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Região: Guiné Bissau
Tema: Sociedade / Política

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Golpe na Guiné: Paraquedistas e Fuzileiros em estado de alerta

07.10.2004
Chefes militares assassinados A Guiné-Bissau pode estar à beira de uma nova guerra civil. Na capital guineense vivia-se ontem à noite momentos de grande apreensão devido às eventuais consequências da tentativa de golpe de Estado que provocou a morte do chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Veríssimo Correia Seabra, e do chefe da Contra-inteligência Militar, general Domingos Barros, alegadamente executados por militares revoltosos de etnia balanta. Reivindicações salariais serviram de pretexto ao golpe de estado À hora de fecho desta edição, ainda não estava confirmada a morte de uma outra alta patente do Exército guineense, o chefe do Estado-Maior do Exército, Watna La Lai. Após negociações entre o governo e os revoltosos, cuja liderança não era conhecida, soldados amotinados retiraram de algumas posições que ocuparam em Bissau. Círculos políticos em Bissau contactados pelo Correio da Manhã temem o estalar de uma guerra civil com contornos étnicos e o recolher obrigatório foi decretado ao início da noite. É que ninguém tem dúvidas que os verdadeiros instigadores do golpe são militares balantas, etnia maioritária no país. E aponta-se ainda o dedo ao antigo presidente Kumba Ialá, também pertencente àquela etnia. Desde a passada sexta-feira que corriam rumores em Bissau da iminência de um golpe de Estado. Dúvidas completamente dissipadas no domingo. Porquê? O presidente Henrique Rosa, católico devoto e cidadão discreto, fez--se acompanhar na missa por um impressionante dispositivo de segurança. Os rumores cresceram, tendo como pano de fundo reivindicações salariais. Com efeito, parte do contingente guineense que participou, no ínicio do ano, na missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na Libéria, exigiam o pagamento dos salários. Mas não era segredo para ninguém que, como ontem reafirmou o primeiro-ministro, estavam a ser instrumentalizados “por certos círculos políticos”. Carlos Gomes Júnior não disse nomes mas era uma clara indirecta ao Partido da Renovação Social e ao seu líder histórico, Kumba Ialá. Kumba contou com o apoio de amigos balantas no Exército. Na primeira linha, Emílio Costa, vice-CEMGFA, que fugiu para Mansoa, a 60 km a norte de Bissau. Mas o homem do ‘barrete vermelho’ também contou com o apoio de Tagma Na Waie, inspector-geral das Forças Armadas e de Aniceto Na Flake, comandante do regimento dos comandos. TRISTE FIM DE `GOLPISTA` O general Veríssimo Correia Seabra era um “um golpista profissional”. No currículo deste homem discreto, grande fumador e sportinguista ferrenho, constavam três intentonas militares bem sucedidas. Em Setembro do ano passado, quando liderou o golpe de Estado que levou à destituição do então presidente, Kumba Ialá, chegou a sonhar com a presidência da República. A comunidade internacional ‘cortou-lhe as asas’ e o general teve de contentar-se com o cargo de chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas. Ontem, o feitiço virou-se contra o feiticeiro. `PARAS` E FUZOS EM ALERTA Pára-quedistas e fuzileiros foram ontem colocados em estado de alerta, na sequência dos acontecimentos na Guiné-Bissau, enquanto o Ministério dos Negócios Estrangeiros estabeleceu contactos com a embaixada portuguesa “caso se revele necessário garantir a protecção e segurança da comunidade portuguesa residente naquele país”, segundo um comunicado ministerial. De acordo com informações não oficiais, um batalhão de pára-quedistas e uma companhia de fuzileiros, cerca de 400 homens, receberam ordens para se aprontarem, no caso de ser necessário proceder a uma acção humanitária para resgatar eventuais cidadãos portugueses que se encontrem no país. A ordem é extensível a dois ou quatro navios da Armada mas é também provável que um C-130 tenha também recebido ordens para assumir providências.


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