Força Aérea


Translation to English not responsability of areamilitar.net.
Service is supplied as is and correct interpretation is not guaranteed.
RAFALE: Franceses tentam mais uma vez !
Tentativa para vender caça, quando futuro da aeronave é questionado
14.12.2011


Tentando mais uma vez criar espaço para a venda do Rafale ao Brasil, o ministro francês François Fillon visita o país sul americano a partir desta quarta-feira, onde desenvolverá contatos com autoridades civis e militares.

O Rafale é um dos três aviões de combate que conseguiu chegar à fase final de decisão do programa F/X (na sua segunda implementação) até que o programa emperrou, com indefinições e incapacidade para tomar uma decisão que agradasse a gregos e a troianos.

O contrato para a venda ao Brasil de mais de 30 aviões foi visto durante muito tempo como «seguro» para os franceses, depois de o próprio presidente Lula da Silva ter declarado a preferência brasileira por um relacionamento estratégico com os franceses. Lula chegou a ser convidado de honra nas comemorações do 4 de Julho, o dia nacional da França.

A presidente brasileira Dilma Rousseva. O Brasil está entre a espada e a parede, pressionado por franceses e americanos, mas também está entre a fome e a vontade de comer, com os militares a pressionar por uma decisão, quando a FAB não consegue já responder aos seus compromissos em termos de defesa aérea.
Mas a proposta dos franceses começou a perder brilho e o problema não é exclusivo da proposta para o Brasil, porque o Rafale continua a ser preterido em todos os lugares, o último dos quais foi a Suiça, onde o caça sueco Gripen ganhou uma encomenda de duas dezenas de aeronaves.
Nos Emirados Árabes, a proposta francesa voltou a «patinar» e o que era visto como uma venda certa corre agora o risco de não ter futuro.

A mais importante negociação em curso é na India, onde uma possivel encomenda pode condicionar o futuro de todo o programa, dado o elevado numero de aeronaves que os indianos deverão adquirir.
Nesse programa no entanto, as coisas também não estão a correr bem e neste momento a balança aparenta pender para o lado do Typhoon-II do consórcio europeu Eurofighter.

Problemas

Vários problemas e desvantagens têm sido apontados ao avião francês e o mais importante, e normalmente o mais determinante de todos, é o elevado preço da aeronave.
Com problemas de economia de escala, o custo do Rafale dispara, enquanto que concorrentes como o Gripen mantêm um preço muito mais baixo, aproveitando que utilizam um motor comprado aos americanos da General Electric fabricado sob licença. Já os americanos da Boeing com o F18, têm a vantagem do grande numero de aeronaves produzidas que permite baratear os preços.

Mas os problemas do Rafale não ficam por aí, porque em termos de tecnologia a aeronave tem sido criticada. Os franceses aparentam em muitos casos apresentar soluções tecnológicas baseadas não em ideias e sistemas novos, mas na modernização radical de sistemas mais antigos que depois são apresentados como o último grito.
Esse tipo de estratégia tem sido também utilizado pelas empresas aeronáuticas da Rússia, mas com maus resultados. Exemplo disso foi a proposta de fornecimento de um modelo da família Sukhoi 27 ao Brasil, liminarmente excluída à há muito.

Já recentemente um responsável dos Emirados Árabes terão afirmado que a proposta da Dassault era impraticável e não competitiva. Também as comunicações publicadas pela «Wikileaks» mostravam que o rei do vizinho Qatar afirmou em 2010 que depois de ver as especificações, tinha concluído que o Rafale era um avião tecnologicamente ultrapassado.

No Brasil, do ponto de vista da França, o principal problema pode ser resumido a comentários «off the record» atribuídos a responsáveis franceses. Segundo estes, os brasileiros querem levar o Rafale de graça, querem os aviões, querem a tecnologia, querem as estruturas para aproveitar a tecnologia. Mas não querem sequer pagar o preço de um avião novo e ainda querem produzir componentes no país. Os franceses não querem oferecer o Rafale, acrescentam.
O Brasil acredita que a cooperação estratégica com a França deveria permitir aos franceses mais flexibilidade nas negociações, porque o que a França não ganha num contrato pode ganhar noutro. Mas a tese não conta com o fato de na França, os fabricantes dos vários setores industrias terem seus próprios interesses específicos, que não podem ser condicionados por causa da venda de 30 aviões.

A crise internacional e a necessidade de controlar as despesas de defesa, estão a provocar dores de cabeça aos responsáveis das três principais empresas envolvidas no Rafale, a Dassault a SNECMA e a SAFRAN, que temem cortes nos programas por parte das próprias autoridades francesas, forçadas pela legislação europeia que impede o aumento do deficit público.

Estes problemas levaram o ministro da defesa da França a anunciar que se não houver mais encomendas a linha de montagem do avião vai encerrar e a produção terminar dentro de poucos anos.
As declarações deixaram a área comercial da Dassault em estado de choque e rapidamente o ministro foi obrigado a explicar que mesmo que não houvesse encomendas a produção continua por mais alguns anos até terminarem as entregas ao governo francês e depois disso está garantida a continuação da produção de peças pelo menos durante mais 20 anos, o que permitirá manter as aeronaves em operação na primeira linha.

Futuro

Há no entanto quem afirme que o problema da Dassault, reside no fato de a empresa já ter aceite a ideia de que o Rafale será o seu último caça convencional. Depois do Rafale, o futuro estará em aeronaves não tripuladas, como o NEURON e no caso de a opção europeia passar por aeronaves tripuladas, essa opção vai, segundo a esmagadora maioria dos analistas, implicar uma cooperação intra-europeia. O substituto do Rafale, será provavelmente também o substituto do Gripen e do Typhoon-II. E essa aeronave será quase de certeza influenciada muito mais pela EADS e pelos interesses alemães que pelos interesses franceses.


Últimas noticias sobre este tema

Gripen da FAB: Contrato assinado

Saab Gripen E/F

FX: Rafale estaria de fora

Embraer pode desistir de vender Super Tucano

Novela brasileira do F/X-2

MMRCA indiano agita F/X-2 brasileiro

Rafale para a Índia pode deixar Brasil de fora

RAFALE: Franceses tentam mais uma vez !

| Forças Armadas de Angola | Exército Brasileiro | Exército Português | Força Aérea Brasileira | Força Aérea Portuguesa | Marinha do Brasil | Marinha Portuguesa | Forças Armadas de Moçambique | Forças Armadas da Guiné-Bissau | Timor - Sociedade | Forças de defesa de Timor | Brasil | Moçambique | Portugal | Listagem de todas as notícias | Listar todos os navios | Listar todas as aeronaves | Listar armas ligeiras | Listar todos os veículos | Listar todos os mísseis | Listar sistemas de artilharia | Artigos de opinião | Médio Oriente | União Europeia | Europa fora a UE | América do Norte | América do Sul e Caribe | África | Índia e Asia Central | Ásia e Oceânia|
  ---