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Conclusões sobre a participação portuguesa

A batalha, do rio Lys, ou de La Lys, constituiu para Portugal uma espécie de mancha, num país habituado a glorificar os seus feitos militares. Em 9 de Abril, as forças armadas portuguesas comemoram uma batalha, mas acima de tudo uma derrota.

Os militares portugueses colocados em França, tinham dificuldade em entender qual a razão porque lutavam contra a Alemanha, um país longínquo, que a maior parte dos soldados nem sabia indicar no mapa. A política interna, e a instabilidade política que se seguiu à implantação da república, levaram Portugal a entrar na guerra, essêncialmente para proteger o império, lutando ao lado da Inglaterra.

As tropas estavam em França, mas a desmoralização era enorme. O número de oficiais que se encontravam nas duas divisões portuguesas estava muito abaixo do minimo necessário. As tropas portuguesas estavam desenquadradas, e faltavam-lhes oficiais para enquadrar as tropas e comanda-las convenientemente. O conceito de carne para canhão, em que se enviam homens uns contra os outros, ainda era normalmente aceite.

Mas a baixa política e a irresponsabilidade dos políticos da Primeira República , não deixou de ensombrar as tropas. Depois de se enviar o CEP, não se sabia exactamente o que fazer com ele. Além disso, Portugal não tinha dinheiro para organizar as duas divisões e estas tiveram que ser armadas pela Inglaterra, e também não tinha navios para enviar tropas o que fazia o país depender da Inglaterra.

Por outro lado os militares Britânicos, e Franceses, também não sabiam como responder aos desafios da guerra moderna. Lutavam com as tácticas de Napoleão, que implicavam o combate a curta distância, mas viam-se perante a primeira guerra industrial do mundo. A solução foi a conhecida, uma guerra de desgaste, em que ganha quem ficar vivo no fim.

Muitos dos comandos das forças portuguesas, também pautavam pelo desleixo e pela falta de capacidade. Uma tropa analfabeta, comandada por um punhado de oficiais, grande parte deles sem qualificações e apenas medianamente alfabetizados. Oficiais crentes no valor do soldado português, mas sem entender que o mundo muda e que as guerras, já em 1918, estavam a ser ganhas pela capacidade industrial, e pela qualidade técnica dos comandos militares.

O desastre do rio Lys - a maior catástrofe militar portuguesa depois da batalha de Alcacer-Quibir, em 1578 - serve para mostrar, que quando os governantes não apoiam os seus militares e não determinam claramente os objectivos de um conflito, de forma a permitir moralizar as forças, estão a cavar a sepultura dos soldados que mandaram para a frente de batalha.

Passados quase 90 anos, infelizmente, parece haver em Portugal, quem ainda acredite que se ganham guerras, apenas com a dedicação dos soldados, e que estes se podem abandonar em algum lugar, com equipamentos velhos e armas obsoletas, com ordem de: desenrasca-te.

O Corpo Expedicionário Português CEP

Oficiais:
3 376
6.1%
Sargentos cabos e soldados
51 789
93.9%
Total
55 165
100%

As baixas do Corpo Expedicionário Português, em França: 1917 - 1918

Mortos
Oficiais:
79
3.8%
Sargentos cabos e soldados
2017
96.2%
Feridos
Oficiais
256
4.9%
Sargentos cabos e soldados
4 968
95.1%
Prisioneiros
Oficiais
270
4.0%
Sargentos cabos e soldados
6 408
96.0%
Declarados incapazes para o serviço
Oficiais
439
6.0%
Sargentos cabos e soldados
6 840
94.0%
Total de baixas
Oficiais
1 044
4.9%
Sargentos cabos e soldados
20 233
95.1%
Total geral
21 277
100%

Mortos
Origem das baixas

Em favor das forças portuguesas.é correcto afirmar - porque é verdade - que as forças alemãs, cientes dos problemas que grassavam nas linhas portuguesas, decidiram atacar ali, porque era o ponto mais fraco da frente.
Mas é também verdade, que embora as tropas portuguesas estivessem mal preparadas, e sem comandos em número e à altura, a desproporção de forças era tal, (em alguns casos de 10 alemães para cada português) que o resultado acabaría sendo o mesmo.

A frente inglesa, não se desmoronou da mesma forma, exactamente porque no sector inglês, no flanco esquerdo das forças portuguesas, a frente estava mais próxima do rio Lys, o que impediu o progresso mais rápido das forças alemãs, e mesmo assim, nas primeiras horas da batalha, no flanco norte o avanço alemão, foi mais rápido na área defendida pelas tropas britãnicas, o que também permitiu que à tarde as tropas portuguesas fossem cercadas em inúmeros pontos.

Mas também sería injusto culpar os militares britânicos que se viram perante uma desproporção de forças igualmente consideravel, pois a origem do problema residiu na gestão catastrófica dos altos comandos britânicos.

Também é importante lembrar, que parte dos problemas de desmoralização, das tropas, se deveram à falta de rotação (substituição dos militares) das mesmas, e que, Portugal não tinha meios navais para permitir, pelos seus próprios meios efectuar essa rotação de soldados. Os barcos tinham que ser pedidos aos ingleses, e esses tinham cedido a maioría dos seus barcos aos americanos, para transportar o milhão de americanos que se destinavam ao cenário europeu.

Portugal, tería podido enviar mais 14.000 homens para a França, mas para os britânicos, que tinham os navios necessários, esse numero era muito pequeno, quando comparado com o milhão de americanos que no fim desse ano ajudaria a acabar com a guerra.

Entrada do cemitério de Richebourg l'Avoué - Neuve-Chapelle, onde se encontram sepultados 1831 militares portugueses que foram trasladados de vários cemitérios de França para aqui.

À memória destes e de todos os outros, são dedicadas estas linhas

 



Título: A batalha de La Lys (última actualização: 07.04.2006)
Autor: P.Mendonça
Referências: Re.autor / Hist.Port - varias


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