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Antecedentes

Este curto relato, pretende dar ao leitor uma pequena ideia, de uma forma cronológica, do que foram os últimos dias do III Reich de Hitler. Não se trata de um trabalho com grande profundidade, para especialistas, mas sim, de um relato sobre o que se passava na frente de batalha às portas de Berlim, e dentro do abrigo do comandante em chefe de um império que devia durar 1000 anos, mas que não chegou sequer a 1000 semanas

De entre os vários livros de História que serviram como base, para o que a seguir se descreve, resalta a obra de Cornelius Ryan, A queda de Berlim, a última Batalha”. No entanto, os factos relatados, e as datas, nem sempre se referem exclusivamente àquela obra. É porém a sua estrutura base, a utilizada para iniciar este relato, que começa quando em 22 de Março de 1945, o General Gothard Henrici, um general desconhecido da maioria dos Alemães, por ter o seu nome ligado, não ás grandes vitórias, mas sim ás retiradas estratégicas e à guerra defensiva, é nomeado Comandante do Grupo de exércitos do Vístula, a última defesa, entre Berlim, e a avalanche de forças russas.

Com inicio em 22 de Março, relata-se a situação desde que o coronel-general Heinrici, é nomeado como comandante do grupo de exércitos do Vístula.

A partir de 16 de Abril, e até 30 de Abril, faz-se um relato diário, onde se incluem mapas da posição da frente de batalha, e/ou fotografias que tenham a ver com os acontecimentos. Ao mesmo tempo, incluem-se pequenos extractos sobre a situação dentro da cidade de Berlim, e sobre os acontecimentos dentro do abrigo de Hitler.

O relato diário, tem o seu fim, quando ocorre a rendição da Alemanha.

A acção, decorre durante o período final da curta vida do III Reich. Depois das grandes conquistas de 1939,1940 e 1941, e do periodo de impasse de 1942 e 1943, veio em 1944 a resposta dos aliados, com a invasão da Normandia e os enormes avanços soviéticos para ocidente.

 

Situação tática no inicio de Março de 1945

Em Março de 1945, a situação da Alemanha é desesperada. As forças soviéticas, na sua última ofensiva, haviam atacado com uma força devastadora na Prussia oriental, e haviam tomado toda a Alemanha até ao rio Oder, que se encontrava a apenas 90 quilometros de Berlim. A Oceidente, as forças americanas e britânicas, haviam chegado ao Reno, tendo os americanos tomado uma ponte em Remagen, conseguindo por isso estabelecer uma testa de ponte naquele lugar. No entanto, outras passagens do Reno são eminentes. É perante esta situação que Hitler é convencido a nomear o general Gothard Heinrici para chefe do grupo de Exércitos do Vístula (grupo de exércitos que havia recuado desde o rio Vístula, até ao rio Oder, em frente a Berlim)

 

Caça-tanques pesados alemães do tipo Jagdpanther, um derivado do Panzer V «Panther». A Alemanha perdeu mais de 600 tanques e caça-tanques nas Ardenas em Dezembro de 1944.

Para entender a posição das forças alemãs em Março de 1945 é necessário olhar para as duas principais frentes[1] em que o III Reich combatia nessa altura, quando qualquer observador facilmente entenderia que a posição da Alemanha de Hitler era absolutamente insustentavel e a derrota inevitável.

A ocidente, a Alemanha tinha efetuado em meados de Dezembro, a sua última grande ofensiva contra os aliados ocidentais. Para Hitler, tratava-se de tentar cortar as forças aliadas em dois, e forçar algum tipo de entendimento ou de paz separada com americanos e britânicos. Mesmo na altura, vários generais alemães consideraram a ofensiva absurda e um desperdício de homens e material que faziam falta para combater os russos, como falta faziam as 18 divisões isoladas na peninsula da Curlandia (atual Letónia), cuja situação Guderian várias vezes lembrou a Hitler.

Com a queda da frente do Reno em Março, os alemães ainda tentaram criar uma segunda linha de defesa no rio Elba, criando para isso um novo exército, o XII. Esse exército nunca chegou a ficar completo mas aparecia como um exército nos mapas de Hitler.

A campanha nas Ardenas, planeada ao mais pequeno detalhe, acabou no entanto por fracassar embora os alemães tivessem investido pesadamente nela - enviando para a frente ocidental grande parte dos seus meios blindados disponíveis.

Guderian, o comandante do Alto Comando do Exército lembrará que Hitler insistia em ter mais forças e melhor armadas na frente ocidental, recusando-se a aceitar que os russos constituiam uma ameaça mais grave que os americanos.

A obstinada resistência dos norte-americanos e a enorme mobilidade dos seus exércitos [2] rapidamente cancelou o efeito de surpresa. Doze dias depois do inicio da operação alemã, Hitler reconhecera perante os seus generais que a iniciativa tinha falhado.

 

Depois da vitória nas Ardenas confirmada em Janeiro, as forças americanas e britânicas, haviam chegado ao Reno, tendo os americanos tomado uma ponte em Remagen a 7 de Março e conseguido por isso estabelecer uma testa de ponte naquele lugar. O cerco da região industrial do Ruhr, completado entre 1 e 4 de Abril de 1941, implicou cerco de 21 divisões alemãs e a última grande derrota da Wermacht em termos de soldados perdidos

Com a destruição do que restava das forças alemãs na frente ocidental, o caminho para Berlim ficou praticamente aberto.

