegrado.

O grupo central, sob o comando de Von Bock era constituído pelo 9º exército, pelo 4º exército (o mais poderoso exército alemão em 1941), juntamente com o 3º exército blindado e o 2º exército blindado. Tratava-se do ponto de vista da operação do mais importante grupo, pois possuía dois exércitos blindados, os quais inicialmente tinham como objectivo uma operação em «pinça» para cercar os exércitos soviéticos na região de Bialystok, mas que posteriormente poderiam ser utilizados em apoio das forças dos outros dois grupos (o que veio a acontecer, quando os blindados do gen. Guderian inflectiram para sul, para apoiar a tomada de Kiev).

O grupo sul, sob o comando de Von Rundstedt incluía o 6º exército, o 17º exército e o 1º exército blindado. Além destas forças, a sul, na Roménia, sob o seu comando estavam os 3º e 4º exércitos romenos e entre estes dois exércitos, o 11º exército alemão.

De forma isolada, na fronteira finlandesa, uma outra ofensiva seria levada a cabo pelo exército finlandês, que no entanto só actuará uma semana depois do ataque inicial e com o objectivo de recuperar o território que a URSS tinha subtraído à Finlândia em 1939.

O efectivo de blindados alemães disponíveis antes da invasão da URSS era o seguinte:

877 x Panzer I (metralhadora 7,9mm)
1,074 x Panzer II (canhão de 20mm)
170 x Skoda 35(t) (canhão de 37mm)
754 x CKD 38(t) (canhão de 37mm)
350 x Panzer III (canhão de 37mm)
1,090 Panzer III (canhão de 50mm)
517 x Panzer IV (canhão de 75mm cano curto)

Importante, porque na maior parte dos relatos este número é esquecido, o exército alemão que invadiu a União Soviética contava com 625.000 (seiscentos e vinte cinco mil) cavalos e mulas de transporte, contra 600.000 viaturas motorizadas entre tanques, automóveis, camiões de transporte e motociclos.

O dispositivo soviético

Os exércitos da União Soviética, estavam dispostos em profundidade e numa posição eminentemente defensiva. Esta disposição foi resultado de ordens directas de Estaline para evitar hostilizar os alemães.

As forças soviéticas também estavam dispostas em três grandes comandos, embora não coincidentes com os alemães.

A norte, a Frente de Noroeste, com o comando do general Kuznetsov, dispunha de dois exércitos, o 8º e o 11º. Alguns dias após a invasão, será criado o comando norte, quando se torna evidente o objectivo alemão de tomar Leninegrado.

A sul deste e na Frente Ocidental soviética, correspondente à Bielorússia, estavam três exércitos sob o comando do general Pavlov, a saber, o 3º, o 10º (armado com grande quantidade de T-34) e o 4º. A este juntava-se um comando sob a responsabilidade do grupo de exércitos (13º exército) que geria unidades independentes.

No sudoeste, os soviéticos tinham colocado as suas forças mais poderosas, com um total de seis exércitos sob o comando do marechal Budenny, e com o general Kirponos no comando operacional.
Este grande grupo de exércitos, com mais de 1.000.000 de efectivos contava acima de tudo com a força do 5º e do 6º exércitos (mais de metade dos tanques T-34 concentrados em duas divisões), os quais tinham atribuídos cada um deles seis divisões de tanques e que estavam directamente em contacto com as forças alemãs na Polónia ocupada.
Mais para sul, Kirponos tinha dispostos mais quatro exércitos, em frente às fronteiras da Hungria e da Roménia. Estes eram o 26º, o 12º, o 18º e 9º exércitos.

Forças blindadas soviéticas

As forças blindadas do exército vermelho estavam compostas pelos seguintes veículos:

Tanques ligeiros: 15.622
400 - T-27
2.400 - T-37
1.200 - T-38
222 - T-40
400 - T-18M
11.000 - T-26

Tanques médios : 7.467
6.000 - BT-5 / BT-7
500 - T-28
967 - T-34

Tanques pesados : 548
40 - T-35
508 - KV-1



Mapa da situação táctica em 22 de Junho de 1941, quando começou a operação Barbarossa. Notar que as setas indicam o movimento dos quatro grupos blindados alemães, que serviram de base à movimentação dos restantes exércitos.



O desenrolar das operações

Às primeiras horas da manhã de 22 de Junho (um Domingo) a Luftwaffe destrói milhares de aviões soviéticos no chão e a fronteira começa a ser atravessada em inúmeros pontos. A aviação soviética é alias a arma mais afectada, pois as perdas são tremendas e os aviões russos praticamente desaparecem dos céus. Há notícia de alguns ataques levados a cabo por bombardeiros russos que foram mandados atacar sem qualquer protecção de caças.
O descalabro foi completo, a maioria dos aviões abatidos no chão e os que sobravam foram utilizados de forma absolutamente incompetente.

