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Início da guerra peninsular
Guerras napoleonicas
02-05-1808

Este acontecimento teve inicio em: 02-05-1808 e terminou em 02-05-1808
Vencedor: França

Forças em presença:

França

Espanha



Este dia marca o inicio daquilo que em Portugal se chamou «Guerra Peninsular»[1]

O conflito que ocorreu na península ibérica, e que é conhecido como guerra peninsular, teve o seu inicio em 1807 com a entrada em Espanha de tropas francesas, que em coligação com a Espanha deveriam ocupar Portugal.

No entanto, a posição espanhola perante Napoleão era uma posição cada vez mais débil. O caudilho (chefe militar espanhol) e primeiro ministro Manuel de Godoy[2] assumia cada vez mais poderes em Madrid. Como aliado preferencial de Napoleão tinha grande poder, poder que era reforçado pela influência junto da rainha de Espanha, e dessa forma, junto do próprio rei.

Os acontecimentos em Madrid, enquanto as forças francesas e espanholas, que eram na altura aliadas, entram em Portugal no final de 1807 e inicio de 1808 - continuam numa sucessão de intrigas palacianas e traições. As linhas principais da intriga, que acabará por fazer a Espanha mudar de lado na guerra podem definir-se da seguinte forma:

1 - O filho do rei de Espanha tenta cair nas boas graças de Napoleão
A crise foi despoletada por Fernando de Bourbon, filho do rei de Espanha e príncipe herdeiro da coroa, quando pretendendo ultrapassar o poder e influência de Godoy na corte, escreve a Napoleão, pedindo a mão de uma princesa da família do imperador em casamento.
Ao aproximar-se de Napoleão, Fernando de Bourbon, pretende assegurar que sucederá a seu Pai, Carlos IV, numa altura em que Manuel de Godoy olha com cobiça a coroa espanhola.

2 - Godoy convence o rei a prender o próprio filho
Apercebendo-se da manobra do príncipe herdeiro, Godoy, que vê o tapete a fugir-lhe debaixo dos pés, utiliza a sua influência junto da rainha[3] para convencer o rei Carlos IV a dar ordem de prisão ao próprio filho, acusando-o de traidor, pois o rei tinha sido convencido de que o seu próprio filho planeava depô-lo.

Na foto superior, Carlos IV, um rei decadente. Na foto de baixo Fernando, o príncipe herdeiro, que tentou aliciar Napoleão em conflitos palacianos que levaram a que tanto pai como filho fossem obrigados a renunciar ao trono.
3 – Napoleão intervém para apaziguar a situação
O imperador francês manda que o seu nome não seja envolvido nas questões espanholas mas a sua intervenção levará a que o príncipe herdeiro seja libertado, aumentando o seu prestígio.

4 – Napoleão coloca o seu plano em marcha
A instabilidade governativa espanhola, foi entretanto aproveitada por Napoleão, que se prepara para colocar os seus planos para a península em prática.
Apoiando-se numa clausula do Tratado de Fontainebleau[4], envia um segundo exército de 25.000 homens, alegadamente para apoiar o exército de Junot que se dirigia a Portugal e que entrou em Espanha em 22 de Novembro de 1807.

Com o mesmo objectivo um terceiro exército francês de 30.000 homens entra em Espanha a 8 de Janeiro para tomar posições na região do País Basco.

5 - O rei de Espanha e Godoy entendem o plano de Napoleão
Por esta altura, tanto o rei de Espanha como o generalíssimo Godoy, tinham entendido que não havia lugar para eles nos planos de Napoleão, perante o aglomerar de exércitos franceses em território espanhol.
Godoy, vê os seus planos esfumarem-se, nomeadamente o seu plano de um reino privativo para si no sul de Portugal e na sua Extremadura natal.

6 - Napoleão ocupa a Catalunha e Valência
Em Fevereiro um exército francês de 14.000 homens entra pelos Pirinéus orientais e ocupa a Catalunha, descendo até Valência. Outro exército francês, com 30.000 homens toma posições em Pamplona e S. Sebastian.

