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Necessidade do controlo marítimo

O mar como meio de comunicação

As necessidades de transporte de uma força armada são desde que o Homem se aventurou no mar com intuitos bélicos, um dos problemas mais complicados e de maior complexidade.

Transportar uma força militar através do mar, é uma operação que consiste não apenas no transporte físico da força, como também no transporte dos meios que permitam a essa força um nível mínimo de abastecimentos que lhe permitam manter-se na área tomada e eventualmente avançar para o interior com o objectivo de cumprir as missões que lhe tiverem sido atribuídas.

Sendo a superfície do planeta constituída por praticamente dois terços de água, o controlo militar de mares e oceanos torna-se da maior importância, por permitir deslocar forças entre massas terrestres utilizando para isso as vias marítimas.

Galera grega
Navio de guerra grego: Ao controlar o mar Egeu, os gregos garantiram a derrota do exército persa. O apoio logístico por via marítima era essencial para a manutenção do exército de Xerxes. Sem apoio logístico, a Persia estava derrotada.

A importância do controlo do mar nota-se desde a antiguidade, sendo de especial relevância histórica a vitória da esquadra grega sobre a esquadra de Xerxes, rei dos Persas. Com a sua esquadra derrotada em Salamina, o exército de Xerxes foi o primeiro grande exército a retirar de uma posição de força por falta de capacidade da sua esquadra para controlar o mar e apoiar as forças em terra.

Mais tarde, a afirmação do império romano sobre a cidade-estado de Cartago faz-se no mar. Os cartagineses conseguem transportar um exército para atacar Roma, mas os romanos dominam o mediterrâneo e conseguem total supremacia sobre os cartagineses ao longo das guerras púnicas.

Embora o império romano fosse também uma força naval importante, na verdade o controlo completo das costas do Mediterrâneo levaram a que a força naval de Roma tivesse decaído após a derrota de Cartago. O império bizantino, criado a partir do antigo império romano do oriente ainda conseguiu construir ao longo de séculos uma importante força naval até à sua decadência final. Posteriormente, todos os poderes que surgiram no mar mediterrâneo disputaram o controlo desse mar.

A expansão europeia, que começou em 1415 com a conquista da cidade africana de Ceuta por forças portuguesas, veio alterar radicalmente o equilíbrio mundial, ao iniciar um processo que transferiu o centro do mundo do mar Mediterrâneo para o Oceano Atlântico.

A partir desse momento, e durante os 500 anos seguintes em que a Europa afirmou o seu domínio, o controlo do mundo mediu-se pela capacidade dos países controlarem não mares mas Oceanos.

Carraca portuguesa
Plano de carraca portruguesa. Os portugueses utilizaram navios de grandes dimensões para estabelecer a ligação entre as suas possessões asiáticas no século XVI. O dominio no Índico e a destruição total das frotas árabes, garantiram aos portugueses quase um século de dominio das rotas de especiarias entre a Europa e a Índia. O momento mais épico do império foi conseguido graças à superioridade naval, mesmo quando não era possível controlar grandes extensões de terreno. A dependência que havia do comércio marítimo na Ásia, permitiu aos portugueses controlar terras para o interior, que dependiam da exportação e importação de produtos provenientes das áreas costeiras.

 

O primeiro país a afirmar o seu poder através do domínio de um oceano foi Portugal, quando controlou de forma eficaz durante quase um século o oceano Índico, o que concedeu aos portugueses o controlo efectivo de grande parte do comércio entre os vários reinos da Ásia, dando consequentemente aos portugueses as riquezas que esse domínio lhe proporcionava.

Com a decadência do império português, que praticamente se retirou do Índico após 1640, o domínio dos mares foi contestado e tanto franceses como ingleses como mesmo holandeses disputaram o domínio dos oceanos tanto no oriente como a ocidente onde o controlo do Atlântico se tornou absolutamente primordial para garantir o acesso às possessões europeias tanto na América (do norte e do sul) como na África e também na Ásia.

Os ingleses acabaram por vencer a corrida contra a França, que culminou com a vitória britânica em Trafalgar, a qual não sendo decisiva é o marco claro da afirmação do poder dos britânicos nos mares do mundo sobre os seus rivais franceses.

Navio de linha britnico
Navio de linha britânico «Man o War». Este tipo de navio com grande numero de canhões, permitiu à Grã Bretanha sair triunfante do confronto com a França pelo domínio dos mares. Com a derrota da França de Napoleão e com o dominio dos mares assegurado a Grã Bretanha ganhou o controlo das linhas de comunicação com as suas colónias e beneficiou durante um século de um dominio não contestado das linhas de comunicação marítimas.

A partir de aí, o país que tem capacidade para controlar o mar, é a potência dominante num mundo que por sua vez é dominado pela Europa.
As potências que ficaram relegadas ao papel de potências continentais por incapacidade de contestar o domínio marítimo acabam por contestar apenas no continente o poder da potência marítima, mas o domínio do mar acabou sempre por ser determinante em todos os principais conflitos.

Foi assim no conflito entre franceses e ingleses, como também foi assim nos conflitos entre ingleses e alemães na primeira e na segunda guerras mundiais. Durante a guerra fria mais uma vez nos deparamos com um conflito entre uma potência claramente continental, a União Soviética e uma potência que controla os oceanos (os Estados Unidos da América).

Mais uma vez, é a potência que tem o controlo marítimo que vence a longo prazo o conflito.

Com o fim da guerra fria, e a destruição da União Soviética, a lição parece aprendida por muitos países, e à medida que o mundo evolve, com o fim do sistema bipolar em que duas superpotências se digladiam indirectamente, surgem os problemas decorrentes dos múltiplos conflitos regionais, onde as potências com capacidade de projecção de poder jogam também o seu prestígio e afirmam o seu papel no mundo.

É por isto, e por causa da necessidade de afirmação internacional, que muitos países optam a partir da última década do século XX, por se equipar com meios de projecção naval que lhes permitam colocar a grandes distâncias homens e armas, e ao mesmo tempo, garantir a essas forças o apoio logístico necessário para as manter, mesmo em condições adversas.

Os navios de apoio logístico, de vários tipos, são referidos por várias siglas, conforme a sua capacidade de envolvimento na área em conflito.

Uns navios têm capacidade para desembarcar tropas nas praias, outros têm capacidade para desembarcar tropas a maiores distâncias, outros têm capacidade para desembarcar tropas utilizando helicópteros e outros ainda têm capacidade para efectuar os dois tipos de desembarque.

 



Título: Navios de apoio logístico (última actualização: 22.01.2008)
Autor: João Pedro Brás / P.Mendonça
Referências: última página


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