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Região: Portugal
Tema: Sociedade / Política

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Mercado ibérico? Mercado espanhol!

03.10.2006
A veces pueden surgir proteccionismos disfrazados aquí y allá; deben ser resueltos con diálogo – disse o presidente Aníbal Silva, numa entrevista ao diário espanhol El País. Felizmente para Portugal, a ameaça de três pistoleiros da Eta deve ofuscar a visita de Cavaco Silva.

Ora, que se diga que o diálogo é o caminho certo para o ecumenismo e para a paz, todos nós compreendemos. Mas dizer que o diálogo pode resolver proteccionismos disfarçados é cruel.
O capital espanhol entrou em Portugal e tomou a economia portuguesa por uma bagatela, ao mesmo tempo que as empresas portuguesas têm de dar duas cambalhotas para vencer um concurso público em Espanha. Acontecimento que é, de resto, muitíssimo raro. É mais frequente ver passar o cometa Halley.

Mesmo assim, o nosso presidente crê no diálogo. Mas está muito errado. O diálogo pode ter funcionado quando Portugal tinha de negociar fundos comunitários. Era importante mostrar à Europa, com retórica, as necessidades lusas. Mas uma economia que quer ser competitiva não resolve os seus defeitos com diálogos. Ademais, o proteccionismo espanhol é oficioso. Vamos dialogar num cenário esotérico e delirante, que colocará os espanhóis em permanente negação.

[Nós, senhor Aníbal? Claro que não. As nossas empresas vencem porque são mais competitivas. Volte lá para Portugal e trabalhe mais um pouco. Olhe, diga ao senhor Sócrates, já que se dá bem com ele, para ir tributar o Camões e obrigue-o a libertar as empresas.]
Não é honesto dizer que as empresas espanholas são sempre mais competitivas.

Mas é verdade que a economia espanhola se protege, sem recorrer a leis ou demandas. É a cultura espanhola. Como é a cultura de muitas outras economias europeias, que se borrifaram nos princípios da união económica. Portugal foi mais papista que o papa e lançou-se de cabeça num projecto político mais recente que as máquinas de café expresso. Hoje, temos a nossa independência económica no estaleiro e à mercê de uma crise económica mundial que nos atire a todos para a agricultura (ou lavoura, como diz Paulo Portas).
Por outro lado, a agenda presidencial tinha de começar com a habitual subserviência aos espanhóis. E devo dizer, nesta fase, que eu não tenho o insuportável complexo nacional de Espanha nem bom vento nem bom casamento. Gosto muito de Espanha, aliás.
Todavia, a nossa obsessão económica com Espanha já se tornou uma patologia. Era muito mais útil uma visita oficial a Angola, país com fortes ligações a Portugal e com uma economia em crescimento. Sobre isto, conto-vos uma história.

Havia uma empresa portuguesa que apostava tudo em Espanha e desprezava o mercado angolano. Numa conferência, um responsável lembrava que Angola vivia muito de corrupção e que Espanha era o mercado certo para investir. Até no palanque, esse responsável estava em bicos de pés e aos saltinhos. [Espanha, Espanha, estamos aqui. Olhem tão crescidos que nós estamos.] Mais tarde e como não podia deixar de ser, essa grande empresa portuguesa foi parar às mãos de espanhóis. Os espanhóis, esses ignorantes, viraram-se para Angola e estão a crescer. Quem detinha essa empresa, antes de a dar aos espanhóis, estava sentado no Convento do Beato e é promotor do Compromisso Portugal. Há quem diga que é um grande empresário.

Seja como for, a utilidade das visitas oficiais do presidente deve ser preocupação nossa. Estreitar relações com países com quem já temos estreitas relações é um largo desperdício. E é grave quando o Chefe de Estado leva na bagagem uma capitulação. [Estiveram bem rapazes, tomem lá as chaves de Lisboa.]


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