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Região: Portugal
Tema: Geoestratégia

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Coisas politico-militares que se passam aqui ao lado

23.07.2008


Não nos temos cansado de dizer – com o êxito a que já estamos habituados -, que tudo o que de importante se passa na nossa vizinha Espanha devia ser objecto do melhor estudo e atenção.

Mas como para a opinião pública se clama que entre nós e a Espanha já só há bom vento e melhor casamento – embora ali para o lado de lá de Jurumenha, haja quem não seja da mesma opinião … -, para quê perder tempo com preocupações que só têm cabimento em mentes obtusas que insistem em andar com o passo trocado com a História? Bom bom, é a gente derramar a vista numa lânguida praia mediterrânica bebendo uma caña e petiscando uma tapita.


A espanholada também vai nisto, mas entre eles há quem se preocupe em, por exemplo, ir reforçando o seu Poder Militar. Vamos tentar ilustrar com alguns exemplos.


Comecemos pela Marinha: por alturas de Abril foi lançado à água em, Ferrol (Galiza), um novo porta-aviões e plataforma marítima, o Juan Carlos I, que só tem paralelo nos Marines americanos. Vai juntar-se ao “Príncipe das Astúrias”. Construíram ainda nos mesmos estaleiros cinco fragatas da classe Álvaro de Bazan que incorporam a mais moderna tecnologia, incluindo a de defesa aérea “AEGIS”. Construíram ainda dois modernos navios polivalentes logísticos, capazes de exercerem comando e controle, transportar tropas, navio hospital e reparação em alto mar. Estão em vias de comprarem ainda 20 mísseis de cruzeiro “Tomawak” aos EUA, para o que é necessário obter autorização do Congresso.


Quanto à Força Aérea procederam à modernização MLU (midle life update), das três esquadras de F18 (Torrejon, Saragoça e Las Palmas); dos Mirage F1 que têm em Albacete e já está operacional a primeira esquadra de Eurofighter (caça de última geração) em Moron, cuja construção partilham com a Inglaterra, a Itália e a Alemanha. Num outro projecto em que participam, o avião de transporte estratégico Airbus 400M, verão a sua 1ª aeronave ser entregue em Junho, de um total de 17! O mesmo MLU foi também feito aos vários P3M (anti-submarina) que possuem.


Em Madrid existem dois centros de satélites a funcionar, um a ser operado pelos países da UE, que integram o programa e outro só por eles…


O Exército está a ser equipado com a última versão do carro de combate “Leopard”, que já é fabricado às dezenas em Sevilha, e já operam 30 UAVs – veículos aéreos não tripulados - de alta tecnologia fabricados também em Espanha e até produziram doutrina sobre o seu emprego.


Estamos a falar de exemplos…


Significativo é o facto de se registar um desenvolvimento exponencial da Indústria de Defesa, que incorpora muita tecnologia de outras indústrias civis e que está apostada na exportação, como é o caso das fragatas. O governo espanhol tenta participar em tudo o que é projecto NATO e não só.

Vai receber, em termos permanentes o TLP (Tactical Leadership Program), um importante centro de desenvolvimento de tácticas aéreas, que transitarão de Bélgica para a base de Albacete, já no próximo ano.

E tendo os EUA denunciado o acordo de Defesa com a Islândia, afirmando que cabe aos europeus garantir esse defesa, de imediato os espanhóis se ofereceram para tomarem conta da respectiva Defesa Aérea (a rodar entre outros países que também a querem fazer). No final deste esforço e neste momento possivelmente, não haverá na Europa país que se lhe possa igualar em capacidade militar clássica. E isto note-se, sendo público e notório a pouca simpatia que o PSOE e sobretudo o seu líder e primeiro-ministro, José Luís Zapatero, nutrem pelas Forças Armadas; pelos graves problemas de recrutamento, da campanha anti-militar existentes em muitos meios e ainda por em alguns pedaços da Espanha (sobretudo o País Basco e a Catalunha) serem francamente hostis à presença de unidades militares.


E no meio disto tudo não deixa de ser curioso verificar o contencioso político com os EUA desde que o PSOE é governo o que levou Zapatero a nunca visitar aquele país e à descortesia de ter proibido o desfile de uma Companhia de Marines, no dia da Hispanidad (12/10) logo a seguir à sua primeira tomada de posse condescendendo apenas à presença do embaixador. E terem sofrido, mais tarde, o amargo de boca de verem os EUA oporem-se a uma candidatura do seu representante no Comité Militar da NATO, ao cargo do respectivo “chairman” (concorreu ainda o polaco e o italiano, ganhando este).


O Estado Espanhol diz abertamente que quer afirmar a Espanha como uma grande potência na Europa e no Mundo e as FAs fazem parte desta estratégia de afirmação. O que está certo. O que já parece menos certo é que as capacidades militares que se estão a construir, se destinam às missões de Paz e Humanitárias em que estão muito empenhados, como também afirmam. É que tal ultrapassa em muito tal desiderato. Convinha fazer algum estudo geoestratégico sobre todos estes assuntos, quanto mais não fosse para exercitarmos o intelecto…


Por sorte nossa ou inspiração divina, o actual primeiro-ministro português, elegeu o seu homólogo espanhol como o seu melhor amigo. Ficamos, assim, sossegados. E porreiros, pá.






Este texto foi publicado no site Jornal Defesa e Relações Internacionais.
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