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Antecedentes

Esta pequena reflexão, não pretende ser um exercício de futurologia sobre as forças armadas brasileiras, mas apenas uma análise de algumas das possibilidades e oportunidades para os próximos anos e sobre os desafios que se levantam.

M-41 com canhão de 76mm: Um dos veículos adaptados nos anos 70/80 e que permitiram ao exército brasileiro um sopro adicional de vida. Mas os estudos não prosseguiram e o Tamoyo, que se seguiria ao M-41 modernizado nunca viu a luz do dia.

Durante os anos 70, o fim de acordos militares com os Estados Unidos levou o Brasil a tentar seguir uma linha independente no que respeita aos armamentos militares, optando por garantir uma quase total independência relativamente aos Estados Unidos após um período (anos 50 e 60) em que a dependência dos fornecimentos norte americanos era quase total.

No final dos anos 60 foi criada a Embraer, uma empresa que se destinava a dar ao Brasil uma autonomia muito considerável na montagem e construção de aeronaves. Foi apoiada a industria militar, que desenvolveu conjuntamente com o exército brasileiro soluções relativamente eficazes para a modernização do parque de veículos do exército e da marinha, de entre as quais se destacou a Engesa, que não só produziu equipamentos para utilização interna como se transformou num dos maiores exportadores brasileiros nos anos 80.

A marinha brasileira recebeu um impulso considerável, nomeadamente ao potenciar a capacidade para a construção de submarinos no Brasil, esforço que viria a resultar na construção no país dos submarinos do tipo U-209, o último dos quais o Tikuna foi entregue à marinha em 2006.

Crise económica e arrefecimento da procura
Durante os anos 80 ao mesmo tempo que o governo militar conduzia a economia do país para uma situação de impasse, numa altura em que a inflação brasileira atingia patamares absolutamente impensáveis, tornou-se inevitável uma politica de contenção de despesas, a qual conforma acontece sempre em todos os países do mundo, começou por cortar os investimentos nas forças armadas.

O fim da guerra fria, levou a que o mercado mundial de armamentos fosse inundado de grandes quantidades de equipamentos militares de origem soviética, a preços baixíssimos e com tecnologia normalmente igual ou superior aquela que a industria brasileira poderia colocar no mercado.

Para responder ao desafio que representava este inesperado concorrente, a industria brasileira precisava de uma forte injecção de capital, para conseguir projectar e produzir equipamentos que pudessem apresentar não só um preço atractivo como ao mesmo tempo uma qualidade e tecnologia a altura.

Mas a industria brasileira de armamento não foi capaz de dar esse salto.
Uma das principais razões tem a ver com o facto de a crise que resultou da inundação do mercado internacional de armamento, ocorrer na mesma altura em que crises politicas continuas assolaram o Brasil

Presidentes
Sarney
José Sarney
Collor
Fernando Collor
Itamar
Itamar Franco
FHC
Fernando Henrique Cardoso

Entre 1985 e 1990, o governo de José Sarney, o vice-presidente do malogrado Tancredo Neves, negociou com uma hiperinflação descontrolada e entre escândalos financeiros.
E durante quase três anos, entre Março de 1990 e Dezembro de 1992, o Brasil foi governado por Fernando Collor, que acabaria sendo destituído por um processo de impedimento presidencial. Collor foi substituído pelo seu vice, Itamar Franco, o qual procedeu a uma politica de estabilização económica e de controlo da inflação, politica de que acabou beneficiando Fernando Henrique Cardoso que esteve no poder durante dois mandatos de quatro anos entre 1995 e 2003.

No entanto, durante este período, desde José Sarney até Fernando Henrique Cardoso a posição confortável do Brasil como principal potência da América do Sul não permitiu que os políticos brasileiros olhassem com atenção para o que acontecia com as forças armadas.

Problemas desde os anos 70
Na verdade, o rearmamento brasileiro dos anos 70, que tornou o país independente de Washington em muitos sectores nunca foi concluído.
Parte dos projectos e das ideias que inicialmente tinham sido previstas nunca chegaram até ao fim, pelo que os ramos das forças armadas brasileiras, operaram na segunda metade dos anos 80, nos anos 90 e já na primeira metade da primeira década do século XXI, com os meios cujo desenvolvimento foi na prática cancelado com o agravar da crise económica dos anos 80.

Esta situação culminou com o inevitável processo de modernização de forças armadas de outros países do continente, como o Chile, e também com a ascensão ao poder em 2003 do coronel Hugo Chaves na Venezuela, o qual com a sua retórica tem vindo a extremar posições e a aumentar tensões em toda a América do sul desde que chegou ao poder.

Escorado no típico populismo de caudilho que caracterizou muitos dos líderes do continente durante o século XX. Chaves afirmou a sua repulsa para com os Estados Unidos e partiu para um processo de modernização das suas forças armadas que sem ser especialmente revolucionário se tem vindo a tornar desconfortável para os militares brasileiros.

Visto como potência moderadora, a capacidade do Brasil para transformar em factos reais essa sua posição natural de moderador no continente, tem vindo a ser posta em causa pela cada vez mais preocupante obsolescência dos meios militares brasileiros, que não sofreram praticamente nenhuma modernização efectiva nas últimas décadas.

Para os militares brasileiros, mas também para os políticos de Brasília, o país não precisa entrar em guerra com ninguém, mas a posição brasileira como principal potência na região, está efectivamente a ser posta em causa por países que embora se limitando a modernizar as suas forças para padrões mais modernos, conseguem ultrapassar as capacidades brasileiras, por estas terem permanecido praticamente ao mesmo nível do que eram nos anos 80, com a desvantagem de os equipamentos entretanto se terem tornado obsoletos ou inoperacionais.

 



Título: Rearme brasileiro (última actualização: 25.11.2007)
Autor: P.Mendonça + Luis C.Gomes
Referências: -


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