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Batalha de Corunha
Guerras napoleonicas
16-01-1809

Este acontecimento teve inicio em: 16-01-1809 e terminou em 16-01-1809
Vencedor: França

Forças em presença:



A batalha que terminou em 16 de Janeiro de 1809 na cidade galega de Corunha, pode ser considerada no âmbito da guerra peninsular como o último episodio do que os portugueses chamam de primeira invasão francesa, e implicou, ainda que com sucesso, a evacuação das forças britânicas do norte da península ibérica. É também na sequência destes acontecimentos que ocorrerá depois o acontecimento que os portugueses referem como «segunda invasão francesa».

Alguns meses antes, em 18 de Outubro de 1808, sob o comando de Sir John Moore (que era o responsável máximo pelas forças britânicas na Península Ibérica [1]), o exército britânico em Portugal, constituído por 20.000 homens marchou para nordeste em direcção ao noroeste de Espanha, após se ter estabelecido o controlo no centro e sul de Portugal.

A alteração política na peninsula ibérica, tinha-se tornado contrária a Napoleão e os britânicos contavam poder fazer frente aos franceses com o apoio do exército espanhol.

A força de 20.000 homens, foi dividida em três colunas por causa da informação que os ingleses tinham sobre a qualidade das pontes entre Almeida e Salamanca (Foi posteriormente verificado que a informação não estava correta).

Foram assim enviadas forças na direcção de Elvas e outras que entraram em Espanha por Alcântara, mas que também tinham como objectivo atingir Salamanca.

Pasa se juntar a este exército de 20.000 homens, tinha sido enviado desde Inglaterra para o norte de Espanha, uma força militar de aproximadamente 15.000 homens comandada por Baird, a qual deveria após desembarque no porto de Corunha, marchar para sudeste para igualmente se juntar às forças de John Moore.

Esta força de 35.000 homens, deveria juntar-se ao exército espanhol, que se contava tivesse reunido pelo menos 120.000 homens. Uma força desta dimensão deveria poder enfrentar os franceses.

Sir John Moore, comandante das forças britânicas que morreu no combate final em Corunha
Esta junção e colaboração, passara a ser possivel por causa da revolta dos espanhóis contra Napoleão e o novo rei espanhol, José Bonaparte.

Porém, a altura do ano em que as decisões foram tomadas (inicio do Outono), levou a que a campanha decorresse com condições atmosféricas muito desfavoráveis.
A rede de estradas e o ineficiente suporte logístico, juntos com a necessidade de combater em zonas montanhosas e de difícil acesso e praticamente sem sistema de comunicações, levou a que por exemplo, as forças britânicas continuassem a avançar até Salamanca sem conhecimento do que ocorria no resto da península.

Napoleão destroi exército espanhol

Na verdade, Napoleão tinha chegado a Bayonne em 3 de Novembro à frente de uma força de elite, um exército com 70.000 homens, o qual podia ainda contar com várias outras forças francesas que totalizavam quase 170.000 homens, perfazendo um total de 240.000 franceses na península.

Contra a elite francesa, os espanhóis tinham reunido quatro forças principais ao longo do rio Ebro, que estavam ordenadas de noroeste para sudoeste da seguinte forma:

General Joaquin Blake: 25.000 homens
General Belvedere: 19.000 homens
General Castanhos: 31.000 homens
General Palafox: 45.000 homens

Mas entre 7 e 13 de Novembro as forças de Joaquin Blake e de Belvedere a norte são esmagadas por Napoleão e deixam a «porta aberta» para a entrada das forças francesas circundando os exércitos dos generais Castanhos e Palafox. As tropas napoleónicas tomam rapidamente Burgos, que era inicialmente o ponto de encontro entre as forças britânicas e as forças espanholas.

A 22 de Novembro a coluna de Baird, que tinha desembarcado na Corunha chega a Astorga.
A 26 de Novembro Sir John Moore decide que não tem condições para prosseguir e toma a decisão de voltar para Lisboa.
A 30 de Novembro, Napoleão está às portas de Madrid

Tropas espanholas não se reorganizam

A 5 de Dezembro os britânicos são convencidos de que as tropas espanholas que restaram se voltaram a reorganizar e que a população vai resistir aos franceses, mas cinco dias depois, o comando britânico é informado de que Napoleão entrou em Madrid no dia 4, sem qualquer oposição.

