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Lockeed F-16 A/B Block 15 - Mid Life Update (MLU)
Como fica a capacidade da Força Aérea Portuguesa, e quais as vantagens da modernização dos F16
Antecedentes
Desde 1994 que a Força Aérea Portuguesa opera o caça F-16 A e F-16 B (versão bi-lugar) Fighting Falcon, do fabricante norte-americano Lockeed Martin. Este equipamento veiu substituir o A-7 Corsair (conhecido com A-7P ) e que era um avião igualmente norte-americano, concebido especificamente para operação embarcada. Era portanto um avião, cujas asas basculantes (dobraveis) identificava claramente a sua proveniência naval.

O A-7P não teve uma vida fácil na FAP, e registaram-se alguns acidentes com o equipamento. Tais acidentes embora até possam ser considerados normais, não deixam no entanto de permitir recordar que os A-7P da FAP eram aviões em segunda mão.

F-16/A da FAP
Entrega do primeiro F-16 MLU à FAP
Visão interior do F-16/AM
Visão inferior de um F-16/AM carregado com vários armamentos

Ao contrario dos seus antecessores, os F-16 entregues á força aérea em 1992 eram aviões "novos-em-folha", segundo o padrão F-16 A/B-OCU (block 15 conforme a designação do fabricante), embora muitas vezes por causa desta designação se faça confusão com aviões antigos que tenham sofrido o upgrade OCU para F-16 mais antigos. A designação correcta para os aviões portugueses devería mesmo ser F-16 A/B-ADF.

Operações de combate na guerra do Kosovo
Durante a guerra no Kosovo, Portugal, como membro da NATO, disponibilizou três aparelhos que efectuaram dezenas de missões de escolta, mas notou-se claramente - como já se sabía - que não era possível, ou adequado, enviar estes aviões para missões de combate, dado este dispôr apenas para tais missões, de canhões e misseis "Sidewinder" destinados a combate apróximado. Ao contrário dos aviões portugueses, os aviões da força aérea da Holanda (F-16 MLU) entraram em combate com aviões da Sérvia, tendo abatido o primeiro MIG-29 abatido no conflito.

Um F-16 ADF tinha-se portanto tornado obsoleto para um grande numero de missões, onde os aviões combatem uns com os outros, sem sequer se verem, como aconteceu com o MIG-29 sérvio..

A decisão de Portugal, de efectuar uma modernização nos seus 20 F-16 (17 F-16 A e 3 F-16 B) arrastou-se durante algum tempo.

Entretanto, segundo acordos com os norte-americanos, Portugal recebeu um segundo lote (adicional) de aviões F-16, estes já usados, e decidiu começar por estes equipamentos, o "upgrade" geral dos F-16 na FAP. O numero total de F-16 a operar pela FAP deverá ser de quarenta.

É o último lote de aviões recebidos - mas que são mais antigos - que vai sofrer um upgrade, para o padrão MLU, e ainda uma modernização de motores, chamada de Falcon-Up. Os restantes F-16 A/B serão futuramente convertidos para a mesma norma.

Modernização eficaz
O F-16 AM/BM é de facto um equipamento muito mais eficiente e moderno que o antigo F-16 A/B. As principais alterações têm a ver com um cockpit completamente modernizado, ao nível do mais recente F-16 em produção (F-16 C/D - block 50). Além disso as alterações mais importantes são:

  • MMC: A mais importante alteração, é o novo computador de combate (MMC - Modular Mission Computer), baseado num processador RISC de 64 bits MIPSCO-3000, com 60Mb de memoria e capacidade de processamento de 155 milhões de operações por segundo. O computador de combate do F-16 AM é derivado do computador de combate do mais recente avião de combate norte americano, o F-22. Substitui os três computadores que equipam a versão antiga. O MMC tem ainda uma reserva de 50% de capacidade de memória e tratamento de dados. É possível aumentar as capacidades do MMC, acrescentando modulos especializados. Da mesma forma, é possível proceder á configuração do avião, consiante as missões (caça, reconhecimento, bombardeamento) pela simples substituição de modulos. Os upgrades de nível 3, permitem utilizar uma considerável quantidade de armas, cuja utilização não era possível com a versão enterior.
  • Alteração ao radar, AN/APG66, transformando-o num APG-66(V)2A modernizado, o que o transforma num "quase" equivalente ao radar APG68V(5) que equipa os F-16 C/D block 50, novos de fábrica, incorporando todos os "modos" deste último radar, embora com um alcance inferior, que se estima em 25% a 35% menor. O radar AN/APG66V2(A) dos F-16 portugueses, permite por exemplo efectuar a monitorização simultanea de dez alvos e disparar contra seis desses alvos. Além disso dispõe de melhores contra-medidas electrónicas. O seu alcance é agora 25% superior, chegando em média aos 90 Km (rastreio superior lookup) e 60 Km (rastreio inferior - lookdown), e isto para aviões similares ao F-16, Mirage marroquino ou F-18 do "Ejercito del Aire" espanhol.
  • DTS ou "Digital Terrain System". Este sistema permite "ver" o terreno mesmo de noite, permitindo ao piloto receber informações audíveis sobre obstaculos no terreno. O DTS funciona combinando dados do radar e altimetro do avião, com dados memorizados sobre o terreno em que o avião está a operar. A grande desvantagem do DTS incorporado nos aviões portugueses é que não é possível ligar o DTS ao piloto automático (como de facto acontece nos aviões novos). Isto acontece porque o sistema de navegação analogico do F-16 A/B não é alterado, e portanto continua a ser analógico, tornando inviável a ligação do DTS ao piloto automático.

