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Região: Timor
Tema: Sociedade / Política

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Timor: Matan Ruak ouvido pelo Ministério Público

26.07.2006
Díli, 26/07 - O brigadeiro-general Taur Matan Ruak será ouvido pelo Ministério Público timorense num processo relacionado com a morte de dez polícias, no passado dia 25 de Maio, em Díli, em plena crise político-militar.

Ainda sem data marcada, a audição daquele oficial, que é o comandante das forças armadas de Timor-Leste, `constitui um acto normal em qualquer processo de investigação`, precisou a fonte, que pediu para não ser identificada.

Os contornos violentos da crise em Timor-Leste desencadearam- se em finais de Abril e prolongaram-se pelos meses de Maio e Junho, com um saldo de cerca de 30 mortos, dezenas de feridos e cerca de 150 mil deslocados em campos de acolhimento distribuídos pelo país.

No passado dia 25 de Maio, militares dispararam contra agentes da polícia, tendo morto dez polícias e ferido 28 pessoas, incluindo dois polícias da ONU, um filipino e um paquistanês.

A fonte contactada pela Lusa salientou que o Ministério Público `abriu vários processos, relacionados com os actos de violência registados entre o dia 28 de Abril e o dia 25 de Maio`.

Dias depois do tiroteio, em declarações à imprensa, o coronel português Fernando Reis, destacado em Timor-Leste, em missão da ONU, disse que na origem do caso esteve o `descontrolo de um militar`.

O militar português, conselheiro especial que chefia o Grupo de Treino Militar e Aconselhamento (MTAG), esteve no centro das operações de rendição daqueles polícias, tendo liderado a coluna apeada que estava a ser transferida para as instalações da ONU em Díli.

Em contacto telefónico a partir de Lisboa, Fernando Reis assegurou à Lusa que o derramamento de sangue teve como causa `o descontrolo de um militar, logo seguido de mais dois`, que se cruzaram com a coluna e abriram fogo.

Fernando Reis explicou que `ninguém mandou desarmar ninguém, os polícias desarmaram-se livremente.

Foram eles que mandaram uma mensagem à UNOPOL (força de polícia das Nações Unidas em Timor-Leste) a dizer que queriam render-se, porque não conseguiam contactar o brigadeiro-general Taur Matan Ruak, comandante das forças armadas timorenses, F-FDTL`.

Uma vez que `havia cinco polícias da UNOPOL naquele comando e para evitar mais mortes e conseguir parar o tiroteio` o coronel Fernando Reis afirmou que expôs `a situação, que já era militar` a Sukehiro Hasegawa, o chefe da missão da ONU em Timor-Leste.

Depois de ter falado também com o brigadeiro-general Taur Matan Ruak, Fernando Reis deslocou-se `com dois militares do MTAG` ao comando da polícia, onde estabeleceu diálogo com o oficial da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL).

`Perguntei se sempre queriam render-se`, disse Fernando Reis à imprensa. `E expus as condições: quem se quer render, deixa a arma num carro que trouxemos e tem de vir comigo.

Quem não quiser entregar a arma, fica cá e sujeita-se`. O militar português referiu que, entretanto, `chegaram colegas da UNOPOL e mesmo os mais renitentes seguiram o conselho. Foi tudo voluntário. A UNOPOL não obrigou ninguém a render-se`.

Foi organizada uma coluna apeada, que seguiria atrás do militar português até às instalações da ONU em Díli. `Eram cerca de 80 homens, formados a três e, aos lados coloquei viaturas para proteger de qualquer incidente`, relatou Fernando Reis.

A coluna deparou-se, num cruzamento, `com três ou quatro militares` e, segundo Fernando Reis, elementos da UNOPOL e do MTAG adiantaram-se para lhes pedirem que se afastassem.

Foi aí que `um deles perdeu o controlo e atirou em alguém e isso foi um momento crítico`.

Em vão, tinha Fernando Reis pedido que `não corressem e não respondessem a provocações`.

De seguida, `outros dois soldados abriram fogo`. Fernando Reis disse ter ido no encalço dos três soldados que haviam disparado e levou-os ao quartel onde se encontrava Matan Ruak.

O comandante das forças armadas timorenses `pediu desculpa, mandou chamar os três militares` e, à frente do coronel português, anunciou-lhes que iriam `ser punidos`.

`Acredito no general Matan Ruak, que é um homem de honra e de palavra`, comentou Fernando Reis, que pela própria narrativa dos factos, considerou que `não faz sentido nenhum dizer que o episódio teve alguma intervenção política`.

`Incidente lamentável`, assim classificou Fernando Reis o episódio, `devido ao descontrolo de um militar. Não houve ninguém a dizer àquele louco para abrir fogo. Foi uma situação imprevisível, de alguém que, na altura, se descontrolou`.

A Lusa contactou hoje o brigadeiro-general Taur Matan Ruak a quem solicitou um comentário sobre a possibilidade de ser ouvido pelo Ministério Público.

`Não faço comentários à imprensa`, foi a resposta do oficial timorense.


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