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Rafale, Super Hornet e Gripen - Análise comparativa

 
Ao fim de muitos adiamentos, o programa FX2 está actualmente num processo evoluído e deverá ter um vencedor a curto prazo. Actualmente 3 modelos estão na short-list para a decisão final: Rafale (baseado na versão F3), F/A18 E/F Super Hornet e Gripen NG. Estas aeronaves estão dentro da geração 4+ ou 4,5. São modelos com muitas diferenças entre si e cuja análise comparativa é complexa e extensa, sendo este artigo uma abordagem às características mais importantes e pertinentes para compreender o que cada um apresenta de vantagens e desvantagens.
 
Motorização e Potência
 
No que toca a motores, SH e Rafale possuem 2 motores, o que é natural tendo em conta o seu peso, quanto ao Gripen, por ser um caça ligeiro, possui apenas um.
O Rafale actualmente utiliza um par de M88-2, com uma potência de 50,04 kN (11.250lbf) (N.A. lbf = medida de potência medida em libras), e de 75,62 kN (17.000lbf) com after-burner, o que tendo em conta o Rafale ser um bimotor, equivale a uma potência total de 22.500 libras, ou 34.000 com after-burner.
 Actualmente a empresa Snecma já está a trabalhar numa nova versão, o M88-Eco que terá uma manutenção mais simples e económica e uma potência maior, que deverá chegar às 20.000 libras, algo que resulta da evolução constante deste motor (que já conta com outras duas versões: M88-3 e M88-4), e que deriva também da pressão de potenciais compradores como os Emiratos Árabes Unidos, que exigem um motor mais potente que o M88-2 original.

M88
M-88, o motor do caça Rafale


Super Hornet e Gripen tem basicamente o mesmo motor base, o F414 da americana General Electric. No caso do SH, trata-se do F414-GE-400, um motor com uma potência de 62,3 kN (14.000 lbf), ou 97,9 kN (22.000lbf) com after-burner, o que dá uma potência total de 28.000 libras em regime normal e de umas impressionantes 44.000 com after-burner. O Gripen usa o F414-G do consórcio GE/Volvo Aero, este modelo possui ligeiras alterações em relação ao modelo-base utilizado pelo SH, para permitir a sua instalação em versão monomotor. No entanto, apesar de ter uma potência base muito inferior aos dos seus adversários, o Gripen tem a capacidade de SuperCruise (voar à velocidade do som, sem utilizar o after-burner), desde que carregando uma carga ligeira, como mísseis ar-ar. No caso de usar depósitos de combustível e armas de peso elevado, essa capacidade será inviável.

Acima, o motor F-414 que equipa o Super Hornet e o Gripen

Todos estes motores utilizam um sistema FADEC (Full Authority Digital Engine Control), que permite elevadas acelerações (no caso do Rafale permite passar de Stand By a After-Burner em apenas 3 segundos), e terão também sido optimizados para emitirem o mínimo de calor possível, de modo a transmitir um sinal infra-vermelho reduzido e assim tornar a sua detecção difícil.

Ao analisar as diferentes motorizações, existem outros factores em análise como o peso que essa potência instalada terá que mover.
No caso do Rafale, o seu peso vazio ronda os 10.000 Kg, com um peso máximo de 24.500 Kg, o que dá valores peso/potência bastante elevados: 2,25 libras de potência por cada Kg de peso (usando a potência básica e o seu peso em vazio), passando para 0,918 lbf/kg com carga máxima.
Usando after-burner, estes valores aumentam exponencialmente, o que é importante numa situação de combate intenso (3,4 lbf/kg e 1,38 lbf/kg respectivamente).

O Super Hornet apresenta a maior potência instalada, mas também o maior peso dos 3 concorrentes. Em vazio atinge um peso de 13.900 Kg e um peso máximo de 30.209 Kg. Com os motores em regime normal, atinge 2,014 lbf/kg e 0,927 lbf/kg (peso mínimo/peso máximo), usando after-burner esses valores passam para 3,165 lbf/kg e 1,456 lbf/kg.

O Gripen NG está numa classe muito diferente dos seus concorrentes. Com um único motor possui uma potência de 62,3 kN (14.000lbf) e 97,9 kN (22.000 lbf), no entanto, por ser um caça ligeiro, o seu peso é muito menor que o dos seus concorrentes: 5.900 Kg vazio e16.000 Kg de peso máximo, do que resulta uma potência de 2,372 lbf/kg e 0,875 lbf/kg em regime normal, e de 3,728 lbf/kg e  1,375 lbf/kg com after-burner.


Estes valores apresentam variáveis mínimas e máximas, pelo que serão insuficientes só por si para compreender na sua totalidade os diversos regimes de peso/potência de cada aeronave, tudo dependerá também do peso dos armamentos transportados, das dimensões e formas das aeronaves, condições meteorológicas, entre outros.


No entanto, será possível retirar algumas conclusões destes diferentes cenários: num regime de carga pesada (como é o caso das missões de ataque ao solo) o Super Hornet possui melhores performances que o Rafale (apesar de o Rafale ter um menor peso-base), algo que poderá mudar com o Snecma M88-ECO.
Porém, o Rafale em regime de voo com carga reduzida (como é o caso de missões ar-ar) atinge valores muito positivos e inclusivamente superiores aos do SH.
O Gripen apesar da pouca potência instalada, tem também um peso reduzido, o que dá uma boa relação peso/potência, de tal modo que é o que possui os melhores valores em regime de baixo peso. Além disso, a sua menor dimensão leva a que haja um menor atrito, conduzindo a uma inerente vantagem que lhe possibilita inclusivamente a capacidade de SuperCruise.

 



Título: Os caças do FX-2 (última actualização: 08.09.2009)
Autor: Ricardo Silva
Referências: Ver última página


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