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17-07-1936

Este acontecimento teve inicio em: 17-07-1936 e terminou em 17-07-1936
Vencedor: Espanha Nacionalista

Forças em presença:

Espanha Nacionalista

Italia

Alemanha / III Reich

República espanhola

União Soviética



Neste dia, pode-se considerar que começou efetivamente a guerra civil de Espanha, quando no norte de África, as forças sob o comando do general Francisco Franco, passaram a controlar o Marrocos espanhol.

Nos dias anteriores, a situação política em Espanha tinha atingido um ponto explosivo. Ao governo minoritário do Partido Republicano Radical de centro-direita, que tinha governado entre 1933 e 1934 juntou-se naquele ano a CEDA. A partir de 1934 iniciou-se uma politica de contenção das reformas da esquerda. Logo nesse ano, confrontações violentíssimas nas Asturias deixaram mais de mil mortos milhares de feridos e resultaram na prisão de muitos dos líderes da esquerda.
Os partidos de esquerda viram nesta movimentação o germinar da implantação do fascismo e uniram-se para as eleições de 1936, em que a Frente Popular ganha com maioria absoluta.

O novo governo de Esquerda, radicaliza as suas posições, liberta todos os prisioneiros e o clima de tensão entre os dois blocos aumenta a cada dia que passa. Na Extremadura ocorrem levantamentos contra os proprietários rurais. O governo tenta controlar a situação, mas vê-se forçado a agir contra os seus próprios apoiantes. A coligação de esquerda ameaça fragmentar-se.

À direita, o general Mola, prepara um «pronunciamento» militar, mas não consegue coordenar todos os grupos rivais da direita.
Mas as coisas vão-se precipitar quando ao fim do dia 12 de Julho de 1936, a Falange assassina o comandante da Guarda de Assalto, Ten. José Castillo, conotado com a Esquerda.
Em retaliação a Guarda de Assalto prende José Calvo Sotelo, líder da direita politica espanhola.
Enquanto seguia num carro da Guarda de Assalto, Sotelo é assassinado por volta das 03:30 da madrugada de 13 de Julho.

O assassinato de Sotelo, foi a gota de água, que levou à guerra. A direita militar espanhola, até aí indecisa, aceita os planos do general Emilio Mola para iniciar um levantamento.

Na esquerda, os sinais são entendidos e logo no dia 13 alguns sindicatos e partidos de esquerda pedem ao primeiro ministro Casares Quiroga que distribua armas pela população, mas o chefe do governo recusa, por temer a instauração da anarquia.
Durante quatro dias, milhares de pessoas dormem nas proximidades de quarteis e nas instalações dos partidos e dos sindicatos, aguardando o que todos acreditam ser inevitável.

Golpe iniciado antes do tempo

No dia 17, a guarnição da cidade africana de Melilla revolta-se. A praça é controlada pelos golpistas que iniciaram as operações antes do previsto (a movimentação só tinha sido ordenada para o dia seguinte).
Ao iniciar o levantamento militar um dia mais cedo, a guarnição de Melilla levou a que a resposta ao golpe, começasse a ser preparada com antecipação.
O que deveria ser um golpe militar na prática falhou, porque houve tempo para organizar a resposta em grande parte do território espanhol.

A 18 de Julho, em território europeu, tropas rebeldes declaram-se favoráveis ao golpe.
As forças favoráveis aos golpistas, tomaram no norte o controlo de toda a região da Galiza, incluindo a base militar de Ferrol, no sul controlam Sevilha, e a região do estreito de Gibraltar até à fronteira portuguesa. A norte controlam também toda a região do norte de Castela e a região ocidental de Aragão [1].

Voltam a ser feitos pedidos para que o governo permita a distribuição de armamentos pelas milícias que foram sendo espontaneamente criadas pelos movimentos de esquerda e pelos sindicatos um pouco por toda a Espanha republicana. O Primeiro Ministro Casares Quiroga recusa-se a aceitar e demite-se. No mesmo dia é nomeado Diego Martinez Barrio, que se demite no dia seguinte (19 de Julho). Será substituido por José Giral, por cuja ordem se permite a entrega de armas às milícias em Madrid. No entanto, as armas já tinham começado a ser distribuidas mesmo sem autorização.