Em terra, os objectivos alemães começam a ser tomados rapidamente, com a principal operação em «pinça» a ser levada a cabo pelo avanço dos dois exércitos blindados do grupo de exércitos centro «Mitte». Os tanques do general Hoth deverão encontrar-se com os tanques de Guderian em Minsk, a capital da Bielorússia.

Embora a operação tenha ocorrido com relativa facilidade para os alemães, as forças russas em presença são bastante entanto poderosas. Os soviéticos contam com mais tanques que todos os exércitos do mundo juntos.
Embora os generais soviéticos nos relatórios que enviam a Estaline, afirmem que os seus tanques são tanques para caçar pardais, como que a justificar a sua incompetência, a verdade é que os carros de combate russos estão melhor armados que os carros de combate alemães.
Os tanques médios russos BT-7, estão armados com peças de 47mm, enquanto que os tanques alemães estão equipados com canhões de 37mm e 50mm.

Além disso, os russos dispunham já na altura de várias centenas de tanques T-34 e KV-1, contra os quais os alemães pura e simplesmente não tinham nenhuma arma eficaz.

Onde estão os T-34 ?
Uma das questões que normalmente se coloca é a da superioridade técnica dos tanques russos de nada ter servido durante os dias críticos que se seguiram a 22 de Junho.
Sabemos que cerca de 1,000 tanques T-34 estavam concentrados em dois corpos mecanizados.
Na região de Byalistok ficaram a 4ª e a 7ª divisões de tanques (VI corpo mecanizado, pertencente ao X exército soviético, comandado pelo general Golubiev). Estas duas divisões possuíam pelo menos duas centenas de T-34, embora os valores sejam conflituantes.
O outros grande corpo blindado armado com estes carros de combate era o IV corpo mecanizado, adstrito ao 6º exército do general Musyishenko. Sabe-se que esta força foi completamente destroçada em apenas 15 dias. O VI exército soviético, que contava com quase 979 tanques em 22 de Junho, estava reduzido a 126 em 7 de Julho. Dois terços dos veículos eram T-34 e KV-1.

Razões que explicam o colapso soviético

A principal razão da catástrofe do lado russo, prende-se acima de tudo com a incompetência generalizada dos comandantes do exército vermelho, a que se juntou a utilização de tácticas ultrapassadas e desajustadas.

Os comandos de várias unidades soviéticas insistiam em pura e simplesmente separar os tanques da infantaria, enviando muitas vezes os tanques para atacar um ponto e a infantaria para atacar ou defender outro.
Como os exércitos russos não tinham blindados para o transporte de pessoal, não podiam fazer a infantaria acompanhar os tanques, que no caso dos BT-7 por exemplo, eram veículos extremamente rápidos.

A completa falta de sistemas de comunicação eficazes e o facto de os soldados russos nem sequer saberem operar rádios piorava a situação. As unidades russas ainda dependiam de sinalização com bandeiras no campo de batalha.

Além disso, os russos optam por ataques frontais contra os alemães, os quais pura e simplesmente evitam o contacto directo e circundam os tanques russos.

Os tanques soviéticos médios e pesados muitas vezes são perdidos não contra o fogo inimigo mas sim porque a logística russa falhou completamente e não consegue abastecer as unidades com combustível ou com munições. Milhares de armas soviéticas são destruídas para evitar que caiam nas mãos dos alemães.
Há notícia de que um comandante russo, chega a conduzir uma divisão blindada inteira até atingir os pantanos a sul do Pripet, onde a maioria dos tanques se afunda na lama.

Stalin: O ditador soviético era um antigo criminoso georgiano que entrou na vida política. O seu regime de terror já tinha assassinado mais de 30 milhões de pessoas quando começou a guerra.

Era tal o terror que inspirava, que os soldados preferiam morrer no campo de batalha a render-se, com medo da vingança de Stalin sobre as suas famílias.
Os russos têm mais medo de Estaline que dos alemães

Os primeiros relatórios enviados pelos generais alemães para a toca do lobo, o quartel general de Hitler na Prussia oriental, relatam a resistência dos soldados russos, a qual era inesperada. OS alemães esperavam que os russos se rendessem aos milhares quando o comandante fosse morto.
No entanto isso não aconteceu.

Durante muito tempo, a historiografia soviética defendeu que a resistência aos alemães tinha sido resultado do grande amor à santa mãe Rússia, mas a tese, ainda que continue a ser aceitável hoje na Russia, tem perdido adeptos.

