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Região: Europa
Tema: Geoestratégia

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Geórgia: Mais longe da NATO

12.08.2008
Há já algum tempo que se falava de conversações entre a Rússia e a Geórgia; inicialmente desmentidas, foram depois reconhecidas oficialmente. Começou, então, a admitir-se na possibilidade de um entendimento sob a condição de a Geórgia deixar de insistir na entrada na NATO.

Para os habitantes da Ossétia do Sul não eram boas notícias. Crescendo o receio de que, nessas circunstâncias, pudessem perder a protecção russa começaram a concentrar-se em arranjar uma forma de inviabilizar qualquer acordo. Não foi difícil; bastou-lhes provocar alguns incidentes militares bombardeando algumas cidades georgianas.

Saakashvili, o presidente georgiano, eleito sob a promessa de que traria de volta as duas províncias separatistas, vendo aí uma oportunidade de fazer cumprir o seu compromisso, ordena a invasão da Ossétia do Sul. Por algum tempo, conseguindo um rápido controlo de Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul, pareceu que iria ter sucesso; mas foi só por um breve período, apenas enquanto a Rússia hesitava sobre a forma como deveria reagir. Tão cedo esta começou a avançar, com o envio inicial de 150 tanques e veículos blindados de transporte de pessoal, tudo começou a modificar-se, deixando a Geórgia numa situação militarmente insustentável.

Este desfecho era previsível; não foi, porém, para o Presidente Saakashvili que, incompreensivelmente, se “esqueceu” de que a Rússia não ficaria impassível perante a possibilidade de se ver obrigada a sair da Ossétia do Sul, onde mantém uma presença militar e onde tem o apoio geral dos sessenta mil habitantes, a maioria dos quais com passaporte russo.

Para o Presidente da Geórgia pareceu não bastar o desafio, por si muito alimentado, de conciliar a realidade inultrapassável de vizinho da Rússia com o de um país activamente pró-ocidental e fortemente empenhado em aderir à NATO, não obstante mais de 300 anos sob a órbita soviética. Achou que, mal grado a hostilidade com que a possível adesão à NATO é encarada pela Rússia, ainda teria campo de manobra para a obrigar a sofrer a humilhação de ter que desistir da protecção que há cerca de 15 anos dá às duas províncias separatistas.

Moscovo não poderia perder a oportunidade de mostrar de forma “exemplar” que, um dia, teria que fazer parar as sucessivas reduções da sua área de influência. Saakashvili deu-lhe a oportunidade e, dessa forma, comprometeu, talvez irremediavelmente, as hipóteses de manter em aberto a possibilidade de reunificar o país e manter as pretensões de que fez a bandeira do seu mandato presidencial. Foi irresponsável; mas desse mal também são culpados os que sempre o incentivaram a desafiar a Rússia, sem cuidarem de verificar estarem preparados para dar ajuda concreta se surgissem momentos difíceis.

Ao ceder à pressão americana, para dar luz verde a uma futura entrada da Geórgia na NATO, os europeus solidarizaram-se formalmente com esse processo mas o que ficou subjacente no espírito de muitos observadores foi a ideia de que o consenso só tinha sido possível por a decisão não referir uma data-limite para a sua concretização. Isso permitiria aos que sempre mostraram reservas à proposta dos EUA ir adiando sucessivamente a decisão final. Tendo agora mais motivos para não facilitar a adesão, não é de esperar que essa possibilidade esteja no horizonte.

Em qualquer caso, a evolução que a situação sofreu desde o passado dia 8 de Agosto ainda está longe de estabilizada; a Rússia não aceita o simples pedido de cessar-fogo pedido pelo Presidente Saakashvili; exige a retirada total do Exército georgiano da Ossétia do Sul e o compromisso de que não tornará a invadir a província separatista.

O que quer que a OSCE ou a UE consigam nos esforços de mediação em curso dificilmente retirará à Rússia a posição de vantagem com que sai deste conflito, não se sabendo sequer aonde parará a sua acção. Tudo isto poderia ter sido evitado com alguma moderação e bom senso; mas isso não são o tipo de atributos de que se pode orgulhar o Presidente da Geórgia.


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