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Região: Brasil
Tema: Marinha

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Marinha à míngua: Adverte comando brasileiro

01.06.2005
O acidente em uma das tubulações da padaria do navio-aeródromo São Paulo, que matou um militar e deixou 10 feridos há duas semanas, trouxe à tona a grave crise financeira da Marinha do Brasil. Em seis anos, 21 navios foram desativados por falta de recursos. Nove embarcações e nove aeronaves viraram sucata em 2003 e 2004. O número de dias da tripulação no mar caiu pela metade. Peças de embarcações desativadas são reaproveitadas, e faltam verbas para tocar a obra do mais novo submarino brasileiro, o Tikuna. A rotina de privações enfrentada pelos 50 mil praças e oficiais da corporação foi admitida pela própria Marinha, em comunicado oficial transmitido por fax ao DIA, após reportagens sobre o acidente no São Paulo. O documento de cinco páginas faz um alerta: “Os contingenciamentos de natureza orçamentária, ao longo dos últimos anos, estão comprometendo o Poder Naval Brasileiro”. As matérias apontaram o corte nos orçamentos militares como uma das possíveis causas da explosão no porta-aviões, segundo especialistas consultados. O Serviço de Relações Públicas da Marinha confirma o teor das reportagens, de que peças de navios aposentados são reutilizadas. “Essa prática constitui-se em uma exceção, que vem se tornando mais freqüente em função das restrições orçamentárias impostas à Marinha”, revela. Segundo o documento, está prevista a retirada de 90% dos navios até 2025. O treinamento também foi reduzido. Homens que deveriam ir ao mar passam maior parte do ano em terra, em simulações, por falta de combustível. Os dias de operações em mar aberto foram cortados à metade: de 2.161, em 2000, para 1.250, em 2004. “A Marinha, consciente das demandas socioeconômicas do País, a partir de 2003, cortou despesas além das suas possibilidades e, no corrente ano (2005), chegou ao limite de retração de gastos”, adverte o texto. Praças e oficiais pedem reajuste e o reaparelhamento da Marinha Na batalha por melhores condições de trabalho, praças e oficiais estão manobrando o mesmo barco num mar de escassez. No último ano, dois terços das verbas para reparo foram a pique. Há três anos, o São Paulo era capaz de lançar dois aviões ao ar num intervalo de 2,5 minutos. Em 2004, já levava 5 minutos. A contenção dos gastos militares, impostas desde 1995, interfere nas operações navais e ameaça a segurança dos militares. “Há redução na capacidade de emprego dos recursos humanos e materiais com sérios reflexos no adestramento”, diz a nota oficial da Marinha. A corporação informou que encaminhou, em 2003, Programa de Reaparelhamento (PRM) para análise da Casa Civil da Presidência da República. Corte traz atrasos em projetos A União acenou com reajuste de 23% para os militares ano passado. Não cumpriu e ainda impôs corte de R$ 850 milhões para Exército, Marinha e Aeronáutica. O resultado são programas praticamente parados. Na Marinha, os únicos projetos ainda em andamento – a corveta Barroso e o submarino Tikuna – sofrem com constantes adiamentos. “Estes atrasos têm como conseqüência a perda de garantia técnica de materiais e equipamentos já comprados, instalados e armazenados”, afirma a Marinha. A modernização de fragatas da classe Niterói, que deveria ser concluída em 2001, só será encerrada em dezembro. Segundo a Marinha, já foram desativados os contratorpedeiros Paraíba, Paraná e Pernambuco; os navios-transporte Soares Dutra e Custódio de Mello; o navio de desembarque de carros de combate Duque de Caxias; a fragata Dodsworth e seis helicópteros. A aposentadoria foi “em função do elevado nível de degradação e obsolescência, por falta de recursos para manutenção adequada”, descreve o documento. Os submarinos da classe Tupi, apesar de iniciados em 2003, vêm sendo executados de forma “bastante lenta”, sem previsão de término. A Marinha afirma ainda que, nos últimos anos, banca “praticamente sozinha” o programa nuclear e faz “esforço muito grande na tentativa de manter sua capacidade operacional”. Tripulação do São Paulo enfrentou outros acidentes O acidente ocorrido este mês na padaria do navio-aeródromo São Paulo não foi o primeiro. Na nota oficial, a Marinha informou que, antes do dia 17 de maio, foram registrados outros episódios menos graves do que o que resultou na morte do terceiro-sargento Anderson do Nascimento. Na ocasião, o calor de 450 derreteu peças da padaria e descascou o compartimento. “As avarias operacionais do navio e das aeronaves embarcadas foram de natureza leve, sem conseqüências relevantes para o material e o pessoal e corrigidas pela tripulação e por órgãos de apoio, em terra”, esclarece. Na nota, a Marinha descreve como as embarcações desativadas abastecem de peças os navios em manutenção: “O São Paulo já utilizou peças destinadas à modernização do Minas Gerais (porta-aviões). Da mesma forma, sobressalentes do ex-porta-aviões Clemenceau”. E acrescenta: “Não há degradação no nível de segurança, mas redução do número de aeronaves prontas”. Militares consultados pelo DIA apontaram o desgaste de material como uma das possíveis causas do acidente na padaria do São Paulo. Segundo a Marinha, o local foi preservado e submetido à perícia. A seção da tubulação por onde ocorreu o vazamento de vapor foi retirada para exame metalográfico (estudo dos metais do material). AERONAVE SH-3 SEA KING - Usada na caça de submarinos e no auxílio aos porta-aviões. Seis delas foram desativadas. Pernambuco - Contratorpedeiro da classe Garcia, foi transferido para o Brasil em 1989, proveniente dos Estados Unidos, onde começou a operar em 1965. A embarcação, comprada da marinha americana, foi incorporada à reserva em março de 2004, aos 39 anos. Soares Dutra - O navio-transporte foi comprado pelo Governo brasileiro em 1957 dos Estados Unidos. Com idade avançada, aos 44 anos, e bastante obsoleto, foi aposentado pela Marinha do Brasil em junho de 2001. Na reserva, passou a servir como alvo para treinamentos. Paraíba - Terceiro contratorpedeiro a ser desativado pela Marinha em 2003, aos 38 anos, ao lado do Paraná e do Pernambuco. O navio de guerra foi trazido para o Brasil em 1989, proveniente da Esquadra americana. Permaneceu 14 anos em águas brasileiras. Duque de Caxias - Navio de Guerra utilizado para desembarque de carros de combate. Foi incorporado à Marinha americana em 1957. Operou em águas brasileiras até ser aposentado em 2000, aos 43 anos de idade. A embarcação foi substituída pelo navio Mattoso Maia. Paraná - Da mesma classe do contratorpedeiro Pernambuco, o navio foi desativado pela Marinha do Brasil em 2003, aos 35 anos. Foi adquirido pelo Governo brasileiro dos Estados Unidos, onde estava aposentado. Os contratorpedeiros são navios de escolta da Marinha. Dodsworth - A colocação da fragata na reserva acendeu a luz amarela em ambientes ligados à defesa nacional. A Dodsworth foi adquirida do Reino Unido nos anos 90 e tinha apenas 24 anos, dos quais sete no Brasil. Sua baixa se deu por falta de recursos financeiros.


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