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I - A guerra e os antecedentes

Quando a Alemanha declarou guerra a Portugal em Março de 1916, foi decido enviar para França uma força portuguesa constituída por uma força de infantaria, apoiada por um grupo de artilharia (Corpo de Artilharia Portuguesa), num total de 30.000 homens. Esta decisão teve razões militares mas também políticas que estavam ligadas à necessidade de garantir para Portugal um lugar na mesa dos vencedores da guerra, de forma a garantir a continuação do império, o qual era avidamente olhado pela maior parte das potências europeias.

Em 8 de Fevereiro de 1917, as primeiras tropas portuguesas chegam à Flandres.

A 4 de Abril, morre em combate nas trincheiras o primeiro militar português, António Gonçalves Curado.

Em 17 de Outubro de 1917, toma posições o Corpo Português de Artilharia Pesada, com 10 baterias de artilharia, representando o apoio português nos sectores franceses.

A 28 de Outubro de 1917, Portugal perde (por necessidades britânicas) o apoio dos últimos navios que serviam para reforçar o CEP e efectuar a ligação com Portugal. A partir desta data deixa de ser possível efectuar reforços de monta. O total de 30.000 homens previsto, não será atingido.

Entre meados de Janeiro e meados de fevereiro ocorre em Portugal uma guerra civil, com a instauração da monarquia no Porto. A instabilidade em todo o país é generalizada.

Só em 16 de Março de 1918, a artilharia pesada portuguesa entra em acção. É entretanto decidido transferir a artilharia pesada para o CEP, para apoio das forças portuguesas. Essa transferência não chegará a ocorrer.

Na Primavera de 1918, o CEP (Corpo Expedicionário Português) encontrava-se desmoralizado, os soldados encontravam-se na frente havia demasiado tempo, e estava instalado um enorme mal-estar. Parte dos comandos das tropas portuguesas encontravam-se comodamente instalados em Paris e os escalões mais baixos, os sargentos e os praças encontravam-se nas trincheiras meses seguidos sem que fossem regularmente substituídos.

Tornando-se inviável o envio de mais tropas desde Portugal, o que permitiria render parte das forças, a solução foi deixar aqueles que se encontravam no local, sem possibilidade de serem substituídos. No máximo, a tropa poderia passar para uma segunda linha, mas faltavam homens que permitissem uma rotação de militares mais eficiente, com tropas na frente, tropas de reserva e tropas em licença.

Em Abril de 1918, o CEP encontrava-se estacionado numa região relativamente secundária e era constituído por duas divisões (às quais faltavam efectivos). A 2ª Div. portuguesa, tinha ocupado posições nas primeiras linhas (a frente defendida pelo CEP tinha cerca de 12 Km), rendendo a 1ª Div., por razões que se prendiam com a desorganização da força, e a desmoralização pelas razões referidas anteriormente. A situação era conhecida dos comandos britânicos que, conhecedores da situação e de que era possível um ataque alemão no sector tinham dado ordens para a retirada também da 2ª Div. que seria substituida pela 50ª Div. britânica. As ordens eram para retirar exactamente a 9 de Abril, o dia em que começa o ataque alemão.

Cronología dos acontecimentos nos dias que antecederam a batalha:
Fevereiro
Patrulhas portuguesas capturam soldados alemães, estes depois de interrogados, falam da possibilidade de um ataque alemão de grande envergadura. No entanto, dadas as características do terreno, os ingleses consideram a possibilidade de ataque como remota.
5 de Abril
As tropas portuguesas da 2ª divisão, detectam movimentações anormais nas linhas alemãs, com o transporte de grandes quantidades de armamento.
6 de Abril
07:00 da manhã: a 2ª Divisão portuguesa é informada de que foi transferida para o XI corpo de exército britânico. A divisão deverá ocupar a segunda linha e resistir em caso de ataque. A ordem verbal foi: A Divisão, deve morrer na linha B.
7 de Abril
Os registos portugueses da época apontam a existência de fortes concentrações de homens, na região directamente em frente das linhas portuguesas. Estas informações foram passadas ao comando inglês.
8 de Abril

Ordens a 8 de Abril:
Já de noite, poucas horas antes do inicio do ataque a 2ª Divisão portuguesa recebe ordens para retirar da primeira linha, para se dirigir para a segunda linha (linha B).
A 55ª divisão inglesa deverá ocupar as posições do flanco sul da 2ª Divisão portuguesa.
A 50ª Divisão inglesa, entretanto transferida para o XI corpo, substituirá a linha central e norte, ocupada pela 2ª Divisão portuguesa, até 11 de Abril.
A artilharia portuguesa, recebe ordens para não mudar de posições.

Estas ordens, serão alteradas já com o ataque em andamento, de forma a que a rendição seja efectuada ainda durante o dia 9. Mas quando se inicia, a situação é já de completa confusão no campo de batalha.

continua na página 2


Título: A batalha de La Lys (última actualização: 07.04.2006)
Autor: P.Mendonça
Referências: Re.autor / Hist.Port - varias


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