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Armas e equipamentos relacionados

Couraçado «Pré Dreadnought» - Canopus

Cruzador de batalha - Invincible (1909)

Cruzador blindado - Scharnhorst (1906)


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Batalha das Falkland
I Guerra Mundial
08-12-1914

Este acontecimento teve inicio em: 08-12-1914 e terminou em 08-12-1914
Vencedor: Reino Unido

Forças em presença:

Império Alemão

Reino Unido



A batalha das Falkland, entre a Royal Navy e a Kriegsmarine, ao largo das ilhas de mesmo nome, ocorre na sequência da batalha de Coronel, em que a pequena força naval alemã comandada por Maximilian von Spee poucos meses após o inicio da I guerra mundial, afunda dois cruzadores blindados britânicos numa batalha que durou apenas uma hora.

Animados com a facilidade da sua vitória os alemães decidem rumar a sul, dobrar o cabo Horn inflectindo depois para norte em direcção às ilhas Falkland, onde se encontra a pequena base de reabastecimento da Royal Navy. Tomando aquela base, será possível utilizar o carvão para reabastecimento, e dali rumar para norte para atingir a Alemanha.

No entanto, sem que os alemães tivessem conhecimento, os britânicos estavam a desenvolver esforços para não permitir que os navios alemães alguma vez voltassem a casa.

Assim, além do couraçado pré-Dreadnought HMS Canopus e de alguns cruzadores que se encontravam em no Atlântico Sul, foram despachados para as Falkland em 11 de Novembro (dez dias depois da batalha de Coronel) dois poderosos cruzadores de batalha, o HMS Invincible e o HMS Inflexible, antecipando a possibilidade de os alemães se decidirem por aquela rota.

O HMS Canopus recebeu ordem para encalhar em Port Stanley, e para utilizar os seus canhões como bateria de artilharia estacionária para a defesa do porto.
Os cruzadores de batalha britânicos enviados como reforço chegaram a Port Stanley no dia 7 de Dezembro de 1914.

Os navios chegaram exactamente a tempo.

Pelas 08:00 da manhã do dia 8 de Dezembro de 1914, um cruzador alemão enviado para observar as ilhas, detecta por detrás das colinas que circundam o porto os mastros em tripé de navios ancorados em Port Stanley. O comandante alemão dá ordem para que o navio gire violentamente em direcção a sul, pois tinha interpretado correctamente o que significava a presença de navios com mastros altos em tripé:
Significavam a presença de couraçados ou cruzadores de batalha britânicos, navios muito mais poderosos que os da esquadra alemã.


O almirante Graff Spee, comandante da força alemã.
Mas os britânicos também tinham detectado a aproximação dos navios alemães e deram ordem imediata para preparar a saída do porto, tentando evitar que os alemães tivessem tempo para posicionar os seus navios para concentrar o fogo à saída do porto quando os navios ingleses saíssem de Port Stanley em fila.

Os cruzadores de batalha tinham chegado no dia anterior e não estavam prontos para sair. Por isso só por volta das 10.00 da manhã (duas horas depois de os alemães terem sido avistados) saíram do porto, juntamente com os cruzadores protegidos que também se encontravam em Port Stanley.

Decisão alemã

Quanto à esquadra de von Spee, que contava não encontrar resistência à altura nas Falkland, era fácil de entender que não teria qualquer possibilidade de enfrentar os britânicos. Os dois cruzadores de batalha, eram capazes de atingir 26 nós e estavam armados com oito canhões de 305mm e 16 de 102mm.

Na foto de cima o HMS Inflexible: Canhões de 305mm e velocidade superior.
Na foto de baixo o cruzador blindado Scharnhorst: Canhões de 210mm


A decisão alemã, é por isso razoável. Spee tentará escapar. Por volta das 11:00, à vista dos navios britânicos, os alemães inflectem para leste tendo começado a perseguição. Os navios alemães eram em teoria apenas ligeiramente mais lentos que os navios britânicos, mas o facto de estarem há muito tempo na água e de terem por isso o casco cheio de algas e incrustações marinhas, a sua velocidade máxima não podia ser atingida.

Por volta das 13:00 o cruzador ligeiro alemão Leipzig começa a ficar para trás e o Inflexible abriu fogo sobre ele a cerca de 15.000 metros de distância.
Para tentar proteger os navios mais pequenos, von Spee dá ordens aos cruzadores blindados Scharnhorst e Gneisenau para inflectirem para nordeste para dar batalha ao Inflexible emitindo simultaneamente ordens para os cruzadores mais pequenos se espalharem e tentarem atingir a Alemanha cada um por si.

Perante o contra-ataque alemão, os dois cruzadores de batalha britânicos, sabendo que eram mais poderosos e mais rápidos inflectiram também, para evitar que os alemães os pudessem atingir com os seus canhões de 210mm, mantendo porém o fogo da sua própria bateria principal que tinha maior alcance.

Desta forma, mantendo a distância o resultado era inevitável, o Scharnhorst foi o primeiro a ser atingido e o primeiro a ser afundado, por volta das 16:17. O Gneisenau resistiu mais tempo, mas acabou por se afundar por volta das 18:00.

Dos cruzadores ligeiros alemães, o Nuremberg foi afundado pelas 19:27 e o Leipzig teve o mesmo destino por volta das 20:35.

O cruzador Dresden escapou à batalha, dirigindo-se para a Tierra del Fuego onde se refugiou nos fiordes, sendo no entanto capturado três meses mais tarde pelos cruzadores Kent e Glasgow.

A batalha das Falkland foi a última batalha naval entre navios de grandes canhões, onde não houve influência das novas tácticas de guerra que implicaram a utilização de torpedeiros, contra-torpedeiros, submarinos ou aviação.

A batalha demonstrou também que a capacidade de Royal Navy para controlar o mar, era um prenuncio do desfecho da guerra, quatro anos mais tarde.

Sinais preocupantes
Mas embora a vitória da Royal Navy tenha sido retumbante, os analistas mais informados tiraram conclusões algo diferentes daquelas que passaram para a opinião pública.
Entre o inicio e o fim da batalha, decorreram mais de cinco horas. Este longo periodo de tempo em que os britânicos perseguiram os alemães, aparenta ter demonstrado a má qualidade do treino da marinha britânica, já que na batalha de Coronel os alemães tinham afundado um esquadrão britânico em uma hora.
Ainda que as condições fossem diferentes (os alemães estavam literalmente a fugir dos ingleses a grande velocidade) levantaram-se dúvidas quanto a falta de prática de tiro das tripulações.

Além disso, durante o recontro das Falkland, as guarnições dos cruzadores de batalha britânicos, afirmaram que se aperceberam que a blindagem dos navios estava a ser perfurada por alguns tiros certeiros dos navios alemães.

Isto era uma demonstração de que, ao contrário do que se afirmava no almirantado britânico, o conceito do cruzador de batalha (navio poderosamente armado mas fracamente blindado) deixava muito a desejar.