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Antecedentes

A compra pelo Brasil, no início da década, do antigo porta-aviões francês, Foch, pode parecer numa primeira análise, uma simples substituição do antigo porta-aviões A-11 Minas Gerais, no entanto, esta aquisição levanta algumas perguntas curiosas sobre quais os objectivoe brasileiros a médio e a longo prazo, no que respeita ao seu posicionamento geoestratégico, quer na América do Sul, quer no Mundo.

Em 1943, um raide alemão, provocou em apenas algumas semanas um numero elevado de baixas e de navios destruidos: Só mais de um ano depois de entrar na guerra, foi possível uma acção de sucesso contra os submarinos alemães.

Desde a segunda guerra mundial que o Brasil sentiu a necessidade de proteger a sua extensa costa marítima. Não dispondo de uma rede de estradas, nem de caminhos de ferro desenvolvida, o Brasil dependia tremendamente da navegação de cabotagem, e da ligação por navio entre as várias capitais estaduais do nordeste, todas cidades marítimas e o sul, Rio de Janeiro e Santos, no estado de São Paulo. Na prática, o Brasil era uma espécie de grande arquipelago, cujas partes comunicavam entre si por barco.

O Brasil entrou na segunda-guerra mundial dm 1942, ainda as tropas de Hitler marchavam seguras da vitória final através das planícies da Ucrania em direcção a Estalinegrado.

A entrada do Brasil na guerra está também directamente ligada à acção de submarinos alemães nas águas do nordeste brasileiro, que levaram à morte de mais de 600 pessoas em apenas alguns dias pelo submarino alemão U507.

Durante o conflito, e enquanto a guerra se desenvolvia no Atlântico Norte, o Brasil potenciou a sua capacidade de defesa anti-submarina com aeronaves fornecidas pelos Estados Unidos, entre as quais os hidroaviões PBY-5 Catalina-II, e os Lockeed A-28A Hudson, e com o apoio directo das forças americanas.

As acções alemãs, foram efectuadas ao melhor estilo de ataque de lobo solitário (por oposição aos ataques em matilha) tendo os alemães efectuado ataques ao longo de toda a costa brasileira.


Com o fim da guerra, o problema alemão desapareceu. A rede de estradas do Brasil desenvolveu-se e a navegação de cabotagem deixou de ser tão importantemas no entanto, a fragilidade da defesa da costa manteve-se um problema e uma dor de cabeça para os estrategas brasileiros.

Com o inicio da guerra fria, mais uma vez o problema do Brasil era a sua dificuldade em dispor de meios em quantidade suficiente para controlar a sua enorme costa marítima. Não podendo recorrer a um grande numero de contra-torpedeiros para luta anti-submarina, por razões de custo, a opção mais lógica foi a aquisição de um porta-aviões construido para a Royal Navy, o HMS Vengeance, baptizado de A-11 Minas Gerais e transferido para a Marinha do Brasil em 1956, após ter completado 11 anos de idade.

O Minas foi modificado e alterado, pois ainda era um navio relativamente moderno, e foi-lhe adicionada um convés de vôo em angulo de 8.5º. A sua única catapulta, com capacidade para lançar aerinaves com 13.640Kg, dava-lhe capacidade suficiente para operar os aviões Tracker, de luta anti-submarina, e as restantes aeronaves que transportava eram helicopteros, igualmente para luta anti-submarina: inicialmente os SH-34 Seabat, e posteriormente os SH-3 Sea-King.

Assim, ao longo da sua história, o Minas Gerais, funcionou como porta-aviões de luta anti-submarina, ou seja, segundo a doutrina utilizada pelos pequenos porta-aviões de escolta da segunda guerra mundial, que tinham como objectivo defender os navios que escoltavam dos predadores submarinos.

A-4 Skyhawk aeronave ligeira de ataque, a reacção

Foi assim, que o Minas Gerais passou pela guerra fria, e também pelo fim da União Soviética. Em 1996, os aviões Tracker deixaram de ser utilizados e o Minas Gerais passou a ser apenas um porta-helicopteros.

Chegado ao fim dos anos 90, e o ano de 2001, já com 56 anos de idade, o Minas Gerais ainda viu no seu convés, aquilo que foi uma novidade para a marinha brasileira, a incorporação, pela primeira vez, de aeronaves de combate a jacto A-4 Skyhawk da Marinha do Brasil com capacidade para operar a partir da sua única catapulta. Porém, e embora o seu estado geral fosse ainda relativamente aceitável, a velocidade máxima do Minas Gerais (24 nós) não era adequada para um porta-aviões que pretendia passar a utilizar aeronaves como o Skyhawk.

Cerca de um ano antes, o Brasil e a França tinham chegado a acordo para transferir para o Brasil o porta-aviões Foch, da classe Clemanceau, que a França desactivou após a entrada ao serviço do seu novo porta-aviões nuclear "Charles De Gaulle". Esta transferência acabou "matando" o Minas Gerais e selando o seu destino.



Título: A utilidade e função do porta-aviões São Paulo (última actualização: 04.12.2005)
Autor: Paulo Mendonça
Referências: Janes F.Ships / Encic.P.Aviões / Outras refs.


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