Sociedade / Política


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Estudo mostra receios dos brasileiros
Estados Unidos são maior ameaça externa provável
05.01.2012


O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada [1] divulgou a meio de dezembro uma pesquisa realizada em várias regiões do Brasil, destinada a medir o que os brasileiros consideram ser uma ameaça. A pesquisa, integrada no SIPS (Sistema de Indicadores de Percepção Social), resultou de perguntas feitas a quase 3,800 pessoas em 212 municípios do país.

Os dados recolhidos permitem concluir que o brasileiro médio tem problema com o Crime Organizado, que foi escolhido por 54% como ameaça.
Depois do perigo do crime organizado destaca-se o perigo ambiental com 39%, e em terceiro lugar o perigo de um conflito com uma potência estrangeira, com 35%.
Curiosamente, a pesquisa também diz que 33% dos brasileiros vê como potêncial ameaça uma guerra com um país vizinho.
Na lista constam ainda as epidemias (30%) e o terrorismo, com 29%. A percentagem total ultrapassa os 100%, porque as respostas permitiam mais que uma opção.


Potenciais ameaças externas


Como referido acima, 35% dos brasileiros considera que existe a possibilidade de um perigo exterior e 33% considera que esse perigo poderá vir de um país com o qual o Brasil tem fronteira. Os números se sobrepõem.

A pesquisa diz que 50% dos brasileiros acredita claramente que nos próximos 20 anos existe a possibilidade de um conflito envolvendo a Amazônia. Outros 30% não acreditam e 17% acha que existe alguma possibilidade de esse conflito se desenvolver.
Já um conflito sobre a região do pre-sal, há menos brasileiros a acreditar nessa possibilidade (46%) e mais achando que não existe essa possibilidade (34%).

De onde vem a ameaça

Torna-se porém claro que quando têm que determinar qual a origem da ameaça os brasileiros são menos indecisos, já que dos entrevistados, 37% apontaram os Estados Unidos como principal fonte de ameaça[2], ainda que países como a Argentina com 15%, Bolivia com 12% ou Colômbia com 11% também tenham alguma relevância.

As provaveis ameaças


Por regiões as diferenças relativamente à precepção da ameaça também são curiosas de analisar. Assim, Os Estados Unidos aparecem sempre como principal ameaça, mas é no norte que a possibilidade de um conflito com aquele país é mais apontada como possível. Também é verdade que no norte, correspondente principalmente aos estados do Pará e do Amazonas, existe uma maior percepção de ameaça relativamente a quase todos os restantes potênciais inimigos.

Já no sul do país, correspondente aos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, a percepção de uma ameaça norte-americana desce dramaticamente. Continua a ser a principal ameaça, mas está praticamente ao nível da ameaça argentina e boliviana.
Depois de Estados Unidos e Argentina os receios brasileiros dividem-se por bolivianos e colombianos. No nordeste e centro-oeste, o quarto lugar da ameaça vai para a Rússia, que é substituída nessa posição no sudeste, pela China.


Potenciais aliados


A pesquisa apresentada pelo instituto IPEA, apresenta alguns dados que podem ser considerados contraditórios e que necessitam mais trabalho e cruzamento de dados adicional.

OS provaveis aliados


Ocorre que quando perguntados sobre que países poderão ser aliados e parceiros estratégicos do Brasil, os Estados Unidos aparecem na frente, embora de maneira menos destacada. Em três das cinco regiões, o país norte-americano aparece em primeiro lugar como o aliado estratégico provável, no sudeste aparece ao mesmo nível da Argentina e só no Sul, a preferência pelos argentinos como principal provável parceiro estratégico é claramente superior.
Na terceira posição aparece a China e na quarta praticamente empatados aparecem três países ou grupos: Bolivia, Paraguai e países da União Européia (por essa ordem).

Valores médios

Quando consideramos os valores para potênciais aliados como positivoe e potênciais inimigos como negativos, podemos fazer um curioso exercício, em que se deduz o valor negativo do valor positivo.

A diferença entre provavel adversário e provavel inimigo


Desta operação aritmética resulta a confirmação do tradicional otimismo brasileiro. É muito maior o número de países que tem uma opinião positiva e é visto mais como aliado que como inimigo.

Desta análise destaca-se o valor positivo da Argentina, que aparece como o país com melhor relação entre possível adversário e possível parceiro. Em segundo lugar na lista aparece o Paraguai e o terceiro lugar é ocupado pela China. No lugar oposto estão os Estados Unidos, a Russia e a Colômbia, esta última com um valor inferior a (-1).

Quem é importante ?

Outra comparação que se pode fazer com base nos dados divulgados, resulta da soma das percentagens positivas e negativas (possíveis aliados e possíveis adversários). Esta soma permite determinar quais os países mais importantes para o Brasil (seja de forma negativa ou positiva).


Gráfico que explica quais são os países mais relevantes para os brasileiros


Sem grandes surpresas, os Estados Unidos aparecem destacados. A Argentina está isolada no segundo lugar a uma clara distância do grupo dos terceiros, Paraguai e China. Em quarto lugar aparecem os países da União Européia. Depois vêm Paraguai e Colômbia.
Nos últimos lugares da relevância estão Rússia e Venezuela, praticamente empatados e a lista é fechada com a Índia, o país menos relevante do ponto de vista dos brasileiros.


Conclusões


Não é possível retirar grandes conclusões de uma pesquisa que não está concluida e sem que seja possível fazer um cruzamento de dados mais completo. Não é por exemplo possível determinar qual a relação entre a percepção da ameaça e o posicionamento político do eleitor.

O fator mais saliente da pesquisa é a posição dupla do Brasil relativamente aos Estados Unidos. Uma relação de Amor-Ódio que se explica principalmente com a obsessão brasileira com o reconhecimento do Brasil como potência dominante na América do Sul, algo que o Brasil pretende desde que o país entrou na II guerra mundial, até aos dias de hoje.

Também há que considerar o que muitos descrevem como paranoia anti-americana da extrema-esquerda brasileira, muito influenciada pelo revanchismo e pela volta ao poder de antigos extremistas de esquerda que em muitos casos conheceram as prisões do regime militar imposto em 1964, como é o caso da própria presidente brasileira.
Para a esquerda brasileira, os sofrimentos impostos aos líderes esquerdistas foram resultado da pressão americana.

Mas os receios não são exclusivos da extrema-esquerda e chegam até à direita brasileira, que nunca digeriu os embargos norte-americanos que se seguiram ao golpe militar de 1964.
Foi inicialmente o regime militar e a direita brasileira que iniciou e desenvolveu um programa nuclear, que nos últimos anos passou a ser um objetivo de vários setores da esquerda brasileira. Não pretendendo oficialmente desenvolver armamentos atômicos, o governo do Partido dos Trabalhadores (esquerdista) pretende gastar vários bilhões num programa de desenvolvimento de submarinos nucleares de ataque.




[1] - O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) é uma fundação pública federal vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.
[2] – A soma do fator «ameaça» dos países vizinhos atinge 50%.


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