Napoleão conta então com cerca de 100.000 homens em Espanha

7 - Godoy cai em desgraça
A população espanhola, perante a situação, e considerando que Godoy era o dirigente mais próximo de Napoleão, acusa-o de ser o responsável pela entrada de tão grandes contingentes franceses em Espanha. Godoy cai em desgraça e é salvo em Sevilha por intervenção do rei Carlos IV, numa das suas últimas deliberações.

Manuel de Godoy: Primeiro Ministro espanhol, o homem que negociou a ocupação de Olivença, acabou por caír em desgraça.
8 - O rei de Espanha abdica
A situação e a opinião que o povo tem da coroa atinge um ponto em que o rei é forçado a abdicar. Julgando-se que a ascensão ao trono do seu filho Fernando - que tinha sido preso pelo próprio Pai - pudesse levar à saída dos franceses.
Mas o príncipe não acredita que Napoleão o aceite como rei. Dirige-se a Madrid, onde uma carta de Napoleão o convida a se dirigir a Bayone para conversações com o próprio imperador.


A população tenta impedir o príncipe herdeiro de encontrar Napoleão, aconselhando-o a fugir para as montanhas, mas este recusa e encontra-se com Napoleão.
O imperador, que entretanto tinha chamado o rei cessante Carlos IV, intima-o a ceder todos os seus direitos, o que acontece. Juntamente com Carlos IV, também o príncipe herdeiro Fernando resigna ao trono de Espanha, em favor de Napoleão em Bayona.
Com o rei e o príncipe herdeiro presos, a Espanha, deixou de existir como estado independente.

Começa a guerra peninsular
A população, entendeu a chamada «Traição de Bayona» com grande escândalo e é esta revolta da população, que vai levar ao inicio da guerra peninsular.

A revolta é generalizada, tendo a população civil perseguído e morto muitos franceses. As tropas espanholas no entanto, não efectuam qualquer acção contrária ou favorável à revolta.

Em 2 de Maio de 1808 em Madrid, populares juntam-se à porta do palácio real, porque tinha corrido o boato de que Napoleão tinha ordenado a prisão do resto da família real espanhola.

Quando dois coches se aproximam do palácio, escoltados por cavaleiros mamelucos a população ataca a coluna francesa, a qual, respondendo às ordens do comandante francês que mandou chamar a artilharia, se organiza e dispara sobre a população, provocando várias centenas de mortos.
No dia seguinte, 3 de Maio, são executados os revoltosos.

O erro de Napoleão
Os planos franceses para a Península Ibérica, partiam do principio de que existindo um Rei de Espanha, a simples abdicação do rei e do príncipe herdeiro seriam suficientes para que o país ficasse em poder de Napoleão.

No entanto, as características multi étnicas da Espanha levaram a que surgissem de imediato uma miríade de governos regionais, chamados de «Juntas», algumas delas proclamando-se «Junta Suprema» que começaram individualmente a criar as suas próprias milícias e a organizar a resistência.

O exército Espanhol ainda obteria uma vitória contra os franceses em Bailén, mas no fim de 1808 seria desbaratado. Nada mais restará à Espanha para lutar contra os franceses que grupos dispersos de milicianos esfarrapados.

Mas se as guerrilhas espanholas não eram uma tropa com efectiva capacidade de combate, elas foram no entanto de importância crucial para a derrota de Napoleão.

Embora sem coordenação, organização ou sequer armamento adequado, provocaram o corte de muitos dos abastecimentos e linhas de comunicações dos franceses até Portugal, onde posteriormente virá a desembarcar um exército inglês, e onde começará a reorganização do exército português.
O exército português e inglês, com o apoio dessas milícias, levarão à expulsão final dos franceses da Peninsula Ibérica.



[1] - Em Espanha, esta guerra ficou conhecida como guerra da independência, dado o país ter tecnicamente deixado de existir como estado independente.
[2] - O mesmo que tomou a cidade portuguesa de Olivença, que ainda hoje se encontra ocupada pelo Estado Espanhol.
[3] - Alegadamente influência de Alcova, pois Godoy seria amante da rainha.
[4] – O mesmo tratado em que a repartição de Portugal aos bocados também foi negociada entre Franceses e Espanhóis.