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Região: Timor
Tema: Sociedade / Política

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Facção militar de Aileu acata ordens de Xanana

14.05.2006
O chefe do Estado timorense, Xanana Gusmão, manifestou ontem a sua total confiança na facção militar contestatária liderada em Aileu pelo major Alfredo Reinado e encarregou-a, inclusivamente, de controlar a situação em Bobonaro.

`Acabo de receber uma informação do comandante-geral da polícia de que em Bobonaro [a 70 quilómetros de Díli] a juventude está a querer paralisar a administração do distrito`, afirmou Xanana após um encontro com Reinado no jardim da sua residência particular nos arredores da capital, segundo relatou o enviado da agência Lusa, Rui Boavida.

Na reunião, solicitada por Reinado e mediada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Ramos-Horta, Xanana pediu a intervenção dos militares `para impedir mais violência`. O major lidera um grupo de 20 militares no activo e quatro polícias que no dia 4 abandonou a cadeia de comando das forças armadas e partiu para Aileu (a 47 quilómetros de Díli).

Na véspera, Reinado garantira em entrevista à Lusa que os militares foram para Aileu para proteger as pessoas que fugiram da capital após os confrontos com as forças de segurança a 29 de Abril, dos quais resultaram cinco mortos. Os incidentes seguiram-se a uma manifestação de militares contestatários que alegavam discriminação por parte da hierarquia das forças armadas.

Ontem, Xanana disse que tanto ele como o primeiro-ministro [Mari Alkatiri] sempre souberam que a saída para Aileu teve por objectivo evitar distúrbios, precisando: `Os militares continuam a garantir a sua submissão ao Estado, a prestar obediência ao brigadeiro-general [Taur Matan Ruak] e tentam esclarecer o povo que não saíram para derrubar governos, mas para estabilizar o país`.

Após o encontro perto de Díli, comentando o pedido do chefe do Estado em relação a Bobonaro, Reinado confessou que este `fez a diferença` em Timor-Leste. No entanto, lembrou que falta ainda descobrir o responsável pelos disparos das forças armadas em Díli no final de Abril, garantindo que só nessa altura se sentirá honrado.

Regresso da população

A violência, indicou a ONU, levou ao êxodo de 70% dos habitantes de Díli, que têm o passado recente ainda muito fresco na memória. Nos últimos dias, os que procuraram abrigo nas montanhas começaram gradualmente a regressar, depois de há uma semana o próprio Xanana ter pedido aos responsáveis da Igreja Católica que convencessem os deslocados a voltar às suas casas.

Amanhã, Ramos-Horta inicia deslocações às zonas do distrito de Covalima, na fronteira com a Indonésia, para tranquilizar a população.

Várias fontes têm afirmado que nos últimos dias centenas de pessoas, na sua maioria indonésias, passaram a fronteira na sequência dos confrontos.

Visita à China

A provar o regresso à normalidade está a confirmação de que Xanana mantém a sua visita de Estado à República Popular da China, a iniciar no dia 29 deste mês, depois de esta já ter sido adiada três vezes.

`Não há razões para novo adiamento`, disse fonte da presidência timorense, precisando que a deslocação inclui uma paragem em Macau, provavelmente a 3 e 4 de Junho.

Xanana Gusmão efectuou em Novembro do ano passado uma visita privada à China, tendo ficado então prometido, durante um encontro entre o líder timorense e o vice-presidente chinês, Zeng Quinghongum, um reforço na ordem dos 5,2 milhões de euros na cooperação com Timor-Leste.

Congresso da Fretilin

À medida que a crise político-militar parece começar a diluir-se, as atenções concentram-se no congresso da Fretilin (partido do Governo), agendado para os dias 17, 18 e 19 (véspera do quarto aniversário da independência).

A aprovação das datas pelo Comité Central da Fretilin foi ontem confirmada pelo presidente do partido, Francisco Guterres `Lu-Olo`, em declarações ao correspondente da Lusa, Eduardo Lobato.

O número de candidaturas ao cargo de secretário-geral não é ainda claro, estando, para já, certa a de José Luís Guterres, embaixador de Timor-Leste junto das Nações Unidas. Este desafia a recandidatura de Mari Alkatiri que, caso saia derrotado, terá de abandonar também a chefia do Governo.


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