Na Catalunha, o presidente do governo regional, não autorizou a distribuição de armas, mas elas acabaram por ser distribuídas mesmo sem a sua autorização. As milícias e forças leais ao governo, fazem lograr o plano rebelde de tomar o centro de Barcelona enviando várias colunas para o centro da cidade, que se deveriam juntar no centro. Dos combates em Barcelona, resultam mais de 500 mortos, mas ao impedir a junção das colunas de rebeldes, as forças leais ao governo acabaram por impedir o triunfo destes logo no primeiro dia.


À esquerda, quando as notícias ainda davam notícia da derrota (1) do levantamento houve comemorações(2). Nos dias seguintes tudo mudou: (3) - Distribuição de armas pelos civis, em Madrid em 18 e 19 de Julho de 1936


Em 19 de Julho nas cidades das regiões mais industrializadas, como Madrid e Barcelona é evidente que o golpe falhou completamente, não só por causa das acções populares, mas também porque o governo prevendo a revolta militar tinha colocado unidades de policia que lhe eram fieis em pontos fulcrais das principais cidades com o objectivo de debelar o golpe. Ao fim do dia, a revolta triunfou em Marrocos, em Pamplona, Burgos, Valhadolid, Cádiz, Cordova, Jeres de La Frontera e Sevilha, mas falhou em Madrid, Barcelona Oviedo, Bilbao, Badajoz e Málaga.

FrancoSanjurjoMola

General Francisco Franco: O comandante das forças operacionais que se encontravam no norte de África, detem a maior porção do poder militar.

Inicialmente não é o chefe da rebelião, cargo que está reservado para Sanjurjo. Como comandante da maior força operacional rebelde, Franco é no entanto essencial para o triunfo do «Alzamiento».

General Sanjurjo: Uma das figuras mais proeminentes da revolta, é o homem que está em contacto com alemães italianos e portugueses, para pedir ajuda para o golpe.

Exilado em Lisboa é um organizador nos bastidores, responsável por pacificar as várias fações golpistas. Morrerá menos de 48 horas depois do inicio do golpe, vítima da queda do avião que o deveria transportar de Lisboa para Pamplona para assumir a liderança do movimento[4].

General Emilio Mola: Controla as tropas no norte de Espanha, mas precisa das tropas de Franco, para continuar a rebelião. É o principal artífice do golpe que levou à Guerra Civil.
Conservador republicano, Mola pretendia continuar com a República e tinha a oposição dos conservadores monárquicos.
Morrerá em Junho de 1937, também como resultado da queda do avião em que viajava.[4]


Em todos os lugares onde as forças rebeldes tomaram o controlo da situação, iniciou-se de imediato uma caça a quem quer que fosse de alguma maneira conotado com a Frente Popular [2]. A violência que imediatamente se estabeleceu e o descontrolo da situação levou a que ocorressem movimentos violentos de represália contra os movimentos opostos.

Mas a espiral de violência que começou logo nos primeiros dias da guerra, não pode ser atribuida a mais ninguém que aos militares golpistas, os quais reconheceram que foram eles mesmos que a começaram, apresentando como argumento que apenas se defendiam do que consideravam ser os crimes da república, iniciados em 1934.


A somar a isto, era evidente em 20 de Julho, que em muitos dos lugares onde a revolta franquista tinha falhado, o governo não tinha conseguido estabelecer a ordem e o poder encontrava-se na mão de milícias regionais, normalmente ligadas ou a sindicatos ou a partidos políticos.

As duas Espanhas


Distribuição das forças militares pelos dois grupos. A negro os rebeldes e a vermelho as forças do governo
Nos primeiros dias da guerra, 13 milhões de espanhóis estavam nas áreas controladas pelo governo e 11 milhões encontravam-se nas áreas controladas pelos rebeldes.