Outras alterações significativas são, o Data-Modem, que permite a comunicação entre vários F-16 e entre os F-16 e sistemas de gestão de dados de combate em estações terrestres, permitindo uma grande integração entre os aviões e as tropas em terra, quando os primeiros forem utilizados em operações de ataque ao solo. Melhor capacidade de transmitir comunicação encriptada e capacidade de utilização de dispositivos de visão nocturna.

AGM65G-Maverick
AIM 120/B AMRAAM
Bombas Mk82 (250Kg)
Bomba inteligente GBU32 (JDAM )

Novas armas
Naturalmente que todos estes novos dispositivos permitem ao F-16 AM ou ao BM bi-lugar a utilização de armas mais sofisticadas e actualizadas. Assim, os aviões da FAP vão passar a ter possibilidade de operar as seguintes armas:

Referência
Características
alcance
AIM-9L Sidewinder
Missil ar-ar de curto alcance
20 Km
AIM-120B-AMRAAM
Missil ar-ar, com capacidade BVR (Beihond visual range), podendo ser disparado sem que haja contacto visual com o alvo. Cada missil destes custou aproximadamente € 350.000
50 - 70 Km
AGM65G-Maverick
Missil ar-solo
24 Km
Mk82
Bomba de 250 Kg
-
Mk84
Bomba de 450 Kg
-
GBU-32 (JDAM)
Joint Direct Atack Munnition - kits que permitem guiar bombas Mk84 por GPS, transformando-as em armas inteligentes. Esta armaestará disponível na Força Aérea. Cada kit custa aproximadamente€ 50.000
-
AGM-154B (JSOW)
Joint Stand Off Weapon - kits que permitem transformar uma bomba convencional num planador, guiado por GPS inercial. Ainda não operados pela Força Aérea. Cada kit para ataque ao solo custará cerca de € 450.000 para a versão 154B.
24 Km (lançada de baixa altitude) 64 Km (lançada de grande altitude)
IRIS-T/SRAAM
Será possível no futuro operar este tipo de misseis de origem europeia.
Curto alcance


Operacionalidade
A primeira esquadra operaciona com F-16 AM/BM deverá ser a esquadra 201, falcões, que opera a partir da base aérea de Monte Real (presentemente ainda com os F-16 A/B mais antigos). Parece igualmente ser provável a reactivação de uma segunda esquadra, eventualmente a 302, que se dedique ás operações de controlo maritimo e de apoio terrestre enquanto que a esquadra 201 se especializará na "superioridade aérea". Na segunda esquadra haverá F-16 devidamente equipados para efectuar, por exemplo, bombardeamentos de precisão.

Conclusões
Mesmo para uma força aérea de uma nação da NATO, o novo F-16 AM/BM, mesmo sendo um equipamento modernizado, tráz claramente a Força Aérea Portuguesa para um patamar técnológico, que havia deixado desde quando, nos anos 50, começou a operar os aviões a jacto F-82 e F-86. Igualmente os F-16 portugueses, podem "olhar" de igual para igual, qualquer avião de qualquer força aérea europeia, podendo operar uma gama de armas que outros aviões, muito mais caros, ainda não têm capacidade para operar. Uma das mais acertadas decisões da Força Aérea e do Ministério da Defesa, embora os atrasos na implementação do programa, que se prevê só se conclua em 2011, o acabem tornando pouco relevante, se, entretanto, não se considerar já um novo programa que conduza, ou a uma nova actualização do F-16MLU a partir de 2012/2015, ou então a sua futura substituição por um novo avião, o F-35 ou o europeu Eurofighter/Typhoon.



Título: O F-16 AM/BM da Força Aérea Portuguesa (última actualização: 17.05.2005)
Autor: P. Brás
Referências: Referências do Autor/ Pesquisas na web


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