O comando inglês, por um lado não queria dar a impressão de cobardia e voltar para trás mas por outro lado estava consciente da sua condição precária, da falta de víveres e de mantimentos que levavam os militares britânicos a roubar os civis espanhóis para sobreviver.

Espanha não tem estrutura militar organizada

Para piorar as coisas, Sir John Moore cedo entendeu, que a Espanha carecia de uma organização militar centralizada e que era impossível organizar as suas tropas em coordenação direta com os espanhóis
A desconfiança dos espanhóis relativamente aos ingleses era ainda maior que a que sentiam relativamente aos franceses.

Com este quadro geral, e com Napoleão a controlar Madrid desde o inicio de Dezembro, Sir John Moore decidiu a 10 de Dezembro que ainda seria possível dar alguma luta aos franceses, quanto mais não fosse cortando as linhas de comunicação e abastecimento dos franceses.
Com este objectivo ele manda o seu exército avançar para nordeste na direcção de Valladolid, mas à medida que o tempo vai passando, e as informações bão chegando, começa a entender que o total das forças francesas não é de 80.000 como inicialmente se pensava. Sabe-se então que o número de franceses poderia atingir 240.000.

O objectivo a atingir pela força é posteriormente alterado para Sahagun (Sagunto) quando chegam informações de que uma força de 18.000 franceses comandados por Soult se encontra relativamente isolada no norte de Espanha, tornando-se num alvo fácil.

Mas quando finalmente as primeiras forças britânicas chegam ao contacto com os franceses de Soult, os planos são novamente alterados. O ataque às forças de Soult é cancelado porque surgem notícias de que a sul, vindo de Madrid o grosso do exército de Napoleão dirige-se a Valhadolid [2]

A movimentação do principal exército britânico a vermelho e as forças que desembarcaram na Corunha para se lhes juntar.


Sir John Moore toma a decisão de retirar em direcção à cidade galega de Corunha passando por Astorga.
Por um lado, com essa acção ele poderia atrair as forças francesas comandadas pelo próprio Napoleão e evitar que se dirigissem a Lisboa, onde as forças portuguesas e inglesas não teriam capacidade para se defender. Por outro lado, avançando para a Corunha, isso tornaria uma possível evacuação mais simples, porque a distância das costas da Inglaterra seria menor.

Napoleão vai em sua perseguição e as forças francesas movem-se com impressionante rapidez e a 1 de Janeiro, Napoleão entra em Astorga, no mesmo dia em que os britânicos passam por Villafranca.

Ocorre que entretanto, chegam a Astorga notícias de que a Áustria se prepara para a guerra contra a França. Esta notícia e as inundações com que se deparou, levam o líder francês a voltar para trás e a deixar o comando directo das forças.

Este dia no início de 1809 marca a data da retirada britânica através do porto da cidade da Corunha, que deste modo permitiu preservar uma considerável quantidade de homens que posteriormente lutariam noutras frentes.
No entanto, e embora se possa considerar um sucesso, a retirada de Salamanca em Janeiro de 1809 não deixa de ser, se bem que noutra dimensão idêntica à retirada de Dunkerque em 1940.

É importante notar, que na defesa das linhas exteriores de defesa da cidade e enquanto se prosseguia com o embarque, morreu o próprio Sir John Moore.
Os britânicos sofreram um número de baixas que se calcula entre 4000 e 6000. 800 baixas foram resultado da batalha final. A defesa final dos navios britânicos foi entretanto garantida pelas forças espanholas nas fortalezas da cidade.

A batalha pela defesa da cidade, enquanto se permitia às forças britânicas escapar da pressão dos franceses foi aliás um sucesso do ponto de vista dos britânicos mas não deixa também de ser um sucesso do ponto de vista francês, uma vez que tomaram posse da cidade e de grande quantidade de material de guerra britânico.



[1]Depois de derrotada a primeira invasão francesa, as forças britânicas presentes na Península Ibérica ficaram sob o comando, de John Moore porque parte dos comandantes britânicos foram chamados a Londres para responder em Tribunal, por causa dos termos em que foi negociada a paz com os franceses na convenção de Sintra, termos esses que permitiram que as forças francesas abandonassem Portugal transportando grande parte do saque de palácios museus e igrejas, de onde os franceses roubaram quantidades inimagináveis de ouro, prata e outras preciosidades.

[2] Napoleão dirige-se a Valhadolid, porque acredita que é ali que está o grosso das forças britânicas, quando estas já se encontravam bastante a norte dessa cidade.