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Região: Brasil
Tema: Exército

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A encruzilhada das tropas brasileiras no Haiti

13.11.2004
PORTO PRÍNCIPE, Haiti. Sem os recursos financeiros prometidos pela ONU e com poucas condições para auxiliar os oito milhões de habitantes do país mais pobre da América Latina, a força de paz brasileira que assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti poderá se tornar um pesadelo para o Itamaraty e o governo. Cinco meses depois de instalados na ilha caribenha, soldados e comandantes das Forças Armadas brasileiras percebem a cada dia o risco assumido pelo Itamaraty e o governo que, movidos pelo desejo de fortalecer a posição brasileira na disputa por uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, contaram com um apoio de ajuda humanitária que ainda não se materializou e com a simpatia de uma população que, nas últimas semanas, dá inúmeros sinais de hostilidade e decepção. Bônus e ônus a serem divididos Militares brasileiros advertem que o governo não pode cair na tentação de dar a impressão de que esta missão é somente brasileira e insistem com uma recomendação: — Por maior que seja o interesse do país em sair bem desta situação, nenhuma outra nação aceitará que sejamos os únicos a receber o bônus. Assim como esperamos dividir o ônus daquilo que der errado, não podemos esquecer que ninguém aceita que uma missão da ONU seja identificada como pertencendo a um só país — disse um militar. A política haitiana nunca conseguiu manter um regime democrático e viveu os dois últimos séculos mergulhada em ditaduras sangrentas e cruéis, que chegaram no governo do médico François Duvalier, conhecido como Papa Doc, em 1957, a um de seus momentos mais ferozes. Duvalier exterminou a oposição e implantou um regime de terror sustentado com os Tonton Macoutes (expressão que significa bicho-papão), sua polícia secreta. A conturbação política prosseguiu. Com a morte de Papa Doc, seu filho, Baby Doc, assumiu o poder. Somente em 1990 foram realizadas eleições livres, vencidas pelo padre Jean-Bertrand Aristide. Deposto e exilado, Aristide é o principal problema para aqueles que querem reorganizar o país, pois, segundo eles, é a fonte que estimula as gangues rebeldes, financeira e ideologicamente. — É o braço armado de Aristide, os chimères, que mantém esta situação entre a população, que vive na extrema pobreza, ainda o chama de Titide e conta com sua ajuda e sua proteção — explica outro militar. Militares temem que população se volte contra eles Em meio a essa situação, o Exército tenta assegurar alguma estabilidade. O Brasil tem 1.200 homens, mas também estão no Haiti tropas de Argentina, Uruguai, Jordânia, Nepal, Paraguai, entre outras. Os militares conseguem manter a segurança do país e até costumam afirmar que há bem mais casos de violência em um fim de semana no Rio de Janeiro do que em Porto Príncipe. O temor que cresce, entre eles, é que a violência se volte contra os soldados brasileiros: — A população tem um limite. Estamos aqui, armados, andando pela cidade. Garantimos alguma segurança, sim. Mas nada muda para eles. As toneladas de lixo continuam, a fome permanece, não há nada que lembre um lugar urbanizado. Emprego é um sonho. Até quando eles vão agüentar sem revidar? E, se revidarem, o que faremos? Vamos atirar? O Brasil, principalmente, deve ter a clara percepção de tudo o que está em jogo aqui. Só o governo pode conseguir que a ONU realize aquilo a que se propôs — disse um militar.


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