Aparece hoje como muito mais provável, que muita da resistência desesperada dos russos até à morte tivesse muito mais a ver com a brutalidade do sistema repressivo soviético.
Os soldados eram ameaçados regularmente de que se morressem poderiam ser heróis de guerra e as suas famílias seriam ajudadas, mas que se se rendessem, podiam até salvar as suas vidas, mas as suas famílias seriam severamente punidas com tortura ou deportação, o que era sinónimo de morte nos campos da Sibéria.
Esta explicação, em vista dos dados conhecidos, é muito mais razoável que a que foi apresentada durante muitos anos.

Contra-ataques desastrados

Logo nas primeiras semanas do conflito, o comandante do grande grupo de exércitos do sul, o impulsivo Budenny, querendo cobrir-se de glória, decide efectuar um ataque contra os romenos, partindo do principio de que assim cortará o abastecimento de combustível aos alemães.
Budenny, um cossaco que acredita que os tanques são como cavalos, ataca de forma desastrada e as suas tropas acabam ficando cercadas pelos alemães.

Os cercos de forças russas são aliás comuns e catastróficos durante a fase inicial da operação.
Na operação de cerco alemã entre Bialystok e Minsk, os russos são cercados e perdem 324000 homens, 3332 tanques e 1809 pelas de artilharia. Mais tarde na bolsa de Ouman, as baixas atingem 103.000 homens 317 tanques e 1.100 peças de artilharia. Os desastres sucedem-se e as perdas russas somam centenas de milhar e ultrapassam em muito um milhão, durante os primeiros 15 dias da guerra.

No entanto, embora com uma resistência desorganizada e com grandes perdas, os planos alemães começaram a apresentar problemas desde o primeiro dia, sem que estes lhes tenham dado a importância adequada. A resistência russa em grandes bolsas impedia o normal avanço das forças alemãs e os atrasos vão-se acumulando.
A operação Barbarossa, deveria estar concluída em 12 semanas, mas a 22 de Setembro, as forças alemãs ainda estavam muito longe de Moscovo e o seu avanço era cada vez mais lento.

A surpresa das armas russas também afecta psicologicamente os soldados alemães. Nos altos comandos do Reich, os tanques russos são uma surpresa, embora vários relatórios menosprezados por Hitler, tivessem deduzido que os russos tinham tanques superiores aos alemães [1].

O progresso alemão será rápido, devastador para os russos, mas encontrará pela primeira vez uma medida do que vai acontecer no futuro quando se dá a primeira grande batalha da guerra entre Alemanha e Rússia, que será a batalha de Smolensk.


Os blindados soviéticos: Algumas surpresas, outras nem tanto.

É costume referir que os alemães se surpreenderam especialmente com os carros de combate soviéticos, especialmente os T-34. ISso é verdade, embora os alemães tenham encontrado essencialmente o T-26 (que sabiam poder ser destruido facilmente pelo Panzer III) e o BT-7, que consideravam ser o carro mais dificil de abater por causa da sua rapidez.

Tanto os T-26 quanto os BT-7, ainda que melhor armados que os carros alemães foram presas fáceis, tanto dos blindados como dos canhões de infantaria de 37mm.

As surpresas
Mas se os alemães contavam com o T-26 e com o BT-7 (os quais já conheciam da guerra civil de Espanha), os carros T-34 e KV-1 constituíram uma desagradável surpresa para os alemães.



No entanto, a organização soviética, embora tivesse concentrado os T-34 em poderosas unidades blindadas, não tinha desenvolvido doutrinas que permitissem tirar vantagem das qualidades dos carros russos.

A falta de rádios, a falta de comunicações e um sistema de apoio logístico que falhou desde as primeiras horas, condenaram ao fracasso mesmo os mais poderosos carros de combate soviéticos.



[1] - Ainda em 1940, os russos foram convidados a visitar as fábricas de tanques alemães para ver os tanques Panzer IV a outras viaturas blindadas. Não contentes, os russos acusaram os alemães de estarem a esconder os tanques mais poderosos. Então, foi dada ordem para que se mostrasse tudo aos russos.
Para espanto dos alemães, os russos continuaram a afirmar que não acreditavam que os tanques que lhes estavam a mostrar (os Panzer III com peça anti-tanque de 50mm) fossem o melhor que a Alemanha tinha.

Posteriormente, num relatório alemão entregue a Hitler este episódio foi relatado, tendo sido frisado que esta recusa russa em aceitar a realidade alemã, implicava que inevitavelmente os russos sabiam que dispunham de armamentos superiores aos alemães. Hitler ignorará todos os avisos e todos os dados que foram coligidos, mas mais tarde afirmará que se soubesse que a Rússia tinha tantos tanques não teria atacado.