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Ao contrário dos engenheiros ocidentais, que desenham um avião de raiz e testam o conceito em laboratório antes de construir o primeiro protótipo, os técnicos da URSS constróem um protótipo básico ao qual depois vão acrescentando equipamentos e soluções alternativas.

De cada vez que um novo lote de alterações é experimentado, os pilotos de testes voam no avião e apresentam um relatório dando a sua opinião sobre o comportamento da aeronave.

Seguindo este procedimento, o desenvolvimento do futuro Su-27 continuou e nos finais dos anos 70 já tinham sido construídos dez protótipos, cada um deles com um lote diferente de características que foram sendo estudadas segundo os métodos tradicionais.

Su-27 1988
1987: Uma das primeiras fotos de um Su-27 tirada durante um voo de rotina de um P-3 Orion da Força Aérea da Noruega.

Os protótipos foram incorporando muitas características copiadas do F-15, de entre os quais, a mais conhecida é o travão aerodinâmico central. Foram também feitas muitas modificações que foram sendo introduzidas ao longo do lento programa de desenvolvimento do avião. Em 20 de Abril de 1981, voou o protótipo T-10-7 (T-10S-1), e este era já o resultado dos novos estudos aerodinâmicos e da incorporação de algumas características copiadas do F-15.

O lento desenvolvimento não foi no entanto completamente secreto, porque desde o inicio dos anos 80, que rumores no ocidente falavam da existência de um novo avião soviético de cauda dupla.

Fotografias tiradas por satélites espiões permitiram aos norte-americanos concluir que de facto existiam dois e não apenas um novo avião em estudo na URSS. O maior desses projectos foi baptizado de RAM-J. Só mais tarde ele foi oficialmente baptizado com um código NATO «Flanker».

A configuração com leme duplo, motores separados e «semi asas» integradas na parte inferior da fuselagem, fez com que o RAM-J fosse inicialmente classificado como uma cópia atrasada do F-15, que na altura já estava em operação.

A ideia de que se tratava de uma aeronave com características «inferiores» veio no entanto a ser alterada quando começaram a aparecer as primeiras fotografias do novo avião, como as que foram tiradas por aviões noruegueses de patrulha em 1987.

O novo avião soviético tinha grandes dimensões, era extremamente veloz e estava pesadamente armado. Estas indicações foram sendo confirmadas à medida que o novo avião era testado, e apreciado em feiras internacionais, tendo entre 1986 e 1988 batido vários recordes que pertenciam ao seu rival americano, o F-15.

Os soviéticos também não se restringiram aos aprimoramentos aerodinâmicos com os quais contavam para se superiorizar ao F-15. Eles também estudaram novos radares.

A grande dimensão do avião facilitou o projecto de incorporação de um radar com uma antena de dimensões generosas, o que desde logo dava ao Su-27 uma capacidade considerável para detectar potenciais inimigos.

Ele recebeu inicialmente um radar com capacidade «Look Down Shoot Down» que lhe permitia atacar inimigos que estivessem a altitudes mais baixas, tendo melhor capacidade para os detectar. Estas características eram novas em caças soviéticos, e apresentavam novos desafios para os seus congéneres ocidentais. No entanto, o novo radar encontrou vários problemas no seu desenvolvimento e considera-se que o atraso nas entregas a unidades operacionais da Força Aerea da URSS se deveu a esse problema.

O Su-27 foi equipado com um canhão Gs-301 de 30mm montado na fuselagem do lado direito.

Mas a principal e clara vantagem do Su-27 era a sua evidente capacidade de transportar exteriormente um grande numero de mísseis e bombas em oito pontos na fuselagem. Entre as armas que o novo avião tinha capacidade para transportar e disparar encontravam-se os na altura modernos R-27 de médio/longo alcance, idênticos aos mísseis Sparrow americanos e os R-73 de curto alcance, normalmente considerados superiores aos seus equivalentes ocidentais.

R-27
Míssil R-27


Míssil R-73

Com este novo avião, a força aérea da União Soviética no final dos anos 80, encontrava-se numa situação privilegiada, que até ali não tinha tido no cenário europeu, pois o Su-27 permitia dispor de superioridade sobre a maioria dos caças ocidentais a operar na Europa. O Su-27 assim como o MiG-29 estão entre as razões dos extensivos programas de modernização dos caças F-16A/B conhecidos como programas MLU que se destinaram a garantir que as aeronaves ocidentais continuavam a ter alguma vantagem sobre os seus congéneres russos.

 



Título: 30 Anos do Flanker (última actualização: 19.05.2007)
Autor: P.Mendonça / Luis C. Gomes
Referências: ver última página


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