Os 60.000 homens do exército espanhol que se encontravam na peninsula e nas ilhas baleares, estavam divididos em duas partes quase iguais, mas em Marrocos, encontrava-se a mais temida e operacional força, constituida por 25.000 homens muito melhor treinados e equipados do chamado exército de África, os quais estavam completamente do lado dos rebeldes.

Em África formava-se também um corpo de elite conhecido como «La legion» ou Legião, criado por um militar com ligações ao nazismo chamado Milan Astray, conhecido pelo seu comportamento violento expresso na famosa frase que proferiu já depois do inicio do conflito: «Longa vida à Morte».

As policias também se dividiram entre os dois blocos. A Guardia Civil, constituida por 34.000 homens, dividiu-se em 20.000 para o lado do governo e 14.000 para o lado dos rebeldes. Da chamada Guarda de Assalto, constituida por 31.000 homens, 22.000 ficaram com o governo e 9.000 com os rebeldes, e dos 15.000 carabineiros, 9.000 ficaram com o governo enquanto 6.000 estavam do lado rebelde.

A marinha foi dividida de forma muito menos favorável para os rebeldes. Ficaram sob o controlo do governo, trinta e sete navios, a saber um couraçado, três cruzadores, 20 contratorpedeiros e 13 submarinos, enquanto que os rebeldes podiam contar com apenas seis navios: Um couraçado, dois cruzadores, um contratorpedeiro e dois submarinos.
O problema para a Republica, consistia em que a grande maioria dos navios tinha ficado nas suas mãos porque as tripulações não tinham aderido ao golpe, pelo que a marinha republicana tinha navios, mas não tinha suficientes comandantes à altura para a comandar.


A marinha republicana gozava de uma aparente superioridade total em termos de numero de navios. No entanto, em numero de oficiais e comandantes a situação não era a mesma



Mesmo assim, o domínio naval da república, constituiu-se no primeiro grande problema das forças rebeldes, ao controlarem as duas margens do estreito de Gibraltar, sem no entanto controlarem o mar.

Aquilo que era suposto ser um «pronunciamento» (mais um) comum na história da Espanha, por ter falhado nos primeiros dias, transformou-se na realidade numa guerra entre dois estados, e depois numa guerra entre duas formas de governo, de política e visões da sociedade. A divisão em praticamente metade das duas Espanhas, e os problemas étnicos históricos que caracterizam o país, acabou por ser a principal razão do conflito que se prolongou por praticamente três anos e que ficou com o título da mais sangrenta guerra civil na História da Europa.
1936 Guerra Civil Espanha
1936 Guerra Civil Espanha
1936 Guerra Civil Espanha
Estas três fotos, publicadas no blog, «Estudos sobre o comunismo» mostram uma aeronave Junkers Ju-52 em grande plano, duas aeronaves do mesmo tipo à distância, e aparentemente na última foto, mostram o que parecem ser aviões biplano Heinkel He-51, os primeiros caças alemães a chegar a Espanha. [3]


[1] - A região ocidental de Aragão é etnicamente de maioria castelhana, ao contrário da região oriental onde se fala catalão. O posicionamento perante os dois lados na guerra civil de Espanha, começou também desde o primeiro dia por ser uma opção das várias etnias e povos espanhóis, e não apenas uma opção política entre esquerda e direita.

[2] - A Frente Popular era uma coligação eleitoral de esquerda que tinha ganho as eleições e que se preparava para levar a efeito reformas profundas na sociedade espanhola. O golpe de Franco, é essencialmente destinado a reagir contra essas reformas, pelo que foi considerada natural a perseguição que imediatamente se iniciou com o objectivo de matar os seus representantes.

[3] - Os primeiros caças alemães chegaram a Espanha no dia 7 de Agosto de 1936, menos de um mês após o inicio do conflito.

[4] - Até hoje existem suspeitas e dúvidas sobre o acidente que vitimou o general Sanjurjo. A sua morte, ajudará a catapultar Francisco Franco para a ribalta.
A morte do general Emilio Mola em 3 de Junho de 1937 também facilitou o controlo do poder por Franco.