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Conferência de Wannsee
II Guerra Mundial / Frente Ocidental
20-01-1942

Este acontecimento teve inicio em: 20-01-1942 e terminou em 20-01-1942
Vencedor: Nenhum

Forças em presença:



Ocorreu neste dia, uma conferência em que participaram os mais altos dignitários da Alemanha nazi, e na qual se pretendia decidir o que fazer com os judeus que durante os anos anteriores tinham sido colocados em campos de concentração.

A política racial de Hitler, que foi uma das armas que utilizou para unir os alemães depois de ter chegado ao poder, tinha criado um problema de solução complexa. Tinham sido criados grandes ghetos, e campos de concentração de judeus, que não tendo meios de subsistir com economia própria estavam a atingir um ponto de rotura.

Não se sabe se Adolf Hitler teria desde o inicio intenção de mandar matar todos os judeus. Tal possibilidade não é das mais credíveis, pois Hitler quando escreveu o livro Mein Kampf (A minha luta) é explicito relativamente ao destino da Alemanha, frisando que o país se deve expandir para leste em busca daquilo que chamou «lebensraum» ou Espaço Vital.

Quando invadiu a União Soviética em 22 de Junho de 1941, Hitler afirmava que a Rússia não passava de uma barraca podre que ruiria com a guerra. O país desapareceria e provavelmente milhões de eslavos indesejados também pereceriam ou seriam empurrados para os confins da Sibéria.

A solução mais barata para os nazis, tendo que resolver o problema judeu, seria naturalmente a de mandar os judeus marchar para leste, através de uma URSS derrotada, e deixa-los do lado de lá dos Urais, onde de qualquer forma a maioria morreria à fome e de frio.

Mas a contas de Hitler não estavam certas e a resistência da União Soviética foi muito maior que o esperado. Quando chegou o final de 1941 uma primeira grande ofensiva soviética, destinada a libertar Moscovo do risco de ser tomada, mostrou que a guerra seria longa, muito longa.

Não tendo forma de se livrar dos judeus de uma forma relativamente simples e barata, expulsando-os para os confins da Ásia, os dirigentes nazis tinham que encontrar uma solução urgentemente, pois sendo previsível o arrastar do conflito, não tendo sido possível derrotar a Grã Bretanha, que continuava a dominar os mares e com uma União soviética que não tinha caído como previsto, a Alemanha corria o risco de ter que sustentar os judeus que tinha segregado.

Do ponto de vista dos dirigentes nazis, a situação piorava à medida que os judeus que tinham podido manter alguns dos seus pertences, jóias e dinheiro, iam exaurindo o resto dos seus recursos, passando a ser um enorme empecilho que não lhes permitia ter qualquer lucro.

É assim que em Wannsee, um subúrbio da cidade de Berlim, ocorre no ionicio de 1942 uma reunião para determinar o que fazer com os Judeus.

Existem várias versões sobre o que terá originado a conferência, e alegadamente Hitler terá dado a entender, sem que nunca tenham sido produzidos documentos, que o «Fuhrer» do Reich, queria resolver o problema judeu, porque também necessitava «limpar» as áreas com judeus no enorme espaço correspondente à Rússia europeia. No entanto, Hitler era igualmente xenófobo no que respeitava aos povos eslavos, os quais também teriam que ser expulsos.
Mas os povos eslavos encontravam-se naquele momento nua zona de guerra e Hitler não mandou fazer planos para determinar a melhor forma de a Alemanha se ver livre dos eslavos.

Então, não é por isso impossível concluir que a conferência de Wannsee ocorre porque a guerra não está a correr bem na Rússia e porque apenas algumas semanas antes as tropas alemãs tinham pela primeira vez sido forçadas a recuar em toda a linha na frente de Moscovo.

Não há documentos escritos que possam permitir concluir o envolvimento directo de Hitler, mas a forma como descreve os judeus e os seus planos para a grande Alemanha que se extenderia até aos Urais, não pode deixar grande espaço ás dúvidas sobre se Hitler achava ou não que se tinha que ver livre dos judeus.

Obergruppenfuhrer Heydrich: Organizador da conferência
Já se Hitler os pretendia matar ou não, isso é ainda mais enigmático, pois para os nazis, a solução mais simples seria sempre a solução mais barata. MAS a solução barata tornou-se inviável com a resistência russa e por isso a outra solução final só podia ser uma.

Sem poder expulsar os judeus e sem os poder reintegrar na sociedade a única solução era mata-los a todos.

A reunião em si, terá demorado apenas uma hora e meia, e o resultado da análise feita pelos altos dignitários nazis, foi de que era necessário organizar de forma metódica precisa e industrial, a destruição física dos judeus na Europa, não só aqueles que estavam em áreas ocupadas pelos alemães, mas também aqueles que estavam em países neutros ou não ocupados.

As estatísticas alemãs sobre os judeus na Europa dividiam-nos em dois grupos.
Um primeiro grupo referia-se aos que estavam directa ou indirectamente sob controlo alemão, ou onde a Alemanha tinha capacidade para os controlar.

Governo geral da Polónia: 2,284,000
França ocupada:165,000 e Vichy: 700,000 (total 865,000)
Territórios do leste (URSS ocupada): 420,000
Cidade de Byalistok: 400,000
Holanda: 160,800
Alemanha: 131,800
Protectorado da Boémia-Morávia (Rep. Checa): 74,200
Grécia: 69,600
Dinamarca: 5,600
Áustria: 43,700
Bélgica: 43,000
Lituania: 34,000
Letónia: 3,500
Noruega: 1,300

Uma segunda lista, fazia o levantamento dos judeus presentes em outros países da Europa, fora do controlo directo dos alemães e apontava os seguintes números:

União Soviética: 5,000,000
Hungria: 742,800
Roménia (e Bessarabia): 342,000
Reino Unido: 330,000
Eslováquia: 88,000
Itália: 58,000
Turquia: 55,500
Bulgária: 48,000
Croacia: 40,000
Suiça: 18,000
Sérvia: 10,000
Suécia: 8,000
Espanha: 6,000
Irlanda: 4,000
Portugal: 3,000
Finlandia: 2,300
Albânia: 200

Nos documentos que saíram da conferência não se faz referência explicita à expressão morte, extermínio ou deportação.
São utilizados eufemismos como realojamento e «solução final». Solução final, é no entanto uma expressão absolutamente clara das intenções dos líderes nazistas, quando se analisa o que o próprio Hitler escreveu na obra que foi durante anos apontada como uma das bases do próprio sistema.

Meink Kampf, é deste ponto de vista, uma clara prova de culpa, em conjunção com as ocorrências até ao final de 1941, quando a solução final deixou de ser possível sem o extermínio físico e a execução de Judeus nos campos de morte.

Mesmo que não houvesse uma única prova do Holocausto, o decorrer dos acontecimentos e as palavras de Hitler, apontam para uma única direcção.

A partir da conferência de Wannsee são despoletados os procedimentos e as pesquisas que vão levar à morte de milhões de pessoas nas câmaras de gás, em vários lugares da Europa durante a fase final da II guerra mundial.