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Primeira invasão francesa (II fase)
Guerras napoleonicas
01-06-1808

Este acontecimento teve inicio em: 01-06-1808 e terminou em 01-06-1808
Vencedor: Reino Unido

Forças em presença:

França

Reino de Portugal

Reino Unido



A segunda fase da primeira invasão francesa, tem inicio em junho de 1808 e está ligada aos acontecimentos em Espanha, país que inicialmente era um aliado da França, por intermédio do renegado «Manuel Godoy», amante da rainha de Espanha e generalíssimo dos exércitos. Este indivíduo, utilizou a sua influência sobre a rainha e indirectamente sobre o rei de Espanha e depois de um golpe palaciano em que o pai abdica em favor do filho os dois são enviados a Bayonne na França, onde foram aprisionados. A coroa espanhola entregue a Napoleão. A Espanha perdia tecnicamente a independência e deixava de existir como Estado.
Embora parte da sociedade espanhola, especialmente na Catalunha não se tenha preocupado muito com o aprisionamento do monarca e com a situação gerada pela mudança, os sectores mais conservadores em Castela dispuseram-se a lutar contra os franceses, tendo parte das forças militares espanholas passado para o lado dos revoltosos.

No inicio de Junho, o comandante das forças espanholas que ocupavam o Porto adere à revolta e com as suas tropas abandona a cidade em direcção à Galiza.

De imediato a bandeira portuguesa é hasteada no castelo de S. João da Foz, mas a falta de armas impediu a continuação da revolta. Esta, só ocorrerá no Porto em 18 de Junho, quando um desacato leva a população a atacar os franceses e a apoderar-se da sua artilharia.

A invasão franco-espanhola esfuma-se. A saída das tropas de ocupação espanholas do Porto deixa os franceses sozinhos. No entanto, estes continuam a ser demasiado poderosos para poderem ser confrontados.
Em Lisboa, as forças espanholas de ocupação reuniram-se no Terreiro do Paço com o objectivo de voltar a Espanha, mas os franceses cercaram-nos e aprisionaram-nos antes que qualquer evacuação fosse possível. Os franceses procedem de forma idêntica com outras guarnições espanholas que ocupavam Portugal.

Durante todo o mês de Junho, a revolta dos portugueses assume então um carácter popular e começam revoltas contra os franceses em todo o país. As revoltas populares são no entanto desorganizadas e com chefes locais, sem qualquer capacidade para efectivamente enfrentar um exército estrangeiro. Em Chaves, reúnem-se militares do exército português entretanto dissolvido pelos franceses. Durante o mês de Junho quase todo o país está em revolta contra os franceses.

Em Coimbra, igualmente se rende uma pequena guarnição francesa e os estudantes aderem à revolução, sendo o governo da cidade entregue ao vice-reitor da Universidade.
De Coimbra as forças populares entretanto organizadas, dirigem-se à Figueira da Foz numa coluna que foi engrossando pelo caminho atingindo um total de 3.000 homens, que forçam a guarnição francesa a render-se.

A revolta portuguesa contra os franceses, é no entanto acima de tudo uma revolta das populações. Salvo o caso de Coimbra, não está enquadrada nem por militares nem organizada ou controlada pelas elites dirigentes que tinham aceite a dominação francesa.

A resposta francesa tenta debelar de forma exemplar as várias revoltas.
A resposta francesa
Em Julho, as forças francesas passam à ofensiva em vários pontos da península ibérica. Embora derrotadas pelos restos do exército espanhol na batalha de Bailen, as forças francesas continuam poderosas. Em 20 de Julho, o general Loison ataca Beja. A cidade resiste mas acaba por ser vencida a 29 de Julho.

Em Lisboa, estava o maior contingente francês, que desde o inicio do ano temia a possibilidade de um desembarque dos ingleses, que contando com o apoio da população portuguesa poderiam tornar-se uma ameaça.

Assim, com o objectivo de apoiar a revolta em Portugal e na Espanha, os britânicos enviaram uma força com esse objectivo. Essa força dirigiu-se à cidade de Corunha, mas não foi ali bem recebida e continuou a sua viagem para Sul, tendo iniciado o seu desembarque na Praia de Lavos, na Figueira da Foz em 1 de Agosto de 1808.

O apoio britânico

As forças britânicas totalizavam 14.000 homens e aos britânicos juntam-se tropas portuguesas vindas do Porto, mas a qualidade, o treino e o quase inexistente armamento fizeram com que esta força fosse de pouca ou nenhuma utilidade militar. O General Gomes Freira, comandante das forças portuguesas não concorda com a estratégia a seguir e retira-se com as suas tropas para Leiria, enviando aos britânicos uma força simbólica de 2.500 homens que vão participar na batalha contra os franceses.

A chegada dos britânicos, vem alterar o balanço das forças em Portugal.
Estes, enviam uma força de 4.000 homens comandada pelo general Dalaborde para enfrentar os britânicos. A força de Delaborde é pouco numerosa, mas conta com mais experiência que os militares do grosso do exército francês, que são na sua maioria alemães desertores, italianos dos reinos recentemente tomados por Napoleão.
Mas Delaborde é derrotado pelos ingleses em Roliça, a sul das Caldas da Rainha a 19 de Agosto.

Em 21 de Agosto, finalmente as forças britânicas encontram o grosso das tropas francesas em Vimeiro. Os britânicos assumiram então posições defensivas e embora as tropas francesas tenham atacado as posições britânicas com grande violência, não conseguiram desaloja-las. Sem grandes opções os franceses retiram para Torres Vedras e daí para Lisboa.
Quando chegam a Lisboa os franceses afirmam ter ganho o combate, mas era evidente que isso não tinha acontecido. Não só os britânicos não tinham sido derrotados como controlavam o mar.

Mas as más noticias não se ficaram por ali. Bloqueados pela frota britânica por mar os franceses , receberam a notícia de que forças do general Loison tinham sido derrotadas por unidades portuguesas armadas de paus, forquilhas e utensílios agrícolas na região de Abrantes, posição absolutamente vital para manter o abastecimento do exército de Junot.
O exército francês em Lisboa estava encurralado!

Os franceses propõem a retirada sem vencedores nem vencidos e assinam um acordo em Sintra com os ingleses, segundo as cláusulas do qual os franceses serão retirados por mar, podendo levar todo o valor das suas pilhagens e roubos em Lisboa. Todo o produto dos roubos e das pilhagens levados a cabo pelos franceses é assim levado pelos derrotados sem se disparar um tiro.