As forças utilizadas e perdidas pelos alemães na ofensiva falhada nas Ardenas (de entre as quais, 600 tanques e canhões de assalto), ainda que não pudessem garantir a vitória da Alemanha, teriam provavelmente ajudado a impedir o que aconteceu na frente a leste, quando um mês depois os soviéticos lançam a sua campanha sobre a Polónia e Prússia oriental.

Tropas polacas durante a revolta de Varsóvia, ocorrida no final de 1944, com as tropas russas às portas da cidade.

Na frente leste, os alemães tinham recuado até às portas de Varsóvia depois da grande ofensiva soviética do Verão de 1944 (operação Bagration), que tinha coincidido com o desembarque das tropas americanas e britânicas na Normandia. Os alemães tinham estabelecido (para defender o território alemão) o que designaram como grupo de exércitos do Vistula.

A 12 de Janeiro de 1945, quando os alemães já tinham sido derrotados nas Ardenas, o exército vermelho tinha lançado uma ofensiva devastadora, durante a qual, se possível, pretendia atingir Berlim.

Embora os soviéticos tivessem o sucesso garantido, a utilização pelos alemães do conceito de cidades fortaleza e a resistância das forças alemãs enconstadas ao mar Báltico, imobilizou grandes efetivos soviéticos.

Embora em Fevereiro de 1945, os alemães praticamente não tivessem nada em posição para defender a cidade de Berlim, a ofensiva soviética tinha-se extinguido, e nas suas posições mais avançadas levantava-se mesmo o perigo de uma contra-ofensiva alemã, que isolasse grande número de forças soviéticas.

Do lado alemão, a ofensiva soviética foi mais devastadora, mercê da incompetência do comando do grupo de exércitos do Vistula, que tinha sido dado por Hitler ao chefe das SS, Heirich Himmler.

Himmler, que poderia ser eficiente a extreminar judeus, não tinha no entanto qualquer capacidade militar efetiva. O resultado foi catastrófico, tendo o Reichfuhrer sido fortemente criticado em Berlim pelos generais alemães, que atribuiram à sua inépcia e incompetência a derrocada na frente leste.

É no entanto verdade que, ao desguarnecer a frente leste para combater os americanos na frente ocidental, os alemães traçaram em Novembro e Dezembro de 1944, o resultado da batalha que ocorreu em Janeiro/Fevereiro de 1945 na frente leste.

A grande ofensiva soviética de Janeiro de 1945 aproximou-se de Berlim, atingindo o rio Oder. No entanto enfraqueceu rapidamente e não conseguiu debelar todos os focos de resistência alemã. Por isso os soviéticos decidiram parar a ofensiva de forma a permitir o reagrupamento das tropas para o ataque final.

 

Breslau, capital da baixa Silésia: A cidade foi transformada em fortaleza e para a cercar os soviéticos precisaram de enormes efetivos. Esta tática permitiu aos alemães evitar que os soviéticos decidissem atacar Berlim ainda em Fevereiro de 1945.

Soviéticos no rio Oder

No final de Fevereiro de 1945 os soviéticos não tinham conseguido chegar a Berlim, embora alguns generais tenham posteriormente afirmado, que se tivesse recebido ordem para o fazer, tal teria sido possível porque não havia nada entre a vanguarda das forças soviéticas e a capital do Reich.

Os soviéticos tinham atingido o rio Oder, e o rio Neisse, um seu afluente a sul. No entanto, na frente norte as forças do marechal Rokossovsky não tinham logrado avançar com a mesma rapidez e ainda possuiam muitos efetivos empenhados em duros combates contra guarnições alemãs que ou se encontravam isoladas ou se encontravam prestas e ficar isoladas.

O grupo de exércitos do Vistula, encontrava-se agora a defender o Oder, numa linha que começava a norte no Báltico em Stettin e que se prolongava para sul. No extremo norte encontravamse as forças do marechal Rokossovsky, que estavam atrasadas por ainda terem que lidar com várias bolsas de resistência alemãs.
Mais a sul, encontravam-se as forças do marechal Zhukov, diretamente em frente a Berlim. A frente continuava pelo rio Neisse, um braço na margem esquerda do rio Oder. Nesse setor a sul, encontravam-se as forças do marechal Koniev, arqui-rival do marechal Zhukov.

Zhukov e Koniev vão competir pelo trofeu final. Até ao último momento, Estaline deixa em aberto a possibilidade de Koniev, mesmo não estando diretamente em frente de Berlim, poder avançar para norte e tomar a cidade vindo do sul, caso Zhukov não consiga avançar.


[1] - Além da frente leste e da frente ocidental, a Alemanha combatia também na frente italiana e nos Balcãs, campanha que embora contigua, apresentava características distintas.

[2] - Ao contrário dos alemães e dos soviéticos que ainda possuiam grande número de unidades que se deslocavam a pé ou a cavalo, todas as unidades americanas e britânicas eram completamente motorizadas, o que facilitava o reforço de áreas em perigo e que em última instância permitiu aos americanos anular a ofensiva alemã nas Ardenas.



Título: Queda de Berlim (última actualização: 15.04.2015)
Autor: Vários
Referências: ver lista


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