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Ponte aérea Marrocos-Sevilha
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29-07-1936

Este acontecimento teve inicio em: 29-07-1936 e terminou em 29-07-1936
Vencedor: Nenhum

Forças em presença:

Espanha Nacionalista

República espanhola



Neste dia, começou aquela que foi a primeira operação de transporte aéreo militar em tempo de guerra na história.

Quando as forças rebeldes do general «nacionalista/nazista» [1] Francisco Franco iniciaram o «pronunciamento» de 17 de Julho de 1936, que na prática despoletou a guerra civil de Espanha, as operações de contenção do golpe que foram levadas a cabo principalmente em Madrid e Barcelona e que permitiram ao governo da Republica Espanhola sobreviver, deixaram os «nacionalistas» em controlo de partes soltas do país, sem contacto umas com as outras.

A Espanha «Nacionalista» estava efectivamente separada em três partes, com dificuldades de contacto entre si.

A norte, sob o comando do general Mola encontravam-se forças que controlavam a Galiza e partes de Leão e Castela e até à parte ocidental de Aragão, enquanto que no Sul, estava controlado o estreito e o extremo sul-sudoeste de Espanha, onde a sua principal conquista era a cidade de Sevilha.

Como na península a situação estava mais ou menos equilibrada, com a vantagem para o governo decorrente do controlo das duas maiores cidades e dos centros industriais, tornava-se absolutamente vital para os franquistas, transportar para o território peninsular o exército de Marrocos, dado este ser a força mais bem treinada e melhor armada de todo o exército espanhol. A força dos seus 25.000 homens, se utilizada correcta e rapidamente, poderia contribuir decisivamente para garantir a vitória sobre as forças governamentais.
1936 Guerra Civil Espanha
A situação no inicio da guerra civil em Espanha. As forças de Franco revoltaram-se em Marrocos (fora do mapa) e controlam um pequeno sector a sul e o porto de Cadiz. A maior extensão de terreno está a norte e sob o controlo do General Mola. As tropas de África foram essenciais para permitir alargar a área controlada a sul.

Como a marinha rebelde tinha conseguido para o seu lado apenas sete navios de guerra (contra quase quarenta do lado republicano), Francisco Franco não se arriscou a tentar efectuar uma travessia por via marítima do seu exército de Marrocos.

1936 Guerra Civil Espanha
Fotografia tirada em Marrocos aos primeiros aviões SM-81 fornecidos por Mussolini. Dos doze aparelhos enviados para Marrocos, três perdem-se por problemas de orientação. Apenas nove aeronaves estão operacionais. Estes aviões vão servir de protecção aérea para permitir à pequena marinha franquista enfrentar a muito mais poderosa marinha da Republica.
A solução encontrada foi pedir ajuda tanto a italianos quanto a alemães.
A 22 de Julho, Franco envia um emissário a Roma, ao qual se junta um emissário do General Mola. Os italianos vacilam a inicio, mas acabam por aceitar cumprir a promessa que tinha feito em 1934 aos monárquicos espanhóis de os ajudar em caso de necessidade.
Enviam a Franco 12 bombardeiros Savoia-81.

Os alemães também receberam urgentes pedidos de auxilio tanto por parte de Franco como por parte de Mola e inicialmente os pedidos tratados a nível diplomático não foram recebidos. Franco então, beneficiando de contactos com oficiais nazis, envia a Berlim um emissário com o objectivo de falar directamente com Hitler e de lhe entregar uma missiva. Este emissário encontra-se com Hitler em 25 de Julho de 1936, sem que o ministro alemão das relações exteriores sequer tenha conhecimento.


Hitler decide apoiar Franco, enviando-lhe inicialmente uma força de aeronaves de transporte

Os alemães fornecem a Franco, seis caças Heinkel-51 e vinte aviões de transporte Junkers Ju.52.

As primeiras aeronaves atingem Marrocos em 29 de Julho, no mesmo dia em que também chegam nove dos doze bombardeiros italianos Savoia-81, tendo três deles se perdido durante a viagem e durante a aterragem.

O transporte de tropas do exército de Marrocos, começa imediatamente por via aérea, sendo os soldados transportados para Sevilha.
Ao mesmo tempo, com os bombardeiros italianos como cobertura, foi possível transportar tropas por navio, tendo os bombardeiros mantido os navios republicanos à distância.

A chegado do exército de África ao sul de Espanha, veio alterar de forma radical o equilíbrio de forças saído dos primeiros dias do pronunciamento militar e dos pequenos confrontos que se lhe seguiram. O facto de Franco ser o «escolhido» dos alemães para o envio de reforços por parte da Alemanha, também contribuiu para reforçar a posição de Francisco Franco entre os rebeldes.

A força de 8.000 homens entretanto criada, formará uma coluna sob o comando do gen. Yague, que vai marchar para norte para tomar Mérida e Badajoz e para posteriormente tentar tomar Madrid.

1936 Guerra Civil Espanha
1936 Guerra Civil Espanha
1936 Guerra Civil Espanha
Estas três fotos, publicadas no blog, «Estudos sobre o comunismo» mostram uma aeronave Junkers Ju-52 em grande plano, duas aeronaves do mesmo tipo à distância, e aparentemente na última foto, mostram o que parecem ser aviões biplano Heinkel He-51, os primeiros caças alemães a chegar a Espanha. As fotos foram tiradas no aeroporto de TABLADA em Sevilha.[2]



[1] Discute-se com alguma propriedade se é aceitável referir Francisco Franco como Nazista, porquanto os seus pontos de vista e a evolução do Estado Espanhol franquista depois da Guerra Civil e depois da II Guerra Mundial, parecem mostrar que Franco não era um Nazista na verdadeira acepção do termo. Porém consideraram-se três ordens de razões para justificar a designação:

a) - Havia dois líderes na Espanha nacionalista. Um deles era o General Mola, e o outro Francisco Franco.
Enquanto Mola tinha claramente o apoio da Itália Fascista, Franco tinha o apoio directo do próprio Adolf Hitler.
É o apoio de Hitler que levará a que Franco ganhe ascendente sobre Mola, até à morte deste (o principal rival de Franco entre os nacionalistas) em circunstâncias estranhas em Junho de 1937.
b) - Francisco Franco, até 1941, nunca escondeu o seu alinhamento com Adolf Hitler e com o Nazismo, considerando-se que apenas o facto de a Alemanha ter começado a demonstrar não ser capaz de vencer a guerra levou a que se começasse a distanciar do dirigente alemão.
c) – Nazi, é uma abreviatura de Nacionalista em alemão, e Nacionalista ou Nacional, é exactamente a designação que os rebeldes escolheram para si próprias.
[2] Foto retirada do site Estudos Sobre o Comunismo