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Carro de combate médio - A7V «SturmPanzer Wagen»


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Operação Michael: A última ofensiva
I Guerra Mundial
21-03-1918

Este acontecimento teve inicio em: 21-03-1918 e terminou em 05-04-1918
Vencedor: Nenhum

Forças em presença:



Em 21 de Março de 1918, teve inicio a primeira de uma série de ofensivas alemãs, que foram parte do último esforço da Alemanha durante a I guerra. Com esta ofensiva os alemães pretendiam terminar a I guerra mundial, antes que os reforços norte-americanos começassem a chegar em força à Europa. Os alemães contavam com a superioridade numérica permitida pela transferência de grandes quantidades de tropas vindas da frente leste.

Tal superioridade, foi o resultado da movimentação militar e diplomática da Alemanha a leste, apoiando a facção bolchevique comandada pelo líder comunista russo Lenine. Ao apoiar Lenine, a Alemanha garantiu assim a retirada da Rússia da guerra, o que lhe permitiu transportar um grande número de divisões para ocidente.

A Operação Michael, é a primeira de um total de cinco ofensivas alemãs, que tentam desarticular as defesas dos aliados.

O objectivo desta primeira ofensiva, que foi levada a cabo por 58 divisões alemãs que se lançaram sobre um sector defendido por 16 divisões britânicas, era o de isolar a Força Expedicionária Britânica no norte de França e no pequeno sector da Bélgica ainda sob controlo aliado dos seus pontos de abastecimento na costa.

A ofensiva ocorreu numa altura em que uma reorganização na frente tinha ocorrido levando a que forças britânicas substituíssem forças francesas num sector de 30km a sul de S. Quentin, mas a falta de coordenação entre franceses e britânicos levou a que as posições defensivas, que precisavam ser reforçadas, não tivessem sido alvo de qualquer trabalho.

A vermelho os objectivos alemães e a laranja a linha da frente a 5 de Abril
A primeira ofensiva «Panzer» da Alemanha

Nesta ofensiva, na área de St. Quentin, ocorre a primeira utilização de blindados alemães do tipo A7V. No entanto, os carros não tiveram grande utilidade na batalha. A fraca potência dos seus motores afectava velocidade e a infantaria acabou por avançar mais depressa que os tanques.

Quando as forças alemãs atacam, os britânicos, além de estarem em desvantagem numérica, não possuem as necessárias estruturas defensivas onde se apoiar.

A principal força ofensiva alemã, era constituída por:
7º exército comandado por Von Boehn
18º exército, comandado por Von Hutter (19 divisões)

Além disso, haveria apoio por parte dos dois exércitos colocados mais a norte:
17º exército comandado por Von Below (sector de Arras, a sul de Ypres)
2º exército, comandado por Von Marwitz (sector de Cambrai).

Do lado britânico, o principal alvo do ataque seria o 5º exército britânico que com 12 divisões defendia uma frente de 70km e o melhor preparado 3º exército britânico que com 14 divisões defendia um sector de 45km.

Carro de combate alemão A7V: Demasiado lento para acompanhar o avanço da ofensiva
O Ataque

Conforme era normal na altura, o ataque começou com uma devastadora preparação de artilharia que começou no dia 21 às 04:40 da manhã.Os alemães utilizaram nesse bombardeamento um total de 6.473 canhões e 3.532 morteiros.
O avanço das forças alemãs, começou por volta das 09:30 da manhã, sob protecção de um denso nevoeiro.

As 19 divisões do 17º exército alemão, atacam as 14 divisões do 3º exército britânico, enquanto que as 12 divisões do 5º exército britânico, são atacadas pelas forças combinadas do 18º e 7º exércitos alemães, totalizando 43 divisões.

A enorme desproporção levou a que a frente do 5º exército britânico se começasse a desmoronar rapidamente. O primeiro sector a ceder, foi o sector sul, que tinha acabado de ser ocupado pelas forças britânicas que tinham substituído as forças francesas.

Mais a norte, o ataque do 17º exército alemão no entanto, não teve tanto sucesso, pois a resistência oferecida pelo 1º exército britânico impediu avanços com significado.

A violência do ataque foi enorme e ao fim do dia, calcula-se que as perdas alemãs tenham atingido 40.000 homens, enquanto que as perdas britânicas atingiram 38.000. Mas deste total do efectivo britânico, 74% ou 21.000 homens, foram prisioneiros, o que foi interpretado como sinal de que a vontade de combater dos soldados estava a desaparecer.

Nos dois dias seguintes, a pressão alemã continuou e o 5º exército britânico cedeu em toda a frente, tendo a linha de defesa aliada entrado praticamente em colapso.
Ao fim do terceiro dia (23 de Março), os alemães tinham avançado quase 20km e tomado Peronne.

Erros alemães
A ofensiva corria bem para os alemães, mas a rapidez do avanço levou a que estes alterassem os seus planos, que implicavam começar a seguir para norte, com o objectivo de ocupar a retaguarda das forças aliadas.
Na verdade, em vez de reforçar o flanco direito, com esse objectivo, os alemães reforçaram o flanco esquerdo, o que acabou por retirar ímpeto à operação de inflexão para norte.

Coluna militar alemã durante a operação: A fraca motorização afectou a capacidade alemã de efectuar avanços com eficácia.


No entanto a situação continuava a ser dramática para os britânicos, pois a continuação do avanço alemão em direcção a Amiens, colocaria todo o dispositivo britânico em França em risco, pois estava ali um vital entroncamento ferroviário.

Perante a situação desesperada na frente, os britânicos aceitaram pela primeira vez que os franceses organizassem o esforço de coordenação com o flanco sul das forças britânicas. As decisões aliadas foram tomadas em 26 de Março numa reunião de emergência dos estados maiores.

Nos dias seguintes, as forças alemãs continuaram a avançar e a fazer recuar tanto as forças britânicas como as forças francesas.

Mas as dificuldades alemãs, começaram a notar-se à medida que os dias passavam. As dificuldades alemãs eram cada vez mais visíveis, especialmente na falta de meios suficientes para apoiar o avanço das forças.

Além disso, notou-se uma grande diferença de qualidade entre as forças de elite alemãs utilizadas nos ataques iniciais e que normalmente sofriam grandes baixas, e as forças alemãs habituadas à guerra de trincheiras.

A tentativa alemã de tomar Amiens, tornou-se inviável, quando atacados por forças australianas e britânicas entre e 4 e 5 de Abril as forças tiveram que recuar.

O comando alemão entendeu que não poderia atingir o objectivo e no dia 5 de Abril as forças do 18º exército alemão receberam ordens para parar a ofensiva.

No entanto, se a operação Michael tinha sido travada no sector sul, mais a norte, o grande esforço alemão iria colocar o seu foco, apenas quatro dias depois, no I exército britânico, na operação Georgette, onde a mais conhecida batalha ficou conhecida como «Batalha do Lys».