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Região: Europa
Tema: Geoestratégia

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Putin critica política externa americana

11.02.2007
O Presidente da Rússia, Vladimir Putin, criticou ontem, em termos inequívocos, a política externa dos Estados Unidos, responsabilizando estes `por acções unilaterais e ilegítimas, que não resolveram um único problema internacional`.

O Presidente russo falava na 43.ª Conferência sobre Políticas de Segurança, em Munique, este ano consagrada às `Crises globais - responsabilidades globais`, onde pronunciou a principal intervenção do dia. Putin dedicou a maior parte da sua alocução a desmontar a política externa americana, criticando também o alargamento da Aliança Atlântica e o recurso à força - `o que só deve suceder em último recurso, e sob os auspícios das Nações Unidas`.

Exprimindo-se em russo, Putin afirmou viver-se hoje `num mundo unipolar`. Esta realidade, disse, `não significa senão uma coisa: um centro de poder, um centro de decisão agindo como senhor absoluto, um soberano incontestável, que acabará por desabar de dentro para fora. Isto nada tem a ver com democracia`. `Um Estado, os EUA` - acusou o dirigente russo - `ultrapassa, de todas as formas, as suas fronteiras`, o que origina uma situação de insegurança e incerteza `em que o direito internacional deixou de ter utilidade`.

No diagnóstico de Putin, a actual conjuntura favorece `a corrida aos armamentos` e a proliferação nuclear. Não referindo expressamente os conflitos do Iraque e do Afeganistão, onde os EUA estão envolvidos, Putin teve palavras de apreço directo para George W. Bush. `O Presidente dos EUA, que é meu amigo, tem sido criticado por tudo e por nada, mas é uma pessoa honesta. Ele diz que Rússia e EUA nunca voltarão a ser inimigos, e eu concordo com ele`, sublinhou o líder russo.

Putin falava perante cerca de 250 participantes na conferência, entre os quais se incluíam o alto representante europeu para a Política Externa e Segurança Comum, Javier Solana, o secretário-geral da NATO, Jaap de Hoop Scheffer, o secretário da Defesa americano, Robert Gates, e mais de 40 ministros da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, além de especialistas em questões de segurança e política internacional.

O líder do Kremlin pronunciou-se ainda contra a instalação de um sistema de mísseis americanos na Europa Central, contra uma solução para o Kosovo que não contemple, em paralelo, interesses sérvios e albaneses (ver também pág. 13), e o que classificou, sem mais detalhes, como a instrumentalização da OSCE.

A intervenção do Presidente russo, que participou pela primeira vez na conferência, foi considerada `provocadora`, pelo senador americano Joseph Lieberman, e `errada` e até `intimidatória` pelo senador e possível candidato presidencial John McCain, presentes em Munique. Já o secretário da Defesa, Robert Gates, limitou-se a considerá-las `muito francas e interessantes`. Hoop Scheffer, secretário-geral da NATO, também visada nas palavras de Putin, classificou como `decepcionantes`, `pouco produtivas` e `desligadas da realidade` as considerações do estadista russo.

A conferência foi inaugurada pela chanceler Angela Merkel que, na presença do principal negociador iraniano para o nuclear, Ali Larijani, avisou que este país deve renunciar à vertente militar do seu programa nuclear ou enfrentar a `determinação` da comunidade internacional. Merkel pronunciou-se sobre as questões da actualidade, realçando, entre outros, as alterações climáticas.

A conferência surgiu em 1962 por iniciativa de um editor alemão, Ewald von Kleist, sendo actualmente organizada por Horst Teltschik, antigo conselheiro de política externa e de segurança do chanceler Helmut Kohl.


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