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Cruzador blindado - Scharnhorst (1906)


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Batalha de Coronel
I Guerra Mundial
01-11-1914

Este acontecimento teve inicio em: 01-11-1914 e terminou em 01-11-1914
Vencedor: Alemanha

Forças em presença:

Império Alemão

Reino Unido



Quando começou a I Guerra Mundial, havia no extremo oriente uma pequena esquadra de navios da Alemanha Imperial (II Reich).
A esquadra era composta por dois navios gémeos, os modernos cruzadores protegidos, Scharnhorst e Gneisenau [1] e pelos cruzadores ligeiros Emden, Dresden, Leipzig e Nurenberg. O comandante da pequena esquadra era o almirante Maximilian von Spee, que navegava a bordo do Scharnhorst.

Cerca de um mês antes do inicio da guerra, a esquadra tinha recebido ordens para se dirigir da sua base no porto de Tsingtao no sul da China para o Pacífico Sul. Quando a guerra começou, o comandante alemão decidiu dirigir-se para águas da América do Sul, onde poderia obter abastecimentos em países neutros, ao mesmo tempo que se afastava da zona de influência da poderosa esquadra Japonesa, dado o Japão ser aliado da Grã Bretanha.

O mais rápido navio da pequena esquadra, o Emden recebeu no entanto ordem para voltar para trás para atacar os navios mercantes britânicos no Indico[2].

Sabendo que os alemães tinham enviado a sua esquadra da Ásia para as águas do Atlântico sul, os britânicos enviaram vários navios para a sua base em Port Stanley nas ilhas Falkland, ao largo da costa da Argentina.
Alguns deles receberam ordens para passar o cabo Horn, dirigindo-se para as costas do Chile. Dois cruzadores, um cruzador ligeiro e um cruzador auxiliar, o OItranto, que era nada mais que um navio de passageiros com alguns canhões instalados, e que foi utilizado apenas para detectar o inimigo, tendo depois saído da área à velocidade máxima.

O envio das forças foi apressado e foram enviados navios com tripulações de reservistas que tinham pouco treino. O navio almirante era o velho cruzador Good Hope [3], apoiado pelo cruzador Monmouth [4]

Estes navios britânicos tinham sido colocados na reserva e reactivados de emergência quando a guerra começou. Armados com canhões antigos e essencialmente de calibre 152mm colocados nos costados e numa posição tão baixa que impedia parte dos canhões de sequer disparar, os navios estavam em desvantagem perante os oito canhões de 208mm de cada um dos dois cruzadores alemães.

No entanto, a pressa britânica em enviar contra os alemães os navios que estavam disponíveis, justificava-se depois de se ter visto o que era possível fazer com apenas um cruzador (Emden). O objectivo dos britânicos era o de pelo menos inflingir alguns danos nos navios alemães, os quais a grande distância da sua base e sem grandes possibilidades de efectuar reparações, acabariam por ser condenados.

É por causa da pressa e da urgência que a força britânica não utilizou o couraçado HMS Canopus que estava nas Falkland e que estava armado com quatro canhões de 305mm. Contra a utilização do Canopus jogou o facto de o navio ter uma velocidade máxima de 18 nós o que tornaria a força britãnica bastante mais lenta.

Dos navios britânicos, o mais rápido era o cruzador ligeiro Glasgow (26 nós) que recebeu ordens claras para se afastar dos alemães no caso de os principais navios serem atingidos.

As duas esquadras avistaram-se ao largo da costa chilena junto à ilha de Coronel por volta das 16:30 e a batalha começou ao por do sol por volta das 19:00. Os navios britânicos estavam a ocidente dos navios alemães, pelo que àquela altura recortavam-se contra o por do sol, sendo assim muito mais fáceis de distinguir pelos artilheiros alemães. Ao contrário os navios alemães era dificeis de distinguir contra a penumbra da noite que começava a despontar a leste.

A batalha durou apenas uma hora, e a superioridade dos alemães foi clara, especialmente porque os seus artilheiros estavam muito melhor treinados e a cadência de tiro dos navios alemães era em média três vezes mais rápida que a dos navios britânicos. No final do combate os dois maiores cruzadores britânicos tinham sido colocados fora de acção pelos canhões alemães. O Good Hope afundou-se às 19:57 e o Monmouth às 21:18 tendo o cruzador Glasgow conseguido escapar por causa da sua superior velocidade.
Os dois cruzadores blindados britãnicos afundados em Coronel

Com uma vitória tão retumbante, o comandante Graf von Spee, decidiu contornar o cabo Horn e rumar às ilhas Falkland para ali destruir o posto naval britânico, reabastecer com carvão e tornar de volta à Alemanha. (ver Batalha das Falkland)




[1] Cada um dos cruzadores desta classe estava equipado com oito canhões de 208mm e seis canhões de 152mm. Os navios tinham um deslocamento de 12.781 toneladas.
[2] O Emden viria a participar numa dramática odisseia em que viajou sozinho durante vários meses no Pacífico ocidental e no Índico destruindo vários navios britânicos até ter detectado por um navio australiano. O Emden foi atacado apenas três horas após ter chegado a uma ilha em que pretendia reabastecer. O Emden calculou mal a presença de transmissões rádio e previu que navios aliados estivessem a 400Km de distância, quando na realidade se encontravam a 80Km. O navio foi atacado por um cruzador australiano equipado com canhões de 152mm e 14Km de alcance , aos quais só podia responder com os seus canhões de 104mm e 8Km de alcance.

[3] O Good Hope, era um cruzador de 14.100 toneladas com dois canhões de 236mm, 16 canhões de 152mm e 15 canhões mais pequenos. O navio poderia atingir 23 nós.
[4]O Moonmouth deslocava ligeiramente menos de 10.000 toneladas e tinha 14 canhões de 152mm e em teoria poderia atingir 23 nós.